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O governo de Otto Leopold Eduard Fürst von Bismarck-Schönhausen, conhecido como “chanceler de ferro”, foi caracterizado pelo autoritarismo, e coincidiu com o início de um importante período de desenvolvimento em todos os setores da economia alemã.

Entre 1872 e 1880, Bismarck desencadeia a Kulturkampf (luta pela cultura) tendo como objetivo enfraquecer o poder da Igreja Católica na Baviera, considerando os católicos como contrários a unidade alemã. Em relação a política interna, o êxito não acompanha as iniciativas de como Bismarck é conhecido. Governa a Alemanha de forma ditatorial articulando o apoio político dos nacionalistas liberais contra o grupo dos católicos, os políticos de centro contra os políticos socialistas e, os conservadores contra os do centro. Obtém apoio do Exército Nacional buscando a unificação econômica, jurídica e financeira (Burns, 1972).

Com relação a política externa, presidiu o Congresso de Berlim de 1878, atuando como mediador entre as grandes potências. Nesse mesmo ano, estabeleceu uma aliança com o império Austro-Húngaro, determinando uma nova etapa conservadorista na política, vindo a refletir-se internamente através de sua política anti-socialista. Seu poder começou a declinar em virtude de crescentes divergências novo kaiser Guilherme II, levando-o a demitir-se em 18 de marco de 1890.

A Alemanha agora sob o comando do novo kaiser ruma para a industrialização e a militarização do país, dando lugar ao sistema de alianças defensivas, que foi construído anteriormente por Bismarck.

Em meados do século XIX a América do Sul recebeu um grande contingente de imigrantes alemães, que formaram uma minoria importante e de grande atuação no cenário econômico americano, atuando como comerciantes, industriais e principalmente, agricultores. Estes imigrantes formaram colônias etnicamente

homogêneas, mantendo escolas e instituições próprias, além de grande intercâmbio com a Alemanha, mantinham-se integrado com a sociedade.

Eram bem vistos e admirados pelos governos e pela população em geral e considerados elementos que poderiam ajudar a desenvolver-se de acordo com o pensamento corrente na época. Na primeira década do século XX, a euforia nacionalista se expressou pela criação de sociedades que propugnavam a hegemonia da Alemanha na Europa e no mundo (Seyferth et al., 1994).

Segundo Fay (1990), o início do século XX foi marcado na Europa com profundas transformações sociais, políticas e tecnológicas. Um dos fatos deste tempo são as migrações provocadas por conjunturas sócio-econômicas desfavoráveis, principalmente para os camponeses da Europa Central, encontrando disposição de alguns países em preencher seus vazios demográficos.

A Alemanha buscou o predomínio comercial e naval, que antigamente era exercido pela Grã-Bretanha. Criou um arsenal de marinha muito forte, investiu pesado na indústria, sendo que ao mesmo tempo em que adotava leis protecionistas sobre os seus produtos. Vindo, contudo a exigir da população o aumento da produtividade associado à abertura de novos espaços comerciais.

Com a ameaça do predomínio do alemão levou a França, Rússia e a Grã- Bretanha a firmaram uma aliança militar conhecida como Tríplice Entente. De um lado estavam as potências tradicionais no bloco da Tríplice Entente, de outro lado estavam os países que compunham a Tríplice Aliança, integrada pela Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro. Estas alianças transformaram-se na inflexível bipolaridade entre dois blocos de poder (Remónd, 2002).

De acordo com Fay (1990), o imperialismo nos Estados buscou a tentativa de acomodar estas forças que vinham a exigir uma maior participação política e econômica, de forma a atingir um pleno desenvolvimento.

