DEL 2: Kva tyder eit stadnamn?
7.1 Diskusjonen omkring tydinga til eit stadnamn
Conhecida, de modo geral, como “ciência da interpretação de textos” a hermenêutica é uma disciplina filosófica que aborda os conteúdos textuais (considera-se texto diversas formas de tradução lingüística do pensamento que se corporificam em materialidades textuais) tendo como horizonte a faculdade de o interpretante se colocar no lugar do outro.
Compreender significa muito mais que alguém é capaz de se colocar no lugar do outro para dizer o que ele compreendeu aí e o que ele tem a dizer. Isso não significa de maneira alguma repeti-lo. Em seu sentido mais literal, compreender (verstehen) significa em alemão justamente representar totalmente o caso de outro diante do tribunal, colocar-se em seu lugar (GADAMER, 1999, p. 89).
Sua matriz temporal é o presente onde se configura o enlace entre o passado e o futuro, ou entre o diverso e o semelhante no seio do cenário social, no qual a linguagem exerce função mediadora.
Contudo, Minayo (2002) nos alerta que do ponto de vista hermenêutico, nem sempre a linguagem é considerada transparente em si mesma, pois tanto é possível chegar a um entendimento provisório e aberto tanto como a um desentendimento.
A hermenêutica parte da premissa que as ciências humanas e sociais operam com uma herança humanista que as diferencia das práticas postuladas pela ciência moderna. Ela é uma arte de compreender, uma práxis filosófica que se dirige à totalidade da experiência humana e das formas simbólicas engendradas por ela.
Dessa forma, Minayo (2002) nos lembra que o conceito de hermenêutica que se fundamenta na compreensão é modulado por Gadamer (1999) como um “movimento abrangente e universal do pensamento humano” (MINAYO, 2002, p. 2). Sendo assim, sua gênese se assenta nos múltiplos processos da intersubjetividade e objetivação humana.
O paradigma interpretativo hermenêutico, cujo aporte advém da Fenomenologia e da Filosofia da Linguagem, intenta a elaboração de interpretações e significados que não são comumente percebidos no dia a dia.
Explorando a possibilidades da fenomenologia e hermenêutica para a Ciência da Informação, Marciano (2006) indica, a partir de Dezt (apud MARCIANO, 2006) os principais motes conceituais importantes ao exercício da compreensão.
O primeiro, a implicação, fundamenta-se no fato de que o comportamento humano e seus produtos engendram uma expressão de “modos de ser-no-mundo.” (MARCIANO 2006). A ação humana, por seu turno, implicaria um modo de existência peculiar, ou seja, o arcabouço de possibilidades de uso visto em um mundo humano. Sendo assim, “as escolhas implicativas somente se tornam explícitas quando consideradas na relação entre o comportamento específico e o modo de existência em que se apresentam” (MARCIANO, 2006, p. 187).
A interpretação, segunda matriz conceitual, representa a ponte entre o comportamento já expresso e o modo de existência, entre o agir e as escolhas, sendo a postura interpretativa conformada pelo “ato concreto”. Tendo em vista a interpretação de um
comportamento, não se deve voltar o olhar para a instância geradora do mesmo e sim para implicações que nele se apresentam.
A linguagem encerra o terceiro operador conceitual que a interpretação requer. Sendo a mesma uma construção social já dotada de significados estabelecidos por acordos sociais, a hermenêutica intenta identificar um comportamento expresso na nominação do mesmo. Conforme pontua Marciano (2006) “o fenômeno é o seu nome e observar um comportamento nomeado é observar seu mundo humano e as possibilidades implicadas” (MARCIANO, 2006, p. 188).
Recuperando Ricouer (1991), Marciano (2006) aponta que, para este autor, a ação hermenêutica se processa com suporte na “observação de comportamentos manifestos, escritos ou salientes, chamado de ação como texto” (RICOEUR, 1991 apud MARCIANO, 2006, p. 188).
A principal crítica ao paradigma interpretativo reside na univocidade, similitude, plausibilidade ou verificação do entendimento subjacente ao conteúdo. Para Deetz (1973 apud MARCIANO, 2006), contudo, esta objeção é irrelevante na medida em que o enfoque histórico do intérprete é uma constituinte da natureza e das implicações do comportamento observado, ou seja, o comportamento como descrito não pode ser visto sem a interpretação que lhe foi dada.
