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State and Action Representation

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4 A SEMANTICAL APPROACH TO AGENT DESIGN

4.1 State and Action Representation

Jung (2008b, par. 149) aponta que a origem da expressão “arquétipo” na antiguidade era sinônimo de “idéia”, no sentido platônico, “a idéia é preexistente e supra-ordenada aos fenômenos em geral”. Platão confere ao arquétipo um valor elevado de ideias ou formas eternas transcendentes ou formas perfeitas. Jung inspira-se na filosofia de Platão e na alquimia para propor ao conceito arquétipo, a noção de numinosidade.

Jung (1998) vale-se da expressão “typos” (impressão, marca-impressão) cunhada por Santo Agostinho para explicar o arquétipo como um agrupamento definido por caracteres arcaicos que encerram motivos mitológicos ou estruturas inatas capazes de formar ideias mitológicas que surgem em sonhos e fantasias de distintas naturezas. Jung (2002b) afirma que esse conceito deriva das observações dos mitos, contos, fábulas universais, pois abordam temas e representações específicas que apareceram em povos de todas as partes do mundo.

Para Jung (2008b, par. 155):

[...] os arquétipos são determinados apenas quanto a forma e não quanto ao conteúdo, e no primeiro caso de um modo muito limitado. Uma imagem primordial só pode ser determinada quanto ao seu conteúdo, no caso de tornar-se consciente e, portanto preenchida com o material da experiência consciente.

Os arquétipos são formas destituídas de conteúdo. Possuem estruturas bipolares que apresentam tanto aspectos positivos, criativos e estruturantes como aspectos negativos e destruidores. O arquétipo configura uma imagem e esclarece Grinberg (1997, p. 139), “essa representação universal reveste-se de pecularidades próprias da cultura, tempo e lugar em que o arquétipo se manifesta”.

Segundo Neumann (2001), o arquétipo possui uma estrutura que corresponde à organização psíquica que abrange dinamismo, componente material e simbolismo. Entre outras formas de manifestação, a dinâmica arquetípica manifesta-se por processos energéticos no interior da psique; estes operam tanto no inconsciente como entre o inconsciente e o consciente. Além disso, para esse autor, o componente material é o conteúdo que a consciência apreende que pode ser elaborado ou assimilado pelo indivíduo. A parte simbólica do arquétipo é a maneira particular como ele se expressa por meio de determinadas imagens psíquicas.

A dinâmica do arquétipo manifesta-se principalmente pelo fato de ele determinar o comportamento humano de maneira inconsciente, mas de acordo com leis, e independentemente das experiências de cada indivíduo [...]. Esse componente dinâmico do inconsciente exerce no indivíduo, que é guiado por ele, uma pressão irresistível e sempre vem acompanhado por um forte componente emocional. (NEUMANN, 2001, p. 20)

O arquétipo pode ser ativado quando o indivíduo se vê em uma situação ou tem proximidade com alguma pessoa que apresente similaridade com ele. Quando ativado, estabelece-se um elo com experiências passadas da humanidade, simbolizadas nos motivos mitológicos. Jung (1998, par. 80) aponta que os motivos mitológicos mais conhecidos são as seguintes figuras: herói, redentor, dragão (relacionado ao herói, que deverá vencê-lo), baleia ou monstro que engole o herói.

O arquétipo materno ou da Grande Mãe compreende uma variedade incalculável de aspectos. São exemplos: a própria mãe, a avó, a madrasta, a sogra; uma mulher com a qual nos relacionamos; imagens míticas de mulheres e símbolos que representem acolhimento, apoio, nutrição, cuidados que podem incluir instituições representativas como igreja, universidade, a ciade ou país, o céu e a terra, a floresta, o mar, as águas quietas, entre outros. O arquétipo inclui aspectos positivos e negativos (JUNG, 2008b).

