5 DISCUSSION
5.3 A SSOCIATION BETWEEN THE PATIENT CHARACTERISTICS AND THE RESULTS OF THE ASSESSMENT TOOLS
Sem esquecer o que foi dito atrás, concernente ao modo de funcionamento do empresariado africano, importa reflectir aqui sobre o empresariado emergente em África no contexto da transição para a suposta economia de mercado. Quem são, afinal, os empresários dum tal ambiente? E qual a base social em que se estruturam? No contexto Ocidental, ou de economia de mercado, a figura do empresário assume várias definições e interpretações diferentes do papel que desempenha à luz da teoria económica dos mercados. Quando falamos de mercados reais, em que o problema da concorrência se coloca, o empresário é coagido, pelas regras do mercado, a adoptar estratégias para aumentar constantemente, ou pelo menos manter, a sua quota de mercado, como condição para a sua sobrevivência na envolvente em que opera. Isto é, tem de ser competitivo, o que o obriga a introduzir inovações tecnológicas, ser criativo e eficiente, de maneira a maximizar o lucro. E como diz Murteira (1996: 19), “É essa luta incessante pelo alargamento dos espaços de mercado e pela adaptação favorável da envolvente aos objectivos da empresa que traduz o essencial da concorrência que, por sua vez, caracteriza a economia do mercado”.
Num tal enquadramento, que caracteriza o modelo normativo de economia de mercado, é indispensável um ordenamento jurídico consistente que regulamenta o exercício das actividades empresariais e instituições competentes para administrar com eficácia as respectivas normas.
Ora, excepto em Cabo Verde, esse pacote jurídico não existe, ou não é aplicado correctamente, o que desvirtua o sentido do modelo de economia de mercado em que operam os empresários em África. Por outro lado, o ambiente cultural dos empresários africanos, como se viu anteriormente, determina padrões de comportamentos que os distingue dos empresários que operam no contexto do modelo normativo de economia de mercado.
O quadro da nossa reflexão incide sobre o empresário «moderno» por imperativos de desenvolvimento e inserção na economia mundial. Murteira questiona a origem desse empresário «moderno» africano que, no futuro, poderá constituir a força motriz do desenvolvimento em África. Diz ele que o empresário «moderno» distingue-se do «tradicional» pela forma como se insere no circuito económico doméstico. “Se essa inserção obedece à lógica do mercado nacional em gestação, tendo já em perspectiva, explícita ou implicitamente, a integração desse mercado num espaço transnacional e global, podemos falar de empresariado moderno, …” (Murteira, 1996: 21). E admite que um empresário pode evoluir de «tradicional» a «moderno», de acordo com a interpretação que faz do contexto em que opera. São empresários «tradicionais», por exemplo, os comerciantes que, diariamente, fazem o percurso de vaivém transportando mercadorias dos locais da produção para os mercados de venda. No sentido oposto, os agentes económicos com estabelecimentos estáveis que importam bens alimentares, de uso doméstico ou para outros fins são considerados empresários «modernos» (ver Murteira, 1996: 21-2). Se considerarmos estes dois casos como categorias de empresários de extremos, há um outro vector de mercado, porventura mais significativo, em que operam os comerciantes informais da área urbana, onde o «moderno» se confunde com o «tradicional», e corresponde a um processo de transição para a “economia de mercado” ou de “capitalismo selvagem”. Murteira (1996: 22) afirma que “o «moderno» emerge em múltiplas formas ou redes de relacionamento entre o formal e o informal, o legal e o clandestino”. E acrescenta que quanto ao padrão de comportamento empresarial em África, que é determinado pelas culturas empresariais de origem africana, tanto o «moderno» como o «tradicional» (informal) parecem enquadrar-se, essencialmente, nos modelos de empresários especulador e rentista em prejuízo do criativo ou oportunista. Por empresário rentista, entende o autor que é aquele que não é motivado por critérios de eficiência ou produtividade mas somente pela acumulação privada que deriva da “posse dum recurso escasso”. Enquanto o empresário especulador é o oposto do empresário criativo ou inovador. Actua como um especulador bolsista que compra e vende títulos, comprando e vendendo empresas (Murteira, 1996: 20).
Considerando a perspectiva de Murteira, o empresariado africano «moderno» deriva de empresariado formal protegido, directa ou indirectamente, pelo poder político, e do empresariado do sector informal, constituído por um grande número de micro e pequenas empresas, muitas vezes cunhadas de ilegais. Trata-se, neste caso, de uma categoria de empresário que vem de “baixo para cima”, que tem uma dinâmica própria de transformação
sociocultural, e de cuja actuação é mais coerente com os pressupostos de base do modelo de economia de mercado. Este empresariado que vem de “baixo para cima”, caminha sozinho, com firmeza, abrindo trilhos para progredir, sempre em busca de respostas concretas para os seus problemas, não obstante os muitos constrangimentos que tem que vencer. Por outro lado, o empresariado nacional do sector formal enfrenta imensas dificuldades para se afirmar na sua envolvente, nomeadamente a escassez de recursos financeiros e materiais para o seu normal funcionamento, má qualificação dos recursos humanos, uma gestão deficiente, a concorrência das firmas estrangeiras que coloca muitas empresas de nacionais em risco de sobrevivência, e fracas possibilidades de internacionalização. Este panorama algo sombrio pode constituir uma oportunidade importante para o desenvolvimento do empresariado que vem de “baixo para cima” e, de momento, parece constituir a única base social credível para a estruturação dum futuro empresariado verdadeiramente africano. Mas tendo presente as características do empresariado africano, o seu ambiente sociocultural e o contexto político e económico, as respostas para o desenvolvimento de um tal empresariado - o que vem de “baixo para cima”- devem ser procuradas fora do paradigma normativo de economia de mercado. Deve contar principalmente com a participação e o envolvimento interactivo e constante dos empresários, das comunidades locais, instituições de solidariedade social, sociedade civil e uma articulação integrada das acções e projectos para o seu desenvolvimento. Mas é, também, essencial a consideração de um sistema de ensino de gestão orientado para as realidades sociais e económicas das sociedades africanas.