4 Analysen av kontantstøttediskursen
4.3 STATSBUDSJETTET FOR 2005 ‐ Bondevik II
4.3.1 Budsjett‐innst. S. nr. 2 (2004‐2005)
Uma provável incapacidade pode ocultar verdadeiras aptidões e engenhosidades quando pensamos no surdo. Ao contrário dessa incapacidade, muitos surdos narram-se como pessoas hábeis, talentosas. Há comunicação de forma natural entre si, melhoram a auto-estima e têm um excelente desempenho nos estudos, na vida social, afetiva etc.
Sendo assim, antes de aprofundarmos o que se poderia chamar de cultura surda, há a necessidade de ampliarmos o conceito sobre cultura em uma perspectiva de valorização das diferenças.
Conforme o dicionário Houaiss “cultura” quer dizer: 1. Ação ou efeito de cultivar a terra, cultivo; 2. Criação de certos animais; 3. Produto de tal cultivo ou criação; 4. Conjunto de padrões de comportamentos, crenças, costumes, atividades etc. de um grupo social; 5. Forma ou etapa evolutiva das tradições e valores de um lugar ou período especifico; civilização; 6. Conhecimento ou instrução.
Para o senso comum, “cultura” quer dizer um vasto saber acadêmico, conhecimentos adquiridos através de muito estudo, algo erudito. Podemos citar como exemplo as seguintes frases: “O povo não tem cultura”, “Nossa como esse menino tem cultura” ou “O fulano não tem cultura”.
De acordo com Laraia (2001, p. 26),
No final do século XVIII e no princípio do seguinte, o termo germânico
Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de
uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês
Culture, que "tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo
complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade". Com esta definição Tylor abrangia em uma só palavra todas as possibilidades de realização humana, além de marcar fortemente o caráter de aprendizado da cultura em oposição à ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
A definição usada por Edward Tylor, em oposição à ideia de aquisição inata, nos permite aprofundarmos a ideia de que como outros animais, o homem encontrou meios para a convivência e sobrevivência em comunidade e o fez bem, mas de forma mais complexa, produzindo cultura. Se de um lado manifestou-se o instinto de outro há a aquisição da cultura por meio da transmissão de seus antepassados. Esse fenômeno é citado por Cassirer (1977, p.42-43) quando afirma que,
É o mesmo anel de ferro da necessidade, envolvendo tanto a nossa vida física quanto a cultural. Em seus sentimentos, inclinações, ideias, pensamentos e na produção de obras de arte o homem jamais pode sair deste circuito mágico. Podemos considerá-lo como um animal de espécie superior, que produz filosofias e poemas [...].
Sendo o homem um animal superior, é o único capaz de produzir cultura, e essa possibilidade de criação humana, acaba por transformar o seu meio social, quando o sujeito modifica a natureza e cria seus símbolos. Cassirer (1977) comprova essa afirmação quando diz que o homem é um animal simbólico.
Deste modo para Cassirer (1977, p. 43), "cada pensador nos dá uma visão especial da natureza humana", ou seja, o homem atribui significados diferentes aos objetos e somente ele, dentro de sua comunidade, é capaz de entender e compreender o sentido e significado desse objeto.
A partir disso surgem as relações entre os homens, o mundo simbólico, os saberes que são arraigados se tornando o mundo da cultura. Podemos dizer que o simbolismo citado por Cassirer (1977) está em toda parte. Seja para interpretar, representar, compreender ou transmitir a realidade vivida pelo homem.
Segundo Cassirer (1977, p.49), "o homem, por assim dizer, descobriu um novo método de adaptar-se ao meio. Entre o sistema receptor e o sistema de reação que se encontram em todas as espécies animais, encontramos no homem um terceiro elo, que podemos descrever como o sistema simbólico". Por este motivo o homem é considerado um animal simbólico, pois possui um pensamento diferido.
