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Statkraft ved Bjørn Grane, Karin Helene Seelos og Thomas Riddervold

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1.5 Statkraft ved Bjørn Grane, Karin Helene Seelos og Thomas Riddervold

Foi graças à sua boa relação e à hospitalidade dos Wampanoag – tribo com a qual Williams se relacionou durante o período que passou em Plymouth – que ele sobreviveu ao banimento. Não muito depois, Williams conheceu os chefes dos Narragansett – Miantonomu e Canonicus –, com quais desenvolveu uma grande amizade e também comprou uma série de terrenos para fundar a comunidade de Providence – cidade que se tornou um refúgio para

27 O autor não especifica sobre qual companhia se refere, mas provavelmente seja a Companhia Holandesa das

Índias Ocidentais, devido à presença holandesa, desde 1625, na foz do rio Hudson (hoje ilha de Manhattan), na colônia da Nova Amsterdã.

aqueles que foram perseguidos pela colônia de Massachusetts e para outros que também eram perseguidos na Europa. Assim, depois de estabelecido, seguiram-no sua mulher e seu filho, além de alguns amigos e outros colonos que compartilhavam de suas ideias (BLÁZQUEZ MARTÍN, 2006, p. 54-5). Em um texto emotivo do final de sua vida, chamado por ele de “testemunho”, Williams fala dessa amizade com os líderes indígenas, Miantonomu e Canonicus, sobre seu desterro e sobre as terras onde fundou Providence. Diz Williams:

Eu desejo que a minha posteridade veja a mão graciosa do Altíssimo (em cujas mãos estão todos os corações), e saibam que quando o coração dos meus compatriotas, amigos e irmãos falhou para comigo, Sua sabedoria e graça infinita despertou no coração bárbaro de Canonicus me amar como seu filho até seu último suspiro, o que significa que eu tinha não só Miantonomo, mas todos os menores Sachems28 como

meus amigos (Testimony of Roger Williams relative to his first coming into the Narragansett country, dated June 18, WILLIAMS, 1874, p. 407, cursivas nossas).

Conforme o testemunho de William Wood, em sua obra New England’s Prospects29,

nesse período em que Williams se relacionou com os Narragansett, eles eram os mais numerosos, ricos e diligentes dos povos daquela região (WOOD, 1878, p. 39). Portanto, afirma Kathleen D. March, quando eles transmitiram um pedaço de terra na Baía Narragansett para Roger Williams, em 1636, eles desfrutavam de uma posição de poder com base em seus números e força cultural, ao contrário de muitos dos povos ameríndios vizinhos. Outros fatores que contribuíram para essa condição de superioridade, foi o fato de terem escapado da epidemia que dizimou outras tribos da Nova Inglaterra, entre 1616 e 1619, e de perderem relativamente poucos de seus membros durante a epidemia da varíola de 1633 e 1634. Por isso, os Narragansetts possuíam nesse período, terras férteis, com caça e com pesca abundante. Os nativos de todo o Nordeste americano não tinham dúvidas de que Manitu30

havia privilegiado esse povo poderoso e, assim, eles expressavam gratidão por meio de rituais fervorosos. No período em que Williams passou a conviver com a cultura Narragansett, eles haviam incorporado, ou eram aliados, de muitas das tribos vizinhas, incluindo os Niantic, Coweset, Pawtuxet e Manissean, além de parcelas dos Nipmuck, Montauk, Massachusett e Pokanoket (Wampanoag).31 Portanto, é compreensível entender por que os Narragansett não

temiam os estrangeiros que vinham do outro lado do oceano para se estabelecer em torno

28 O termo Sachim é traduzido por Williams em A Key (Williams, 1643, p. 28) por Príncipe. Nas Cartas de

Williams, como neste exemplo, o termo aparece como Sachem), com o mesmo sentido de príncipe ou chefe.

29 A primeira edição desta obra data de 1634.

30 Para as tribos Algonquian que habitavam a região leste do rio Mississípi, Manitu (ou Manitou, conforme

outros autores), era a força espiritual que criou o universo e que era responsável por todos os acontecimentos trágicos e felizes que lhes ocorriam no decorrer de sua existencia (SOLA, 1950, p. 16).

31 Para entender a distribuição das tribos que povoavam a região chamada pelos ingleses de Nova Inglaterra, ver

deles (MARCH, 1985, p. 38).

Suas tribos viviam principalmente em aldeias, com um sistema social, político e econômico que já existia entre os Ameríndios do Nordeste americano desde o período Paleo- indiano, ou seja, cerca de 12.000 anos atrás (PAREDES, 1996, p. 49). As suas aldeias ocupavam um território que abrangia cerca de 32 quilômetros a oeste da baía Narragansett e entre 80 e 97 quilômetros ao norte do Oceano Atlântico – que corresponde hoje à área do Estado de Rhode Island. Os Narragansett falavam um dialeto próprio da língua de Algonquian oriental e, por isso, foram capazes de se comunicar facilmente com os outros nativos de sua área. Embora as fronteiras terrestres de cada aldeia fossem definidas com certo rigor, as pessoas da aldeia moviam suas habitações sazonalmente. Aldeias de inverno eram concentradas em vales arborizados que eram mais quentes e possuíam lenha abundante. Com a chegada da primavera, os Narragansett, rotineiramente, mudavam-se para os seus campos mais abertos. Eles viviam na borda de suas terras durante o plantio e mudavam-se entre os seus campos durante os meses de verão, a fim de cultivar e proteger diferentes partes das terras de plantio (MARCH, 1985, p. 39).

Suas cabanas eram comumente feitas em forma de estruturas redondas, com 4 a 5 metros de diâmetro. Elas eram cobertas por tapetes de peles, com uma abertura no centro para permitir que a fumaça da fogueira, feita no seu interior, saísse. Portas baixas também eram cobertas com tapetes; na parte de dentro, tapeçarias tingidas e bordadas decoravam as paredes. Os utensílios domésticos eram organizados e armazenados dentro das cabanas, em cestas de cânhamo. Existem dados limitados para definir o número de habitantes e o tamanho das aldeias dos Narragansett. Algumas mais conhecidas, como Chaubatick e Maushapogue, ambas perto de Providence, possivelmente possuíam em torno de 100 pessoas. A aldeia de Coweset poderia ter aproximadamente 250 pessoas e as aldeias Niantic oriental e Weckapaug, perto de Charleston, provavelmente, abrigavam cerca de 500 pessoas. A principal aldeia, Narragansett, perto de North Kingstown, e a aldeia Shawomet, perto de Warwick, possuíam cerca de 1.000 habitantes. Talvez fossem mais, provavelmente, vivendo em aglomerados de vilas menores, formadas por clãs familiares. Williams e outros colonizadores viajantes perceberam a densidade incomum dos assentamentos Narragansett, devido, em parte, à sua posição privilegiada, perto da costa do Atlântico. Williams relatou não ser incomum poder contar uma dúzia de aldeias ameríndias em um trecho de 30 quilômetros. (MARCH, 1985, p. 40).

Graças a Williams, durante praticamente todo o século XVII, essa tribo manteve bom relacionamento com os colonos, o que garantiu sua sobrevivência. Porém, ao participarem da Guerra do Rei Philip, tiveram a perda de suas terras e de sua autonomia política, passando a viver confinados em uma Reserva32. De certa forma, isso os protegeu da voracidade dos

colonos, porém, pouco a pouco, os limites da Reserva foram sendo desrespeitados e, assim, tanto a Reserva e a tribo desapareceu no final do século XIX (BLÁZQUEZ MARTÍN, 2006, p. 55).