3. Betydningen av standpunktkarakterer for gjennomføring på normert tid
3.3. Standpunktkarakterer og gjennomføring på normert tid
Segundo Cormely4 (1987), na década de 1940, para grande parte dos analistas do tema, a família era vista segundo a concepção funcionalista, de corte positivista, conceituada como a célula básica da sociedade, como um universo fechado, estático, de relações intrafamiliares.
“A família nuclear tem sido tratada predominantemente, no âmbito das ciências sociais, pela linha teórica do funcional-estruturalismo. Dentro dessa perspectiva teórica, a sociedade é considerada como um sistema em equilíbrio, no qual os diversos componentes se encontram num estado de interdependência, desempenhando funções essenciais para a subsistência e funcionamento da sociedade como um todo. Essa abordagem enfatiza o estudo da sociedade com base nas inter-relações que se estabelecem entre o sistema social e as instituições, destacando-se a maneira como estas contribuem para o funcionamento da sociedade, ficando os indivíduos num segundo plano e sujeito às estruturas estabelecidas. Com base nesses pressupostos, pode-se tratar das diversas instituições sociais dentro da perspectiva do equilíbrio e da funcionalidade do sistema. Assim, a família é vista como um componente do sistema social cujo bom funcionamento permite atingir um equilíbrio na vida social.” (Calderón e Guimarães, 1994: 23–24)
As políticas sociais, neste período, eram setoriais (crianças, mulheres, deficientes, idosos, negros e outras) e não focalizadas para a família de forma global, conforme se almeja na atualidade.
O Estado pretendia garantir a reprodução, a proteção e a socialização da sociedade. Para tanto, tentou assumir algumas funções das famílias, entre elas a educativa. Com a instrução obrigatória, acreditou-se que o conhecimento
4 Neste segundo capítulo, grande parte do referencial teórico são as Revistas Serviço Social &
socialmente necessário para as crianças/adolescentes poderia ser transmitido pela escola. Assim, a maioria das mães começou a se preocupar mais com a saúde física e emocional do filho.
Quanto à assistência aos doentes e aos idosos, em muitos casos, passou a ser relegada às instituições. Com o tempo não mais se viam membros de três gerações viverem juntos, e os conhecimentos tão necessários, passados de uma geração a outra, acabaram sendo desvalorizados.
Para muitos, a casa deixou de ser o lar, passando a ser mais um albergue onde os filhos encontravam alimento e abrigo. Seus membros, pela vida corrida, deixaram de conversar e de dividir afeto ou felicidade.
Esses e outros fatores implicaram a mudança de numerosas e importantes funções sociais das mulheres no seio da família, principalmente na gestão da esfera afetiva.
Nesse período, o discurso era permeado pela concepção da família nuclear burguesa e quem não se enquadrava nessa regra era considerada “desorganizada”. Assim, problemas que afetaram a relação de parentesco com o desemprego, os “vícios” os mais variados, a violência etc, foram designados como “desestruturação” da família. Acreditavam que, para resolver os problemas, era só educar a mesma. O pai devia ser o chefe da casa, a mãe submissa e “bondosa”, e os filhos educados dentro de uma rígida disciplina moldada aos padrões tradicionais.
Justificava-se que a sociedade tinha “problemas” porque a família estava deixando de cumprir suas responsabilidades. A família era culpabilizada pela estrutura social em que ela estava inserida, sem que a mesma fosse colocada em questão.
Alguns pesquisadores chegaram a essas conclusões porque seus estudos foram fragmentados teoricamente e localizados contextualmente, não gerando trabalhos com amplitude suficiente para entender as transformações que ocorreram com as famílias de forma global.
Na verdade, a família não se desestruturou, mas sim houve mudanças nas relações de gênero e nas relações amorosas que estavam vinculadas às transformações que afetaram os ideais pré-concebidos, principalmente nas práticas conjugais.
A família não estava acabando, como acreditavam vários estudiosos, na época, mas mudando seu perfil, ou seja, o que esteve agonizando foi a idealização romântica que vários pesquisadores construíram sobre ela, tornando-a dependente desse modelo.