O pensamento diferido humano vai além da ação e reação de qualquer animal. Se observarmos os animais, vemos que para cada ação, as reações são executadas de forma imediata. Por exemplo, se chamarmos a atenção de um cachorro com sua coleira, ele já saberá que sairá para passear e sempre dará a mesma resposta. Ao contrário, o ser humano pensa e responde de acordo com sua cultura e seu pensamento individual e isso permite múltiplas ideias e interpretações frente à realidade. Isso faz com que as relações humanas sejam muito mais interessantes, complexas e frutíferas.
Desta forma, podemos chegar a conclusão de que o indivíduo, ao nascer e permanecer dentro de um contexto social seja ele qual for, é atravessado pela cultura e marcas culturais que influenciam as relações sociais dentro dela. Seria impossível não ser atravessado pela cultura. Conforme Laraia (2001, p. 16),
Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado. Em outras palavras, se transportar-mos [sic] para o
Brasil, logo após o seu nascimento, uma criança sueca e a colocarmos sob os cuidados de uma família sertaneja, ela crescerá como tal e não se diferenciará mentalmente em nada de seu irmãos de criação.
Podemos perceber, portanto que a cultura é um conhecimento adquirido, mas está sempre em mutação devido aos contextos sociais que a compõem. Laraia (2001) cita que “em 1871, Tylor definiu cultura como sendo todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, como diríamos hoje”. É aprendido no convívio com a sociedade.
Mas afinal o que é a sociedade? Podemos definir sociedade como um agrupamento de pessoas que possuem relações políticas, culturais e econômicas. Dentro de uma sociedade, há pelo menos, uma cultura e uma língua em comum. Os integrantes da sociedade obedecem às leis que são criadas, seguem os costumes e tradições que são comuns a eles estabelecendo relações humanas. Neste sentido, podemos dizer que a cultura molda o ser humano às necessidades da sociedade a qual ele pertence, ora modelando-o, ora remodelando-o.
É importante pensamos que as sociedades são diferentes umas das outras e esses sistemas se diferem de forma natural. Cada sociedade possui a sua maneira única de simbolizar; assim, segundo Laraia (2001, 57), “para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou”. Portanto, podemos afirmar que não existe um único tipo de cultura (monocultura) dentro de um mesmo grupo social a cultura pode variar. Os costumes, tradições, crenças, a forma de comunicação, a língua podem variar.
Segundo Cassirer (1977, p. 62), "em suma, podemos dizer que o animal possui uma imaginação e uma inteligência práticas, ao passo que só o homem criou uma forma nova: uma imaginação e uma inteligência simbólicas".
E como forma de manifestação da inteligência simbólica o homem utiliza a linguagem. A linguagem também é uma atividade simbólica, sendo o principal veículo de transmissão de ideias e fatos oriundos de suas comunidades culturais.
De acordo com Cassirer (1977, p.65),
com sua universalidade, sua validade e sua aplicabilidade geral, o princípio do simbolismo é a palavra mágica, o Abre-te Sésamo!, que
dá acesso ao mundo especificamente humano, ao mundo da cultura. Uma vez que o homem se acha de pose desta chave mágica tem assegurado o progresso ulterior. Tal progresso, evidentemente, não é detido nem impossibilitado por nenhuma lacuna do material do sensível.
A chave mágica, assim dito por Cassirer é a língua humana, a comunicação humana que permite a troca de informações e compreensão das manifestações simbólicas culturais.
Laraia (2001, p. 53) afirma que a comunicação é um processo cultural e que a linguagem humana é produto da cultura e que “não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral”. Pensar em outra possibilidade de sistema articulado seria cabível aqui também como a língua de sinais. Compreender a língua de sinais como um sistema articulado capaz de fortalecer a comunicação entre um grupo específico se oferece como um espaço de reflexão para compreender a cultura surda.
Segundo Lacerda & Santos (2013), Gesser (2009), Goldfeld (2001) a língua de sinais teve o seu reconhecimento linguístico a partir de estudos realizados pelo linguista americano William Stokoe em 1960. Esses estudos apresentaram evidências de que a comunicação sinalizada tinha o estatuto de língua semelhante aos das línguas orais.
