Desde os primórdios da criação, a linguagem estava presente nos povos como uma forma de comunicação e de interação entre eles e o ambiente social. No princípio, o processo se deu através da oralidade que permitia a transmissão do conhecimento pelas palavras. Somente com a invenção da escrita, tempo depois, essas linguagens foram codificadas e transformadas em informação, transpondo assim as barreiras do tempo e do espaço, permanecendo posteriormente até os dias atuais.
Dessa necessidade advinda da evolução humana, do simples ato de se comunicar, agregada a valores intrinsecamente humanos, se produziram novas ações culminando com novos conhecimentos. A linguagem passou então de uma necessidade vital de aproximação e diversão para uma necessidade social embasada na produção e percepção de novos sentidos e consciência.
Através da evolução de códigos e sinais criados pela linguagem humana, a comunicação, segundo Le Coadic (1996, p.13) é, portanto, o processo intermediário que permite a troca de informações entre as pessoas e se estabeleceu de modo compartilhado entre os seus pares, diversificando e construindo, de certa forma, novos conhecimentos coletivos que ao serem transformados e assimilados, viraram informação e consequente conhecimento.
Nos dias atuais a informação tem um papel ativo preponderante nas relações sociais, para a criação de conceitos e de novos paradigmas, criando vínculos, estabelecendo comunidades, fazendo uma ponte de ligação que permite ao homem
interagir, opinar, decidir e, sobretudo, conhecer as verdades para a tomada de decisão com juízo de valor pleno e consciente.
Mas o que vem a ser a informação, como definir essa palavra que é objeto de interesse e discussão em vários campos do saber e que possibilita tantos significados? Para entendermos o seu conceito temos que analisar seu sentido em prismas diferentes, pois, ora a informação advém de tudo o que pode ser visto e analisado ou, simplesmente, depende de nossa realidade social e do conhecimento prévio para entendimento dessa relação.
Como verbete de dicionário, Ferreira (2004) associa informação a “tudo aquilo que, por ter uma característica distinta, pode ser ou é apreendido, assimilado ou armazenado pela percepção e a mente humana”. Já Barreto (1999, p. 1) relaciona como “conjuntos significantes com a competência e a intenção de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo, ou a sociedade”, ou seja, esses autores já dimensionam o termo em si, associando-o ao aprendizado que favorece para o indivíduo a criação de diferentes conhecimentos em diferentes contextos. Entretanto, precisamos avaliar em qual realidade se encontra o indivíduo ao processar essa informação.
Le Coadic (1996, p. 5) refere ainda como “um conhecimento inscrito (gravado) sob a forma escrita (impressa ou numérica), oral ou audiovisual”, cujo objetivo continua sendo “a apreensão de sentidos”. McGarry (1999, p. 3), por sua vez, designa o termo informação como “o conteúdo daquilo que permutamos com o mundo exterior ao ajustar-nos a ele, e que faz com que nosso ajustamento seja nele percebido”.
Ao tomar consciência de que tudo que existe ao nosso redor trará, na medida do possível, estímulos de percepção que certamente trarão mudanças em nosso interior, percebe-se que também afetarão o meio social. Então, para permitir que a informação seja de fato parte da realidade social nos meios que detêm o conhecimento, compreende-se a atualidade da informação nos moldes tecnológicos, ao aceitar a rapidez, o imediatismo e o fluxo constante de informação nos canais comunicacionais.
Albagli e Maciel (2004, p. 10) esclarecem que a informação é o caminho para o conhecimento, “mas não necessariamente gera conhecimento; não é, por si só, capaz de alterar estruturas cognitivas”. Assim, percebe-se que a aquisição de busca da informação fica condicionada ao espaço temporal de uma limitação pre-
estabelecida, conforme afirma Mcgarry (1999, p. 7), de que “o tempo para decisão é curto; portanto, ignoramos certas informações, apreendemos o resto e agimos.”
Dessa maneira, o entendimento é de que o conhecimento gerado perpassa por inúmeras modificações no decorrer do processo comunicacional, agregando valores, subjetividades, fragmentações, perdendo, de certa forma, todo o sentido original iniciado na busca pela informação, como afirma Davenport e Prusak (1998), ao mencionar que a informação será contextualizada com significado e interpretada.
O conhecimento, neste caso, reflete numa relação de dependência com a informação, mas terá abordagens variadas em função das áreas em estudo (ARAGÃO, 2006).
É nessa perspectiva que Xavier e Costa (2010, p. 80) sugerem que um é parte do outro, ao mencionar que “a informação e o conhecimento são simultaneamente causa e efeito de si mesmos, numa interação dinâmica em que a sucessão pode ser plenamente invertida, mas não gera nenhuma contradição”. Nessa mesma linha de pensamento, enfatiza ainda que “disponibilizar informação é promover a geração de conhecimento, que por sua vez produzirá mais informação e assim sucessivamente”.
Para Jarrar (2002, p. 322), “conhecimento é informação combinada com experiência, contexto, interpretação e reflexão. É uma forma de informação de alto valor que está pronta para aplicar a ações e decisões”.
