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Rejecting universality: an alternative representation

4. Talking ‘Terrorism’ at the United Nations, 2001-2012

5.4 Representing the common Self

5.4.1 Rejecting universality: an alternative representation

Em seus escritos, segundo Molon (2009), Vigotski não se refere explicitamente ao conceito de subjetividade, contudo, ao conceber a relação do sujeito com seu meio de forma dialética, afirmando essa relação EU-OUTRO a partir do movimento interativo

de apropriação do interpsicológico pelo intrapsicológico, e ao refletir sobre o caráter dinâmico dos significados de mundo para cada sujeito, Vigotski evidencia sua perspectiva de uma subjetividade social. Para Delari Jr (2000), a discussão sobre sujeito e subjetividade em Vigotski, apesar de não aparecer de modo direto, faz-se presente em sua obra sob os conceitos de pessoa e personalidade tal como introduzidos por Vigotski que traduzem a trama das relações que constitui a natureza cultural do homem. Para Vygotsky (1929/ 2000), a personalidade social é o conjunto de relações sociais, encarnado no indivíduo; isto é, o processo de construção das funções psicológicas a partir da estrutura social.

Os interesses psicológicos de Vigotski originam-se da preocupação com a gênese da cultura. “O entendimento do homem como construtor de cultura levou-o a contrapor- se à psicologia clássica” (Molon, 2009, p. 22). Na perspectiva histórico-cultural, o sujeito só se constitui a partir do outro, não existindo um sujeito anterior à relação social. Vigotski se opunha a qualquer concepção que trouxesse o sujeito como ahistórico. Partindo dessas reflexões, Vigotski (1926/ 2004) passa a representar a psique humana como um sistema complexo e integrado, que se constrói na relação com o outro, principalmente através da linguagem. Sendo esta considerada pelo autor como a fonte constituinte do comportamento social e da consciência.

Outro aspecto levantado por Vigotski e inovador para a época foi que essa interação, essa experiência social, tão importante na constituição do sujeito, extrapola as interações sociais imediatas, tendo em vista que o sujeito se constitui também por meio das intersubjetividades anônimas. Nesse sentido, pode-se afirmar que Vigotski, com sua perspectiva histórico-cultural inaugura uma nova concepção acerca da subjetividade, até então considerada como algo individual, intrapsíquico e inacessível.

A proposição por Vigotski contraria as teorias tradicionais trazendo luz uma subjetividade que é social, falando de um homem que, mesmo a sós, permanece sendo

influenciado e influenciando, sendo transformado e transformando. Essa categoria subjetividade é um conceito importante para a Psicologia Social, pois supera a forma dicotômica da relação entre indivíduo e sociedade.

Delari Jr (2000) afirma que Vigotski procurava compreender outros modos de conceber o sujeito que rompessem com a ideia de individualidade. Para ele, o sujeito não é algo universal e nem independente de sua cultura. Essa noção de sujeito implica pensar o humano do modo mais situado possível, na medida em que se constitui no próprio movimento de fazer-se sujeito em função das múltiplas relações sociais mediadas e papéis sociais que assume. Cada ser humano singular estaria, portanto, aberto a diversas possibilidades de se fazer sujeito, tomando-se como base as diferentes relações e os diferentes contextos sociais nos quais está inscrito.

Partindo dessa concepção do sujeito que se constitui a partir do outro e que também contribui para a constituição desse outro, vê-se que Vigotski dissocia a subjetividade à ideia de singularidade, até mesmo porque o singular não é o oposto do plural, mas aquilo que só pode existir em relação constitutiva com o plural. Em outras palavras, o próprio movimento pelo qual os sujeitos passam a se sentir, perceber-se e compreender-se enquanto seres individuais e singulares “só pode se realizar no interior de uma trama social que é, por definição, plural e contraditória” (Delari Jr, 2000, p. 48).

