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DEL 2: Kva tyder eit stadnamn?

4.3 Stadnamn i titlar

O poder simbólico é um conceito central para compreendermos o papel da informação na construção social da realidade, especialmente nas sociedades contemporâneas atravessadas crescentemente pelos fluxos informacionais em diferentes esferas da vida.

Partindo do entendimento dos sistemas simbólicos como estruturas estruturantes ligadas à objetividade do sentido do mundo, Bourdieu8 (2001) trabalha o conceito de “poder simbólico” como modo de entender a construção social da realidade, permanentemente disputada pelos sujeitos que ocupam posições sociais objetivamente definidas.

O autor identifica duas vertentes do pensamento filosófico que se dedicam a pensar os sistemas simbólicos: a primeira, onde se insere a tradição kantiana e neo-kantiana,

8

Sistematizando os construtos de Bourdieu para uma concepção social da Informação, Morado e Marteleto (2003) indicam que o pensamento do sociólogo está fundamentado no embate entre o objetivismo a fenomenologia e o marxismo.

os concebe como “estruturas estruturantes”, compreendendo os sistemas simbólicos (arte, línguas, religião) como estruturas resultantes de formas de conhecimento, subjetividade e consensos (acordo quanto ao significado do mundo) que se constroem ao longo da história, formulando novas estruturas; a segunda, de orientação marxista e weberiana, concebe os sistemas simbólicos como estruturas estruturadas; ou seja, estruturas de poder vinculadas à legitimação da ordem vigente. A diferença entre ambas reside no fato de que, enquanto a primeira entende os sistemas simbólicos como instrumentos de conhecimento e de construção do mundo, a segunda compreende como meios de comunicação em um dado sistema já estruturado.

Para o sociólogo, os “sistemas simbólicos” só podem exercer um poder estruturante porque são estruturados.

As diferentes classes e frações de classes estão envolvidas em lutas simbólicas para a imposição e definição do mundo social conforme os seus interesses e para a imposição do campo das tomadas de posições ideológicas, reproduzindo de forma transfigurada o campo das posições sociais. Essas lutas podem ser conduzidas diretamente, nos conflitos simbólicos da vida cotidiana, ou por meio da luta protagonizada pelos especialistas da produção simbólica, na qual o que está em jogo é o poder de impor e “inculcar” instrumentos de conhecimento arbitrários, embora sejam ignorados como tal.

O campo da produção simbólica é o universo da luta simbólica e os sistemas simbólicos distinguem-se conforme sejam produzidos e apropriados pelo conjunto do grupo ou por um grupo de especialistas ou por um campo de produção e circulação relativamente autônomo.

Os discursos dominantes tendem a impor a ordem estabelecida como natural (ortodoxia) por meio da imposição mascarada (e ignorada como tal) de sistemas de classificação e de estruturas mentais objetivamente ajustadas às estruturas sociais (BOURDIEU, 2001). Para Bourdieu (2001), a força dos sistemas simbólicos está fundamentalmente ligada ao fato de as relações de força que neles se manifestam operarem de forma irreconhecível das relações de sentido (BOURDIEU, 2001, p. 14). Os sistemas simbólicos têm, portanto, uma função de dominação e seu o caráter ideológico tem em vista a reprodução da cultura dominante por meio do compartilhamento (não sem resistência, conforme demonstram os movimentos sociais) e fixação de sentidos.

[...] o poder simbólico, compreendendo o poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a acção sobre o mundo, portanto o mundo; poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário. Isto significa que o poder simbólico não reside nos sistemas simbólicos em forma de uma “illocutionary force”, mas que se define numa relação determinada - e por meio desta- entre os que exercem o poder e os que lhe estão sujeitos, quer dizer, na própria estrutura do campo em que se produz e se reproduz a crença. O que faz o poder das palavras e das palavras de ordem, poder de manter a ordem ou de a subverter, é a crença na legitimidade das palavras e daquele que as pronuncia, crença cuja produção não é da competência das palavras (BOURDIEU, 2001, p. 15).

