5 What can be Achieved with Responsible Investing?
5.2 Standard Setting and Signaling Effects
nossa cultura e da nossa tradição construtiva, por isso, eu acho que devemos preservar muita coisa. Mas antes de mais, devemos tentar fazer manutenção nas casas, habitá-las, tê-las habitadas e em bom estado sempre, não as deixar degradar. Isso agora, hoje, é muito fácil dizer, o património já está degradado, já é um bocado tarde, mas é uma recomendação. Daqui
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para a frente, mesmo o que construímos hoje, é para ficar para o futuro. Portanto se mantivermos as casas habitadas e fizermos manutenção regular e não deixarmos as patologias aparecerem e estenderem-se, isso é uma boa prática.
Acho que devemos preservar muita coisa, mas também acho que é interessante pegarmos em alguns edifícios destes e virarmos tudo ao contrário. Acho que também pode haver intervenções interessantes, em que descascamos o edifício todo, pomos tudo em tosco, a pedra à vista, a madeira à vista, os caixilhos em ferro tão fino que desaparecem. Eu não sou contra esse tipo de intervenções. Acho é que as intervenções têm que ser coerentes, isso é uma coisa essencial. Do ponto de vista da arquitetura, acho que não podemos misturar duas atitudes diferentes. Temos que perceber o que estamos a fazer: uma coisa é uma obra que respeita o ambiente da época, os sistemas construtivos, ou seja, uma obra de acabamento fino (parede estanhada, ou com papel de parede, com as madeiras trabalhadas) ou se estamos a virar tudo ao contrário e pôr aqui os materiais em tosco. Às vezes, misturam-se as duas coisas e é delicado. Podemos ter as duas atitudes ou outras, mas sempre com a preocupação de que haja coerência na intervenção.
Eu não gosto de ser muito conservadora, por isso é que é muito difícil, porque também é interessante que possamos criar, pegar nas casas e inventar uma nova forma de as interpretar. Nós, para mantermos a memória e o conhecimento, não precisamos de ter tudo igual ao que era. Agora, o problema é como? Como é que se define aqui um critério? Isso eu não sei. Há dois níveis, uma coisa é o espaço privado e outra, é o espaço público. As fachadas fazem parte do espaço público e aí acho mais fácil legislar, mas, também aí eu não gosto de ser demasiado conservadora no discurso. Eu acho que devemos ter os caixilhos de madeira, tenho tido sempre o cuidado de desenhar o caixilho à medida e que seja inspirado ou baseado no caixilho original da época da construção, mas eu já vi caixilhos em ferro mais interessantes que de alguns caixilhos de madeira, por isso, eu acho que é mesmo muito difícil, definir. A qualidade do projeto de arquitetura é que é essencial. É importante, o caixilho ser bem desenhado, no entanto, isto é um bocado difícil de definir. Tem a ver com medidas, proporções, profundidade das várias peças, relação com a cantaria...
4. Pode indicar REFERÊNCIAS ARQUITETÓNICAS de intervenção no património? Porque considera que as referidas intervenções têm qualidade?