A busca por novos espaços levou à disputa pela posse das colônias que pertenciam a alguns países, vindo a surgir o primeiro objeto de conflito entre as potências européias que buscavam conseguir uma posição de hegemonia no continente europeu, vindo a deflagrar a Primeira Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial teve início na data de 28 de julho de 1914, quando a Áustria, que era membro da Tríplice Aliança, declarou guerra à Sérvia, que era protegida da Rússia, tendo como fato gerador da causa, o assassinato do herdeiro do trono dos Habsburgos , o Arquiduque Franz Ferdinand e sua mulher , a Duquesa

Sophie. No dia seguinte a Rússia iniciou a mobilização de suas forças, e no prazo de uma semana, o continente europeu entrava num conflito que só viria a terminar em 11 de novembro de 1918, com a rendição incondicional da Alemanha e a derrota total da Tríplice Aliança.

Com a deflagração da Primeira Guerra, os alemães pararam de investir, só voltando posteriormente, durante o decorrer dos anos 20, sendo que nos anos 30 perdem novamente a intensidade durante a depressão alemã sofrida com a perda da guerra.

Entre as nações envolvidas, a Alemanha seria a nação grande perdedora da Primeira Guerra. O Tratado de Versalhes exigiu o dever de cumprir uma série de exigências impostas pelos vencedores, devendo restituir certos territórios e o controle sobre minas de carvão à França, ceder suas colônias, submarinos e navios à Inglaterra, França e Bélgica, ser obrigada a reduzir seu exército e seus armamentos, além de pagar uma altíssima indenização financeira de 33 bilhões de dólares.

O Estado alemão precisou intervir na economia de forma a estabilizar os prejuízos causados pela derrota durante a Primeira Guerra Mundial, de forma a assegurar o crescimento econômico contínuo. Para os países perdedores a retomada do crescimento econômico somente poderia ser possível com a ampliação de seus territórios, sendo que para isso deveria nascer um forte sentimento ideal nacionalista. Na Alemanha, havia seis milhões de desempregados, e nos demais países as atividades industriais que fizeram o capitalismo europeu espalharem-se pelo mundo (as explorações de carvão, a metalurgia, a indústria têxtil) também diminuíram. Ao contrário, desenvolveram-se as atividades industriais mais novas, como a indústria elétrica, automobilística, alimentícias e transportes rodoviários.

Diante deste quadro foi necessário que o povo alemão se submetesse a uma longa e intensa jornada de trabalho, o que resultaria num crescimento do PIB entre os anos de 1933 e 1938. A população rural migrou para as grandes cidades, de forma a contribuir para a mão-de–obra, aumentando o trabalho assalariado e ao mesmo tempo o mercado consumidor.

A indústria química ocupou importante papel no desenvolvimento industrial e econômico da Alemanha, vindo a criar produtos que substituíssem a importação de insumos para abastecer a sua indústrias, e ainda associada a planos político- estratégicos nos ramos de produção de armas.

A Alemanha demonstrava seu interesse pela América do Sul na busca de matérias-primas e dos mercados consumidores que vinham a significar novos clientes permitindo melhorar a sua situação econômica.

As idéias democráticas e liberais tiveram de conviver com a noção de que apenas governos fortes poderiam socorrer as pátrias em perigo. De fato, por essa época, os regimes totalitários prevaleceram na Europa. Na Itália, o movimento fascista, liderado por Benito Mussolini, tomou o poder em 1922. Na Alemanha, o movimento nazista cresceu a partir de 1924, até que, em 1933, seu principal líder, Adolf Hitler, assumiu as rédeas do governo.

Muitos alemães vieram a procurar novas possibilidades de trabalho em outras partes do mundo. Muitos vieram para a América Latina e ocuparam cargos principalmente em empresas comerciais alemães. Relata Fay (2003), que a penetração do Eixo, formado pela aliança entre a Alemanha, Itália e Japão, na América do Sul também teve bastante influência no domínio das comunicações, onde as companhias aéreas alemãs estavam espalhadas por toda a América do Sul.. Esses alemães, com o passar do tempo, e com a ascensão do nazismo passaram a acreditar no surgimento de uma nova Alemanha.

