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In document Det norske finansielle systemet 2019 (sider 59-63)

Inicio este item contando um pouco da história dia vida das mães, irmã e avó responsáveis pela a escolarização das jovens pesquisadas. Em seguida abordamos os esforços familiares de escolarização realizadas por essas famílias.

As histórias de vida dessas depoentes não foram fáceis, vieram de famílias grandes e pobres, com baixo capital escolar, cultural e econômico. Conforme demonstrado nos estudos de Bourdieu (1998) para o processo educacional acontecer é preciso da interação de vários capitais

como o capital cultural, econômico e escolar e essa interação começa em casa. Foram crianças criadas em roça sem recursos para se manter na escola e muitas vezes sem condições de arcar com as próprias despesas.

Através dos relatos, percebemos que foram criadas em sistema rigoroso de trabalho durante a infância, apesar dos pais cobrarem que estudassem não davam condições para isso.

Dona Iraci (Avó de Raiara), família 1, conta que a figura paterna não foi muito presente na sua casa e que teve que parar os estudos ainda criança para ajudar nas despesas, conforme o seu relato abaixo:

Parei de estudar porque nós tinha que ajudar muito mamãe entendeu, que o pai da gente assim, nunca ligou. É, mas ele nunca ligou mesmo, papai tem mais de 40 anos que morreu, mas nunca ligou, mamãe que sofreu pra cuidar de nós, nós fomos crescendo pra ajudar ela então... (Dona Iraci, Avó de Raiara)

Raiara (família 1), não teve vínculo com a sua mãe devido o seu falecimento ainda na primeira infância, então foi criada por sua avó, Iraci. Dona Iraci, conta que não teve muita a presença de seu pai na infância e relata ter parado de estudar para ajudar a sua mãe no trabalho e nas despesas, conforme demonstrado abaixo:

Ah, eu no primeiro ano, eu saí fora. É. Só. Ah, trabalhei demais, Nossa Senhora, tô trabalhando até hoje. Nós somos cinco: quatro moças e um homem. O homem que é o mais caçulinha, que é o pequeno e nós tinha que cuidar deles tudo. Ah não, porque nós tinha que ajudar muito mamãe, entendeu, que o pai da gente, assim, nunca ligou. É, mas ele nunca ligou mesmo, papai tem mais de 40 anos que morreu, mas nunca ligou, mamãe que sofreu pra cuidar de nós, nós fomos crescendo pra ajudar ela, então... (Iraci, avó de Raiara).

Mesmo sendo considerada analfabeta Dona Iraci demonstra forte interesse e preocupação quando se trata da escolarização da sua neta. Neste caso a avó tenta através de sua história de vida, fazer diferente com a sua neta, para que Raiara tenha mais oportunidades escolares e possa sobressair nos estudos. É importante ressaltar que embora o pai de Raiara não tenha continuado os estudos, esse esforço de dona Iraci em prol da escolarização da neta também foi observado na trajetória escolar dos filhos, uma vez que dois deles possuem nível universitário, sendo que um tem diploma de Universidade Federal.

Rosana (família 2) a mãe de Poliana, também relata a ausência da figura paterna em sua infância devido falecimento e por este motivo, teve que trabalhar para ajudar nas despesas da casa, conforme demonstrado em seu relato.

Bom, na época que eu parei de estudar eu saí pra trabalhar pra ajudar minha mãe, minha mãe ficou viúva, não tinha ganho nenhum, então eu parei de estudar. (Rosana, mãe de Poliane).

Sobre o processo de escolarização das mães, demonstram através de suas falas motivos muito parecidos para ter abandonado os estudos ainda no Ensino Fundamental, seja para ajudar nas despesas de casa (Mariana, irmã mais velha de Talita – família 3) ou para cuidar dos filhos ( Ana, mãe de Raissa – família 4), apenas (Dona Geralda a mãe de Vitória – família 5) teve um motivo diferente para ter sido retirada da escola pela a sua mãe, conforme ela relata:

Porque eu saí da escola (...). Porque minha irmã foi expulsa na época. Aí minha mãe me tirou também. É. Tive que parar. Mas depois aí arrumei minha primeira menina e não voltei mais (Geralda, mãe de Vitória).

