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Os questionários realizados foram aplicados a encarregados de educação de duas salas de três e cinco anos, de uma das instituições cooperantes. Estes questionários estão organizados em quatro grupos, numa primeira parte é feita uma caracterização do inquirido, na segunda parte são apresentadas afirmações sobre a importância da creche, onde se pretende que o encarregado de educação responda segundo uma escala de concordância. Seguidamente é apresentada uma nova escala com afirmações sobre a transição para o jardim-de-infância. Por fim, são feitas duas perguntas abertas sobre as práticas do educador de infância e ainda sobre o envolvimento parental. A análise vai basear-se nos vinte cinco questionários que obtive.

Como foi referido, a primeira parte destina-se a caracterização dos inquiridos como se pode observar nos gráficos abaixo.

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O gráfico 1 representa o género dos encarregados de educação que participaram neste estudo. Pode-se observar que a maior parte dos inquiridos pertencem ao sexo feminino (84%), sendo o sexo masculino o que está representado com menor percentagem (16%).

No gráfico 2 é apresentado o desempenho da atividade profissional dos participantes. Observar-se que a maior parte dos inquiridos (88%) está, atualmente, a desempenhar uma atividade profissional. Apenas (12%) está sem desempenhar nenhuma atividade.

Gráfico 1 - Género dos participantes

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No gráfico 3 pretende-se analisar o número de crianças que frequentou a creche. Assim, através deste gráfico observa-se que a maioria das crianças (84%) frequentou a creche e apenas (16%) permaneceu em casa até à entrada para o jardim-de-infância.

No gráfico 4 são apresentados os resultados sobre os motivos que levam os inquiridos a colocarem os filhos na creche. Depois de analisar os questionários individualmente, foi possível concluir que as respostas se agrupavam nos grupos que aqui se apresentam: socialização, motivos profissionais, desenvolvimento global e disponibilidade. Deste modo, pode-se constatar que grande parte dos inquiridos (10) colocou os filhos na creche por considerar que o factor da socialização é muito importante. No entanto também se considera o desenvolvimento global (6) como sendo um condição relevante para optar por colocar a criança na creche.

0 2 4 6 8 10 12 socialização motivos profissionais desenvolvimento global disponibilidade

Gráfico 3 – Permanência na Creche

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Relativamente aos motivos profissionais, (4) encarregados de educação consideraram também um factor de escolha nesta questão, por não poderem permanecer em casa com os seus filhos. Apenas um encarregado de educação referiu o facto da disponibilidade no que diz respeito a esta questão. Salientar que dos 25 pais que responderam a esta questão, apenas 21 tinham colocado o seu filho na creche.

Numa segunda parte é apresentada uma tabela que mostra o grau de concordância com afirmações sobre a importância da creche.

Importância da Creche Respostas de 1 - Discordo totalmente a

4 - Concordo Totalmente

1 2 3 4 Total

F % F % F % F % F %

a) A permanência da criança em casa nos

primeiros anos de vida é importante. 0 0% 4 16% 14 56% 7 28% 25 100% b) Uma criança que frequenta a creche tem

melhor acompanhamento do que uma criança que permaneça em casa

4 16% 7 28% 11 44% 3 12% 25 100%

c) A creche é indispensável para o

desenvolvimento da criança. 4 16% 6 24% 8 32% 7 28% 25 100%

d) A creche ajuda no desenvolvimento

físico da criança. 0 0% 3 12% 14 56% 8 32% 25 100%

e) As crianças que frequentam a creche têm maior capacidade de socialização do que as crianças que permanecem em casa.

1 4% 3 12% 10 40% 11 44% 25 100%

f) Os conhecimentos adquiridos na creche são importantes para o desenvolvimento da criança.

0 0% 3 12% 7 28% 15 60% 25 100%

g) As rotinas existentes na creche são importantes para o desenvolvimento da criança.

0 0% 2 8% 7 28% 16 64% 25 100%

h) Uma criança que frequentou a creche desenvolve-se mais que uma criança que permaneceu em casa.