A expansão das linhas aéreas foi um fator importante para a penetração alemã no continente sul-americano e que o governo alemão, por intermédio da Lufthansa e de suas subsidiárias, detinha o fornecimento de equipamentos e de pessoal sobre as empresas aéreas instaladas no continente sul-americano.

A ocupação alemã foi igualmente política e ideológica, tendo um significativo número de imigrantes, principalmente nos países como a Colômbia e o Brasil. Neste particular, a educação ocupava lugar de destaque, onde eram criadas pequenas escolas destinadas ao ensino da língua e da cultura germânica. Agentes alemães eram destinados às principais cidades, de onde procuravam utilizar meios para transmitir mensagens secretas para a Alemanha, através das transmissões de rádio feitas do Brasil para a Europa, além de suas conexões com os países vizinhos, que eram usadas como estratégica pelas das potências do Eixo contra os aliados (Hilton, 1977). Outra forma de penetração alemã no Brasil foi através da religião, onde alguns pastores vindos da Alemanha ou pastores brasileiros descendentes de alemães, que tinham sido educados naquele país, passaram a fazer trabalhos de propaganda nazista, nas suas comunidades luteranas (Gertz,1987).

O programa comercial alemão tem ampla expansão na América do Sul, na tentativa de superar a depressão sofrida após a Primeira Guerra Mundial. Vai buscar novos mercados externos na tentativa de importar produtos alimentares e matérias- primas e ao mesmo tempo exportar produtos manufaturados produzidos pelo grande capital industrial alemão.

O Estado nazista passou a dominar e controlar o comércio exterior com fins estritamente políticos. Para os países sul-americanos, o comércio com a Alemanha apresentava vantajosos progressos, como era no caso do Brasil, onde eram nossos minérios e nossos produtos primários eram exportados, em troca dos produtos manufaturados (Moura, 1980).

Os Estados Unidos imbuídos do sentimento liberal-democracia dentro dos ideais pan-americanistas, dentro da chamada política de boa vizinhança, procurava sempre a aproximação com os países vizinhos, para também exportar os seus produtos, que devido ao excesso de sua produção e a conseqüente diminuição do consumo, seus produtos industriais começaram a sobrar, o que provocou uma crise de superprodução que afetou a própria Bolsa de Valores de Nova York. Iniciava-se o estado de crise do sistema capitalista mundial (Fundação Getúlio Vargas, 2008).

Em 1933 com vitória do Partido Nacional Socialista, a Alemanha adotara o nazismo como ideologia oficial, partidária do autoritarismo antiparlamentar e nacionalista, da mesma formam em que juntamente com fascismo italiano expressavam a falência do liberalismo europeu.

Gerson Moura (1980) relata que ao iniciar a guerra na Europa o governo brasileiro, na figura de Getúlio Vargas, adotara a política da eqüidistância pragmática, que consistia na aproximação simultânea com os Estados Unidos e a Alemanha. Entretanto, diante da evolução do conflito europeu e do esgotamento de seus recursos de barganha, o Brasil tornou-se cada dia mais comprometido com os preparativos norte-americanos para a entrada na guerra ao lado dos aliados.

A Europa e os Estados Unidos entenderam que deveriam reativar o comércio internacional entre as nações, para superarem os efeitos causados pela crise de 1929, com quebra da Bolsa de Nova York, devendo abrir mão de rígidas políticas protecionistas de seus produtos comerciais.

A América Latina em geral, e o Brasil em particular, representavam um importante mercado fornecedor de matérias-primas e consumidor de produtos manufaturados.

Vargas procura tirar o melhor partido desta situação, tanto do sistema de comércio compensado da Alemanha como do livre-cambismo norte-americano, assinando acordos comerciais com ambos os países, visando fortalecer os interesses industriais do país.

Em 1935, o Brasil firmou um acordo comercial com os Estados Unidos, seguindo os liberais princípios da política comercial norte-americana, que previa a concessão recíproca de tratamento entre os dois países. Também oferecia franquias a produtos brasileiros, como café, cacau, borracha e outros, em troca de significativas reduções na taxa entre 20% a 60% sobre determinados bens industriais.

