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4  Analysen av kontantstøttediskursen

4.4    STATSBUDSJETTET FOR 2010 – Stoltenberg II

A participação do surdo na sociedade e na construção de sua própria história, enquanto povo surdo foi primordial para que a sua cultura pudesse ser valorizada. Deste modo, todo o dia 26 de setembro, data de fundação o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos, os surdos saem às ruas usando a fita azul expressando o orgulho que tem em serem surdos. A fita Azul é utilizada pela comunidade surda como representação da opressão enfrentada ao longo da História. Ela representa o orgulho em ser surdo e serve também para homenagear os surdos que foram mortos no período nazista.

Assim, foram abertas novas possibilidades na contemporaneidade, como o aparecimento dos telefones celulares, a criação de aparatos tecnológicos para comunicação, adaptação de ambientes, eventos que integram esse público, entre outros. Apontaremos nestes itens a criação desses artefatos visto que a História e trajetória das comunidades surdas são preciosas de onde advém ricas experiências que foram pesquisadas e trazidas ao nosso conhecimento.

A primeira inovação foram os celulares que possibilitavam enviar mensagens de texto. Os surdos acabaram por deixar de lado os telefones TDD’s e passaram a

utilizar o instrumento como principal canal de comunicação. E para revolucionar ainda mais os celulares, surgiram os sistemas Android e IOS. Eles permitem a instalação de aplicativos que auxiliaram fortemente a vida do surdo.

Falaremos em primeiro lugar dos aplicativos ProDeaf e Hand Talk que são softwares capazes de traduzir texto e português oral para a Libras. O objetivo dos dois aplicativos é de permitir a comunicação entre surdos e ouvintes promovendo acessibilidade, interação e inclusão social.

É interessante mencionarmos que o ProDeaf foi criado pelos alunos do curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Pernambuco. Os estudantes precisavam desenvolver um projeto dentro do curso e criaram o aplicativo que é usado por surdos, ouvintes, empresas e escolas de todo o Brasil.

Figura 7 – Aplicativo Hand Talk

(fonte: http://techapple.com.br/2013/08/hand-talko-aplicativo-que-traduz-portugues-para-lingua-de- sinais-libras/) Figura 8 – Aplicativo ProDeaf

(Fonte: http://exame.abril.com.br/blogs/aplicativos/iphone/tradutor-de-libras-prodeaf-ganha- versao-para-ios/)

Outro aplicativo também muito usado por surdos é o Dragon Dictation. Trata- se de um aplicativo que transforma a fala de uma pessoa em texto e em seguida permite aos seus usuários encaminhar o texto por e-mail, redes sociais ou por mensagem. O programa foi criado com o intuito de ajudar a todos aqueles que não queriam perder tempo digitando textos. Os surdos aderiram o Dragon Dictation, mas com outra intenção, a de estabelecer comunicação de forma rápida com ouvintes que não conhecem a língua de sinais. Ao invés de ser utilizado um bloco de anotações e caneta para uma conversa escrita, o aplicativo facilitou esse processo.

Figura 9 – Aplicativo Dragon Dictation

(Fonte: http://otswithapps.com/2011/10/10/dragon-dictation-app/) Outro fato importante é a comunidade do Facebook #aquitemlibras. É um projeto que visa à inclusão social de surdos em restaurantes, lanchonetes, baladas e etc, incentivando ouvintes em Língua Brasileira de Sinais para atendimento aos surdos.

Figura 10 – Foto da comunidade do facebook #aquitemlibras

Citamos também a TV INES, criada por meio da associações INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos e Educativa Roquette-Pinto (ACERP) que dá acesso aos surdos e ouvintes a uma programação totalmente inclusiva em Língua de Sinais. A TV também é disponibilizada pela internet de forma acessível a todos. A TV INES prioriza em sua programação a língua de sinais disponibilizando legendas para os ouvintes que não conhecem a Libras e querem acompanhar tornando a programação bilíngue, ou seja, acessível em duas línguas. A TV, embora tenha uma programação bem ampla e eclética, trabalha mais com aspectos educacionais e artísticos como: esporte, músicas traduzidas em Libras, informações, cultura surda, entretenimento, documentários, tecnologia em Libras, aulas de Libras e etc.