De acordo com Lahire (1997), o divórcio, a morte, a situação de desemprego ou qualquer fragilização familiar pode inviabilizar a projeção do futuro familiar, principalmente quando envolve o “chefe familiar”. Sendo assim, as entrevistadas das famílias 1,2,4 e 5 relatam que na época da infância para elas estudar era muito difícil. Apenas na família 3, Mariana (irmã de Talita) relata não ter passado por dificuldades, pois estudou em época diferente dessas mães e avó. Dentre as entrevistadas, a representante da Família 5: Geralda (mãe de Vitória), se destacou dentre as outras quando conta o que representava para ela estudar:

Eu gostava muito porque lá tinha horário pra tudo né, era orfanato então tinha horário pra tudo. A gente acordava 5 horas todo dia aí depois tomava banho e tomava café depois ia, escovava os dentes, trocava uniforme e ia pra escola, depois voltava. Tudo bem regulado (Geralda mãe de Vitória).

Embora tenha vivenciado uma história conturbada no interior de sua família e tenha sido criada no orfanato, percebemos na história de vida de Geralda uma forte presença do autocontrole e das normas de comportamentos em que foi criada no orfanato. Lahire (2008) e Portes (2008) enfatizam a importância de diferentes formas de exercício da autoridade familiar, que hoje são aplicadas por Geralda em sua casa durante a escolarização de suas filhas.

Já as entrevistadas das famílias 2 (Rosana) e 4 (Ana) argumentam as suas dificuldades, em relação a mobilidade, falam que já foi muito pior do que as dos dias de hoje, pois tinham que atravessar montanhas para estudar e correr diversos riscos, que nem sabiam na época.

Era muito difícil. A gente morava lá em cima. Tinha que vir a pé todos os dias né. Hoje é bem mais tranquilo pra eles. Não tinha não. Com certeza. Tem. Uhum. Não. Não. Pelo contrário. Hoje é bem melhor. Ajuda. Com certeza. (Ana mãe de Raissa)

Diante dessas dificuldades, a prática da leitura não foi muito presente no cotidiano dessas mães e avó por falta de escolaridade, pessoas para incentivar e tempo para se dedicarem. Já a Mariana da família 3, relatou não ler porque não gosta, mas é a única dentre as entrevistadas que aprendeu a ler na escola e Geralda lia enquanto criança, pois no orfanato tinha muitos livros. Contudo, atualmente não tem mais essa prática.

Dona Iraci, conta com ajuda das netas e filhas que aprenderam a ler, conforme demonstra em seu relato.

Não. Não sei ler direito não. Conheço tudo quanto é letra, ajunto e sei o quê que é entendeu. Sei tudo quanto é letra direitinho, mas não sei juntar.[riso] Ai, ai. Raiara me ajuda. Todos eles, minha caçula também ta com 19 anos. Iraci (Iraci, avó de Raiara)

Embora seja mais nova que Dona Iraci, Rosana também conta a dificuldade que passa para conseguir ler com o pouco que aprendeu, e que ao longo do tempo, por falta de prática foi se perdendo. Hoje ela lê muito pouco e com dificuldades.

Ó, eu aprendi um pouquinho só sabe, mas depois que eu parei de estudar, eu não peguei mais um livro pra estudar nem nada. Eu pegava mais era caderno pra escrever. Adorava. Agora não. Muita coisa eu não sei ler não. Alguma coisinha eu sei. (Rosana, mãe de Poliane)

Para o autor Bernard Lahire (1997), a escola é considerada o “universo da cultura escrita”, ele considera que entre as famílias populares, como as entrevistadas nesta pesquisa, possam existir diferentes formas e representações da escrita e da leitura e afirma que os filhos estabelecem uma relação afetiva através da prática da leitura. Nos seus estudos o autor também traz dois importantes pontos para a incorporação da linguagem dos filhos, sendo que para a transmissão da cultura escrita são necessárias também às condições e as disposições econômicas, além da ordem moral e doméstica.

