7. Ein endestasjon; Språkopplæring, kritisk literacy og integrering
7.1 Språklæring, integrering og fleirkulturell dialog
A escassez hídrica no semiárido nordestino fez com que povoações fossem formadas ao longo dos corpos d’água existentes. Assim surgiram às primeiras cidades. Todavia, com regime de chuvas irregular, em anos de seca, o volume de água dos rios diminui e, consequentemente, as atividades humanas são desenvolvidas mais próximas do leito menor; desta maneira, quando as precipitações pluviométricas são mais intensas estas áreas são atingidas causando danos e prejuízos.
Outra característica marcante nas bacias hidrográficas nordestinas, e em especial a do rio Piranhas-Açu, são os barramentos realizados ao longo do rio com o intuito de armazenar água durante os períodos de estiagem e conter as grandes vazões quando em precipitações mais elevadas. Nesta bacia destaca-se a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, sendo a segunda maior barragem da região nordeste.
Costa (2015), ao analisar os dados pluviométricos da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) constatou que os anos de 1964, 1974, 1985, 2004, 2008 e 2009 foram os que apresentaram maiores médias e coincide com as maiores inundações no Baixo-Açu. A autora afirma que as inundações da região são decorrentes do extravasamento do leito do rio Piranhas-Açu devido o acúmulo das águas pluviais no rio principal bem como dos seus tributários.
Já no diagnóstico solicitado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS, 2012) consta que os efeitos das inundações nesta área foram piores, pois havia entre a população uma falsa sensação de segurança devido à presença das barragens que passaram por longos períodos com sua capacidade de armazenamento em níveis bem abaixo do normal, e quando houve o extravasamento de tais barragens, e em particular da Armando Ribeiro Gonçalves, os municípios a jusante não tinham nenhum preparo para suportar tal evento danoso.
Este fato resultou em três grandes eventos de cheias em apenas uma década no Baixo-Açu (anos de 2004, 2008 e 2009), comprometendo de forma significativa as infraestruturas viárias, urbanas e fortes perdas nos setores da indústria salineira, agricultura irrigada, petroleira e carcinicultura, como pode ser observado nas imagens a seguir:
Figura 21- Imagens das consequências das inundações de 2008 no Baixo-Açu.
a)
b)
a)
Legenda: a) Vertimentos da barragem Armando Ribeiro Gonçalves; b) Inundação na ponte da BR- 304; c) Inundação urbana no município de Ipanguaçu; d) Inundação das áreas rurais no município de Alto do Rodrigues; e) Inundação dos plantios de fruticultura irrigada no município de Alto d Rodrigues; f) Inundação dos tanques de sal e criadouros de camarão no município de Macau. Fonte: MOURA, 2008
A prática de acúmulo de água em grandes reservatórios para enfrentar longos períodos de estiagens é bastante comum no semiárido nordestino. Por um lado essa alternativa auxilia o controle das cheias, todavia, quando tais reservatórios atingem a capacidade máxima de armazenamento os vertimentos são elevados e, geralmente as populações a jusante não estão preparadas para lidar com tal situação de risco.
Sendo assim, tendo as elevadas precipitações pluviométricas como elemento desencadeador das inundações, será necessário fazer a correlação entre as precipitações e a geração dos deflúvios a montante da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, principal barramento e responsável por amortecer as cheias a montante do Baixo-Açu.
Para entender as inundações que ocorrem no Baixo-Açu é preciso, antes de tudo, compreender a influência que a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves exerce sobre o regime hídrico e hidráulico do rio Piranhas-Açu. Ramalho (2009) explana sobre os possíveis impactos ambientais gerados no Baixo-Açu, a jusante da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves. A autora alerta que os problemas ambientais do vale do Açu podem ter aumentado após a construção da Barragem que, por sua vez, tornou os rios a sua jusante perenizados. Isso atraiu diversas atividades econômicas para área, principalmente agrícolas e extrativistas, intensificando o processo de uso e ocupação do solo. Consequentemente, aumentaram-se os riscos de salinização dos solos e assoreamento dos rios e reservatórios. Ramalho ainda explica que:
Diante desta perspectiva, tudo leva a crer que com a barragem e as consequentes mudanças hidrodinâmicas a montante e a jusante do rio Piranhas-Açu, os problemas relacionados com a erosão remontante são inevitáveis. Em casos de regiões semiáridas, que naturalmente estão predispostas à ação dos processos erosivos, tendo em vista a predominância de superfícies desnudas, chama-se a atenção para o escoamento torrencial que
por natureza é violento e com capacidade suficiente para arrastar os detritos que caracterizam a carga sólida que chega às planícies do rio principal e de seus tributários e consequentemente no reservatório (RAMALHO, 2009, p. 190).
A Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves recebe todos os afluentes do rio Piranhas-Açu, antes do rio chegar ao seu baixo curso, por este motivo se torna o principal elemento amortecedor das cheias na região. Vale salientar que o Piranhas-Açu naturalmente é um rio intermitente e o que garante sua perenidade é a barragem que libera volumes de água através do seu vertedouro.
Porém, quando este reservatório atinge a capacidade máxima, o deflúvio é lançado de uma só vez a jusante, sem que haja nenhum tipo de controle, como ocorreu nos episódios de 2004 e 2009.
Antes da inauguração da Barragem Armand Ribeiro Gonçalves houve registros de inundações datando de 1875, como também em 1924 – a maior até então – e que foi superada em 1964 devido a 15 dias de chuvas ininterruptas (figura 14) e, em 1974.
As inundações de 1964 deixaram 1.500 famílias desabrigadas e, de acordo com França (2014), este fenômeno desencadeou um grave problema social, pois deixou mais de 30 mil pessoas privadas de suas lavouras e rebanhos, bem como houve a morte de velhos e crianças em decorrência da miséria que as pessoas se encontraram após o desastre.
Figura 22 - Imagens da Rua Moysés Soares no município de Ipanguaçu durante a inundação de 1964.
Fonte: FRANÇA, 2014.
Em 1974 a cidade de Carnaubais fora completamente arrasada pelas inundações, sendo reconstruída mais afastada do rio Piranhas-Açu e em um lugar mais elevado. Em 1983 a barragem Armando Ribeiro foi Inaugurada e, em 1985, houve a maior inundação da região até então, no qual a barragem apresentou uma sangria de 4,5
metros de lâmina d’água. Depois desse ano ainda houve inundações nos anos de 1996, 2004, 2008, 2009 e 2011.
As inundações que ocorreram nos anos de 2008 e 2009 trouxeram prejuízos incalculáveis para a região uma vez que 2 mil hectares de cultivo de bananas (Musa spp.) da empresa Delmont Fresh ficou debaixo d’água. A empresa que empregava mais de 2 mil funcionários obrigou-se a demitir boa parte do seu pessoal. Além disso, mais de 20 criadouros de camarão (Litopenaeus vannamei) e tilápia (Tilapia rendalli) foram perdidos nos municípios de Pendências e Carnaubais, bem como as salinas de Macau e Porto do Mangue no Delta do rio Piranhas-Açu. A produção de petróleo também ficou comprometida, pois diversos poços tiveram que ser desativados.
5 EVENTOS HIDROMETEOROLÓGICOS INTENSOS E INUNDAÇÕES NO BAIXO-