Washington aproveitou o momento para iniciar uma forte pressão contra a presença alemã no Brasil, extendendo-se ao continente americano, através de uma expressiva ofensiva política e ideológica. Vargas procurou obter financiamento junto ao governo americano para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, também para o reequipamento e modernização das Forças Armadas (Fundação Getúlio Vargas, 2008).

Moura (1980) salienta que em junho de 1936, o Brasil assinava um importante tratado comercial com a Alemanha, formalizando um ajuste comercial de compensações, visando a colocação do algodão brasileiro no mercado alemão. Resultando em conseqüência um importante intercâmbio comercial em a Alemanha que viria a suplantar os Estados Unidos como principal país exportador para o Brasil de 1936 até o início da Segunda Guerra Mundial. Este tratado de comércio de compensação firmado com o governo alemão era de grande gerava vantagem para a economia brasileira, onde a troca do café e do algodão por equipamentos elétricos pesados e metalúrgicos, favoreciam o projeto de industrialização do governo Vargas.

A tolerância de Washington e Berlim diante do pragmatismo eqüidistante de Vargas era explicado pelos interesses estratégicos de poder, de forma a relegar para um segundo plano os interesses de ordem comerciais de ordem econômica. Por outro lado, permitia por parte do governo brasileiro alargar o seu campo de manobra, diante desta situação gerada (Fundação Getúlio Vargas, 2008).

Além de preocupar-se com as resistências protecionistas brasileiras, o governo norte-americano temia o aumento do intercâmbio do Brasil com a

Alemanha, motivo pelo qual em 1936 o acordo foi ratificado pelo Congresso Brasileiro.

No período entre os anos de 1933 e 1938 foi marcado pelas intensas relações comerciais mantidas entre o Brasil e a Alemanha nazista, chegando no ano de 1938, nossos produtos a ocuparem um quarto das importações alemãs, onde as matérias- primas e produtos agrícolas eram brasileiros. Vargas intensificou a importação de armas da Alemanha para o Brasil, ao mesmo tempo em o comércio brasileiro com os EUA recuou. Este intercâmbio contava com o apoio das Forças Armadas, que viam o relacionamento comercial com a Alemanha como um caminho para o seu reequipamento. Assim, durante os anos de 1934 e 1938, parte das divisas inconversíveis, provenientes das exportações para a Alemanha, puderam ser utilizadas na aquisição de material bélico (Fay, 1990).

Em 1938, Vargas proibiu, qualquer atividade política por parte de estrangeiros, a pretexto de fortalecer o sentimento nacionalista brasileiro, refletindo- se principalmente nos imigrantes da região sul do país, obrigando desta forma, o partido nazista que havia sido criado no Brasil, em 1931, ficaria proibido de fazer política e de divulgar seus ideais.

O início das relações com os Estados Unidos viria a implicar a inclusão de novos temas vinculados ao desenvolvimento econômico brasileiro comprometido com as negociações bilaterais. O Brasil teria que abrir mão do comércio de compensação travado com a Alemanha, comprometendo-se também em adotar uma política liberal de câmbio e a facilitação do pagamento da dívida externa, que havia sido suspenso desde 1937, com a decretação do Estado Novo, pelo presidente Getúlio Vargas . Através das conferências Washington procurava garantir o apoio dos países latino-americanos. Entre 1939 e 1941, a Alemanha, aliada à Itália e ao Japão, ocupou grande parte do continente europeu, declarando guerra à União Soviética, com a qual havia firmado um pacto de não-agressão, em 1939. Durante os seis anos de guerra, estima-se a perda de 50 milhões de vidas, entre militares e civis. Destes, mais de cinco milhões de judeus foram exterminados em campos de concentração nazistas, como parte da política anti-semita de Hitler (Fundação Getúlio Vargas, 2008).