Como vimos, os conhecimentos adquiridos, a participação em uma cultura se dá dentro de uma sociedade conforme o sistema de codificação produzido por uma linguagem e por meio dela é que isso pode ser transferido a outra pessoa e isso automaticamente reflete na formação da identidade cultural do sujeito. “Para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou”, diz Laraia (2001, p. 53). Desta forma fica evidente que a língua e sua aquisição guardam e transmitem conhecimentos historicamente acumulados pelo homem.
Se os surdos possuem uma língua visuo-gestual diferente da língua oral, então entendem e percebem o mundo diferente dos ouvintes que utilizam a língua oral e tem, portanto, uma cultura singular: a cultura surda. Neste sentido, para Strobel (2009, p. 27):
Cultura surda é o jeito de o surdo entender o mundo e de modifica-lo a fim de se torna-lo acessível e habitável ajustando-o as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades
surdas e das “almas” das comunidades surdas. Isso significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e os hábitos do povo surdo.
Nessa perspectiva, o desenvolvimento da língua está ligado à identidade cultural de cada indivíduo. E as identidades culturais surdas são formadas de acordo com as representações construídas acerca da cultura surda e o nível de aceitação ou recusa dessa cultura.
Sobre o processo de transmissão cultural e as identidades surdas, Strobel (2009, p. 29) alerta:
[...] muitas vezes o processo de transmissão cultural de surdos ocorre com muitos sujeitos surdos somente na idade mais avançada, já adultos, porque a maioria deles tem família ouvinte, ou porque, pela imposição ouvintista, nem frequentam as escolas de surdos e ficam sem contato por muito tempo com a comunidade surda.
A cultura não é inata e sim adquirida no contato em sociedade e consequentemente a falta de contato por muito tempo com a comunidade surda, ou nenhum contato distancia o surdo da aquisição da cultura visual.
Os surdos brasileiros e suas comunidades deixaram muitas tradições, como: a comunicação por meio da língua de sinais e suas histórias de lutas, conquistas e repressão e daí surgiram então certas organizações, associações, clube dos surdos tendo um papel muito importante na transmissão, politica, esportiva, religiosa e cultural entre os surdos. O papel dessas organizações é fundamental para a preservação da Libras.
Vale mencionar que existem muitas associações surdas espalhadas pelo mundo, podemos citar aqui a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, conhecida como CBDS, fundada em 1984, que tem como intuito o desenvolvimento esportivo dos surdos brasileiros. A FENEIS, Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos, fundada em 1987, que tem como atua como uma associação que visa a integração do surdo na sociedade. A ASSP, Associação de Surdos de São Paulo, fundada em 1954, é uma associação católica que tem como objetivo lutar por políticas públicas que favoreçam aos surdos entre outras.
Muitas vezes crianças surdas filhas de famílias ouvintes são impedidas de participar ativamente da cultura surda devido à prática do ouvintismo:
É evidente que as identidades surdas assumem formas multifacetadas em vista das fragmentações a que estão sujeitas face a presença do poder ouvintista que lhes impõe regras, inclusive, encontrando no estereótipo surdo uma resposta para a negação da representação da identidade surda ao sujeito surdo. (Perlin 2010, p.54)
O desenvolvimento da linguagem está ligado ao desenvolvimento da personalidade do sujeito, constituindo assim a sua identidade cultural. É pela linguagem e aquisição de língua que o individuo expressa/modela seus pensamentos, suas vontades ela é um veiculo ao qual ele influencia, é influenciado e permite a propagação cultural.
Assim, cada sujeito que pertence a uma sociedade precisa também ser identificado como único, com suas particularidades, preferências, singularidades, necessidades e valores.
Vejamos o caso de um ouvinte. Segundo Ribas (2011, p. 60),
A criança que ouve estabelece sua capacidade de conversação através do diálogo com os outros que também ouvem. É por esse canal que ela reconhece a si própria e organiza seu mundo, pois no seu meio ambiente todos – incluindo obviamente ela própria – ouvem, entendem e respondem dentro do mesmo código linguístico, cujo transmissor mais importante é o som.