“O conceito de famílias conjugais e nucleares, chefiadas pelo provedor masculino, é, portanto, uma construção duplamente problemática para inúmeras sociedades, bem como para o Brasil. Nem as famílias nem os domicílios são necessariamente conjugais ou nucleares, nem tampouco exclusivamente chefiados por membros masculinos. (...) A denominação chefia familiar feminina é em si reveladora, pois é empregada tão-somente quando o homem adulto não está presente, como se a família chefiada por mulheres fosse uma anomalia, pois não se faz a discriminação da terminologia por gênero quando a situação é inversa, ou seja, quando o homem está presente. A tradição nos recenseamentos, nos programas governamentais, nas práticas sociais quotidianas tem imposto, dessa forma, um padrão de autoridade e de responsabilidade econômica familiar que nem sempre corresponde à realidade ou é reconhecida pela própria família.” (Carvalho, 1998: 77)
O grupo familiar extenso, ou a junção de parentes ou amigos, ou a pequena comunidade rural criam sistemas próprios que garantem os padrões de reprodução social. A vida no grupo familiar aumenta as possibilidades de se garantir a sobrevivência dos membros.
Os períodos de transição caracterizam-se pelas reconfigurações no interior dos grupos em redor das relações de parentesco. Essas remodelações são marcadas por mudanças gerais que influenciam ou determinam, de acordo com o tempo histórico e o contexto social, transformações que se operam nas relações intergrupais.
Em tantos contextos de crise, como a família poderia desenvolver suas funções essenciais de núcleo central de intimidade e de procriação, educação, socialização, geração de um ambiente de paz, amor e apoio a seus membros? Obviamente ela teve que se defender com seus meios para garantir a sobrevivência de sua prole.
Tentou-se moldar a família como instituição do sistema para reproduzir o modo de produção capitalista, para gerar nela apenas as transformações convenientes. Porém, como ela é dinâmica, acabou se rebelando ao modelo que lhe foi imposto porque precisava sobreviver.
As políticas sociais desse Estado capitalista sempre obedeceram aos interesses da acumulação. Assim, as de proteção à família também seguiram essa lógica.
Outros pesquisadores, já naquela época, compreenderam a sociedade em movimento, inacabada, em construção e reconstrução e, conseqüentemente, a família também em movimento, em mudança permanente. Ela é a mediação entre a sociedade e os indivíduos.
Nesse contexto mais geral, a família é o núcleo básico da produção e reprodução social, um sujeito histórico.
“A família permanece sendo a única forma de comunidade real, é a ‘casa’, o ‘porto seguro’ do indivíduo. No mundo externo ninguém tem piedade do outro, ninguém se interessa pela personalidade do outro e é dentro da família que cada um deseja receber atenção, respeito e o reconhecimento da própria personalidade. O termo ‘casa’ não significa mais apenas o local de moradia, a cidade, ou o país de nascimento, ‘casa’ é agora muito mais do que isto, é sinônimo de família. Assim, a família torna-se a esfera íntima da existência, o local exclusivo onde se pode exprimir a própria emoção e agregar-se aos outros. O local onde se pode relaxar em conjunto, o local enfim onde se pode desfrutar a sensação de pertencer. Representa, ainda, o lugar onde se pode refazer-se das humilhações sofridas no mundo externo, expandir a agressividade reprimida, exercitar o próprio autocontrole, repreender e vencer o outro.” (Heller, 1987: 10)
No cotidiano da família existe um movimento dialético entre elementos repetitivos e inovadores. É no seio dela que se desenvolve o movimento de produção e reprodução das relações sociais e onde também se desenvolve a natureza histórica do ser social.
A família deve ser enxergada dentro da sociedade de classe em que vivemos. Também não se podem entender as transformações que vêm ocorrendo com as famílias fora da divisão do trabalho.
A família é uma instituição social historicamente determinada que, ao mesmo tempo, produz impactos societários.
Pesquisadores entenderam que a família não pode ser vista como um modelo único, pois ela se transformou. Novas configurações surgiram. Ela continua, mas hoje não existe família e sim famílias.