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Sprint 4 integration tests

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C.4 Sprint 4 integration tests

O termo comunicação, na abordagem da etimologia, oriunda do latim

communis, comum, refere-se à ideia de comunidade. Comunicar significa

participação, troca de informações, tornar comum aos outros ideias, volições. Esse conceito preza o fato das pessoas poderem entender umas às outras, expressando pensamentos e ou mesmo unindo o que está isolado, o que está longe da comunidade. Encontra-se também a palavra comunicare que significa compartilhar, tornar comum. Para Santaella e Nöth, (1999:23) “a comunicação trata de atos comunicativos ou sêmicos. Nasce de uma intenção de influenciar os semelhantes a fim de obter deles uma colaboração social”, então é um ato comunicativo é portador de uma significação intencional.

A comunicação é um processo que viabiliza a troca de mensagens entre pessoas, resultado das relações sociais humanas. Segundo Martino (2001), o termo comunicação surgiu na história, dentro do universo do Cristianismo, nos mosteiros. A prática communicatio era o ato de fazer juntos a refeição noturna, sendo que o fator principal não era a refeição e sim o ato de praticarem juntos a ação. A comunicação recebe vários significados, sendo que os dicionários confirmam esta pluralidade de definições. Martino (2001) cita as principais definições: 1. Fato de comunicar; 2. Transmissão de signo através de um código; 3. Capacidade ou processo de troca de informações através da fala ou de meios técnicos; 4. Ação de utilizar meios tecnológicos (comunicação telefônica); 5. A mensagem, informação; 6. Comunicação de espaços (passagem de um lugar a outro); 7. Disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências.

Em seu sentido etimológico, informar significa dar “forma a”. De acordo com Martino (2001), a informação necessita de um suporte (matéria) que possa ser formatado, transmitindo assim a informação. No caso de um livro, suas páginas seriam formatadas com marcas de tinta sobre o papel; na televisão, o suporte seria a tela onde os pontos luminosos compõem a imagem. Entretanto, a informação só é plausível se o receptor tiver condições psíquicas para entender e compreender a mensagem. Neste contexto, receptor e emissor devem possuir psiquismos similares e assim a informação pode ser considerada como parte do processo de comunicação ou como sinônimo deste processo, afirma o autor.

A comunicação “só é verdadeira quando os interlocutores compreendem ou interpretam os enunciados que lhe são destinados”, afirma Levy (1998: 125). Desta forma faz-se necessário relacionar o enunciado com

136 o modelo mental construído para o contexto. O autor defende modelo mental como sendo a representação abstrata, de uma situação ou objeto, feito pelo sujeito em função de sua experiência passada. Segundo Capra (2002) a imagem mental de um recipiente sobre o conceito abstrato de uma categoria é usada como uma metáfora. A descoberta de que a maioria dos pensamentos humanos é metafórica foi um avanço da ciência da cognição, para demonstrar como as experiências sensoriais e corpóreas são projetadas em domínios abstratos.

Para Maturana e Varela (2001: 217) a “comunicação são condutas coordenadas, mutuamente desencadeadas, entre os membros de uma unidade social. Como observadores, designamos como comunicativas as condutas que ocorrem num acoplamento social, e como comunicação a coordenação comportamental que observamos como resultado dela”. Para os autores a comunicação humana ocorre apenas quando se estabelece uma coordenação comportamental em um domínio de acoplamento estrutural. Esse conceito pode ser entendido como um conjunto de mudanças que o meio provoca na estrutura de um determinado organismo e vice-versa, numa relação circular. Os autores relatam que dois ou mais organismos, ao interagir, recorrentemente, geram um acoplamento social em que se envolvem de modo recíproco na realização de suas respectivas autopoieses. As condutas que ocorrem nesses domínios de acoplamentos sociais são comunicativas e podem ser inatas ou adquiridas.

