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Discourse theory in the international relations discipline

2. Theoretical Approach: Discourse Theory and the Study of ‘Terrorism’…

2.4 Discourse theory in the international relations discipline

Um dos aspectos que fez com que Vigotski se afastasse das correntes tradicionais da Psicologia em busca de novos aportes foi o fato de considerá-las insuficientes para compreender a complexidade da experiência humana. Nesse sentido, reafirmou a importância das origens sociais e da compreensão do contexto para se analisar o desenvolvimento humano. Cole e Scribner (2007) ressaltam que “ele foi o primeiro psicólogo moderno a sugerir os mecanismos pelos quais a cultura torna-se parte de cada pessoa” (p. 24). Dessa maneira, ao propor que comportamento e desenvolvimento humano deveriam ser analisados à luz do contexto cultural, Vigotski se aproxima da perspectiva dialética proposta por Marx.

Essa aproximação, contudo, não foi no sentido de sobrepor o pensamento marxista à Psicologia. Vigotski (1925/ 2004) via no materialismo dialético a solução para os paradoxos científicos vivenciados pela Psicologia da época, que considerava os fenômenos psicológicos como estanques. O materialismo dialético se constituiu como um dos pontos de partida para Vigotski repensar a Psicologia que era feita até então, na medida em nutria o entendimento de que todos os fenômenos precisam ser estudados como processos em movimento e mudança.

Nesse sentido, a teoria marxista da sociedade teve um papel fundamental na consolidação das ideias de Vigotski, pois, de acordo com estas, “mudanças históricas na sociedade e na vida material produzem mudanças na natureza humana (consciência e comportamento)” (Cole & Scribner, 2007, p. 25). Isso significa que o homem não pode ser estudado nem apenas a partir do seu aspecto interno, intrapsíquico; nem apenas como reprodutor do meio social. É preciso compreender que o desenvolvimento humano tem sua raiz na sociedade e na cultura.

Assim, Vigotski (1925/ 2004) teoriza que o comportamento humano é constituído a partir da experiência histórica, da experiência social e da experiência duplicada. “Evidentemente, a experiência histórica e a social não constituem nada psicologicamente distinto, já que, na verdade, não podem ser separadas e sempre se apresentam juntas” (p. 83).

Para Vigotski (1925/ 2004), é preciso ir além da fisiologia, do corpo físico, da herança genética. Ele faz uso de um método genético pautado na historicidade dos processos psicológicos. Segundo o autor, para abarcar de modo completo a totalidade do comportamento humano, é preciso que se considere “o caráter extraordinariamente amplo da experiência herdada pelo homem”, tendo em vista que este não se serve apenas da experiência herdada fisicamente, mas de uma gama de experiências de

gerações anteriores que não se transmite através da genética, mas a partir das relações sociais e do contexto histórico-cultural, o que o autor denomina de experiência histórica. Associada a esse elemento, soma-se a experiência social, resultado das numerosas conexões que foram estabelecidas na experiência junto a outras pessoas. Sendo que essas relações não se estabelecem de forma passiva, o homem adapta ativamente o meio a si mesmo e também não se referem apenas às relações sociais face a face, mas todo o arsenal de experiências vividas ao longo da história do sujeito (Vigotski, 1925/ 2004).

Outro aspecto proposto por Vigotski, apropriando-se das ideias de Marx é o da experiência duplicada, que permite ao homem desenvolver formas de adaptação ativa. Dessa maneira, o sujeito constrói sua ação antes na mente, o que significa que o resultado obtido no processo existia idealmente antes do começo desse trabalho. Contudo, o comportamento humano não se resume à dimensão do observável, e nesse sentido emerge a importância do estudo da consciência pela psicologia. Para Vigotski (1925/ 2004), “o comportamento que se realiza é uma parte insignificante dos comportamentos possíveis. Cada minuto do homem está cheio de possibilidades não realizadas” (p. 69).

E essas possibilidades não realizadas não estão acessíveis pela via direta da experimentação. Essa experiência só é acessível à pessoa que a vive. Visto desse modo, é preciso que se compreenda todo o processo de desenvolvimento, as relações estabelecidas pelo sujeito para que chegue àquele comportamento, e não apenas o resultado, o comportamento em si.

E assim também se considera que toda relação do sujeito com o mundo é uma relação mediada através dos instrumentos e signos construídos socialmente. Para Molon (2000), o objeto da Psicologia e da Psicologia Social era o fenômeno psicológico, mas este só existe pelas mediações, isto é, o fenômeno psicológico é mediado e não

imediato. A linguagem, as funções e significados dos gestos e palavras só possuem valor porque são criados socialmente e oferecem um meio de se estabelecer as relações com as outras pessoas. Ao longo do desenvolvimento, há uma internalização desses processos sociais por parte do sujeito. De modo que a operação externa é reconstruída internamente.

Uma operação que inicialmente representa uma atividade externa é reconstruída e começa a ocorrer internamente, fazendo com que um processo interpessoal se transforme em um processo intrapessoal. Desta maneira, os signos aparecem primeiro em uma dimensão interpsicológica e depois em uma dimensão intrapsicológica. Isso não significa que o que é agora intrapessoal deixa de ser social, ele passa sim a se constituir como quase social.

Para Vygotsky (1987) esse movimento parte do social para o sujeito e não é um simples processo de imitação, mas sim de transformação, de apropriação. “Sua composição, a estrutura genética, o modo de ação, em uma palavra, toda sua natureza é social; inclusive ao converter-se em processo psíquico, permanece sendo quase social. O homem, a sós consigo mesmo, segue funcionando em comunhão” (p. 162).

De igual modo, levando-se em consideração a relação dialética das dimensões interpsicológica e intrapsicológica, observa-se que o social constitui o sujeito ao mesmo tempo em que é constituído por ele, sendo que ambos são também constituídos pelas mediações de signos. Segundo Vigotski (2004), a internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psicológica.