Arq. Inês Pimentel: Eu acho que o Siza é excelente em reabilitação e em tudo o que faz. E a casa que ele reabilitou em Matosinhos, que era a casa de família dele e hoje é a Casa da Arquitetura, foi uma referência direta para mim, neste projeto. Apesar de ser uma casa com um ambiente diferente, porque ele aqui não foi nada conservador, no sentido em que não manteve o tipo de rodapés e guarnições que a casa provavelmente poderia ter tido, porque
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o próprio Siza já tinha feito um projeto de reabilitação para lá quando era muito novo, e aí alterou muita coisa e agora fez um restauro do seu próprio projeto. É um projeto em que ele trabalha com peças com remates de carpintaria mais secos, peças retas com arestas vivas, mas com um desenho muito bonito e que eu acho que encaixa perfeitamente naquela casa. Por exemplo, faz caixilhos novos onde mantém a guilhotina, mas não tem vidrinhos pequeninos (eu não sei se eles tinham ou não, mas provavelmente sim e ele não faz isso). Nas
traseiras, as fachadas – que tanto aqui no Porto como em Matosinhos seriam semelhantes,
normalmente aquela varanda toda fechada, tipo marquise, com a janela contínua - às vezes tinham portas, e outras vezes, não. E nesta casa, ele faz um desenho com janelas de guilhotina, em que integra a porta de forma completamente diferente daquela que se fazia na época. Eu estudei na minha pesquisa muitas fachadas de tardoz, e quase invariavelmente as janelas são de guilhotina e as portas, quando existem, têm bandeira e duas folhas. A bandeira da porta nunca está alinhada com a folha superior da guilhotina. Em Matosinhos, o Siza faz uma bandeira com o mesmo alinhamento da guilhotina da janela, e uma porta mais baixa. Esta porta acaba por ter dois metros de altura quando elas normalmente tinham 2.40, e ele encaixa a porta neste desenho. O desenho da fachada das traseiras que eu fiz para a rua da alegria tem exatamente este princípio. Eu desenhei imensas hipóteses para esta fachada e deià uitasà voltas ,àpo ueàa uià oàpa e iaàhave ào de àeàeuà oà o seguiaàdesenhar isso hoje, porque a fachada já não estava lá. A fachada das traseiras de Matosinhos foi, neste caso, uma referência direta. Eu acho que o Siza, mesmo no Chiado, no museu do Moinho em Leiria, é muito bom. Depois, outra referência direta para a casa é a intervenção do Souto de Moura em Bragança, no Museu Graça Morais. O museu tem o edifício novo, mas também tem uma parte de recuperação de um antigo palacete e ele usa um soalho de pinho ou riga amarelado e pinta as carpintarias de amarelo também. Foi outra referência direta para este edifício. 5. Qual a sua opinião sobre as PRÁTICAS ATUAIS DE INTERVENÇÃO no património Português?
Arq. Inês Pimentel: Eu não me sinto habilitada para falar assim do património português. Não estou assim tão bem informada. Relativamente ao Porto, por exemplo, acho que se está a fazer muita coisa e coisas muito bem feitas, mas há muitas que não são bem feitas. E eu não sei se vão durar muito, a nível sobretudo, de qualidade de construção. Há muitas casas que
estão a ser transfo adasàe àedifí iosàdeàapa ta e tosàeàasài te ve çõesàs oà uitoà light ,à
muito mínimas, e eu percebo isso. Quando estamos a falar de casas apalaçadas e em muito bom estado não se quer tocar nos tetos, porque são todos trabalhados, e não se quer tocar nos pisos, porque também estão em ótimo estado, mas, ao fazer isso, não se faz qualquer isolamento, por exemplo, térmico ou acústico entre dois espaços, que no passado pertenceram à mesma casa e agora vão pertencer a casas diferentes. Talvez a vocação destas casas, em tão bom estado, não seja transformarem-se em edifícios de habitação coletiva...
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Em obras em que a intervenção é mais profunda, eu acho que também se está a fazer, muitas vezes, a substituição dos tetos (que é o que mais frequentemente se substitui porque são os elementos mais frágeis, uma vez que são argamassas) sem ter o cuidado de se isolar e eu não sei se isso, a nível de futuro, poderá trazer conforto a quem habita. Depois, as pessoas não conseguem lá viver muito tempo, entram e saem e portanto, não sei se isso são intervenções com futuro.
Depois, há outra questão, que é a da qualidade arquitetónica. A mim, confesso que me aborrece ver estas casas que eram tão ricas a nível de expressão das cores e até das texturas que tinham, a serem completamente pintadas de branco. Que eu não acho mal, mas de repente, se ficasse tudo assim, eu acho que estávamos a perder uma parte da nossa identidade, e isso acontece muito.
