5.1 Gaver, sponsing, eventer og identitet
5.1.6 Sponsing
A relevância é outro ponto que observamos nessa pesquisa. Esse fenômeno tem sido ob- jeto de enfoques os mais diversos, conforme abordagens teóricas diferenciadas.
Sperber & Wilson (1995) definem o conceito de relevância em uma perspectiva comu- nicativa em que os interlocutores estabelecem uma rede de interação e sentido entre os seus dizeres e os dizeres dos outros. Em outras palavras, é através dela. que há a formação de uma unidade semântico-pragmática em que os elementos da comunicação são importantes. Para eles, a noção de contexto é fundamental porque é nele que se estabelecem as condições de avaliação da relevância e por se tratar de um conjunto de informações, situações e hipóteses, construídas pelos interlocutores na relação falante/ouvinte. Já para Dascal (1977), apud Pe- reira (1998), há dois tipos diferenciados de relevância: a semântica que se refere à relevância de certas entidades lingüísticas lógicas ou cognitivas, envolvendo, inclusive, conceitos como implicação, referência e sinonímia, a outra é a pragmática que envolve os atos de fala. Esses dois tipos, para eles, mantém uma intrínseca relação entre si.
Poderíamos acrescentar, como fez Pereira (op. cit.), que a relevância, por se tratar de um fenômeno semântico-pragmático, pode constituir o processo de produção dos enunciados para a construção do sentido e da significação.
Sperber e Wilson (1996) aprofundam sua investigação sobre o fenômeno da relevância, ressaltando que os indivíduos têm intuição de relevância e podem distinguir informações irre- levantes das relevantes. Todavia, essas intuições são complexas e difíceis de serem determi- nadas, uma vez que não há meios de controlar a qual contexto elas se referem em um deter- minado momento. Conforme eles, uma suposição é relevante no contexto à medida que o esforço dispendido para processá-la é pequeno. Dessa forma, existem três casos. em que uma suposição pode ser considerada irrelevante:
1. a suposição, mesmo acrescentando uma nova informação, não se conecta com ne-
nhuma informação presente no contexto;
2. a suposição já está presente no contexto, não- sendo, pois, informativa ou relevante;
3. a suposição é inconsistente e fraca em relação ao contexto.
A irrelevância, em determinadas situações, pode ser usada propositadamente, tornando- se relevante para o locutor.
Buscando compreender melhor o princípio da relevância que rege as conversações, Dascal (1977) chega a conclusão que há uma pressuposição genérica de que nossas reações são comandadas por aquilo que é topicamente relevante. Estudando esse fenômeno na cons- trução de implicaturas, ele tenta diferenciar juízos de relevância relacionados à enunciação. Apresenta três graus básicos de relevância: relevante, marginalmente relevante e potencial- mente relevante. Assim, um tema que se apresenta como relevante para o desenvolvimento do tópico - aquilo sobre que se fala -, pode tornar-se marginalmente relevante no momento em que os interlocutores elegem outro tema.
Dascal (1977) destaca uma explicação para a noção de relevância e sua contribuição pa- ra os estudos pragmáticos da compreensão. Já Sperber & Wilson (1986) definem o conceito de relevância em uma perspectiva comunicativa, concordando com Dascal e indicando que há uma profunda relação entre esse conceito de relevância e processos cognitivos, como a me-
mória e a percepção, pois, segundo eles, é a partir delas que o sujeito define o grau de rele- vância de uma determinada informação para um determinado contexto em que a informação nova deverá produzir um certo efeito contextual.
Pereira (1998), a respeito do pensamento de Speber & Wilson, expõe que a relevância está relacionada com o que os autores definem como intenção comunicativa do locutor e a- firma que, se este desejar mudar de assunto, ele deve quebrar uma das etapas da comunicação de forma sutil para que possa ser pragmaticamente relevante. Explicitando melhor, diremos que os participantes de uma comunicação verbal passam por algumas etapas: na primeira, o locutor apresenta uma informação que possa ser associada a alguma informação antiga. Na segunda etapa, o que foi dito pode ser associado ao novo contexto e deve apresentar algo de novo que modifique sua força argumentativa e na terceira etapa, a informação dada não pode entrar em contradição com o contexto dado, nem ser fraca a ponto de não modificar nada. Se a quebra de uma dessas etapas indicar que o locutor quer mudar de assunto, ela será relevante.
Com base nos estudos de Dascal e Katriel (1979) sobre as digressões - termo utilizado para caracterizar, numa interlocução; um momento desviante ou incoerente na produção oral - Koch (1997) analisa a questão do que é topicamente relevante para se poder caracterizar a ocorrência ou não de "momentos digressivos". Segundo ela, a digressão contribui para o esta- belecimento da coerência do texto oral, tornando claro algum ponto do tópico em questão, não prejudicando a conversação. Assim sendo, a interação passa a ser vista como uma construção de parceiros que estabelece não somente a coerência do texto oral, mas também de toda situa- ção interativa. O desenvolvimento do tópico, como ressalta Pereira (1998), é um interesse dos que participam da interação e toda informação por mais digressiva que pareça, pode contribuir significativamente para o texto oral.
Koch (op. cit) admite que o tópico - aquilo sobre o que se fala - como critério textual é construído à medida que o processo enunciativo começa a se constituir, ou seja é uma tarefa
conjunta dos interlocutores que levam em consideração a atividade cognitiva (memória, pro- cessos inferenciais, percepção; etc.) e o conhecimento pragmático de cada um deles.
Samara (1988), apud Pereira (1999), acha que a relevância é uma noção de valor binário em que um enunciado é mais relevante para o ouvinte quando permite que ele chegue à inten- ção do seu interlocutor de maneira segura; o enunciado é menos relevante quando há ambi- güidade ou perplexidade.
A relevância é, portanto, uma característica interacional em que a semântica e a pragmá- tica têm papel fundamental. O contexto e a interação comunicativa atuam como motivação racional para o ato de fala. Logo, a importância dada a um tópico é fundamental, mas não é tudo para se ter a relevância no discurso. Dito de outra forma, a relevância não é a única ex- plicação para reagirmos a algo, porque mesmo que reagíssemos apenas ao que julgamos im- portante, ainda assim não teríamos explicações para como esses dados são selecionados. Jul- gamos que, em uma conversa, tanto a relevância como o conhecimento mútuo são ferramentas importantes para fazer com que os interlocutores sustentem uma conversação. Dascal (1979) considera o sistema lingüístico e suas expressões, fatores contextuais e cognitivos, conheci- mentos partilhados, imagem recíproca dos interlocutores e todos os demais fatores que atuam na construção da significação como o conjunto de condições para o estabelecimento da rele- vância.