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Sport policies in Iceland

Research setting

3.5 Sport policies in Iceland

Na interação entre a estrutura conceptual e o mundo das percepções, uma série de representações emerge a partir do entendimento de nossa própria natureza. Com essa constatação, Johnson (1987) propõe que uma maneira pela qual a experiência corpórea se manifesta no nível cognitivo é através de esquemas de imagens18, conceitos rudimentares que são

significativos porque derivam da (e são ligados à) experiência pré-conceptual humana (derivada da percepção, ação e movimento corpóreos, e da manipulação de objetos), a qual é diretamente

mediada e estruturada pelo corpo humano – conforme vimos no Capítulo 1, essa experiência é condizente com a afirmação de Sellars (1963 [1991]), que afirma que há um tipo de percepção pré-linguística, e que só existe por sermos capazes de processar as informações de maneira inconsciente a partir da perspectiva de nossos corpos. Portanto, tais conceitos não são abstrações desencarnadas. Esses tipos de conceitos corpóreos podem ser estendidos sistematicamente a fim de produzirem conceitos ainda mais abstratos, como no caso das projeções conceptuais relacionadas a emoções. Por isso, dizer que alguém está cheio de alegria remete ao esquema de imagem fundamental RECIPIENTE [CONTAINER], o qual pode servir para estruturar conceitos e

ideias ainda mais complexos.

Os esquemas de imagem “derivam da experiência sensória e perceptual à medida que interagimos com o, e nos movemos no, mundo” (EVANS; GREEN, 2006, p. 178). Para Mandler (2004, p. 591), a formação de esquemas de imagem ocorre por intermédio de uma redefinição da experiência espacial pelo processo classificado como análise perceptual do significado, em que a estrutura espacial é mapeada na estrutura conceptual. Tais experiências são enraizadas e estabelecidas antes mesmo de a criança produzir linguagem, sendo, dessa forma, as bases de nossos conceitos mais fundamentais.

Esses esquemas emergem das experiências pré-conceptuais de nossos corpos desde o início da vida da criança. Desde cedo, o indivíduo passa a perceber, ainda que inconscientemente, o mundo ao seu redor: nesse sentido, os objetos e o espaço começam a fazer parte da estrutura conceptual. A criança percebe que sua mãe passa a colocar líquido em recipientes, de modo a enchê-los (e esvaziá-los), que seus brinquedos são guardados ou retirados de caixas, e que ele está dentro de um lugar, ou mesmo dentro de suas próprias roupas. É por esse motivo que há uma abstração em relação ao tipo de configuração daquilo que se torna evidente no mundo, nesse caso, uma entidade que está naturalmente contida dentro de outra. Após a experiência inconsciente é que o conceito corpóreo relacionado ao esquema RECIPIENTE é elaborado pelo indivíduo, fazendo parte, a partir de então, de seu sistema conceptual, que pode dar origem a conceitos, ou simuladores, mais específicos.

É preciso salientar que a noção de esquema de imagem é diferente do de uma imagem mental: um esquema de imagem é abstrato e não se limita a propriedades visuais. Eles são influenciados por conhecimentos gerais, sendo mais maleáveis do que simples imagens mentais. De fato, possuem caráter sinestésico e, por isso, operações mentais relacionadas a esquemas de imagem análogos a operações espaciais podem ser realizadas. Além disso, esses esquemas são não-

proposicionais, no sentido de envolverem operações mentais altamente abstratas, como quando se

o tamanho das coisas, devido ao fato de termos a percepção de que a quantidade aumenta em um recipiente conforme ele se enche, ou o contrário. No caso de uma situação de estresse emocional, pode-se imaginar uma panela de pressão prestes a estourar, e então explodindo.

“Sob essa interpretação, o esquema é uma organização unificada, decorrente de conhecimento e valores conceptuais e proposicionais que compartilhamos em relação a situações e eventos típicos” (JOHNSON, 1987, p. 20). Um esquema é uma porção perceptual interna ao indivíduo que a percebe, que pode ser modificável pela experiência e, na maioria das vezes, específica àquilo que está sendo percebido em dado momento. Assim, o esquema não faz parte somente da memória enciclopédica do indivíduo, mas ele se reformula à medida que interagimos com os outros. Johnson (1987) propõe que, a fim de que tenhamos experiências significativas, conectadas ao que podemos compreender e raciocinar, nossas ações, percepções e concepções devem ser organizadas. Dessa forma, para o autor, “um esquema é um padrão, uma forma, e regularidade recorrentes nessas, ou dessas, atividades ordenadas em andamento” (p. 29). Trata-se de uma estrutura dinâmica que organiza uma atividade à medida que a experienciamos, a qual é modificável de acordo com o contexto.