Deste modo, se é pelo canal do som que a criança ouvinte constrói sua identidade, é por meio do canal visual que a criança surda constrói a sua. De acordo com Ribas (2011, p.60),
Mas o som não está presente na vida da criança surda. Por isso, no mundo inteiro, a língua materna dos surdos pode não ser a mesma dos que ouvem. A primeira língua que aprendem não é necessariamente o português, o inglês ou o francês – transmitidos pelo som. É a língua de sinais – transmitidas pelos gestos simbólicos.
Ao pensar em cultura surda, Skliar (2010, p. 28) descreve a surdez como uma experiência visual e aponta que “isso significa que todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de compreender o universo em seu entorno se constroem como experiência visual”.
Da mesma forma, Perlin (2010, p. 56) afirma que:
A cultura surda como diferença se constitui numa atividade criadora símbolos e práticas jamais conseguidos, jamais aproximados da
cultura ouvinte. Ela é disciplinada por uma forma de ação e atuação visual. Já afirmei que ser surdo é pertencer a um mundo de experiência visual e não auditiva.
Antes de aprofundar melhor a essa experiência visual cabe aqui falarmos sobre as identidades surdas.
As identidades surdas são influenciadas pela coletividade e pela imposição ouvinte no sentido de corrigir o “corpo danificado” impedindo assim o surdo de construir a sua própria identidade cultural.
Esse impedimento forma uma grande diversidade de identidades culturais assumidas pelos surdos. Perlin (2010) cita cinco tipos:
identidades surdas: presentes nos grupos de surdos que fazem uso das experiências visuais, é usuário da língua de sinais e defende identidade e cultura próprias que emergem das comunidades surdas. Perlin (2010) valoriza a construção de uma “identidade política surda”, os surdos adultos, no encontro das comunidades surdas são levados a interagir intensamente com os demais integrantes surdos, desta forma ele vai construir sua identidade surda fortemente centrada no ‘ser’ surdo.
identidades surdas híbridas: vividas por surdos que nasceram ouvintes e ao longo da vida tornaram-se surdos. Como surda híbrida, Perlin (2010, p. 64) cita a sua experiência:
Isso não é tão fácil de ser entendido, surge a implicação entre ser surdo, depender de sinais, e o pensar em português, coisa bem diferente que sempre estarão em choque. Assim, você sente que perdeu aquela parte de todos os ouvintes e você tem pelo meio a parte surda. Você não é um, você é duas metades.
identidades surdas de transição: surdos que foram mantidos sob a ideologia dominante ouvinte, passaram pelo processo de ouvintização e ao entrar em contato com a comunidade surda passaram pelo processo de desouvintização. A transição é o momento da passagem do mundo de sons ao mundo das imagens. Para Perlin (2010, p. 64) “embora passando pela ´desouvintização´ os surdos ficam com sequelas da representação que são evidenciadas em sua identidade em reconstrução nas diferentes etapas da vida”.
identidades surdas incompletas: são surdos que vivem uma sob a ideologia ouvintista e sob a hegemonia dos ouvintes, pois estes exercem grandes poderes sobre os surdos o que é difícil de ser quebrado. Segundo Perlin (2010, p. 65), “além dessa identidade que nega a representação surda, suponho uma outra identidade: quando o surdo nega a identidade surda. Igualmente a enquadro nessa categoria por existir uma representação da identidade ouvinte como superior”.
identidades surdas flutuantes: são surdos que vivem se manifestam sob a hegemonia ouvinte, alguns conscientes e outros não conscientes de viverem assim. Perlin (2010, p. 66) “existem surdos que querem ser ouvintizados a todo custo. Desprezam a cultura surda, não tem compromisso com a comunidade surda. Outros são forçados a viverem a situação como que conformados a ela”.
A partir dos estudos de Perlin, percebemos que uma socialização inadequada poderá trazer sérias consequência à formação da identidade surda. Laraia (2001, p. 87) aponta que uma socialização inadequada leva um individuo a não conhecer as regras de seu grupo:
Embora nenhum indivíduo, repetimos, conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo. Além disto, este conhecimento mínimo deve ser partilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos.
