3.4 Methods
3.4.4 Statistical analyses
MARQUES DE MELO, José. Ibero-América, integração e
Comunicação - Extremadura Enclave 92. São Paulo: ECA/
USP. 1990, 77p.
A publicação Ibero-América, integração e Comunicação, ECA-USP/Extremadura Enclave 92 (quinto centenário), SP, 1990, relata sobre a realização do IV Encontro Ibero-ameri- cano de Comunicação, em São Paulo, Brasil, ocorrido de 30 de agosto a 2 de setembro de 1989, sob a responsabilidade de José Marques de Melo, Diretor da ECA-SP (1989); Luis Angel Ruiz de Gopegui e Tito Drago (Espanha).
1. Ibarra, Juan Carlos Rodriguez. Europa 93 e as relações com a América Latina, IV Encontro Ibero-americano de Comunicação, SP, 1989. 2. Vianna, Ruth pena Alves Vianna. É pós–doutora em Jornalismo
Comparado (ECA-USP), 2005; Pós-doutora em Quality Commu- nication, UAB, Espanha, 2008; Doutora em Comunicação Audio- visual – Telejornalismo, UAB, Espanha, 2000; mestre em Ciências da Comunicação e Arte, ECA-USP, 1989; jornalista, UMESP, SP, 1980. Dirigiu e coordenou o Projeto de Cooperação Internacional entre Brasil-Espanha CAPES/DGU (2008-2012) – UAB-UFMS, Professora aposentada associada III da UFMS (1992-2012).
6.1
O evento foi organizado por Extremadura Enclave 92 e a Escola de Comu- nicação e Artes da Universidade de São Paulo. O encontro teve ainda as colabo- rações do Governo do Estado de SP; da Reitoria da USP; da Fundação de apoio à pesquisa científica, de SP; da Fundesco; da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), de Espanha, e o apoio da Associação Nacional de Jornais do Brasil; do diário Folha de S. Paulo; revista Veja; das cadeias de televisão SBT; Fundação Padre Anchieta – TV Cultura; Ministério de Educação do Brasil e do Consulado de Espanha, em São Paulo.O evento contou ainda, com a participa- ção de uma centena de pesquisadores e profissionais da área e de 13 países: Ale- manha, Argentina, Bolívia, Brasil, Suécia, Chile, Colômbia, Espanha, Portugal, França, Nicarágua, Peru e Venezuela. Também oito estados brasileiros: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe, o que constituiu uma programação de grande envergadura.
Este Encontro foi, na verdade, de muita importância, pois se dava em mo- mento chave e necessitou de grande maturidade intelectual para se colocarem frente a frente dois grandes continentes em situações pouco alvissareiras em busca de uma possível integração. José Marques de Melo um intelectual à frente dos tempos já intuía esta situação e, mesmo assim, apostou todos seus conheci- mentos e antevisão á situação sine qua non que adevia.
Este Encontro ocorreu em momento significativo politicamente, economicamente e comunicaonalmente que vivenciavam os dois Continentes, principalmente por Bra- sil, demais países latino-americanos; Portugal e Espanha. Cada um ia a “Cal e canto”.
No Brasil e demais países latino-americanos ocorriam uma distensão política com a retomada do Estado de direito após anos de ditadura e Portugal e Espanha marchavam em busca da integração na Comunidade Europeia, também com a volta à democratização a partir dos anos 70, com a derrocada de Franco e Salazar.
Por parte do Brasil e demais países latinos americanos a expectativa de uma integração com a Ibera América era grande. Já a tinha sido desde muitos anos atrás com os planos de Bolívar; nos estudos de Rosenthal. Isaac Cohen, que ia mais a fundo mostrando que havia a real necessidade de uma integração ante- rior a do Caribe e dizia: “nos projetos políticos dos países latino-americanos e do Caribe deve acontecer. A integração como projeto político implica na parti- cipação de setores sociais, entre eles, o próprio Estado”3.
Não obstante o pesquisador brasileiro e espanhol falava-se em difundir e valorizar o conceito de cooperação regional.
3. Affonso, Almino, Vice-governador de São Paulo. Integração Latino Americana. IV En- contro Ibero-americano de Comunicação, SP, 1989.
Juan Carlos Rodriguez Ibarra, Presidente da Junta Extramadura foi incisivo na pertinência do Encontro, pois este “IV Encontro Ibero-americano de Comu- nicação, que se enquadrou dentro das atividades do V Centenário do Encontro de dois Mundos: O Descobrimento da América e a necessidade de uma integra- ção Ibero-América e países latino-americanos”4.
A realidade daquele momento era excepcionalmente importante, pois “que a Espanha ia integrar-se plenamente na Comunidade Econômica Europeia, em 1992, 1993, quando se comemoraria o V Centenário do Descobrimento do chamado Mundo Novo”5. Então, Extramadura fazia um esforço em comum
havia tido um protagonismo em vir ao Brasil para o Encontro de que estamos falando. O protagonismo estava em lembrar-nos “homens como Pizarro; Her- nán Cortéis, Hermando Soto; Pedro Valdívia; Alvarado; Orllana; Vasco Nuñes. Etc. e imediatamente encontrar sua relação com o Peru, México, a Flórida, Chile, Colômbia, o Amazonas; o Pacífico etc., para citar aqueles que tiveram em caráter conquistador, e que hoje em dia poderiam ser objeto de controvérsias”6.