Um outro caso é por exemplo aqui as Cardosas, o interior do quarteirão não tem carácter nenhum: Nem é um espaço de estar, nem é um espaço funcional, não tem coerência de linguagem. Os interiores dos edifícios não conheço, mas a nível da fachada, por exemplo, acho que os caixilhos têm um ar muito plástico e artificial. O embasamento é feito de placagem de granito, que se percebe que é placagem (ao lado das cantarias verifica-se que não está ao mesmo nível, tem um ar superficial), portanto, por fora já se perdeu muito. E, depois, eu também não conheço, porque nunca entrei, mas disseram-me que se associam vários lotes. A cidade é composta por lotes estreitos, cada um tem as janelas à sua altura, e fazem apartamentos que apanham vários lotes, com o piso ao mesmo nível, e a janela fica onde ficar - isso não respeita de todo a identidade do lugar. Apesar de eu achar que se podem associar lotes, porque, se calhar, hoje tem que se dar um novo sentido aos edifícios e tem que se dar resposta às necessidades das pessoas. O Porto, por exemplo, é uma cidade feita muito de habitação unifamiliar, cada família tinha a sua casa, e hoje muito pouca gente pode ter casas do tamanho da maior parte das casas do Porto. Portanto, é mais viável economicamente, termos a casa coletiva. Eu não acho mal, agora, essa associação de lotes tem que ser feita com critério, não se pode rasgar aquelas paredes medianeiras todas. Podem-se criar aberturas pontuais, autonomizar os espaços, não juntar a fachada deste prédio com a fachada daquele, mesmo quando não funcionam bem em conjunto, por exemplo.
6. Considera que há um conhecimento prévio por parte dos arquitetos, sobre a teoria da conservação e respetivas cartas e convenções publicadas por organismos internacionais? Nesse sentido, considera a FORMAÇÃO universitária e profissional no âmbito do património, adequada às práticas atuais de intervenção?
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de reabilitação. O único contacto com este tipo de trabalho, igual ao que agora me encontro a fazer, foi a cadeira de construção, no segundo ano, em que estivemos o ano todo a estudar a casa do Porto, com o Joaquim Teixeira. Mas, foi realmente a única cadeira em que estudamos o edifício antigo com alguma profundidade. Em termos de trabalho de projeto, não tivemos nenhuma sobre este tema. Mas eu também não estive cá no quinto ano e portanto, também não tenho a certeza se nessa altura existiu alguma cadeira de Restauro ou Património, mas acho que não, que era Urbanismo. Eu estive em Itália, em Erasmus, durante esse ano e aí tive uma cadeira de Restauro. Era muito teórica e como não dominava a língua, acabei por não perceber muito bem. Havia um projeto, mas era muito pouco aprofundado e também acho que restauro é muito diferente de reabilitação, tinha mais a ver com técnicas de restauro. É bom termos noção das técnicas que existem, mas nós somos projetistas. De qualquer forma, isto tudo está nas mãos de muita gente: dos promotores que têm o dinheiro para fazer coisas ou para si, ou como negócio; está nas mãos das Câmaras; dos legisladores; está nas mãos de muita gente, também acho que deve estar na dos arquitetos.
Para responder à pergunta, assim, mais diretamente, acho que a formação que eu tive não é vocacionada para a reabilitação, e deveria existir essa componente, a nível não só da teoria como do projeto. Nós gerimos o nosso tempo como queremos, mas no escritório estamos sobretudo a dar resposta aos problemas e, às vezes, não conseguimos parar para ir refletir e ir ler. A ligação à teoria num escritório torna-se difícil, quando não temos ligação nenhuma ao mundo académico, que é agora o meu caso. Estamos muito focados no desenho e na produção, e depois isto vai um bocado da sensibilidade que temos ou que vamos ganhando, que eu também acho que é essencial. Confesso que eu não me tenho apoiado muito na teoria, mas acho que é importante.
- Pretende que este questionário seja anonimo? SIM___ NÃO_X_
Muito obrigada pela sua colaboração, A discente Anita Alves Pimenta Tlf. (+351) 96 78 678 95
Email: [email protected] Maio de 2015
-196 - Mestrado Integrado em Arquitetura e Urbanismo
I terve ção e Edifícios A tigos de Cariz Corre te os Ce tros Históricos de Portugal Entrevista nº 3
(Arq. Paulo Moreira – Casinha 79-81: Porto)
Enquadramento:
A dissertação de Mestrado, que me encontro a realizar, tem como objetivo reconhecer os graus, os princípios e os métodos presentes nas práticas atuais de intervenção no Edificado Urbano Tradicional, em Portugal.