Fisher (apud Primo, 2006) considera que a comunicação não é apenas uma coleção de contribuições individuais, mas sim a valorização dos processos que integram as ações dos emissores. A interação social é caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas (o conteúdo) e pelo emissor e receptor que se encontra em um dado contexto (geográfico, social, político, temporal), mas também pelo relacionamento que existe entre eles. A comunicação é o relacionamento que o emissor e receptor criam através da interação, afirma Primo (2005).

Pode-se considerar o relacionamento como uma construção e reconstrução contínua, coletiva e de partilha de sentidos, desenvolvida pelo emissor e receptor durante o processo, e que muitas vezes não é previsto ou determinado. Com a abordagem relacional da comunicação, entende-se a complexidade da dimensão comunicativa em Rede, que tem como eixos principais: 1. A linguagem e sua dimensão simbólica; 2. os usuários e a relação que se estabelece entre eles; 3. o contexto da experiência; 4. e o papel da tecnologia como mediadora da comunicação de todo o processo. Então pode-se afirmar que a abordagem relacional da comunicação, a relação encontra-se na conexão, não em um ou outro usuário, mas entre os usuários.

137 A comunicação se insere no aspecto da experiência, da ação e intervenção, em que a linguagem do hipertexto constitui a própria Rede.

Bateson (1972) foca-se na comunicação enquanto instituição e sistema social. A comunicação é uma articulação entre o individual e o social, pois o processo comunicativo é caracterizado pelo contínuo registro de emissão de sinais e de conteúdos. Para o autor a comunicação é o unificador de todos os conhecimentos, de todos os conteúdos, de todas as situações. A comunicação, desempenhando um papel unificador, permite a aplicação das mesmas construções teóricas a diferentes domínios. Existem analogias entre fenómenos de natureza diferente, em que o ponto comum é precisamente a ocorrência de relações de troca entre os elementos que os compõem e a circulação de informação.

O processo de comunicação para Thayer (1979: 35) “é o processo pelo qual os indivíduos e organizações se relacionam uns com os outros, influenciando-se mutuamente”. Segundo Gerbner (apud Sousa, 2006), a influência dos meios de comunicação social é acumulativa. A influência ancora na transmissão sucessiva de significados sobre a realidade e na proposta permanente de modelos de atuação e de determinadas valorizações dos assuntos. Considera-se a influência um dos elementos fundamentais do processo de comunicação. Um modelo do processo comunicação demonstra: quem diz o quê, em que canal ou com que meios, para quem e com que efeito, sendo representado de várias maneiras conforme os modelos desenvolvidos atualmente. Para Coelho Netto (1996:124) “uma mensagem é elaborada pela fonte com elementos extraídos de um determinado repertório e será decodificada por um receptor que, nesse processo, utilizará elementos extraídos de outro repertório; para que se estabeleça o fluxo de comunicação. Para que a mensagem seja significativa para o receptor, é necessário que os repertórios de F[fonte] e o de R [receptor] sejam secantes, ou seja, tenham algum setor comum”. A Figura abaixo demonstra que uma mensagem é significativa ao receptor a partir do repertório- um estoque de informações e da estrutura- permite operações com mensagens que infere no comportamento do receptor.

Figura 13: Repertórios da Fonte e do Emissor Fonte: Coelho Netto (1996)

138 Para Bateson e Ruesch (1965) “a comunicação é o único modelo científico que reagrupa os aspectos fisiológico, intrapessoal, interpessoal e cultural dos acontecimentos no mesmo e único sistema”. A comunicação não se refere somente à transmissão verbal, explícita e intencional de mensagens. Inclui todos os processos através dos quais as pessoas se influenciam por meio de uma massa de sinais. Para os autores a comunicação é relação e conteúdo. Pode-se definir este sistema de relações enquanto processos interacionais. Na interação há uma identificação de regras comuns estabelecidas pelos sujeitos para a compreensão das mensagens. Não se tratam apenas de conteúdos, mas de formatos de mensagens construídos no processo interativo. A comunicação é, segundo o autor, um modelo geral de interação ao qual se referem todas as atividades humanas.