Bourdieu (2001) sublinha que o poder simbólico é uma forma transformada e legitimada de outras formas de poder e que os sistemas simbólicos admitem a ocorrência de uma integração real da classe dominante e uma integração fictícia da sociedade no seu conjunto, já que há uma “desmobilização da classe dominada” através da legitimação da ordem estabelecida por meio de hierarquias e distinções que dissimulam as verdadeiras funções dos sistemas simbólicos.

Para ele, a percepção do mundo social é produto de uma dupla estruturação: de um lado objetivo, está socialmente estruturada porque as autoridades ligadas aos agentes ou às instituições não se oferecem à percepção de maneira independente, mas em combinações de probabilidade muito desigual; do lado subjetivo ela está estruturada porque os esquemas de percepção e de apreciação suscetíveis de serem utilizadas no momento considerado e, sobretudo, os que estão sedimentados na linguagem, são produto das lutas simbólicas anteriores e exprimem, de forma mais ou menos transformada, o estado de relações das forças simbólicas.

As categorias de percepção do mundo social decorrem da incorporação das estruturas objetivas do espaço social. Em consequência, levam os agentes a tomarem o mundo social tal como ele é, a aceitarem-no como natural, mais do que a rebelarem-se contra ele, a oporem-lhe possíveis diferentes, e até mesmo antagonistas: o sentido da posição como sentido daquilo que se pode ou não se pode implica uma aceitação tácita da posição, um sentido dos limites que se dá em função do lugar ocupado pelos sujeitos no campo social e dos capitais acumulados por eles.

Assim, se as relações de forças objetivas tendem a reproduzir-se nas visões do mundo social que contribuem para a permanência dessas relações, é porque os princípios estruturantes da visão do mundo enraízam nas estruturas objetivas do mundo social e porque as relações de força estão sempre presentes nas consciências em formas de categorias de percepção dessas relações.

Conforme pontua Bourdieu (2001):

[...] o conhecimento do mundo social e, mais precisamente, as categorias que o tornam possível, são o que está em jogo na luta política, luta ao mesmo tempo teórica e prática pelo poder de conservar ou transformar o mundo social, conservando ou transformando as categorias de percepção desse mundo (BOURDIEU, 2001, p. 142).

A habilidade de fazer existir em estado explícito, de publicar, de tornar público, ou seja, objetivado, dizível, e até mesmo oficial aquilo que, por não ter ascendido à existência objetiva e coletiva, permanecia em estado de experiência individual, é, para o sociólogo, um significativo poder social, relativo à constituição de grupos e de formação do senso comum, ou o “consenso explícito”.

Bourdieu (2001) lembra também que este trabalho de categorização, ou seja, de explicitação e de classificação é permanente e permeia as lutas que opõem os agentes acerca do sentido do mundo social e da sua posição nesse mundo.

Desse modo, o poder de nomeação constitui-se como uma das formas elementares do poder.

O autor ressalta que com os progressos da diferenciação do mundo social e a constituição de campos relativamente autônomos, a produção e a imposição do sentido fazem- se tanto no âmbito das lutas do campo de produção cultural como por meio delas mesmas (e, sobretudo, no seio do subcampo político): “ela é função própria, interesse específico dos produtores profissionais de representações objetivadas do mundo social, ou melhor, de métodos de objetivação” (BOURDIEU, 2001, p. 143).

Assim, o mundo social, por meio das propriedades e de suas distribuições, tem acesso, na própria objetividade, ao estatuto de sistema simbólico cuja organização segue a lógica da diferença, constituído em distinção significante.

Na luta pela imposição da visão legítima do mundo social, em que a ciência e outros sistemas de produção simbólica estão envolvidos, os agentes detêm poder à proporção dos seus capitais. O capital simbólico adquirido pelos agentes nas lutas anteriores aliado ao poder que eles detêm sobre as taxonomias estabelecidas é investido na luta simbólica pela produção do senso comum, ou seja, “pelo monopólio da nomeação legitima”, como “imposição oficial” (BOURDIEU, 2001, p. 146).

Os movimentos sociais, e especialmente os que têm como arena de ação o campo de cultura, evidenciam o confronto em torno da apropriação do sentido do mundo de forma

bastante específica. E fazem isso por meio da informação, um recurso constantemente disputado nos conflitos sociais.

CAPÍTULO 3- MOVIMENTOS SOCIAIS: UM PERCURSO DOS CLÁSSICOS AOS