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Hofstede (1997, p.26) explica as diferenças das culturas nacionais, esclarecendo que as sociedades humanas existem há mais de 10.000 anos e que os arqueólogos acreditam que os primeiros humanos eram nômades e viviam da colheita e da caça. Foi só depois de alguns milhares de anos que alguns deles se fixaram, tornado-se agricultores. Gradualmente, algumas dessas comunidades agrícolas cresceram, transformando-se em grandes colônias que evoluíram para vilas, cidades e, finalmente, para modernas megalópoles. Mas as diferentes sociedades humanas não tiveram o mesmo ritmo de desenvolvimento, uma vez que ainda hoje populações vivem da caça e da colheita. O crescimento da população mundial foi acompanhado de uma diversificação impressionante de respostas ao problema fundamental da organização da vida em comum e da forma de estruturação de uma sociedade.

Essas sociedades evoluíram passando ainda pela formação de impérios através de conquistas sucessivas e, apesar dessas conquistas e de serem localizadas próximas do território desses grandes impérios ou muitas vezes no seu interior, pequenas unidades sobreviveram sob a forma de tribos ou pequenos reinos independentes, que nunca se integraram totalmente à sociedade nacional. Ainda de acordo com Hofsdete (1997, p.26), a invenção das “nações”, unidades políticas de organização do planeta, constitui um fenômeno recente na história da humanidade. Cada ser humano é, supostamente, pertencente a uma delas, como é patente no seu passaporte. Anteriormente, existiam estados, mas nem todos pertenciam ou se identificavam com um deles. O sistema de nações foi introduzido apenas em meados do século XX à escala mundial.

Hofstede (1997, p.27) acrescenta que não se pode confundir nações e sociedades, pois historicamente as sociedades correspondem a formas estruturadas de

organização e o conceito estrito de cultura comum aplica-se mais às sociedades do que às nações. Todavia, muitas nações constituem uma entidade histórica, mesmo se forem constituídas por grupos claramente diferentes e por minorias menos integradas. As nações que já existem há algum tempo possuem elementos que favorecem uma integração crescente: uma língua nacional dominante (em geral), um sistema nacional de educação, um exército nacional, um sistema político nacional, uma representação nacional de acontecimentos desportivos (portadora de um forte potencial simbólico e emocional), um mercado de emprego, produtos e serviços de escala nacional.

O autor continua, afirmando que as nações da atualidade não atingem o grau de homogeneidade interna das sociedades isoladas, normalmente pouco letradas, estudadas por antropólogos, mas elas são as fontes de uma forte programação mental dos seus cidadãos.

Tanure e Duarte (2006, p.194-195) reconhecem que a cultura está implícita na maneira de agir e de pensar, no juízo do que é considerado certo ou errado, bom ou mau, bem como na compreensão do que motiva as atitudes das outras pessoas. A nacionalidade, tal como figura no passaporte, deve, pois, ser utilizada com prudência num estudo sobre as diferenças culturais, apesar de se constituir no único critério possível de classificação. Confirmando essa teoria, Child e Faulkner (1998, p.231) afirmam que a cultura nacional é adquirida na educação dada pelos pais e, como resultado, está profundamente enraizada no indivíduo. A programação mental que acontece durante a infância e é reforçada durante todo o período de vida em uma sociedade em particular é, por conseqüência, resistente a mudanças. Resulta daí a razão por que a cultura se transforma em um fenômeno mais significante nas alianças internacionais do que nas puramente domésticas. Tendo suas raízes fixadas nas tradições do país, a cultura nacional também está ligada a instituições específicas e às políticas ideológicas predominantes do país.

De acordo com Singh (1990, p.1), os estudos organizacionais sobre cultura têm geralmente sido direcionados mais para o lado conceitual (normas, valores e crenças). Outros, sobre símbolos significativos, que são produtos do comportamento e indicam o modo de vida, constituem o que pode ser chamado de concepção comportamentalista. Singh relata, ainda, que tais estudos, muitas vezes fundamentados em pesquisas feitas por meio de médias percentuais, não refletem a realidade dos países que possuem grande diversidade cultural e étnica, como a China, a Índia e até o Brasil. Nesse tipo de país, seria necessário pesquisar a sua diversidade subcultural antes de definirem-se as principais características da sua cultura nacional.

Tanure e Duarte (2006, p.217) encontraram que o uso da lógica e da sensibilidade é um dos paradoxos que desafiam as organizações no mundo de hoje, no qual é preciso ser global e, ao mesmo tempo, local, preservar raízes e enxergar novas práticas, valorizar a própria cultura e respeitar a do outro, convergir e divergir. Cada vez mais, o sucesso das empresas depende da capacidade de seus líderes de lidar com instâncias aparentemente antagônicas e harmonizá-las, encarando as diferenças entre culturas e pessoas não como empecilhos, mas como oportunidades para elevar a performance empresarial a patamares nunca antes sonhados.

Como a proposta desta pesquisa é determinar a influência da distância psíquica, com ênfase nos fatores da cultura nacional, na formação de Joint Ventures internacionais entre uma organização mineira e uma organização indiana, é importante determinar aqui as principais influências culturais brasileiras e indianas na forma de administrar suas empresas.

A principal razão da escolha de uma organização brasileira com uma Joint Venture de organização indiana para o estudo de caso foi a importância que o Brasil e a Índia possuem no cenário econômico mundial e, também, pela longa história de amizade e

cooperação existente entre os dois países. Essa relação entre o Brasil e Índia, juntamente com Portugal, existe desde 1690, quando técnicos indianos vieram pela primeira vez ao Brasil para assessorar o cultivo da canela, e em 1751, quando vieram para aperfeiçoar e desenvolver o plantio das palmeiras. Depois desse período, o Brasil teve várias assessorias vindas da Índia, como as que chegaram com os ingleses na mineração de ouro, na construção de estradas de ferro, entre outros. Foi também da Índia que vieram os primeiros bois da raça Zebu, hoje a principal raça bovina do país (Memória – Receita Federal / Relações entre a Índia e o Brasil Colonial – www.receita.fazenda.gov.br).

A outra razão é a importância crescente do comércio entre os dois países nos últimos anos e as poucas pesquisas sobre as alianças estratégicas entre empresas brasileiras e indianas.