Segundo Pieri (2002, p. 362), no arquétipo paterno “a imagem do pai é entendida como aquilo que precede e ao mesmo tempo constitui psiquicamente o pai real ou figuras historicamente semelhantes”. No arquétipo do herói, temos “a imagem da excelência individual. Enquanto tal, o herói entende-se como o pródromo da constituição da individualidade de cada um e, portanto, como aquilo através do qual o Eu passa para a conquista da própria identidade e autoconsciência” (p. 221). Jung (1999) se serve da temática do herói para falar de uma realidade arquetípica que compõe a nossa psique de maneira estruturante. Está relacionado ao desenvolvimento da consciência, servindo como modelo para o processo de individuação. Nas próximas subseções, discorreremos sobre os arquétipos da persona, da sombra e do Self.

Segundo Stein (2000), Jung reconhece dois arquétipos fundamentais na psique: a anima, contraparte inconsciente feminina do homem, e animus, contraparte masculina da mulher. Esses arquétipos sinalizam para o outro dentro de nós através do outro fora de nós, afetando nossas ações e relações. Oferecem-nos a compreensão dos princípios femininos e masculinos na essência do ser. Para Jung, a anima e o animus, ou a alma feminina e masculina são os arquétipos da própria vida. São eles que fazem a conexão do ego com o inconsciente coletivo.

74 [...] pertencendo por um lado à personalidade, e por outro estando enraizados no inconsciente coletivo, eles constroem uma espécie de elo de ligação ou ponte entre o pessoal e o impessoal, bem como entre o consciente e inconsciente (JUNG E., 2003, p. 15).

Jung (2008b) aponta que esses arquétipos se comportam de forma a compensar a personalidade externa. Pode ser considerada uma personalidade interna que apresenta as características que faltam à personalidade externa, consciente e manifesta.

Segundo Jacobi (1992), quando o arquétipo aparece no tempo e espaço presente tem a possibilidade de ser captado pela consciência e manifesta-se por meio de símbolos que assumem significados variados segundo a experiência e o conhecimento pessoal. Cada símbolo é determinado por um arquétipo em si e, quando existe uma constelação psíquica geral, ou uma posição adequada do consciente, este arquétipo está pronto para se atualizar e aparecer como símbolo. No entanto, existem símbolos originados nos complexos e outros mais diretamente arquetípicos.

De acordo com Jung (2008a) a energia psíquica direciona-se do instinto para o espírito e essa transformação da libido se opera através dos símbolos. Considera que

O símbolo, no entanto, pressupõe sempre que a expressão escolhida seja a melhor designação ou formula possível de um fato relativamente desconhecido, mas cuja existência é conhecida ou postulada (JUNG, 2009, par. 903). [...] enquanto um símbolo for vivo, é a melhor expressão de alguma coisa. E só é vivo enquanto cheio de significado (JUNG, 2009, par. 905).

O símbolo é universal, versátil, flexível e móvel, abstraindo a coisa concreta e a transcendendo, apontando para um sentido, um significado; são mediadores, a ponte que leva elementos do inconsciente ao consciente. Aproximam, assim, partes aparentemente isoladas, ajudando a formar um campo psíquico.

O símbolo é diferente do processo de condicionamento em que o sinal é assimilado e definido previamente. O sinal seria a parte do mundo fixo e o símbolo, a parte do mundo humano do sentido. A vivência une o universal ao pessoal, ou seja, é uma soma entre vivência arquetípica e experiência pessoal.

A linguagem do inconsciente é apresentada ao ego por meio de símbolos presentes em sonhos, contos de fadas, mitos, arte e outras expressões. Dessa forma, pode-se dizer que o símbolo sinaliza ao ego algo inédito, descrevendo o desconhecido prenhe de significados que não se esgotam. Traz consigo aspectos desconhecidos e é transformador de energia instintiva. Para Jung (1999), seria uma função espontânea da psique, pois, através dele, o homem

ultrapassa o mundo visível, movendo-se no desconhecido total. O símbolo aglutina vários elementos, sendo o mediador entre realidades distintas.

Segundo Grinberg (1997, p. 173):

O que operacionaliza essa ação dos símbolos na estruturação da consciência é conhecido como eixo ego-Si-Mesmo. O eixo ego-Si-Mesmo é a via de comunicação entre o inconsciente e a consciência, realizada por meio de símbolos que unem esses dois sistemas.

O símbolo pode ser entendido como uma função que conecta o ego ao inconsciente e facilita que o consciente entre em contato com o Self ou sua personalidade completa.

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