3 12% 6 24% 12 48% 4 16% 25 100%

i) A creche promove as aprendizagens da

criança. 0 0% 1 4% 10 40% 14 56% 25 100%

j) A creche desenvolve competências sócio-

afetivas na criança. 0 0% 2 8% 10 40% 13 52% 25 100%

k) A qualidade da creche é um factor importante para as aprendizagens da criança.

0 0% 0 0% 5 20% 20 80% 25 100%

l) Os cuidados de higiene e segurança são

importantes na creche. 0 0% 0 0% 2 8% 23 92% 25 100%

m) O educador de creche é tão importante como o educador em contexto de pré- escolar.

0 0% 3 12% 6 24% 16 64% 25 100% Tabela 1 – Grau de concordância - Importância da creche

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Ao verificar a tabela acima, observa-se que a maioria dos inquiridos revelam concordar com a importância da permanência da criança em casa, no entanto a maioria dos pais não tem possibilidade de permanecer em casa com os filhos.

No que concerne a alínea b) mais de 50% dos inquiridos considera que as crianças que frequentam a creche tem um melhor acompanhamento do que uma criança que permaneça em casa, no entanto a percentagem de inquiridos que não discordam parcialmente ou totalmente é ainda significativa.

Ao questionar sobre o desenvolvimento da criança no contexto de creche, a grande maioria das respostas obtiveram concordância parcial e total nas várias questões. No que diz respeito ao desenvolvimento físico, 88% concorda que a criança de creche tem um melhor desenvolvimento, relativamente à capacidade de socialização, 84%, concorda que a capacidade de socializarem, principalmente com outras crianças é u factor muito importante, 81% dos pais referem que os conhecimentos transmitidos à criança durante a permanência na creche são importantes posteriormente. Em relação às rotinas referidas pela alínea g) 83% revelam concordância parcial ou total, salientar ainda a questão sobre as aprendizagens da criança, 96% têm igualmente concordância.

A questão referente às competências sócio-afetivas da criança, alínea j), a maioria dos pais concorda com o facto de a creche desenvolver essa componente. Relativamente a qualidade da creche 100% refere ser um factor de peso na altura de escolher, também nas condições de higiene consideram ser de extrema importância numa creche.

Na alínea m) é feita uma questão sobre a importância do educador de creche e pré-escolar, pretendia-se perceber se os pais consideram que o educador de creche é diferente ou não do educador de pré-escolar. Maioritariamente 88% dos inquiridos concorda que o papel do educador tem a mesma importância quer esteja em contexto de creche ou de pré-escolar. No entanto, ainda a uma pequena percentagem 12% que discorda parcialmente da afirmação feita, talvez por considerar que o educador de creche ao estar com crianças mais pequenas tem de estar mais alerta, pois tem de interpretar todas as reações das crianças que ainda não falam.

Seguidamente, na parte III deste questionário, são realizadas novamente afirmações para obter um grau de concordância relativamente à transição da criança para o jardim-de-infância. A tabela abaixo indica-nos a percentagem de respostas obtidas nas afirmações.

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Na tabela acima a primeira análise direciona-se para o facto de não existirem respostas para o grau discordo totalmente. Em relação às primeiras alíneas, a), b) e c), as respostas tendem para um grau de concordância de mais de 80%, na medida em que consideram que as crianças que frequentaram a creche têm mais competências sócio- afetivas, a transição é mais facilitadora bem como a adaptação às rotinas de pré-escolar.

No que concerne ao acompanhamento do processo de transição a alínea d) faz referência a ser um processo acompanhado pela educadora ao qual os pais concordam de forma parcial e total contemplando 80% das respostas.

Relativamente ao envolvimento parental 96% dos inquiridos concordam totalmente que os pais devem estar envolvidos no processo de transição da criança. Na alínea g) é feita uma afirmação sobre a criança conhecer o local para o qual vai transitar, as respostas obtidas inclinam-se para a concordância, no entanto existem 24% que discorda parcialmente.

