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3. Material and methods

3.5 Statistical methods

Para Piaget e Inhelder (1977) a imagética mental era uma construção motora criativa na base da experiência sensorial e como tal é fundamentalmente diferente da percepção sensorial, na medida de que

como acontece com percepção sensorial. Contudo Piaget insistia na primazia das operações mentais sobre as imagens, enquanto que Inhelder considerava a imagética como apoio material para as acções mentais.

Piaget e Inhelder (1977) sugerem que as imagens mentais aparecem relativamente tarde e resultam de uma imitação interiorizada. Distinguem duas grandes categorias de imagens mentais: as imagens

reprodutoras, que evocam objectos ou acontecimentos já conhecidos e as imagens antecipadoras, as que

representam por imaginação figurativa, acontecimentos não percepcionados anteriormente, quer se tratasse de movimentos ou transformações quer dos seus fins ou resultados.

Ainda segundo Piaget e Inhelder (1977) os dois grandes períodos do desenvolvimento das imagens correspondem ao nível pré-operatório (antes dos 7-8 anos) e ao nível operatório. No nível pré-operatório, as imagens mentais da criança são quase exclusivamente estáticas e por consequência incapazes de representar os movimentos e transformações, mesmo só nos seus resultados, assim como, e a fortiori, de antecipar os processos ainda não familiarmente conhecidos. Pelos 7-8 anos, pelo contrário, inicia-se uma capacidade de antecipação imagética que permite então a reconstituição dos processos cinéticos ou de transformação e mesmo a previsão das sequências novas e simples.

Em Costa (2005) são referidos Gray e Pitta (1999) que vêm o conceito de imagem como uma componente importante da cognição: uma referência mental que é o produto de imaginar numa qualquer modalidade visual, verbal, olfactiva, auditiva ou cinestésica.

Ainda em Costa (2005) é referido M. Johnson (1987) que desenvolveu o constructo esquema imagético como uma estrutura esquemática operando constantemente na nossa percepção, no nosso movimento corpóreo através do espaço e na nossa manipulação física de objectos. Assim os esquemas imagéticos77

são incorporados, não são formulações proposicionais, não são estruturas abstractas de sujeito- predicado. Por outro lado, os esquemas imagéticos, não são imagens concretas, ricas (figuras mentais que podem ser remontadas da experiência sensorial), nem figuras mentais.

77Segundo Costa (2005) Johnson (1987) usou o termo esquema imagético para descrever uma construção muito semelhante à

imagética padrão de Presmeg (Presmeg: 1992 em Costa :2005). “Esquemas imagéticos, não são imagens concretas ricas nem figuras mentais. Eles são estruturas que organizam as nossas representações mentais a um nível mais geral e abstracto do que aquele em que formamos imagens mentais particulares”.

São estruturas que organizam as nossas representações mentais a um nível mais geral e abstracto do que aquele no qual nós formámos imagens particulares mentais. Os esquemas imagéticos têm alguns elementos básicos ou componentes que estão relacionados com estruturas definidas que emergem principalmente ao nível da percepção física ou corpórea e movimento78. Os esquemas imagéticos são

abstractos e não são limitados só a propriedades visuais, embora envolvam operações que são análogas a manipulação espacial, orientação e movimento.

Um esquema imagético é uma estrutura esquemática que duma forma altamente estilizada descreve ou exibe as características principais e relações de situações e processos aos quais potencialmente a palavra se refere (Costa:2005). Os esquemas imagéticos estão portanto intimamente ligados a percepções e movimentos e apresentam as características tomadas como importantes pelo indivíduo.

Acresce que os esquemas imagéticos são usados para construir relações cognitivamente manipuláveis e compreensíveis. Dörfler vê então um esquema imagético como a interacção cognitiva e ou perceptiva com e manipulação de alguma espécie de modelo (esquema geométrico) como objecto, seja ele um material, um desenho ou seja só imaginado.

Um esquema imagético como processo cognitivo não pode ser partilhado com ninguém, podem ser comunicados e em alguns casos as manipulações cognitivas pertinentes que têm uma forma material correspondente de manipular o modelo. O esquema imagético é precisamente uma forma específica de ver, interpretar, usar, transformar, modelo. É enganador encarar o modelo concreto como representante do respectivo conceito. Esquemas imagéticos são mecanismos centrais para dar significado e guiar muitas actividades conceptuais e cognitivas.

Em costa (2005) é referido Dörfler (1991) a propósito da observação deste de que nem a memória, nem as operações cognitivas (como argumentação e inferências lógicas) parecem ser baseadas somente em meios linguísticos, mas têm uma base concreta sob a forma de esquemas imagéticos apropriados e seus modelos. Costa (2005) descreveu quatro tipos de esquemas imagéticos segundo Dörfler (1991), dependendo esta classificação, do esquema imagético como um todo e não só do modelo: o figurativo, o operativo, o relacional e o simbólico.

78Por exemplo, o esquema imagético “DE – PARA ou CAMINHO” consiste em três elementos (um ponto A fonte, um ponto B terminal e

Relativamente a imagética visual inclui-se não só aquela imagética que alcança a vivacidade e a transparência de uma figura como também outros tipos de imagética que ilustram formas, configurações e padrões. A definição de imagem visual esquema mental que ilustra informação visual ou espacial apresentada por Costa (2005) segundo Presmeg (1995), não se especifica se é exigida a presença mental de um objecto. A imagética é então definida como uma colecção de imagens. O poder da imagética é que ela pode resultar em visualização que ajuda a criar ligações que facilitam o construir de significado na aprendizagem de geometria. Costa (2005) apresenta os cinco tipos de imagética visual identificados por Presmeg (1991): imagética concreta, de memória, cinestésica, dinâmica e padrão. A imagética concreta pode ser pensada como “figura na mente”; a imagética de memória relaciona-se com a memória de fórmulas ou imagens reproduzidas ao recriar experiências; a imagética dinâmica envolve a capacidade de mover ou transformar uma imagem visual concreta; imagética cinestésica envolve actividade muscular de algum tipo; imagética padrão é um tipo de imagética em que pormenores concretos são desprezados e existem apenas puras relações ilustradas num esquema visual-espacial.

A autora refere ainda as contribuições de Gusev e Safuanov (2003) que apontam que o pensar em imagens deveria ser considerado um processo complexo de transformação de informação sensorial, explicitando o papel do pensamento em imagens no criar de competências para resolver problemas geométricos, por exemplo “imaginar uma figura antes da execução do desenho”. Distinguem ainda quatro estádios, no processo de desenvolvimento do pensamento em imagens - mudança sequencial de formas de actividade mental: 1) criação de uma imagem primária (na base de algum material visual); 2) criação de uma imagem secundária baseada na memória; 3) operar com imagens; 4) formação criativa de novas imagens. Todos os quatro estádios acima enumerados são passos necessários para o processo de desenvolvimento do pensamento em imagens e cada estádio está relacionado com certas competências e métodos (Costa:2005).

A pesquisa em ciência cognitiva e em neurociência sugere que a imagética visual não é geral e indiferenciada, mas sim composta de diferentes componentes visuais e espaciais relativamente independentes. Imagética visual refere-se a uma representação da aparência visual de um objecto tal como a forma a cor ou brilho. Imagética espacial refere-se a uma representação das relações espaciais

entre partes de um objecto e a localização dos objectos no espaço ou os seus movimentos; mais, imagética espacial não está limitada à modalidade visual.