Como mencionamos acima, uma das estruturas imagético-esquemáticas mais expressivas de nossa experiência é a da percepção do corpo como recipiente físico: “nosso encontro com a contenção e com a delimitação é uma das características mais difundidas de nossas experiências corpóreas” (JOHNSON, 1987, p. 21). Nesse sentido, conceptualizamos as experiências cotidianas em termos do esquema RECIPIENTE, que se define por uma estrutura básica: um interior, um limite e seu exterior. Trata-se de uma estrutura gestáltica, em que as partes não fazem sentido sem o todo. Um esquema RECIPIENTE, assim como qualquer esquema de imagem, é conceptual, e pode ser instanciado fisicamente, como um objeto concreto, por exemplo, ou através de aspectos espaciais. A partir desse esquema, podemos elaborar outros esquemas de imagem relacionados, como: DENTRO-FORA; CHEIO-VAZIO; CONTEÚDO. Devido à nossa percepção, ainda que inconsciente, desses esquemas de imagem é que elaboramos determinadas expressões linguísticas, como em:

(1) Ela saiu de um casamento falido. (2) Ana entrou em uma confusão. (3) Carlos criou uma barreira entre eles. (4) Ele está fora de perigo.

(5) Ele entrou em depressão. (6) Ele saiu do coma.

(7) Ele está em estado de euforia.

Esse esquema é utilizado, em grande medida, para falarmos de nossas próprias emoções:

(8) Ana é um poço de sentimentos.

(9) A carga emocional foi tão grande que ela transbordou em lágrimas. (10) Pedro achou que Ana iria explodir.

(11) Ela estava cheia de alegria. (12) Ela encheu-se de esperança.

De acordo com Johnson (1987, p. 22), há pelo menos cinco acarretamentos importantes relacionados a essas estruturas imagético-esquemáticas para a orientação DENTRO e FORA: (i) a experiência de estar dentro de algo tipicamente envolve a proteção ou resistência a forças externas; (ii) a contenção também limita e restringe forças dentro do recipiente; (iii) por causa dessa restrição de forças, o objeto contido ganha uma fixidez relativa de localização; (iv) essa fixidez relativa de localização dentro do recipiente significa que o objeto contido torna-se acessível ou inacessível à vista de algum observador; (v) experienciamos a transitividade de contenção. Postas essas afirmações, esses acarretamentos são implicações da estrutura interna do esquema de imagem.

Outros esquemas de imagem bastante comuns envolvem: (i) esquema PARTE-TODO, no qual os seres humanos são todos constituídos por partes que podem ser manipuladas: O corpo é um

todo com partes. Um grupo social ou uma família fazem parte desse esquema, por exemplo, pois um

indivíduo pode ser parte de um grupo social. (ii) O esquema LIGAÇÃO traz a noção de que duas entidades estão ligadas, como ocorre nos relacionamentos sociais e interpessoais, em que as pessoas se unem umas às outras: (13) Ana tem uma forte ligação com sua irmã; (iii) No esquema

CENTRO-PERIFERIA, os corpos são experienciados como se tivessem centros e contiguidade: (14) O cerne da discussão entre Ana e Carlos era o aquecimento global; (iv) Já PARTIDA-CAMINHO-DESTINO

parece ser um esquema que envolve a experiência de movimento, como se pode ver no exemplo: (15) Foi uma longa caminhada até conquistarmos nosso objetivo. Cabe salientar que esse esquema é topológico, no sentido que um caminho pode ser expandido, diminuído, deformado (estreitado/alargado), e ainda assim permanecer com seu status de caminho. Trajetórias são imaginativas; elas não são entidades no mundo, mas são conceptualizadas como uma linha, em que um objeto pode projetar-se em determinada direção. (v) Há, ainda, esquemas que parecem ser ainda mais básicos, como o PARA CIMA-PARA BAIXO, os quais constituirão as metáforas

conceptuais MAIS É PARA CIMA, e MENOS É PARA BAIXO, como em (16) Os preços estão nas alturas. e em (17) Esse é um problema de menor importância.; (vi) esquema FRENTE-ATRÁS, para designar tempo,

por exemplo: (18) Vamos olhar para frente; deixe o que passou para trás!; (vii) o esquema ORDEM LINEAR, como no dito popular (19) Deus escreve certo por linhas tortas., é utilizado para designar o andamento dos acontecimentos na vida (sem contar, aqui, a questão da atribuição do destino como controlado por um ser superior); por último, (viii) o esquema ESCALA corresponde à percepção de gradação, o qual é acionado toda a vez objetos são agrupados, por exemplo.

Os esquemas de imagem parecem nortear grande parte da formação de conceitos de base corpórea, além de desencadearem a elaboração de conceitos mais abstratos, como é o caso dos de emoções. Nesse sentido, esquemas de imagem, de acordo com Yu (1998), são bases gerais para mapeamentos metafóricos, sobre os quais falaremos na próxima seção.