Transição para o jardim-de-infância Respostas de 1 - Discordo totalmente a 4

- Concordo Totalmente

1 2 3 4 Total

F % F % F % F % F %

a) Na transição para o jardim-de-infância, uma criança que frequentou a creche tem mais competências sócio-afetivas do que uma criança que esteve em casa.

0 0% 4 16% 13 52% 8 32% 25 100%

b) Uma criança que frequentou a creche tem uma transição mais fácil do que uma criança que permaneceu em casa.

0 0% 3 12% 11 44% 11 44% 25 100%

c) Uma criança que frequentou a creche tem maior facilidade de adaptação às rotinas do jardim-de-infância.

0 0% 1 4% 8 32% 16 64% 25 100%

d) O processo de transição deve ser

acompanhado pela educadora, caso a criança tenha permanecido na creche.

0 0% 5 20% 13 52% 7 28% 25 100%

e) O envolvimento parental é importante no

processo de transição da criança. 0 0% 0 0% 1 4% 24 96% 25 100%

f) O educador de infância tem um papel

importante no processo de transição. 0 0% 0 0% 3 12% 22 88% 25 100% g) A criança deve conhecer o jardim-de-

infância para o qual vai transitar. 0 0% 6 24% 8 32% 11 44% 25 100% h) A forma como o processo de transição é

vivido é um factor importante para a criança. 0 0% 0 0% 5 20% 20 80% 25 100%

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Na última alínea desta tabela pretende-se perceber se a forma como este processo de transição é vivido é se os inquiridos consideram um factor importante ou não. Pode observar-se que 100% concordam parcial e totalmente com esta afirmação, ou seja, a forma com todo o processo de transição é vivido, não só pela criança mas também pelos pais é um factor importante para um sucesso na transição.

Na última parte deste questionário foram feitas perguntas abertas. Na primeira questão pretendia-se perceber qual a opinião dos inquiridos em relação às estratégias que a educadora pode ter no processo de transição. Ao analisar as várias respostas obtidas, verificou-se que as opiniões se agrupavam em algumas categorias, nomeadamente, o apoio e acompanhamento no processo de transição, a demonstração de confiança e segurança para com as crianças, a confiança e segurança transmitida aos pais, o diálogo com as crianças, a visita do local para onde as crianças transitam e ainda o envolvimento da família. Verificou-se que dos (25) inquiridos, (14) consideram, uma das estratégias, o apoio e acompanhamento da educadora no seguimento para a educação pré-escolar muito importante. Observa-se também que (5) pais revelam ser essencial a confiança e segurança transmitida às crianças por parte da educadora, assim como (3) pais consideram que essa confiança e segurança deva ser transmitida também aos mesmos.

Salienta-se ainda, que (10) inquiridos dão relevância ao diálogo com as crianças sobre este processo de transição, outro ponto importante é precisamente as visitas ao local para onde as crianças vão transitar, (5) pais consideram também uma estratégia importante. Por fim (5) pais referem o envolvimento parental uma estratégia a ter em conta no processo de transição da criança para a educação pré-escolar.

A questão seguinte é referente ao envolvimento parental no processo de transição da criança para o jardim-de-infância, as respostas obtidas são unânimes pois os inquiridos consideram que os pais devem estar sempre envolvidos na educação dos filhos e em especial neste processo de transição para que as crianças se possam sentir seguras. As respostas agrupam-se também em três grandes categorias sendo elas, o acompanhamento contínuo, o contacto permanente com a educadora e o envolvimento parental moderado. A grande maioria dos pais (17), referem que deve ser feito um acompanhamento contínuo de todo o processo de transição, (5) pais mencionam a importância do contacto com a educadora. Numa das categorias, (3) encarregados de educação salientam que o envolvimento parental deve ser moderado, consideram que os pais devem estar atentos, mas não se envolver demasiado.

42 Como é referido por um dos inquiridos deve ser feito “um acompanhamento regrado”, estar em contacto com as indicações da educadora para colaborar sempre que

necessário mas deixar os seus filhos adaptarem-se ao espaço sem estarem com a presença dos pais.