Para Thompson (2009) o conceito de comunicação é uma forma de ação, um tipo distinto de atividade social que envolve a produção, a transmissão e a recepção de formas simbólicas, e implica na utilização de vários recursos de interação, diante do desenvolvimento das formas de comunicação eletronicamente mediadas. Thompson (2009) afirma que com o desenvolvimento dos meios de comunicação, a interação se dissocia do ambiente físico, de tal maneira que os indivíduos podem interagir uns com os outros ainda que não partilhem do mesmo ambiente espaço-temporal, proporcionando assim novas formas de interação, como por exemplo, as mediadas eletronicamente.

Thompson (2009) construiu uma Teoria Social da Mídia, baseada na avaliação dos contextos sociais dentro dos quais se processa a comunicação e assim compreender a dinâmica das relações da produção, comunicação e recepção dos fenômenos culturais das sociedades contemporâneas. Para autor os fenômenos culturais são denominados formas simbólicas, as quais se constituem como expressões de significados, produzidos nos processos de interação sob a perspectiva do contexto social.

O conceito de autopoiesis, adotado por Luhmann (2005), considera que a Sociedade é um sistema autopoiético constituído por comunicações e que produz e reproduz ele mesmo as comunicações que o constituem por meio da Rede dessas comunicações. Para o autor a Sociedade é unicamente composta de comunicações e tudo o que não é comunicação pertence ao ambiente desse sistema. Quanto à comunicação, é entendida por Luhmann (2005) como a disseminação da informação dentro de um sistema– como uma disseminação que utiliza a informação para conduzi-la e desta forma mudando a informação bem como o estado do meio no qual a informação cria formas – sendo que a “vontade” e a “consciência” dos sujeitos não tem importância, mas sim com o restabelecimento da homeostasia nos sistemas em que eles se inserem. A comunicação é entendida como um

139 sistema/conjunto de subsistemas, e incluindo a ideia de Rede como condição para a autonomia deste sistema.

O sentido de comunicação expresso no dicionário sob a forma de informação e mensagem não é comunicação senão um modo relativo, afirma Martino (2001). Para o autor, a informação será transformada em comunicação quando esta for decodificada e interpretada reconstituindo a mensagem. Lévy (1999) afirma que é difícil compreender uma mensagem fora do contexto onde foi produzida. Para tanto, surgiram as artes da interpretação, da tradução e a teoria da linguística direcionada para o receptor, onde a linguagem é predominante no entendimento do processo comunicacional.

Para Capra (2002), uma das teorias sobre a origem da linguagem humana foi proposta pelo antropólogo Hewes (1970). Para antropólogo a primeira forma de comunicação se deu através dos movimentos com as mãos. Estes movimentos foram se tornando cada vez mais complexos e precisos tanto para a produção de utensílios quanto para a gesticulação. A fala teria evoluído mais tarde da capacidade de acompanhar as sequências organizadas dos gestos e traduzi-los em palavras. Gesticulação e elaboração de utensílios evoluíram juntas e este fato leva o autor afirmar que a tecnologia faz parte da natureza humana. Segundo Capra (2002), a gesticulação é um meio universal de comunicação, pois quando falta a palavra para o indivíduo, este recorre aos gestos.

Capra (1992) diferencia a linguagem da comunicação, considerando a comunicação o processo de interações mútuas recorrentes. A comunicação é a resposta a partir de um estímulo. A linguagem como sendo uma consequência de um processo de comunicação, vai além da relação estímulo- resposta. A linguagem permite a prolongação do processo de comunicação, se estendendo além das interferências ocorridas, visto que as representações abstratas e simbólicas estão, relativamente, padronizadas, garantindo a comunicação em longo prazo. A linguagem exige dos agentes variações no processo de comunicação. Pode-se utilizar a comunicação para a troca rotineira de informações.

