3. The present investigation
4.2. Stages of development of the shoot apical meristem (SAM)
Relata Pereira (1987) que o estado gaúcho cumpre um contrato de subvenção, celebrado em maio de 1930, subscrevendo 1.200:000$000 (mil e duzentos contos de réis), com a venda nesse ato de 1.050 ações da VARIG pertencentes ao Sindicato Condor para o Governo do Rio Grande do Sul.
O Sindicato Condor retira-se da VARIG e exige a devolução das aeronaves, Dornier Merkur batizado de Gaúcho, no dia 25 de junho e a aeronave Dornier Do J Wal denominada de Atlântico, no dia 2 de julho.
A VARIG, além de devolver os hidroaviões, entrega, também, o terreno da Ilha Grande dos Marinheiros, passando a receber subsídios do governo estadual. No entanto, continuou representante do Sindicato Condor no Rio Grande do Sul e recebendo apoio técnico alemão.
Durante algum tempo a VARIG teve de operar exclusivamente com dois monoplanos Klemm L-25 que haviam sido adquiridos em novembro de 1929, reduzido a uma aeronave quando um destes foi perdido após um acidente em setembro de 1930.
No ano seguinte a VARIG atendia suas linhas utilizando a aeronave Dornier Merkur arrendado do Sindicato Condor e um Junkers A-50. Recebe do governo gaúcho, dois aviões, um Morane Saulnier MS-130 matriculado em 8 de janeiro de 1931 com o prefixo P-BAAC e um Niuport Delage 641 registrado com P-BAAD.
Passados somente três anos da sua fundação, a VARIG era uma empresa aérea sem aviões, e seu piloto Franz Nuelle não podia voar (Anexo E). Foi necessário que a empresa aérea recorresse ao Tesouro gaúcho. Deduz-se que os 1.000:000$000 (mil contos de réis) que foram reunidos pelos 550 acionistas gaúchos, não foram integralizados quando na sua participação.
No dia 24 de abril de 1931, o Estado do Rio Grande do Sul firmou um contrato de subvenção com a VARIG, onde o Governo cederia à companhia o campo de Gravataí, pelo prazo de 20 anos, renovável por mais 20 anos, como opção.
O Governo forneceria o montante de 399.000$000 (trezentos e noventa e nove mil contos de réis) como recurso financeiro, para a construção de um hangar e as instalações necessárias, podendo colocar a sua disposição o valor de até
US$186.000, para a compra de quatro aeronaves para o transporte de passageiros, do tipo Junkers, duas para o transporte de correio e cargas e mais duas destinadas para a instrução.
A VARIG ficou na obrigação de adquirir do Governo do Estado dois aviões Junkers F-13 de sua propriedade, sendo para isso necessário entregar 1.050 de suas ações. A empresa também manteria a manutenção de outras seis aeronaves, obrigando-se a manter uma escola de aviação, onde se comprometia a matricular gratuitamente até 10 alunos anualmente vindos da Brigada Militar.
Desde o início de suas operações no Rio Grande do Sul conseguiu sempre manter boas relações e apoio do Governo do Estado e com seus políticos, destacando-se entre eles Alberto Bins e principalmente Oswaldo Aranha, que se encontrava frente à Secretaria do Interior, e que na época estava empenhado em organizar a Revolução de 30.
A Revolução foi deflagrada em 3 de outubro de 1930, sendo deposto o Presidente da República Washington Luiz, assumindo Getúlio Dorneles Vargas. Assume no Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na qualidade de Interventor Federal, o general José Antonio Flores da Cunha e Oswaldo Aranha seguiu para o Rio de Janeiro para ocupar o cargo de Ministro da Justiça.
A VARIG buscou o cumprimento do contrato junto ao Interventor Federal, mas sempre encontrou muita dificuldade. Em 1931, sem ter recebido o auxílio do Governo Estadual, atravessava um período muito difícil, apesar de Oswaldo Aranha ter insistido para que Flores da Cunha cumprisse o prometido. Este alegava que o contrato não tinha nenhuma validade jurídica, pois era necessário que a Assembléia o tivesse aprovado, e, no entanto, fora dissolvida sem ter se pronunciado a respeito, razão pela qual o contrato não tinha valor legal.
Agora como Ministro da Justiça, Oswaldo Aranha voltou a empenhar-se junto ao interventor General Flores da Cunha para que o contrato prometido fosse cumprido. Em carta enviada ao interventor, Oswaldo Aranha lembrou que os interesses da companhia foram esquecidos em favor do Estado e da Revolução.