A obra realizada pelo arquiteto foi distinguida pelo prémio IHRU 2014, devido à intervenção realizada. É nesse sentido que se torna relevante o seu contributo para um maior conhecimento sobre os procedimentos, que recomenda como adequados.
Questionário:
1. Ao intervir numa pré-existência em degradação, quais foram para si, os PRINCÍPIOS, os VALORES e o GRAU de intervenção, a considerar?
Arq. Paulo Moreira:O princípio foi respeitar as características originais da casa. O caráter, a
aute ti idade…àÉàu aà oisaà ueà eà ustaàve ,àa uià oàPo to:àa hoà uitoà e à ueàse esteja a reabilitar a cidade, porque precisa, após algumas décadas de abandono e esquecimento do centro da cidade. Agora, finalmente, estamos a viver aqui um período de novo investimento e mais atenção dada a estes edifícios antigos. No entanto, muitas dessas reabilitações são feitas sem ter em conta o caráter original das casas, que é o que lhe dá interesse acrescido. Muitasàdasà ea ilitaçõesà ueàseàfaze …àe t a-se num desses edifícios e podíamos estar num sítio qualquer, genérico. Aqui, o objetivo é, realmente, valorizar a construção original da casa. Isto é feito através da subtração dos elementos que estavam a mais, que não eram originais, como os tetos falsos e a rampa colada aos degraus na parte inferior da escadaria, por exemplo. Deixa-se transparecer a estrutura e retira-se o reboco excedente nas paredes. Desta forma, passamos a ver algumas imperfeições, por exemplo como os degraus eram seguros à parede. Por que não deixar essas coisas visíveis? É interessante perceber como é que a casa à o st uída… Deixar que a casa volte a ser como originalmente. Mostram-se as técnicas que foram sendo tapadas, com várias intervenções que se foram sobrepondo. O grau de intervenção tem a ver, realmente, com a ideia de fazer o mínimo indispensável. Por isso é
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que, por exemplo na escadaria, alguns degraus são originais, outros são novos. Estes têm, claramente, uma madeira diferente. Vemos o que é novo e o que não é: o soalho é novo, porque estava em muito mau estado. Foi uma intervenção que procurou aproveitar ao máximo a estrutura e os materiais existentes. Mesmo os barrotes dos quartos, alguns são novos e outros não. Vemos que os novos têm uma secção mais quadrada. Portanto, houve uma preocupação em diferenciar o que foi adicionado. Por exemplo, nesta fotografia do teto do quarto, vê-se muito bem quais são os barrotes antigos e os que são novos. É uma coisa muito pragmática, se hoje em dia os barrotes têm secção retangular, então são aplicados esses mesmos. Os antigos são paus rolados. Resumindo, o objetivo foi chegar à essência do edifício. Portanto. Talvez um dia mais tarde se possa acrescentar mais coisas.
Relativamente ao grau, não sei se os especialistas da reabilitação têm nomes para as várias
oisas .à Euà oà eà o side oà u à espe ialistaà deà ea ilitaç o,à ouà peloà menos, com
conhecimento teórico. Considero esta intervenção como uma reabilitação, mas também gosto da palavra recuperação, porque uma recuperação é quase como quando se está doente
eàseà e upe a…àgostoàdesteàse ti e toàdeà ueàaà asaàta àestavaàdoe teàe recuperou,
voltou a ter os seus sinais vitais, o seu estado de saúde original. Acho que foi uma intervenção entre a recuperação e a reabilitação, prefiro essa terminologia à renovação, porque uma renovação é fazer de novo.
Como disse antes, foi claramente uma obra de subtração. Por exemplo, nas casas de banho, que já existiam naquele ponto, rebocaram-se as paredes com cimento queimado sobre a pedra. A única coisa que se fez foi criar estes nichos, ou seja, recortar e retirar um pouco de matéria, para criar estes nichos com funções específicas. Aqui há uma clara reciprocidade entre os objetos e a arquitetura, estes espaços vazios só fazem sentido quando têm um uso. Mais uma vez, reforço esta ideia de retirar matéria em vez de ter a obra pronta e começar a
int oduzi à oisas,à p atelei as,à po à e e plo…à a uià o:à ua doà seà o pletaà aà eti adaà daà
matéria a casa está pronta. Foi uma obra de subtração.