Cada cultura possui uma lógica em seu sistema e não cabe a um sistema discriminar o outro, jugando-se melhor ou pior pela sua cultura. Conforme Laraia (2001, p. 88), “todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para outro”.
Ainda que, comportamentos etnocêntricos geram atitudes e percepções negativas dos padrões culturais diferenciados sendo consideradas absurdas e imorais as práticas de outros grupos, de outros sistemas.
No caso dos surdos, é muito importante que conheçam a cultura visual para que possam compartilhar seus costumes, História, tradições. Segundo Laraia (2001), é importante que exista o mínimo de envolvimento do indivíduo nos assuntos de sua cultura para que haja participação e articulação com os demais membros da sociedade em que ele participa.
Para os surdos, a ausência do som e da audição faz com que percebam o mundo por meio dos olhos e de tudo o que é visual que acontece perto deles. É a substituição da audição pela visão. Sengundo Strobel (2009, p. 40), “essas percepções visuais abrangem, através de expressões faciais e corporais, as atitudes dos seres vivos e de objetos em diversas circunstâncias [...]”.
Afinal quais seriam as produções culturais desenvolvidas pelos surdos? Segundo Strobel (2009), esses artefatos culturais são: experiência visual, linguística, familiar, literatura surda, vida social e esportiva, artes visuais, política e materiais.
A língua de sinais é um artefato linguístico importantíssimo para os surdos, pois permite a comunicação visual. Conforme Strobel (2009, p. 47),
A língua de sinais é uma das principais marcas da identidade de um povo surdo, pois é uma das peculiaridades da cultura surda, é uma forma de comunicação que capta as experiências visuais dos sujeitos surdos, e que vai levar o surdo a transmitir e proporcionar-lhes a aquisição de conhecimento universal.
O artefato cultural familiar corresponde às diferenças culturais que existem entre surdos vindos de famílias ouvintes e surdos vindos de famílias surdas. E ainda diz que os maiores problemas encontrados são a falta de diálogo e desconhecimento nesses casos da existência de uma cultura surda. Já nas famílias surdas, Strobel (2009, p. 57) cita que “os membros surdos tem comportamentos próprios deles. Por exemplo, é habitual assistirem à televisão no volume mudo para não incomodar os vizinhos”. Embora emudeçam a televisão, eles fazem barulho bem alto sem perceberem. Outro aspecto que vale ressaltar é que nas casas de famílias surdas, seus membros usam a língua de sinais como língua prioritária.
A literatura surda, também manifestação cultural, traz presente em seu contexto questões ligadas às identidades e à cultura surda que se multiplicam em diferentes gêneros: poesia, história de surdos, piadas, literatura infantil, clássicos, fábulas, contos, romances, lendas entre outras. Há dramaturgos surdos como Rimar Romano e Sueli Ramalho, irmãos surdos filhos de pais surdos, que fundaram a companhia de teatro Arte e Silêncio.
Strobel (2009, p. 62) enfatiza que,
A literatura surda refere-se às várias experiências pessoais do povo que, muitas vezes, expõem as dificuldades e/ou vitórias das
opressões ouvintes, de como se saem em diversas situações inesperadas, testemunhando as ações de grandes líderes e militantes surdos, e sobre a valorização de suas identidades surdas.
Figura 3 – Sueli Ramalho e Rimar Romano fundadores da Companhia de Teatro Arte e Silêncio.
(Fonte: http://www.maissentidos.org.br/espetaculo/7/Orelha) A vida social e esportivas dos sujeitos surdos também faz parte das manifestações culturais. Strobel (2009, p. 67) diz que essas manifestações “são acontecimentos culturais, tais como casamentos entre surdos, festas, lazeres e atividades nas associações dos surdos, eventos esportivos e outros”.
Os eventos esportivos procuram adaptar as sinalizações sonoras, realizadas para ouvintes em gestuais.
Uma marca muito grande também para os surdos é a tradição de dar um sinal aos membros das comunidades surdas, uma espécie de batismo. No lugar do nome da pessoa, ela é conhecida pelo sinal. O sinal pode ser uma das características físicas da pessoa, primeira letra de seu nome ou sua profissão. Vejamos alguns