Relatado no livro “Breve História da Aviação Comercial Brasileira” de Aldo Pereira (1987), a carta continha entre outros assuntos, o fiel cumprimento do contrato com a empresa gaúcha.
Seria um crime desamparar a VARIG, Flores, quanto seu reerguimento está nas tuas mãos e ela reclama do Governo, apenas o cumprimento de um compromisso.
No fim do mês corrente, se reunirá a assembléia dos credores e la será obrigada a desaparecer se o Estado não acorrer em seu auxílio.
Estou certo que não permitirás que isto suceda e assim sendo terás o teu nome ligado a mais um ato de justiça e benemerência.
Após insistentes pedidos do prefeito Alberto Bins, de Borges de Medeiros e de Oswaldo Aranha, e das ameaças feitas por um jovem advogado, então Presidente do Conselho Fiscal da VARIG, chamado Adroaldo Mesquita da Costa, que com a ameaça de que se no prazo de 24 horas, a VARIG não recebesse o que lhe era devido, convocaria a Assembléia Geral, que dissolveria a companhia e, em manifesto ao Rio Grande do Sul, daria razões ao seu procedimento.
De acordo com Fay (2001), Flores da Cunha acaba concordando vindo a solicitar ao seu secretário da Fazenda, Francisco Antunes Maciel, que efetuasse o pagamento. A VARIG obteve o apoio político e a ajuda necessária, tornando o Estado do Rio Grande do Sul seu acionista, em substituição do Sindicato Condor, avalizando a importância de US$ 66.800, para a compra de duas aeronaves Junkers F-13 e de material de reserva, prometendo subvencionar a empresa na proporção da quilometragem percorrida, em suas três linhas, na razão de 2$000 por quilômetro voado.
Por conseqüência dos eventos políticos e econômicos que marcaram profundamente o Brasil na primeira metade da década de 30, e com recursos financeiros limitados, a VARIG tinha uma demanda de tráfego extremamente modesta tendo que utilizar aeronaves que apresentavam pouco lucro, obrigando-se a restringir suas operações ao Estado do Rio Grande do Sul.
As linhas da VARIG ficavam restritas a operar nas cidades de Porto Alegre, Pelotas, Cruz Alta, Santana do Livramento, Bagé, Santa Cruz, Palmeira das Missões e Santa Maria. Podendo manter as linhas até as cidades litorâneas de Torres e Tramandaí, quando em época de veraneio. Necessitou construir instalações para a operação de suas aeronaves, em várias localidades, ainda com seus escassos recursos.
Em 1932, depois de atravessar um período de dificuldades, sofreu uma completa reformulação, com o auxílio do Governo Estadual, que fez um empréstimo para a compra de novos aviões. Sendo dois Junkers F-13 e outros dois Junkers A-50 Júnior, que seriam utilizados no treinamento de pilotos, tornando possível o aumento
do número de cidades servidas, entre elas, Santa Maria, Cruz Alta, Santo Ângelo, Bagé, Livramento, Uruguaiana, e outras localidades do interior gaúcho.
Vieram também três homens com larga experiência, recomendados pela Junkers: Sr.. Paulo Lowatzi, Harald Stude e Max Frantz.
Otto Ernst Meyer auxiliado por Ruben Martin Berta continuaram lutando bravamente pela sobrevivência da empresa. Na verdade, todos os funcionários se esforçavam muito para garantir a existência da VARIG, sendo que o próprio pessoal administrativo ajudava no embarque das malas de passageiros ou trabalhando dentro das oficinas da empresa.
Quando a VARIG iniciou a sua expansão para as principais cidades gaúchas, seus aeroportos estavam situados próximos às grandes fazendas de criação de gado, onde se tornara rotina a invasão de animais. Para evitar algum acidente com as aeronaves e os passageiros foram convocadas pessoas para que fizessem a segurança dos aeródromos, não permitindo que nenhum animal invadisse a área da estação de passageiros. Também tinham a função de consertar as cercas, transportar em seus cavalos volumes descarregados do avião para o aeroporto e vice-versa (Anexo O).
A história da VARIG é uma grande demonstração da boa vontade do povo gaúcho, de entusiasmo, de resistência as numerosas dificuldades da vida. A empresa que dependia da particularidade dos seus serviços estava destinada a lutar duramente pela sua independência financeira.