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10.  Konsesjonærens vurdering av eksisterende vilkår og vurdering av innkomne krav . 30

10.2  Vurdering av innkomne krav

10.2.2  Standardvilkår

São lembranças muito interessantes que marcam e que marcaram muito a minha vida. (Sr. Francisco Schork)

Francisco Herbert Schork recebeu-nos por volta das 18h do dia 27 de maio em seu escritório21, no centro da cidade. Nascido em 10 de fevereiro de 1952, até a realização da entrevista tinha 59 anos.

O pedagogo, com especialização na área de gestão de pessoas, atualmente cursa parapsicologia clínica e institucional. Casado, pai de dois filhos, teve uma forte experiência religiosa e institucional, pois aos 13 anos, por intermédio do Pe. Mathias, foi para o seminário, onde permaneceu por mais 13 anos de sua vida.

Francisco H. Schork (Figura 7) foi vice-prefeito da cidade entre os anos de 1989 a 199222. E ao descrever a Guaramirim de sua infância, sublinha:

[...] a Guaramirim da minha infância era muito pequena, tinha o trilho do trem, a 28 de agosto (rua central) e evidentemente algumas pequenas ruas laterais. As casas antigas nas esquinas, poucas casas se comparado com hoje, era uma cidade bucólica. [...] Foi um período interessante, nós morávamos a aproximadamente 3,5 km da escola e da Igreja e diariamente nós fazíamos esse percurso para a escola e nos finais de semana íamos à Igreja, sábados de manhã nós acordávamos muito cedo, 5h30 da manhã, porque 7h tinha missa das crianças. E aos domingos à tarde a catequese, primeiro a catequese da eucaristia e depois a catequese da perseverança. Ao descrever a cidade a partir de lembranças de sua infância o Sr. Francisco Schork mostra a importância que a religião tinha na vida família, e como sua leitura da cidade está intimamente ligada à religiosidade.

Vindo de uma família de nove irmãos, de pais agricultores, Francisco Schork, em meio às suas lembranças, salienta os fortes laços mantidos com todo o seu núcleo familiar, a farta mesa e o trabalho na agricultura, dividido por todos os membros da família. Tais laços percorrem sua fala e transformam-se em lágrimas na medida em que descreve sua ligação com seus pais.

Os valores que pautaram sua vida familiar, durante sua infância e parte da juventude, foram ensinados por seus pais. Segundo ele, seu pai, analfabeto, ensinava que deveriam ser

21 SCHORK, Francisco Herbert. Entrevista concedida a Elaine Cristina Machado, Guaramirim, SC, 27 maio

2011.

justos e honestos com as pessoas, e sua mãe ensinava os princípios religiosos, apoiando-se nos valores da oração e do terço, que era uma prática diária para sua família.

A experiência da convivência com a diferença religiosa também esteve presente em sua fala, pois sua família semanalmente recebia um vizinho evangélico luterano para conversar. Narra o Sr. Francisco Schork um fato que lhe chamava a atenção:

Nós estávamos rezando o terço, depois da chamada ceia, que hoje é janta, depois da nossa polenta, rezando o terço e de repente a gente escutava o cachorro latir nas quintas-feiras à noite, e era o Bidi, que estava chegando. E ele chegava, sentava na porta, na escadaria da casa, esperava o terço terminar e depois então tinha aquela confraternização.

O crescimento da cidade, a dissolução de estreitos laços entre vizinhos, a falta de estrutura e planejamento urbano foram elementos recorrentes em sua narrativa. Segundo Francisco Schork, Guaramirim está vivendo sua adolescência, e confessa partilhar da ideia defendida por Pe. Mathias, que ele resolve chamar de profecia. Segundo ele, Pe. Mathias dizia: “embora o nome de Guaramirim signifique garça pequena, Guaramirim será muito grande”.

