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Desde a sua implantação no contexto brasileiro, o conhecimento cientifico priorizava uma produção de temáticas universais (AQUINO, 2008; CUNHA JÚNIOR, 2008). Porém, a produção científica na atual conjuntura tem abordado temáticas e questões sociais relacionadas aos grupos específicos, em especial, étnico-raciais. Essa reconfiguração tem evoluído a partir de muitas questões que inclui também a revisão de paradigmas acadêmicos; a entrada de sujeitos sensíveis às causas pouco trabalhadas nas confrarias acadêmicas; as políticas públicas; leis que coagem o preconceito e discriminação e, sobretudo a mudança de atitude da sociedade em relação em relação aos fenômenos que constituem a vida cotidiana.

A CI como ciência transdisciplinar tem como papel social também compreender essa nova reconfiguração social através de seus discursos, métodos, técnicas, teorias e epistemologias que abrangem as propriedades gerais da informação. O que inclui nesta fenomenologia a natureza, gênese e os efeitos da informação (LE COADIC, 1996).

Neste sentido, os fenômenos organização, armazenamento, recuperação, acesso, uso, disseminação, democratização, interpretação, transmissão, transformações, propriedades e forças da informação, e os efeitos da informação se entrelaçam constituindo assim a Memória em suas perspectivas diversas (BORKO, 1968).

A memória na Sociedade da Informação e do Conhecimento por sua vez se apresenta com importante na manutenção da sociedade, pois ela é o lugar que alimenta a história para que ele se desenvolva, e por sua vez venha salvar o passado para servir o presente e o futuro. Assim, a CI trabalha também a Memória de forma que a produção cientifica venha fornecer a coletividade subsídios para promover a liberdade e não para a servidão dos sujeitos (LE GOFF, 1996).

A relação entre a CI e Psicologia transcende as questões que fundamentam o campo epistemológico e memorialístico da CI. A transdisciplinaridade marca esse

encontro, tendo a informação (e seus processos) como objeto que marca esse ponto de intersecção e a memória, associada em especial aos processos acesso, uso, disseminação, democratização e os efeitos da informação que se entrelaçam e constituindo assim a Memória em sua perspectivas diversas no campo da CI, fortalecendo assim essa relação. Dá-se por que a CI tem o conhecimento, métodos, procedimentos e conceitos que a configura como ciência que dá conta destas questões seja elas situados em qualquer âmbito cientifico. Neste sentido, a CI tem o papel fundamental e se propôs buscar esse nova perspectiva da Psicologia quanto a sua memória, mediante sua produção acadêmica. Sendo possível rever os laços fundamentais entre memória e identidade. Pois, como afirma Candau (2012) a memória é um dos fenômenos que alimenta a identidade.

Na atual conjuntura, os PPGP e seus (suas) teóricos /pesquisadores têm produzido temas diversos o que inclui nesse corpus científico as temáticas entico- raciais, com o foco na população negra. Essa produção tem contribuído para ressignificação da identidade da ciência psicológica, uma vez que as perspectivas têm colocado o sujeitos negro como protagonistas.

No que se refere às temáticas étnico-raciais que somam um conjunto de IER que por sua vez diz acerca da memória do sujeito negro na ciência psicológica. A perspectiva Alceste forneceu duas temáticas-eixo: o negro no contexto educacional, que por sua vez está amarrada às temáticas-âncoras que foca a estética e a as políticas de cotas raciais. A segunda temática-eixo na perspectiva se esboço no contexto da cultura, que por sua vez está vinculada as temáticas identidade e memória.

Com auxílio de um olhar fenomenológico que se deu por meio da leitura do título, texto e palavras-chave de cada resumo das dissertações e teses, foram identificadas as temáticas: cultura, Identidade, hip hop, funk, capoeira, literatura negra, literatura periférica, identidade negra, escritos negros, Preconceito, preconceito/racial, racismo, preconceito sútil, mudança de atitude, escola pública, luta, jovens negros, orgulho, violência, Movimento Negro, discriminação do negro

no mercado de trabalho, preconceito contra negros nordestinos, violência sexual, favelas, vidas descartáveis, discriminação racial, estereótipos, mudança de atitude, escola pública, orgulho, fotografia, políticas do corpo, influência da cor da pele, religião ,os pretos-velhos, religiões afro-brasileiras, memória social, capoeira, capoeira Angola, Políticas, cotas raciais, educação superior, universidades públicas, Estética, o sistema de cotas para negros e alunos de escola pública, saúde, HIV, sexualidade, educação superior, Universidades Públicas, estudantes universitários, Mulheres negras, ancestralidade, pertencimento, enraizamento, jovens negras, subjetividades femininas, feminista, juventude, jovens e pobres, estigma, Memória (estudos teóricos). Quilombos, raça, África, população negra, resiliência e representação social.

Destacamos que o objetivo geral desta pesquisa foi investigar a produção da IER sobre pessoas negras no contexto da Pós-Graduação brasileira em Psicologia (PPGP) no recorte 2010 a 2015. Assim, o objetivo foi atingido e apresentado no capítulo que trata da IER em dissertações e teses em Psicologia. O primeiro objetivo específico que versava em identificar os programas de pós- graduação em Psicologia no Brasil foi atendido. Além do objetivo: b) Identificar os recursos tecnológicos utilizados para armazenar e disseminar as dissertações e teses dos programas brasileiros de Pós-Graduação em Psicologia. Como também do objetivo: c) Mapear as temáticas étnico-raciais sobre pessoas negras nas dissertações e teses dos programas brasileiros de Pós-Graduação em Psicologia no período entre 2010-2015;

Embora os trabalhos contemplem todas as temáticas supracitadas, o negro é representado nos discursos da pós-graduação na psicologia no Brasil pela temática-eixo: ‘O negro no contexto educacional, estética e a políticas de cotas raciais’ estão localizados no que se refere à democratização, recuperação, acesso, uso, interpretação, propriedades e forças da informação. (BORKO, 1968). Uma vez que os conteúdos educacionais e as políticas públicas são figurados como IER que direcionam e situa o negro no contexto da SI como cidadão. Quanto à temática-

eixo: ‘O Negro, cultura, identidade e memória’ por sua vez está situando na Memória, que se figura uma variável de reconfiguração do sujeito negro na Sociedade da Informação e do Conhecimento. Temáticas que por vez são as essências encontradas na produção da IER com o foco no negro, na pós-graduação em Psicologia.

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