CHAPTER 2 LITERATURE REVIEW
2.3 THE RELATIONSHIP BETWEEN TRUST, PERCEIVED RISK, AND BUYING
2.3.3 Trust in pharmaceutical industry
O método adotado na presente pesquisa foi composto por dados de fala coletados através de entrevista com trinta e seis informantes divididos entre dezoito informantes masculinos e dezoito femininos. Cada entrevista teve duração de aproximadamente uma hora (60 minutos), totalizando 37h24min de gravação. A transcrição dos dados foi baseada na transcrição realizada no projeto NURC (Preti et al. (1986)), e a codificação de cada informante foi feita de maneira direta e objetiva. No caso da codificação dos informantes seguiu-se a seguinte ordem: 01 = número do informante; BEMO = sigla das iniciais do nome do informante; 01M.a = dado transcrito. Portanto, no caso do dado 01M.a entende-se que esse é o primeiro dado
transcrito do informante 01 masculino; 01F.a entende-se que seja o primeiro dado transcrito de uma informante feminina, e assim por diante.
O corpus compõe-se de entrevista individual gravada, do tipo DID (Diálogo entre Informante e Documentador), tendo-se naturalmente solicitado o preenchimento de uma ficha com os dados referentes a cada informante necessários à análise sociolingüística feita neste trabalho. Na entrevista do tipo DID, optou-se por deixar o entrevistado falar à vontade sobre o tema proposto e o entrevistador só intervindo quando necessário, com o intuito de estimular o entrevistado a utilizar estruturas lingüísticas em que os itens em estudo poderiam ocorrer. O tema central da entrevista foi o tópico viagem, para propiciar um número maior de ocorrências de locativos. No entanto, ao se perceber a reação e o desempenho pouco produtivos do falante em relação ao tema, o mesmo seria adaptado a fim de propiciar ao entrevistado maior liberdade durante a entrevista.
A composição do corpus foi feita de maneira controlada, definindo-se previamente as variáveis extralingüísticas. As variáveis previamente selecionadas foram a escolaridade, a faixa etária e o gênero. A fim de controlar o fator classe social, o mesmo foi fixado: a seleção dos informantes foi feita levando-se em conta a sua classe social, selecionando informantes de apenas um grupo social. Considerou-se, portanto, (a) que todos os informantes deveriam pertencer ao mesmo grupo social, avaliado em termos de condição de vida dos informantes; e (b) todos os entrevistados deveriam residir na região Norte de Belo Horizonte por, pelo menos, quinze anos.
Labov (1972) afirma que em narrativas de experiências pessoais o informante se envolve mais com o assunto deixando de lado a formalidade. A estratégia usada por esse autor era uma gradação de temas em que se partia de temas mais simples e, aos
poucos, se iam usando estratégias para que o falante se esquecesse do ambiente mais formal de entrevista - o ápice era quando chegava ao tópico “risco de vida”, em que se percebia que o falante estava completamente envolvido na narrativa. Nas entrevistas realizadas na presente pesquisa, relacionada ao tema viagens, deu-se preferência a narrativas em que o entrevistado tivesse envolvimento pessoal, para que assim o informante se sentisse mais à vontade diante do gravador se envolvendo com a narrativa. Mas, como já se disse acima, as entrevistas não se restringiram apenas a esse assunto: percebendo que o informante não se adaptava ao tema, esse passava a ser livre, de acordo com o que lhe era mais confortável, para manter o bom andamento da pesquisa.
Para a composição das células9, foi coletado um corpus baseado na fala de Belo Horizonte, fixando três faixas etárias (15-29a = faixa etária 01; 30-45a = faixa etária 02; e 45-70a = faixa etária 03), contrastadas com os fatores condicionadores gênero e escolaridade, constituindo uma célula; cada célula contém, portanto um grupo de três informantes, o que totaliza, assim, trinta e seis informantes. A intenção em delimitar a escolaridade dos informantes era a de se verificar se a escola influencia ou não na fala dos indivíduos. Visto que nas escolas se usam gramáticas normativas é de se esperar que os falantes tenham consciência a respeito do uso dos locativos. A idade foi estabelecida com base em Tarallo (1999:28), e é importante para verificar o movimento das mudanças, se se trata de alguma mudança em progresso ou já estabelecida, ou mesmo se as variantes sempre concorreram entre si na fala dos indivíduos.
Na composição do corpus foram coletados dados de fala masculina e feminina; a opção em separar as células e os informantes segundo a variável sexo seguiu o seguinte
9 Segue logo abaixo um quadro exemplificando a composição das células e a distribuição dos falantes por célula.
critério: estudos como Labov (1972), Madureira (1987), Chambers (1995) e Gordon (1997) afirmam que a fala feminina difere da fala masculina, portanto, fez-se necessário analisar a variável sexo para certificar-se se essa variável seria atuante em relação à variação existente.
Muitas pesquisas em sociolingüística têm apontado que a implementação de uma variável lingüística “obedece” a padrões estatisticamente mensuráveis, padrões socialmente determinados tais como a idade, a classe social, a escolaridade, o gênero e outros fatores de ordem social. Conclui-se, portanto, que é importante controlar as variáveis a fim de controlar a influência de tais fatores na implementação das formas.
Todas as entrevistas foram feitas com o consentimento dos informantes. Foi realizado um contato prévio marcando dia e horário propícios à entrevista. Em nenhum momento foi dito ao informante de que se tratava de um estudo sociolingüístico - ao contrário, foi dito que se tratava de uma pesquisa que buscava registrar narrativas orais relacionadas a viagens, como foi explicitado anteriormente. Desta forma, acreditava-se que o falante desviaria a sua atenção para a narrativa. Foi informado a cada um que a utilização dos dados seria exclusivamente para fins de pesquisa e que seus dados pessoais seriam mantidos em sigilo. Também lhes foi informado que poderiam retirar o seu consentimento a qualquer momento sem prejuízo algum.
Observe-se agora o quadro 2 com a composição das células e a distribuição dos falantes por célula.
Quadro 2 – Composição e distribuição dos falantes por célula
CLASSE SOCIAL MÉDIA BAIXA
GÊNERO MASCULINO FEMININO
ESCOLARIDADE BAIXA ALTA BAIXA ALTA
FAIXA ETÁRIA 01 02 03 01 02 03 01 02 03 01 02 03
ARS EdnBF WAM BEMO JCLB AFC CAGM GEG SMG KGM AHGP ASAC LFFC EdsBF LRC WRS RFD GFA DSSB RGS FaCaS FCS WAR SRFF
INFORMANTES POR CÉLULA
No quadro acima tem-se a distribuição dos informantes por célula. Observa-se que cada célula contém um número de três informantes, que se considera o mínimo ideal para sua constituição, uma vez que se podem detectar idiossincrasias de um informante específico confrontando seus resultados com outros informantes da mesma célula.
O fator classe social foi mantido invariável e, para que se saiba com que classe se trabalhou nesta pesquisa, convém descrever brevemente a região a que pertencem os informantes, a região Norte de Belo Horizonte.