Francisco Schork era uma liderança religiosa da cidade, ocupando a função de ministro leigo. Ele conta que no dia do seu casamento, realizado em um sábado à noite (hábito então ainda pouco comum na cidade, pois os casamentos geralmente eram realizados pela manhã), vários padres estiveram presentes, fazendo dessa cerimônia um evento muito concorrido na parte religiosa. E em relação à festa que sucedeu a cerimônia, diz que foi apenas um jantar onde puderam receber os amigos e familiares, porque ele e sua esposa sempre defenderam que em qualquer casamento a religião deve ter muito mais espaço que as comemorações.

Autor de dois livros, um deles tratando do Hospital Municipal Santo Antônio, narra sua motivação para escrever este livro onde projeta Pe. Mathias como o grande idealizador e realizador da construção do hospital:

Uma forma de não ver a história ser esquecida, eu me propus a escrever esta obra e que faz parte de uma outra obra também da vida do Padre Mathias.

Além disso, Francisco Schork apresenta um relato muito pontual sobre a construção desta obra:

Não há guaramirense que tenha mais de 50 anos que não tenha dado alguma contribuição para o Hospital Municipal Santo Antônio, eu me recordo perfeitamente que nós éramos crianças, que os fundamentos, aliás em todas as obras que o Padre Mathias fazia, os fundamentos realmente

eram fundamentos, muito bem baseados, eram construídos, como se fala no evangelho, sobre a rocha. E nós recolhíamos pedras dos nossos pastos que eram nos morros e eram colocadas em cima de caminhões e essas pedras eram usadas nos fundamentos não só do hospital, mas do salão paroquial e da própria igreja, na ampliação da igreja matriz também.

Sobre seu outro livro, uma biografia de Pe. Mathias, que assume tons de homenagem, durante suas lembranças reforça que sua amizade com Pe. Mathias era fortalecida a cada dia. Sobre a escolha de fazer a biografia de Pe. Mathias, afirma:

Esse não é um papel que a pessoa faz porque quer fazer. Primeiro, para ser biógrafo de alguém precisa ter uma ligação muito forte, ou vai contar meramente uma história e eu não sou muito dado a contar meramente histórias. Eu me interessei pela biografia dele porque ele tem não uma história, ele tem uma grande história. [...] Evidentemente o Padre Mathias era um padre à moda antiga, aquele estilo de religioso voltado para a sacramentalização, voltado para as pastorais, mas naquele estilo antigo. Embora eu estivesse longe da cidade, estudando, eu na verdade, durante o período de férias, eu trabalhava intensamente com ele, estava sempre com ele. Nas férias de dezembro, nas férias de julho, ele não me dispensava, se ele tinha cinco missas no domingo eu estava nas cinco missas aí com ele. E nas segundas-feiras, que as pessoas dizem que é o dia de descanso do padre, até pode ser pros padres modernos, para ele era um dia de trabalho e naquele dia ele saía pra fazer os negócios pra paróquia e estava sempre junto com ele. Ele me levava pra Curitiba, Blumenau ou qualquer cidade onde ele fosse buscar, comprar, intermediar alguma coisa pra paróquia, eu estava acompanhando.

A família, a religião e os fortes laços mantidos com Pe. Mathias estiveram muito presentes em sua narrativa. Além do desejo de fazer com que a memória de Pe. Mathias permaneça viva na cidade, esforço que faz com que divida seu tempo entre a família, os cuidados com a memória de Pe. Mathias e sua atividade profissional.

Atualmente, Francisco Schork é consultor empresarial, dedicando-se à consultoria organizacional, voltando-se para a área comportamental, trabalhando com palestras de cunho motivacional, planejamento estratégico e mudança de cultura organizacional. Também desenvolve atividades de formação de líderes, criou há dez anos um programa específico que denominou de “líder visionário”, através do qual forma líderes que atuam na área tática e operacional das empresas, dividindo com outro sócio uma área de sua empresa voltada para a gestão de pessoas, atuando principalmente no recrutamento, seleção, contratação e integração de pessoas nas empresas. Francisco Schork também presta assessoriaàCâmara de Vereadores de Guaramirim, atuando diretamente no projeto “vereador-mirim”.

Figura 6 – D. Odete

Fonte: Elaine Cristina Machado, 21 maio 2011. Acervo pessoal.

Figura 7 – Francisco Schork