Outro fato interessante sobre a história dessas mulheres é que em suas famílias a maioria dos irmãos e irmãs que saíram de Bocaina chegaram a estudar mais do que elas, com exceção de Mariana, que não respondeu à questão. Podemos visualizar melhor em seus relatos:

Estudou. Estudou tudo (...). Terminou. Só nesse terceiro ano só. Só o terceiro só. Era mais difícil né menina. Hoje graças a Deus tá tudo fácil né. Graças a Deus, tudo fácil mesmo. (Iraci, Avó de Raiara)

(...) eu acho que muitos já formou, que estudou mais do que eu né. (Rosana, mãe de Poliane)

Parece que meu irmão mais novo ele chegou a formar o terceiro. O resto não. Ou foi oitava, eu não lembro mais. Em Ouro Preto. Eles estudaram aqui e em Ouro Preto. (Ana, mãe de Raissa)

Estudavam. Todos 2 formou. Só eu que não. É. Não. Porque é meio difícil né. (Geralda mãe de Vitória)

Os relatos também demonstraram que o incentivo aos estudos sempre existiu, na maioria das famílias (1, 2 e 3), mesmo que de forma indireta. Rosana fala que seus pais mandavam seus irmãos e ela para a escola e não os deixava a faltar de jeito nenhum, somente

em casos de doença. Ana, por sua vez, relata que seus pais não tinham muita noção da importância dos estudos, conforme demonstrado abaixo:

Acho que não tinha noção não, né, as pessoas de mais de idade eles não tem noção das coisas. Nem o que é melhor pros filhos né. Hoje eu falo muito pros meus filhos igual eu falei com meu filho de 17 anos. Eu quero que ele estuda. Só isso pra mim já tá bom demais. Com certeza. (Ana, mãe de Raissa)

Bem direta ao assunto, Geralda surpreende com sua resposta, ao relatar que seus pais não a incetivaram a estudar, o que ela aprendeu foi consequência de sua trágica história. Como não foi criada pela mãe, viveu interna em um orfanato e no tempo em que esteve lá, foi escolarizada.

Não, porque assim, como eu não fui criada por ela, com 2 anos e meio meu pai me estuprou, aí a partir daí eu não fui criada por ela, ela me largou lá no IML. Não, aí quem me criou foi minha madrinha. (Geralda, mãe de Vitória).

Para melhor compreender os esforços familiares das mães, irmã e avó no processo de escolarização dos jovens de Bocaina foi preciso conhecer a trajetória dos seus antecedentes. De acordo com Lahire (1997) a estrutura do comportamento de um indivíduo depende da estrutura de relações estabelecidas com outros indivíduos com quem convive.

Na família 1 apenas Raiara está em idade escolar, seu pai não concluiu o ensino médio e alguns de seus tios se formaram e a sua avó não concluiu os estudos. Já na família 2, Poliane está em idade escolar e o seu irmão que abandonou os estudos também. Além dos dois irmãos também há uma 3ª irmã, que concluiu o ensino médio. Na família 3 apenas a Talita ainda está em idade escolar e tem duas irmãs que concluíram o ensino médio e um irmão que abandonou no segundo ano. Raissa e seu irmão Renato (família 4) estudam e os irmãos mais velhos concluíram o ensino médio, e na família 5 Vitória é a única que ainda estuda, as outras duas irmãs concluíram o ensino médio. Nota-se que nenhum dos jovens que concluíram o ensino médio está cursando o ensino superior ou algum curso técnico. Até o momento apenas a Raiara, conseguiu ser aprovada em um curso técnico na cidade de Ouro Preto, mas perdeu a matrícula, pois não viu que havia passado, por não ter internet em casa.

Ó o ano passado ela fez uma Escola Técnica, passou e não quis, foi na segunda chamada e eu nem sabia, a segunda chamada. Agora esse ano... A Escola Técnica é uma coisa boa, nosso Deus!(Iraci, avó de Raiara)

Todos os jovens das famílias pesquisadas cursaram a primeira etapa do ensino fundamental em Bocaina, em seguida foram para Rodrigo Silva (outro distrito) e no ensino médio foram para Cachoeira do Campo, uma transição um pouco diferente de suas realidades vividas na Bocaina. Eles vivenciaram um momento em que tiveram que estabelecer novos

vínculos e redes de relações. Contudo, não as dificuldades vivenciadas não são apenas na criação de novos relacionamentos e redes de amizades. Eles enfrentam problemas concretos, relacionados à estrutura para os estudos.