Figura 11 – Logotipo da TV INES

(Fonte: http://acerp.org.br/projetos/tv-ines/) O Espaço Libras4, também deve ser lembrado, disponibilizado na plataforma do PPGL – Programa de Pós-graduação em linguística da Universidade de Brasília, visa a informar surdos e ouvintes sobre as leis atuais e vigente do país, disponibilizando artigos sobre diversos temas relacionados à surdez e à Libras, informa também sobre eventos que possam acontecer sobre inclusão e acessibilidade.

O tema surdez também está presente na peça de teatro “Tribos”. Escrita por Nina Raine e dirigida por Ulysses Cruz, tem como atores principais Antônio Fagundes e Bruno Fagundes. A peça foi encenada no período de 11 de setembro à 13 de dezembro de 2015 no teatro TUCA na PUC-SP, no bairro de Perdizes e conta a história de um rapaz, Billy, que nasceu surdo em uma família de ouvintes. A família superprotege Billy até que ele se apaixona por uma jovem surda que utiliza a língua de sinais e essa situação começa a mudar, então o rapaz sai em busca da construção de sua identidade. A encenação mostra a realidade de tantos surdos

espalhados pelo mundo. Após a apresentação os atores provocam uma conversa com o público sobre a Libras, a cultura surda e a acessibilidade. Há uma crítica a fazer, talvez a peça ficasse ainda mais rica com a participação de artistas surdos.

Figura 12 – Cartaz da Peça “Tribos”

(Fonte: https://blogreveja.wordpress.com/tag/teatro-tuca/) Trazemos ao conhecimento os trabalhos desenvolvidos em Museus que dão acessibilidade cultural aos surdos como:

 MAM – Museu de Arte Moderna, localizado na cidade de São Paulo, no bairro do Ibirapuera que dispõe de videoguia, um tablete que contém vídeos de um guia trazendo informações da exposição. Além disso há seis anos, Leonardo Castilho, surdo, é arte educador no MAM e faz visitas guiadas para surdos.  A Pinacoteca de São Paulo possui uma educadora surda que, quando

agendada, faz visitas guiadas a algumas obras escolhidas, As visitas demoram cerca de uma hora e meia. Além da educadora surda, o Museu também possui videoguia.

 Museu Afro-Brasil ainda não possui a tecnologia do vídeoguia, mas tem um educador surdo, Edson que faz o acompanhamento dos visitantes surdos provocando-os a uma reflexão sobre as exposições.

 O Guia de Acessibilidade Cultural, um projeto desenvolvido pelo instituto Mara Gabrilli, é uma associação sem fins lucrativos, que criou um guia facilitador que amplia a inclusão de pessoas com deficiências nos espaços culturais. O guia disponibiliza informações sobre os espaços culturais que dispõe de recursos de acessibilidade na cidade de São Paulo para as pessoas com deficiência. O acesso ao guia pode ser pela internet, ou impresso acompanhado de um audiolivro para deficientes visuais.

Ainda temos muito a contribuir com a acessibilidade e respeito à comunidade surda dando a possibilidade dos surdos utilizarem a língua de sinais e vivenciarem e explorarem a sua cultura visual. Entretanto, é possível perceber que a cultura surda tem ganho espaços e ações que poderão despertar tantas outras possibilidades.

CAPÍTULO 2

PROCESSO EDUCATIVO DO SURDO

Como funciona o processo educativo do surdo? Como o surdo aprende a Libras? Como desenvolve os sinais? Existem níveis para esta aprendizagem, assim como aquisição na língua oral? A alfabetização em língua portuguesa é feita da mesma forma que um aluno ouvinte? O que é educação bilíngue para os surdos? Estas perguntas tecem os conceitos de educação, diversidade e diferença. A compreensão equivocada desses conceitos pode influenciar a forma como esse sujeito aprende.