A informação e o conhecimento sob o ponto de vista desses autores estão intrinsecamente relacionados, permitindo que as ações desencadeadas por essa sincronia de entendimento possibilitem resultados aceitáveis e esperados na busca pela informação. No entanto, se faz necessário que essa informação não seja transmitida de forma fragmentada, pois o conhecimento não se baseia somente em fatos, implica sim, em ter condição indispensável de crítica para com as verdades apresentadas em sua totalidade.
Por outro lado, essa dimensão conceitual estabelecida pelo conhecimento remete ao modelo estabelecido pela gestão organizacional assim configurada por
Nonaka e Takeuchi (1997):
O tácito, conhecimento subjetivo; habilidades inerentes a uma pessoa; sistema de ideias, percepção e experiência; difícil de ser formalizado, transferido ou explicado a outra pessoa; e o explícito, conhecimento relativamente fácil de codificar, transferir e reutilizar; [...], facilmente
organizados em bases de dados e em publicações em geral, tanto em papel quanto em formato eletrônico.
Nesse caso, o conhecimento será específico por depender das percepções e habilidades dos indivíduos na busca pela informação, baseada no simples fato do senso comum (busca – uso), e, posteriormente, agregando um fator de diferenciação, de acordo com a visão econômica e sociocultural desses indivíduos, mediante as áreas de seus interesses, da utilidade dessa informação e de sua relevância social.
O conhecimento será então resultado da aprendizagem individual de cada indivíduo, seja de forma casual, ou intrinsecamente relacionada a um compartilhamento sociável dessa informação.
Terra (2005, p.162) ressalta que “o conhecimento é maravilhoso e perverso. É maravilhoso para aqueles (indivíduos, organizações, países) que têm acesso ao mesmo. É perverso para aqueles excluídos. A construção do conhecimento é um processo árduo, cumulativo e de difícil transferência”.
É nesse contexto das verdades apreendidas, que Barreto (1999, p. 1) dimensiona o sentido da palavra conhecimento, como “uma a alteração provocada no estado cognitivo do indivíduo, sendo organizado em estruturas mentais por meio das quais o sujeito assimila o meio (informação)”, e a compreensão da geração desse conhecimento se estabelece a partir da
reconstrução das estruturas mentais do indivíduo por meio de sua competência cognitiva, ou seja, uma modificação em seu estoque mental de saber acumulado, resultante de uma interação com uma informação. Esta modificação pode alterar o estado de conhecimento do indivíduo, ou porque aumenta seu estoque de saber acumulado, ou porque sedimenta saber já estocado, ou porque reformula saber anteriormente estocado.
Assim, ao abordar as implicações que envolvem o sentido das palavras informação e conhecimento, temos que contextualizar e vivenciá-las no ambiente acadêmico, com suas implicações e limitações, permitindo que os envolvidos interajam e opinem mediante argumentos fundamentados em suas próprias necessidades de informação.
Se os conceitos de informação e conhecimento descritos anteriormente estão sendo até os dias atuais questionados nos seus significados, as necessidades de
informação dos universitários cegos tão presentes no ambiente acadêmico remetem a uma abertura de novas situações vivenciadas pelas unidades de informação.
Figueiredo (1992, p. 187) dá um novo sentido às cinco leis postuladas por Ranganathan2 (VICENTINI, 1972, p. 113-114), que são:
1. livros são para o uso; 2. a cada leitor seu livro; 3. a cada livro seu leitor;
4. economize o tempo do leitor;
5. uma biblioteca é um organismo em crescimento.
Pode-se perceber que essas leis relevantes na área de Biblioteconomia são tão atuantes nas bibliotecas e têm por certo de se adequar às novas exigências inclusivas, ou seja, para um melhor entendimento nos moldes atuais, o termo “livros” pode ser substituído por “informação / conhecimento” (FIGUEIREDO, 1992, p. 189). Isso permitiria que fossem vivenciadas as práticas inclusivas mediante o comprometimento e adequação das unidades de informação em ter um posicionamento inclusivo, o que favoreceria, de fato, a sua inserção nas políticas de inclusão.
“A verdadeira acessibilidade e inclusão digital se dá na exata medida em que o que antes era específico torna-se genérico e, portanto, estaremos contribuindo para incluir na sociedade todo tipo de usuários, sejam eles pessoas com deficiência ou não” (BRASIL, 2OO8, p. 78).
Ao ambientar suas estruturas físicas para a acessibilidade inclusiva digital, tanto quanto disponibilizar a organização dos seus acervos impressos para sonoros ou digitais, com novos formatos de publicação e (re) distribuindo essa informação no meio acadêmico para os portadores de necessidades especiais, se viabiliza a redução da exclusão social, cultural, curricular e social desses indivíduos, fomentando uma parceria de respeito à diversidade estabelecendo, assim, um relacionamento entre essas unidades e os portadores de necessidades especiais.
O manejo da informação e a busca do conhecimento na sociedade da informação permitem que os indivíduos tenham habilidades para transitar nos
2 Shiyali Ramamrita Ranganathan, matemático e bibliotecário indiano, autor do sistema de classificação facetada (Colon Classification).
ambientes das redes de comunicação, adquirindo conhecimento, disseminando suas ideias, aprendendo e interagindo com seus pares.
3.2 Os desafios da inclusão diante da responsabilidade social de uma