Juan Carlos Rodriguez Ibarra, presidente da Junta de Extremadura foi muito sincero e apresentou vários problemas que impediam e impedem uma real inte- gração dos países latino-americanos à Comunidade Europeia. No ano de 1989 a grande expectativa de Espanha e Portugal era a de chegar a primeiro de janeiro de 1993 estarem integrados plenamente aos demais membros dos países da Comuni- dade Europeia, onde os grandes temas de importância que a partir dai poderiam ser dito em uma só voz como a política exterior e de economia. Afirmava ainda que:
Nos temas fundamentais de política internacional, a Europa dos doze já está adotando posições consensuais e realizando muitas atividades neste sentido como a busca de uma solução negociada e pacífica para o Conflito do Oriente Médio; o diálogo e a cooperação com a América Central e outros […] No plano econômico, se terá chegado a um mercado comum, sem barreiras tarifárias interior e com uma fronteira exterior única…7
4. Ibarra, Juan Carlos Rodriguez. Europa 93 e as relações com a América Latina, IV En- contro Ibero-americano de Comunicação, SP, 1989.
5. __________. Idem.SP, 1989. 6. __________Idem,SP, 1989. 7. __________Idem,SP, 1989.
O que se esperava ver no IV Encontro Ibero-América, integração e comuni- cação era exatamente o contrário o que as vozes deste encontro se pronunciavam. Ibarra afirmava contundentemente que “a América Latina já estava sofrendo os efeitos negativos desta marcha frente ao mercado europeu único; que implicava em restrições comerciais, com especial incidência nos produtos primários”8.
Sobre esta questão nefasta para a América latina, um estudo de Berrocal9
lançava quatro hipóteses:
– O dinamismo econômico engendrado pelos diversos mecanismos que se ins- tauram na perspectiva do mercado único provocou um forte crescimento das economias europeias que, em definitivo, servirá de dinamizador do mercado internacional;
– 1992 representava um passo a mais no processo de defesa do mercado comum europeu frente à perda de competitividade de sua economia ante seus competi- dores imediatos, os Estados Unidos e o Japão, principalmente;
– O processo de desregulação de 1992 iria provocar desequilíbrios internos tais que produziriam um incremento notável do desemprego e o declive de ambos os espaços (regiões da Comunidade Europeia), com a consequente agravação dos problemas sociais e o surgimento dos sentimentos nacionais nas nações ou zonas mais afetadas, o que aproximará um aumento de protecionismo no seio do mercado comum;
Na medida em que colocava em marcha, a Ata única europeia reforça o poder de negociação numa nova repartição dos mercados internacionais, Esta- dos Unidos e Japão, com efeitos negativos, sobretudo para os países do Terceiro Mundo e para os países menos protegidos.
Na data do evento no Brasil- IV Encontro Ibero-América, integração e comu- nicação (1989), na ECA/USP, os membros participantes que vinham de Espanha e Portugal não nos deram notícia de uma cooperação e integração com o Brasil e demais países latino americanos nada alvissareiras. Estavam ulsutantes com o que se concre- tizaria em 1992 e 1993 (a total integração com a Comunidade Comum Europeia), mal podiam enxergar o que aconteceria apenas décadas após: O Brasil atingiria picos importantes de desenvolvimento; países – latino-americanos encontrariam novas op- ções políticas e econômicas; a China estaria contaminando toda a sua importação e exportação estando presente em seu Estado com produtos mais baratos e que africanos
8. _________Idem, SP, 1989. 9. __________Idem,SP, 1989.
estariam em suas calçadas vendendo produtos como camelôs e chegando todos os dias em embarcações perigosas no velho continente em busca de suas origens perdidas. O Brasil estaria no ranking de um dos países mais confiáveis e Europa, principalmente Espanha e Portugal mergulhados em uma profunda crise financeira e social.
No IV Encontro eles foram duros com o Brasil e demais países latino-ame- ricanos e afirmavam:
É um fato certo que a prosperidade econômica da Europa Comunitária, apesar dos desníveis regionais e de algumas medidas de desocupação exa- geradas, está convertendo nossa região em uma meta para muitos cidadãos que encontram sérias dificuldades para sobreviver, trabalhar e progredir e desenvolver-se em suas pátrias. Ante esta situação, a Comunidade Europeia pode reagir de duas maneiras: fechando suas fronteiras a “Cal e canto”, atra- vés de filtros insuperáveis para a maioria dos cidadãos do Terceiro Mundo ou ajudar, de verdade e decididamente, a atacar o mal em suas raízes10.
O pensamento da época, 1989, não era nada diplomático em relação ao Brasil e aos demais países latino-americanos que era considerado o “resto do mundo”.
Esta aversão aos brasileiros e demais países latinos americanos foi colocada no IV Encontro de forma tão enfática que chegavam a ser traduzido por um pro- fundo ódio a nós considerados por eles “o resto do mundo”. Pena é que eles não podiam enxergar que nós de origem indígena, afro e europeia dariam um grande salto nos últimos dez anos e eles estariam passando o pires justamente para nós.