Visando um status de objetividade e validade, Marciano (2006) indica que do ponto de vista metodológico alguns pontos devem ser destacados nas análises feitas a partir da hermenêutica-dialética:
a) o comportamento ou seus produtos devem ser vislumbrados enquanto construções simbólicas;
b) os fenômenos humanos, compreendidos do ponto de vista da linguagem, estão situados no universo de experiências do qual fazem parte;
c) deve-se buscar tanto quanto possível alcançar legitimidade, equivalência, apropriação de gênero e coesão lógica;
d) não considerar literalmente o ponto de vista do indivíduo como critério para avaliar a interpretação, já que o comportamento objetivo traduz de forma mais adequada “o mundo de possibilidades implicadas” (MARCIANO, 2006, p. 188) e) diferenciar intuição de introspecção e subjetivismo;
f) não é exigido que o intérprete se envolva diretamente no mundo interpretado, mas que “interpretação-entendimento-explicação seja expressa na linguagem do mundo do
comportamento observado a fim de adequar e expressar de modo original a estrutura das possibilidades implicativas” (MARCIANO, 2006, p. 188).
A hermenêutica implica também reconhecimento de um “estranhamento”, notado na percepção de que tanto as coisas como a linguagem não carregam em si mesmas o código de acesso requerido para a sua compreensão, o que exige a adoção de uma postura que considere a singularidade da parcela da realidade para a qual se olha.
Sendo assim, a compreensão, para Gadamer (1999), não busca apenas desvelar a intenção do autor e sim compreender os aspectos particulares dentro do conjunto das manifestações da experiência total.
Para Minayo (2002), a compreensão não sugere mera contemplação ou captura do desejo ou planos que as pessoas fazem, pois nem o sujeito se esgota na conjuntura em que vive, nem o que ele se tornou foi exclusivamente conseqüência de sua vontade ou personalidade (MINAYO, 2002).
Gadamer (1999) indica que a pedra de toque da compreensão é a consideração da peculiaridade do sentido decorrente de um contexto, ou seja, da totalidade. Sendo assim, é preciso estar atento às especificidades do sentido que resulta em um encadeamento de enunciados, o que confere coesão ao texto.
Indo além do sentido pretendido pelo autor, o texto se revela como uma instância viva que traduz os elementos do contexto histórico e social, ultrapassando-os. A respeito disso, acentua Azevedo (2004), que aplicou a hermenêutica-dialética como método de análise na Ciência da Informação:
Tal concepção baseia-se no pressuposto de que o sujeito não se esgota na conjuntura em que vive e, também, não é fruto apenas de sua vontade, inteligência e personalidade. Cada individualidade é manifestação de um viver total. Assim a compreensão das expressões dos sujeitos refere-se ao mesmo tempo, ao que é comum a todos eles (estrutura social) e ao que é específico (contribuição peculiar de cada autor) (AZEVEDO, 2004, p. 130).
Assim, a compreensão não se reduz a métodos mecânicos e fechados, já que no exercício da interpretação “nada pode ser entendido de uma vez só e de uma vez por todas” (MINAYO, 2002, p. 4).
Isso indica que o investigador deve vislumbrar os sentidos subjacentes ao texto tendo em vista que as condições históricas e sociais atravessaram o mesmo. Texto e contexto se coadunam, assim, dentro de um mesmo universo discursivo.
Neste exercício, o intérprete ou leitor assume um caráter essencialmente ativo, cujo poder reside na elaboração de sentidos que têm como pano de fundo um universo contextualizado pelos mesmos.
Para Minayo (2002), esta leitura acerca da realidade encerra uma reflexividade sobre a liberdade humana “no sentido de que os acontecimentos se seguem e se condicionam uns aos outros, mediados por um impulso original: a cada momento pode começar algo novo” (MINAYO, 2002, p. 4). Sendo assim, a autora ressalta a inexistência de determinação total dos acontecimentos, acentuando a impossibilidade de algo ser consequência exclusiva ou de se limitar totalmente na sua realidade. “Os acontecimentos históricos ou da vida cotidiana são governados por uma profunda conjunção interna da qual ninguém é completamente independente, na medida em que é penetrado por ela de todos os lados” (MINAYO, 2002, p. 4).
Compreender é reconhecer, a priori, a existência de um tecido da realidade social ao qual se articulam os sentidos inerentes ao texto.
Contudo Minayo (2002) nos alerta que:
[...] a compreensão só alcança sua verdadeira possibilidade quando as opiniões prévias com as quais se inicia, não são arbitrárias. Existe realmente uma polaridade entre familiaridade e estranheza e nela se baseia a tarefa da hermenêutica, buscando esclarecer as condições sob as quais surge a fala (MINAYO, 2002, p. 9).
Já que os sentidos são emoldurados pelo contexto histórico e social e interconectados a uma totalidade em curso, nota-se então, a possibilidade de articulação entre hermenêutica e dialética como modo de interpretar as diferentes manifestações simbólicas que se corporificam em materialidades textuais.