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Støy, støv og rystelser i utbyggingsperioden

In document JIP Opplandskraft (sider 52-55)

3. Forhold som bes kommentert spesielt og tema som er gjennomgående i mange av høringsuttatelsene

3.6 Støy, støv og rystelser i utbyggingsperioden

O aparecimento do conceito de desenvolvimento local acompanha a explosão de iniciativas que se proliferaram, principalmente, na Europa e América Latina nas décadas de 1980 e 1990, quando uma crise estrutural dos modelos econômico e de Estado levaram os espaços locais à busca de soluções para seus próprios problemas, passando a ampliar seu nível de independência em relação aos governos centrais. (LLORENS, ALBUQUERQUE e CASTILHO, 2002).

Quando os Estados retomaram o fôlego na segunda metade da década de 1990 depararam-se com uma conjuntura marcada por três novas situações: (i) o modelo de Estado de desenvolvimento do pós-guerra (Estado de Bem-estar e desenvolvimento liberal- produtivista) estava vencido e exigia reformulação; (ii) as instâncias locais (bairros, distritos, municípios, regiões, microrregiões e mesorregiões) haviam ganhado força por meio de projetos inovadores de soluções regionais e locais e (iii) um novo movimento

reclamando descentralização e desconcentração emergia. (BORGES, 2007). Essas mudanças no ambiente, aliadas à ênfase dos debates internacionais voltados à projeção de desenvolvimento multidimensional impediram que as temáticas do local ficassem de fora das agendas públicas na entrada do século XXI.

Ao mesmo tempo, e paradoxalmente79, ocorria um aprofundamento intenso da globalização, viabilizado pelos avanços tecnológicos, sobretudo da Internet e dos transportes. Surgia, com isso, a ideia de um “mundo plano” (FRIEDMAN, 2005), marcado pelo enfraquecimento das divisões históricas e regionais e dando origem, segundo algumas correntes, ao conceito extremo de desterritorialização80 (DELEUSE e GUATARRI, 1972 e 1992; BADIE, 1995), que denuncia o risco de anulação do local enquanto singularidade e o consequente desuso da própria geografia em favor de uma homogeneização dos territórios. Embora seja uma temática controversa, a ideia de desterritorialização questiona se é possível argumentar a favor do local frente aos inúmeros impactos do global neste século.

Por outro lado, consolidam-se, sobretudo nas ciências sociais, correntes críticas a essa perspectiva prevendo e militando por uma reafirmação do local, das culturas, da diferenciação contrapondo-se à tendência de homogeneização conveniente ao mercado global.

Em relação à sua epistemologia, as teorias localistas são enfatizadas neste trabalho por serem mais concernentes ao Ecodesenvolvimento e aos valores emergentes na contemporaneidade, que negam a eficácia das respostas explicativas globais e rejeitam a ideia de padronização e mercantilização das formas de vida, relações sociais e até modelos econômicos. São linhas de contrariedade às “receitas prontas”.

O conceito de desenvolvimento local, conforme Vasquez-Barquero (1997; 2001) nasceu vinculado à teoria do desenvolvimento endógeno (reacionário ao paradigma industrial-fordista), que, por sua vez, foi uma ampliação do conceito de “crescimento endógeno”, que percebe o crescimento econômico como resultado do uso do potencial econômico local atraindo recursos externos ao invés de entendê-lo meramente como resultado de uma conjuntura externa. Assim, o desenvolvimento é considerado “[...] um

79 Paradoxal em relação à ideia de não-padronização. A noção pós-moderna de não-padronização foi

contraditoriamente sendo fortificada, possivelmente como reação ao avanço da globalização, que traz consigo a tendência padronizante.

80 De maneira rápida, o termo desterritorialização pode ser entendido como a marca da sociedade pós-

moderna caracterizada pelo fluxo, mobilidade, desenraizamento e hibridismo cultural. É importante destacar que apesar de ter se tornado um debate importante nas Ciências Sociais, Filosofia e Geografia, há autores que discordam desse ponto de visto e do uso do termo, como Haesbaert (2010) que propõe o termo multerritorialidade ou territorialização em novas bases (não exclusivamente espaciais).

evento sui generis, resultante do pensamento e da ação em escala humana, que confronta o desafio de enfrentar os problemas básicos e alcançar níveis elementares e auto- referenciados de qualidade de vida na comunidade” (MARTINS, 2004, p.51), um tipo mais político e societal de desenvolvimento (MADOERY, 2001).

Na prática, é uma estratégia em que os vários atores locais de todos os setores (públicos, privados e associativos) buscam trabalhar em torno da valorização dos recursos humanos, técnicos, financeiros e ambientais de domínio de uma coletividade (JOYAL, 2002). Os canadenses Joyal (2002) e Dupuis (1995) visualizam o conceito como caminho para a conquista de uma qualidade de vida “durável” e não apenas para resolver problemas específicos, embora isso também seja relevante. E, essa conquista passa pelo incorporamento de valores como empowerment, democracia, solidariedade, equidade e sustentabilidade ambiental.

A abordagem do desenvolvimento local não possui um modelo que possa ser aplicado, já que a elaboração de estratégias localizadas é a estratégia principal. O que ocorre na prática, segundo os mesmo autores, é que cada programa, projeto ou pacote de políticas se materializa com base em outras experiências locais já realizadas, mas priorizando as necessidades, vocações e recursos locais.

No entanto, podemos destacar dos estudos já realizados, algumas diretrizes básicas ou condicionantes para elaboração e implementação de projetos de desenvolvimento local: (1) presença de autores com habilidades em métodos participativos de concertação; (2) planejamento com ênfase na intersetorialidade e na integração das ações; (3) internalização da cultura da avaliação e medição por meio de bases de dados e indicadores; (4) a emergência de uma nova postura do poder público municipal, que passa a atuar como articulador e facilitador de todas as forças, interesses e recursos locais, além de buscar articulação com atores externos (5) formação de redes entre os atores individuais e coletivos81 tanto na esfera econômica quanto social (capital social) (ZAPATA, 1998; VASQUEZ-BARQUERO, 2001; CACCIA BAVA, 2005; MARTINS, 1998; DOWBOR, 2001).

81 A teoria da endogeneidade não enfatiza o tamanho das empresas, por exemplo, mas a integração e a

contribuição social delas. Estudos apontam nessa inter-relação vantagens econômicas de custo de transação, coordenação de preços, troca de informações, transferência de tecnologia, aprendizagem, especialização e combinação de recursos, além de fortalecimento da cultura e identidade local, geração de confiança e solidariedade. (DYER, 1997; BAMFORD et al., 2004; GULATI, 1995; CUNHA, 2003; BORGES, 2007).

Para Dowbor, quanto menos intermediários e escalões hierárquicos entre o uso final dos recursos e o segmento da sociedade interessado, maior a capacidade de controle social, transparência e democratização dos processos. Essa aproximação “trata-se de um dos elementos mais importantes na elevação da densidade organizacional da sociedade” (DOWBOR, 2001, p.188) e a esfera municipal e seus agrupamentos se apresentam como recortes interessantes para a objetivação da proposta do desenvolvimento local.

2.3.4 O município como lócus do desenvolvimento no Brasil: as mudanças na década

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