A categoria subjetividade possibilita identificar elementos gerais de sentido subjetivo, produzidos socialmente nos espaços de subjetivação, considerando as contradições, dilemas, consensos e forças inerentes ao processo de ser humano. Um homem que é sujeito, com uma subjetividade processual, complexa e histórica. E este só pode ser compreendido na medida em que se posiciona numa dada relação social.

Nesse sentido, à medida que interage com o mundo social, as particularidades se expressam concretamente e produzem mudanças na própria sociedade, num movimento contínuo. A relação entre subjetividade e social se promove mediante processos

intercruzados e paradoxais de subjetivação, de apreensão dos significados sociais, de posicionamentos de um determinado sujeito, determinados social e historicamente. Molon (2009) destaca a importância da participação do outro na constituição do sujeito e da subjetividade. Para a autora, a participação do outro se dá em um cenário de produção permanente, constituído e constituinte de significações.

Visto deste modo, cada sujeito, ao se pronunciar, não fala apenas por si, mas a partir dos vários lugares sociais que ocupa, do seu contexto, e do que foi construído a partir das relações sociais. Isso não significa que o social se lhe impõe, e que o intrapsicológico é apenas uma cópia de suas interações. Não se trata de um sujeito passivamente moldado pelo meio. Mas sim que os processos externos e intersubjetivos ao serem internalizados pelo sujeito, permanecem quase sociais, constituindo essa subjetividade social.

Molon (2009) ressalta que o sujeito interativo se diferencia do paradigma do sujeito passivo. Assim, a dimensão intersubjetiva não é a dimensão do outro, mas a dimensão da relação com o outro, na qual existe uma dependência contínua entre os planos inter e intra-subjetivos. Processo este que acontecem pela mediação social. Tendo em vista que há uma necessária interdependência dos planos inter e intrasubjetivos, os conhecimentos do sujeito também não estão alicerçados apenas em seus recursos individuais. Para Molon (2009, p. 62), “o sujeito não é passivo nem apenas ativo: é interativo”.

Assim, a subjetividade expressa a síntese entre o individual e o coletivo, sem reduzir o indivíduo a qualquer um desses aspectos. E por isso, a subjetividade é um processo também dinâmico, que só pode ser apreendido levando-se em conta sua historicidade. Para Delari Jr (2000), a subjetividade, numa leitura vygotskiana, possui estreita relação com a experiência humana, ativa e social. Uma experiência compreendida como aspecto da existência material do humano.

Experiência que o homem experimenta em si e que o homem tem do mundo e de si próprio, mas que enquanto experiência de si próprio só pode se constituir na relação com o mundo e fundamentalmente com os outros, como componentes de uma dada cultura, e portadores de determinadas tradições e contradições (Delari Jr, 2000, p. 49).

Delari Jr (2001) complementa que nesse processo o sujeito se constitui pelo outro, através do outro, mediante o outro e por intermédio do outro. Mas também auxilia na construção desse Outro e da sua Cultura. Tal lógica postula a existência de um sujeito que se relaciona com o mundo. O que significa que a subjetivação é derivada da relação social, mas também concomitante ao desenvolvimento desta mesma relação.

Para Molon (2009), Vigotski compreende a constituição do sujeito reconhecendo a dialética que existe entre os aspectos intrapsicológicos e interpsicológicos. Nesse sentido, ele deixa claro que esse sujeito não se esgota no privilégio de aspectos intrapsicológicos ou interpsicológicos. Ao conceber sujeito e social a partir de uma relação dialética, Vigotski traz a subjetividade ao centro da reflexão da Psicologia, mas se recusa ao dualismo vigente em sua época.

Essa talvez tenha sido uma das maiores contribuições de Vigotski ao nosso tempo, à nossa Psicologia paradigmática: o olhar atento e situado a esse sujeito que não se encontra nem isolado em si, nem dissolvido no social; mas que se constitui a partir de relações dialéticas, que levam em consideração as contradições, as tradições, os conflitos, as construções e desconstruções, os parênteses e interrogações, o SER HUMANO, em movimento dinâmico, que se recusa a categorizações a priori. E a subjetividade, longe de ser algo só meu, representa o ‘meu eu social’.