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O receituário internacional para a educação nacional vincula-se cada vez mais ao setor privado através das parcerias, expressas no procla- mado movimento Todos Pela Educação, cuja iniciativa dos empresários brasileiros ganha apoio do Estado, apresentando-se como a alternativa educacional necessária e eiciente para alcançar a qualidade na educação. A nosso ver, essa proposta empresarial de educação reairma a sua con- dição de mercadoria, subjugando de forma cada vez mais intensa a edu- cação da classe trabalhadora aos ditames do grande capital.

O problema da mercantilização do ensino em suas premissas, implicações e expressões fundamentais atrela-se às necessi- dades reprodutivas do capital, particularmente, no quadro da crise estrutural do sistema, conforme Mészáros (1995), assume proporções inéditas na história, em termos de profundidade e abrangência, evidenciada, acima de tudo, pela queda da taxa de lucros. Para fazer frente a esta situação de crise, vigente há apro- ximadamente quatro décadas, o sistema vem impondo um for- midável processo de reestruturação, com vistas à recuperação da lucratividade e, no limite, para continuar reproduzindo-se, per- mitindo a acumulação privada, que é seu fim último (JIMENEZ, 2010, p. 15-16).

A presença empresarial no cenário educacional brasileiro não seria possível sem o apoio do Estado. O governo incorporou as de- mandas do capital por meio do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), atrelando as medidas adotadas pelo Ministério da Educação (MEC) à agenda empresarial do movimento “Compromisso Todos pela Educação”, movimento lançado em 6 de setembro de 2006, no Museu do Ipiranga, em São Paulo, e lançado justamente com o Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE), em abril de 2007. Assim, o Compromisso Todos Pela Educação velado pelo empresariado brasi- leiro passa a ser o carro-chefe do PDE. O referido movimento estabe- leceu o prazo de 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil,

para o cumprimento das metas de Jomtien e Dakar. Apresentando-se como uma iniciativa da sociedade civil e conclamando a participação de todos os setores sociais, esse movimento se constituiu, de fato, como um aglomerado de grupos empresariais com representantes e patrocínio de entidades como Grupo Pão de Açúcar, Fundação Itaú Social, Fundação Bradesco, Instituto Gerdau, Grupo Gerdau, Fundação Roberto Marinho, Fundação Educar D’Paschoal, Instituto Itaú Cultural, Faça Parte – Instituto Brasil Voluntário, Instituto Ayrton Senna, Companhia Suzano, Banco ABN-Real, Banco Santander, Instituto Ethos, entre outros.

Jimenez (2010) vigorosamente analisa que o Estado deposita a educação pública brasileira no colo dos empresários utilizando-se das parcerias público-privadas.

É interessante observar que no Plano Todos pela Educação, encontram seu corolário, os axiomas que vêm caramente cul- tivados no contexto do capital em crise, os quais desembocam na afirmação da superioridade da rede privada sobre a pública, o que justificaria, com folga, tanto a adoção, na esfera pública, do modelo de gestão empresarial privado; como, as chamadas alianças e parcerias com o setor privado, o que, no fundo, re- presenta nada mais que uma política de sujeição aos ditames do grande capital internacional e nacional (JIMENEZ, 2010, p. 25).

Não podemos negar a conformidade entre o PDE, em nível na- cional, e o Plano de Metas Todos Pela Educação, em nível interna- cional. As metas estabelecidas pelo Projeto Educação para Todos, irmados na Conferência de Jomtien, em 1990, sob a liderança do Banco Mundial, representa o mais completo receituário para o ajuste do pensamento e da política educacional aos interesses do capital, em seu contexto de crise.

É justo admitirmos que a aliança selada entre escola e empresa assume gravidade sem precedentes, se levarmos em conta que, para além de qualquer retórica afinada com o chavão da em- presa cidadã, ou de responsabilidade social; para além, igual-

mente, do conteúdo das metas formuladas em qualquer das instâncias envolvidas, os propósitos empresariais são forçosa- mente estabelecidos em nome das exigências da lucratividade, as quais busca submeter à política educacional (JIMENEZ, 2010, p. 25).

O Movimento Todos Pela Educação constitui uma grande aliança entre governo e empresariado em prol da expansão do mer- cado, enfraquecendo, em grandes limites, as possibilidades de uma luta revolucionária. Mészáros (2006, p. 35), propugna que é preciso perseguir de modo planejado e consistente uma “estratégia de rompi- mento do controle exercido pelo capital, com todos os meios disponí- veis, assim como com todos os meios ainda a serem inventados com o mesmo espírito”. A defesa da escola unitária do trabalho requer a supe- ração da alienação do trabalho e, consequentemente, da ordem capita- lista, a universalização da educação omnilateral e a recuperação do sentido ontológico do trabalho na formação do ser social.

Dentro da perspectiva marxiana, consideramos que cabe à edu- cação cumprir a grande tarefa histórica de nosso tempo, ou seja, con- tribuir para o rompimento da lógica de exploração do capital, alterando todo o sistema de internalização. Conforme Mészáros (2005, p. 47), “Romper com a lógica do capital na área da educação equivale, portanto, a substituir as formas onipresentes e profunda- mente enraizadas de internalização mistiicadora por uma alternativa concreta abrangente”.

Podemos elucidar, em linhas gerais, que o receituário interna- cional de educação, maciçamente imposto à educação nacional, vincu- la-se cada vez mais ao setor privado através das parcerias, expressas no proclamado movimento Todos Pela Educação, cuja iniciativa dos em- presários brasileiros ganha apoio do Estado, apresentando-se, nesses termos como alternativa educacional mais eiciente no alcance da qua- lidade na educação. Por im, concluímos que a proposta empresarial de educação em parceria com o Estado aprofunda a condição de mercanti- lização da educação, subjugando de forma cada vez mais intensa a classe trabalhadora aos ditames do grande capital.

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