Quando os jovens têm trabalhos escolares as famílias precisam se organizar, pois nem sempre se tem os recursos em casa. De acordo com os relatos, cada família tem uma figura principal que ajuda nas tarefas, na família 1 Iraci conta que a neta consegue fazer as atividades sozinha, pois é muito dedicada, mas quando precisa recorre ao pai (que não terminou o ensino fundamental) ou aos tios (que têm nível universitário, mas que não vivem na localidade), pois a avó não sabe ajuda-la.

Já na família 2, Rosana diz que quem ajuda a filha é a irmã.

A irmã dela ajudava ela né, a que tá pra BH, que ela formou em Técnico né, aí ela sempre ajuda nas matéria. (Rosana, mãe de Poliane)

Assim como a família 1, Poliane, quando precisa de ajuda recorre ao pai, embora ele não tenha se escolarizado, a avó diz que é muito bom em matemática. Apenas na família 4 as atividades são realizadas com o apoio dos amigos, talvez pelo motivo da mãe trabalhar fora e os filhos não terem à quem recorrer. Já na família 5, Geralda diz que ajudava quando as filhas não sabiam fazer o dever, mas que nem sempre ela sabia as respostas.

Percebo que o momento mais difícil para estes jovens é aquele em que são necessários trabalhos em grupo, pois a maioria mora longe dos colegas, longe da biblioteca e, além disso, não possuem internet em suas casas. Partindo deste tema da entrevista, cada uma falou sobre a estratégia usada por seus filhos, como por exemplo a Mariana, como sua irmã realiza os trabalhos em grupo:

...é difícil porque Talita estuda sozinha, que não tem ninguém que ela conhece, e então faz com os meninos e eles dividem, então cada um faz uma parte. É. Aí chega junto e apresenta. (Mariana, irmã de Talita)

Já a mãe de Poliane conta que sua filha vai para a casa dos vizinhos para fazer trabalhos escolares.

Fazem na casa do vizinho. Dentro de casa mesmo não tinha não. Sempre tinha um vizinho pra ajudar a gente né (Rosana, mãe de Poliane).

Acho importante a fala da Ana, mãe de Raissa, jovem da família 4 relata que os trabalhos em grupo são feitos na escola depois da aula, mas nesse caso, não podem contar com o transporte público.

Já na família 5, Geralda relata que suas filhas não faziam os trabalhos em grupos, apenas sozinhas, devido a distância da casa das colegas. Conforme demonstrado em sua fala:

Elas fazia mais sozinha. Porque a distância era longe né. É. Saía não. Era só de casa pra escola e voltava (Geralda, mãe de Vitória).

Para cumprir a rotina escolar, essas famílias precisam se organizar. Lahire (1997) afirma que para os pais colocarem “ordem em casa” se faz necessário por ordens nas suas ideias. Tratando a regularidade das atividades, horários e regras como importantes ordenamentos domésticos capazes de ordenar e organizar as rotinas dos filhos em idade escolar. Essa certa ordem domestica referida pelo autor facilita o cumprimento das regras da escola, como uma forma de preparar os jovens para cumpri-las.

Esse ordenamento aparece na fala das mães quando se trata do controle dos horários de saída e chegada em casa. Apesar de já serem adolescentes, apenas na família de Talita não existem horários estabelecidos para voltar para casa quando ela sai, nas demais famílias, existem horários para sair e retornar quando saem sozinhas ou com amigos. Em todas as famílias foram relatados que saem pouco de casa em família, normalmente quando tem dinheiro vão à Cachoeira do Campo ou Amarantina, em alguma lanchonete fazer um lanche.