Segundo Choo (2006), a informação só é útil quando o usuário lhe atribui um significado. O termo significado está ligado a um determinado contexto, afirma Capra (2002). Conforme a definição do dicionário Webster para a palavra significado: uma idéia que exige ou permite uma interpretação e define a interpretação como uma concepção feita à luz das crenças individuais, de um juízo ou de uma circunstância. A mesma informação pode receber diferentes significados de diferentes indivíduos. Segundo Nonaka (1997: 63), a informação gera um novo ponto de vista para a interpretação e torna visíveis significados antes invisíveis, ou seja, “a informação é um meio

140 ou material necessário para extrair e construir o conhecimento. Afeta o conhecimento acrescentando-lhe algo ou o reestruturando”. Então a interpretação depende de um determinado contexto de conceitos, valores, crenças ou circunstâncias.

Para Lévy (1998) a interpretação de um discurso pode implicar em um trabalho de associação utilizando outros discursos, mas também a memória sensorial, sinestésica e afetiva do sujeito, sua história, situação e projetos. Segundo o autor a significação identifica-se com o texto de um lado e os dispositivos que simbolizam o texto, de outro. Nessa perspectiva, a escrita só atinge seu objetivo se despertar a leitura, correspondente a um conjunto de processos de decodificação e também de associação com lembranças, hábitos, mensagens, afetos, etc. O autor cita como exemplos o texto poético, que deve despertar emoções no receptor e o texto administrativo, inteligível quando se preocupa com os aparatos sociais e cognitivos do receptor.

Santaella (1996:14) afirma que, “de um modo geral, pode-se dizer que, onde quer que uma informação seja transmitida de um emissor para um receptor, tem-se aí um ato de comunicação”. Marcondes Filho (2004) adverte que a simples difusão de informações não é comunicação. A comunicação esclarece o autor, não é instrumento, defendendo a comunicação como um processo de troca, no sentido de fornecimento de informação ou de conhecimento, constituindo-se como um processo unidirecional, ou seja, de uma pessoa para outra. Contudo, a noção de comunicação implica em uma interação entre duas ou mais pessoas ou entidades, sendo que os dois termos informação e interação, e os sentidos que lhes possam estar associados, passam a ser indissociáveis. A interação leva ao compartilhamento, impulsiona os fluxos de informação e de conhecimento, que decorrem do movimento de uma Rede e determinam seus vínculos.

Outra questão a ser abordada é sobre totalidade. Sousa (2006:76) entende o processo comunicacional de forma “...indissociável do universo em que ocorre. Qualquer ato comunicativo está ligado ao todo, tudo está ligado com tudo”. Para Rodrigues (2000:121) “comunicação é um estudo sistemático dos processos de interação, que ocorre através da permuta de mensagens, entre os seres humanos, nas comunidades que pertencem, quer estes processos ocorram diretamente, nas relações face a face, quer indiretamente, nos dispositivos de mediação, tais como a escrita, o telefone, a rádio, a televisão, a Rede multimídia”.

De acordo com Rodrigues (2000) o estudo sistemático é aquele que produz uma explicação unificada dos fenômenos da comunicação, tais como: os elementos, as formas e níveis, as finalidades, e os demais aspectos do processo comunicacional. A comunicação, segundo Ellis e Fisher (1994), seria o elemento organizador dos grupos. Para Primo (2003) é através da

141 interação que a liderança, as decisões, a compreensão e a relação interpessoal são construídas, ou seja, é na comunicação que um agregado de pessoas se torna um grupo, sendo que a dimensão da comunicação tem a possibilidade de organizar uma comunidade virtual. Pode-se resumir que a comunicação é um estudo sistemático do processo de interação, entre pessoas e em comunidades virtuais, seja presencial ou mediada tecnologicamente. E que surge com uma necessidade de compartilhamento de conhecimentos, a partir da construção com o outro, um entendimento comum sobre algo, que por meio da linguagem gera significados e influencia dando um novo sentido de totalidade ao conhecimento.

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