2. Para garantir qualidade na intervenção, seguiu uma METODOLOGIA específica? Qual é a importância de cada uma das fases seguidas, no processo de intervenção?
Arq. Paulo Moreira: A metodologia foi o acompanhamento da obra. A obra foi sendo feita, não houve um projeto à partida. Tenho noção que este não é o processo normal. Numa primeira fase, retirou-se tudo o que estava a mais: os entulhos, os tetos falsos, que se encontravam a cair, os soalhos podres e aí já se começou a perceber o que iria ser preciso fazer. Isso é muito importante para pedir orçamentos, porque é diferente pedirmos um orçamento tendo em conta a substituição de todos os elementos estruturais, ou apenas alguns. Seguidamente, fez-se o telhado, para deixar a obra fechada, para não entrar chuva,
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etc. Fez-se o telhado seguindo a forma existente: por exemplo, só quando se retirou o teto falso é que se encontraram estas ripas, só aí é que se decidiu deixar assim. Foi realmente um processo de descoberta (faseada, até porque eu não me encontrava cá no Porto, estava em Londres). Na altura, estava a começar o doutoramento e tinha comprado a casinha e íamos fazendo isto por fases. Primeiro o telhado, pedia orçamento e avançava; feito o telhado, vinha cá e decidíamos fazer os soalhos, depois as casas de banho, cozinha e, no final, o rés-do-chão. Ou seja, foi uma obra faseada, às vezes entre uma fase e outra passavam alguns meses. Isto que eu vou dizer não é muito comum: havia desenhos de obra mas, na verdade, não ouve assim um projeto. Acho que só fiz o levantamento no fim da obra [risos].Esta é uma obra com características muito diferentes, é uma casa que tem, apenas 19m2 por piso e há aqui coisas que não se desenham, mas que interessava explorar, como as texturas da pedra, o encontro da madeira com a pedra irregular, por exemplo. O que se passou foi que, quando eu estava em Londres, tinha um amigo que ia passando pela obra, em algumas das fases. Ele mandava- me fotografias e eu comentava essas imagens, dava indicações, desenhava e marcava com setas a dizer o que pretendia. De facto, em algumas fases foi um acompanhamento à distância. Depois, vinha cá e falava com o construtor responsável pela obra, decidíamos exatamente o que íamos fazer e, depois eu não tinha que estar ali durante essas fases específicas, que eram trabalhos pequenos. Depois voltei a estar mais presente, no final. Trouxe estes lavatórios de Bali, de uma viagem que tinha feito e o suporte teve que ser feito à medida, uma peça desenhada ao pormenor.
Relativamente à história do edifício, descobri nas Águas do Porto o processo original da casa, há desenhos e memórias descritivas de 1936, porque naquele ano a Câmara Municipal do Porto obrigou os proprietários dos prédios a fazerem obras de saneamento. Existem muitos processos desse ano arquivados nas Águas [do Porto]. Fotocopiei isto tudo, porque achei interessante.
Não realizei plano de manutenção, após a execução da obra, porque eu vivi aqui e como a casa era para mim não era necessário. Fui vivendo a casa e percebendo algumas coisas que se têm que ir adaptando. Por exemplo, criei na fachada no rés-do-chão, uma nova grelha para haver ventilação. Isto porque ao começar a usar o atelier (eu trabalhava no piso de baixo), percebi que era um problema o rés-do-chão não ter ventilação.
Ainda não falei nesta situação, mas seguindo esta ideia de redescobrir a essência da casa, ao retirar as paredes falsas foram descobertas antigas ligações com as casas vizinhas, que também quis deixar visível através de um plano liso, que se destaca em relação à aparência irregular da pedra. Foi esse ponto até que, mais tarde, deu a ideia para a criação dos nichos. Interessa-me esta ideia de interagir, de escavar a pedra para criar comunicações.
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3. Quais são as principais DIRETRIZES ORIENTADORAS para a intervenção em património?