Iraci (Avó de Raiara), revela que a jovem não trabalha justamente para poder se organizar em relação aos horários para estudar, quando ela chega da aula, após o almoço normalmente arruma a casa e à tarde fica por conta dos estudos, a avó diz que Raiara gosta muito de ler e que fica horas em seu quarto lendo livros. A avó e o pai não se preocupam muito com isso, pois “não precisam ficar cobrando a jovem para estudar”, pois a mesma já tem o hábito de forma autônoma. Conforme Lahire (1997; 2008) está presente nesta jovem a autodisciplina. Dona Iraci comenta que a jovem está namorando, mas deixa claro que fiscaliza e conversa com ela sobre isso, conforme demonstra em sua fala, que repete por várias vezes:

Primeiramente é estudo, pra depois namorar, mas a gente falou, mas é, menino você já viu né, quando quer uma coisa... Ela tem que ouvir a gente falar porque namorar é uma coisa simples, ela tá novinha né. Agora os estudos dela que é o primeiro. Primeiro é o estudo, mas arrumou namorado, eu falei com ela foca a cabeça nos estudos, namorado pra depois, esquenta a cabeça não. É o que eu falo, eu acho que mulher independente é a melhor coisa da face da terra, mulher ser sustentada por homem não...Você entendeu? Namorar não faz falta não, o que faz falta é o estudo. (Iraci avó de Raiara)

Rosana (mãe de Poliane), não estabelece uma rotina para os estudos em sua casa, ela diz que cobra verbalmente a jovem para estudar, mas que ela apenas faz os deveres de casa, demonstra em seu relato abaixo:

De vez em quando ela pega um livro aí, mas ela não é muito chegada a ler não, muito não, aqui em casa não, Pega mais é dever pra fazer. Agora a minha outra menina que formou, que ta lá pra BH, nossa, vê ela lendo dia e noite com um livro na mão. Ela lê mais, a outra já é mais... (Rosana, mãe de Poliane)

Mariana (irmã de Talita), diz que não existe uma organização estabelecida em relação aos estudos em sua casa, a sua mãe não passa muito tempo em casa, devido a necessidade de trabalhar por turnos e afirma não gostar de leitura, conforme transcrito abaixo:

Eu nunca gostei. Nunca gostei. (Mariana, irmã de Talita).

Ana (mãe de Raissa) relata que em sua casa não têm uma organização em relação aos estudos, mas cobra resultados, apesar de não estar muito presente em todos os dias para poder acompanha-los. Segundo Ana, sempre que possível conversa com os filhos para saber como andam os estudos.

Em relação à organização familiar para cumprir as rotinas escolares, na família 5 Geralda (mãe de Vitória) relata que quando está em casa consegue cobrar de perto, mas que sozinhos seus filhos não param para estudar, sendo necessária muita conversa, conforme sua fala:

Bom, eu pego muito no pé deles pra estudar, entendeu, só isso... Nem muito tempo eu tenho, mas eu cobro muito deles. Tem que ficar pegando no pé. Falta muito tempo, é oportunidade, mas ah sei lá é bom pra gente conversar, saber o que ta acontecendo né, com certeza (Geralda, mãe de Vitória).

Os trabalhos de Lahire (1997; 2008) e Portes (2008) demonstram que muitas vezes os pais se sacrificam pelos filhos para que eles cheguem aonde gostariam de ter chegado ou mesmo para que saiam da condição social em que vivem. Também discute as formas de mobilização realizadas pelas famílias, afirmando que elas podem ser mais ou menos rigorosas, de acordo com a família. Muitas vezes esses esforços podem operar de forma menos adequada, isso dependerá da capacidade familiar para ajudar a criança ou jovem a alcançar os objetivos que são fixados.

Em todas as famílias pesquisadas, foram relatados pelas depoentes que os jovens são bons alunos, não tiveram casos de reprovações e nem motivos para castiga-los, embora os incentivos da maioria das famílias presentes em relação a escolarização não sejam muito transparentes. Em consonância com os autores pesquisados Portes (2012), Viana (2011), Nogueira (2011), Thin (2006) e Lahire (1997), os esforços e práticas de escolarização dessas famílias se caracterizam essencialmente na atenção das famílias voltadas para a escolarização, não existindo um projeto delimitado, mas sim uma intenção familiar em ver os jovens alcançando a longevidade escolar.

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