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Spesialundervisningens historiske utvikling og endringen i

Dejours (1992) constatou, nos seus estudos de investigação, tal como já foi referido, que apesar das pressões laborais que enfrentam, há trabalhadores que conseguem evitar a doença e a loucura no trabalho. O autor demonstra que os trabalhadores resistem ao sofrimento psíquico, através da elaboração de verdadeiras estratégias defensivas. Essas estratégias estruturam-se em função da vivência dos trabalhadores face a um determinado processo de trabalho.

Desta forma, o indivíduo, sob o controlo da instituição de trabalho, acaba por encontrar uma solução, uma manobra e/ou truques para lidar com as actividades que são repetitivas e monótonas e geradoras de sofrimento psíquico. Estas estratégias defensivas tornam-se importantes face à existência de um conflito difícil de resolver. Este processo acaba por funcionar como uma alternativa à protecção da saúde mental do trabalhador (Dejours, 1992).

As estratégias defensivas manifestam-se na linguagem e no comportamento do dos trabalhadores, “(…) é na palavra, e através dos sistemas defensivos, que é preciso ler o sofrimento (…)” (Dejours, 1992, p. 138). Estas estratégias colectivas de defesa recobrem aquilo que Taylor chamava de “vadiagem operária” e “hábito de fazer cera”.

Segundo Dejours e Abdoucheli (1994), as defesas colectivas geram modificação e transformação da percepção que os trabalhadores têm da realidade que os faz sofrer, ou seja, tudo se estrutura como se, por falta de poder para vencer a rigidez das pressões organizacionais, os trabalhadores conseguissem reduzir a percepção que eles têm dessas pressões que são fontes de sofrimento. O facto de o sofrimento psíquico ser individual e ser minimizado por estratégias defensivas colectivas, o mesmo está relacionado com a união de esforços individuais para construir estratégias comuns. Estas estratégias pressupõem um acordo partilhado e funcionam como regras.

Este sistema defensivo pode, assim, ser caracterizado, em primeiro lugar, por uma pseudo–inconsciência do perigo; em segundo, para que seja eficaz, o sistema defensivo deve necessariamente ser colectivo, isto é, compartilhado por todos; e, em terceiro lugar, embora algumas analogias possam ser feitas, as estratégias defensivas adoptadas pelos grupos profissionais são específicas, de acordo com os riscos

específicos. Tendo por base estes pressupostos, apenas os trabalhadores que desenvolvem trabalhos de forma organizada e colectiva é que podem beneficiar destes mecanismos das estratégias defensivas colectivas, nos restantes casos recorrem às estratégias defensivas individuais (Dejours & Abdoucheli, 1994).

A grande diferença entre uma estratégia colectiva e estratégia individual de defesa, é que na estratégia individual o mecanismo de defesa persiste, mesmo na ausência de corpo físico de outros, estando, portanto, interiorizado, enquanto que na estratégia colectiva, o mecanismo de defesa não vigora, a não ser pelo consenso, dependendo, portanto, de condições externas. Desta forma, é importante que o indivíduo, que usufrui de estratégias colectivas de defesa, consiga um ambiente de harmonia com os seus outros recursos defensivos individuais, de forma a acautelar uma coerência com a sua economia psíquica (Dejours & Abdoucheli, 1994).

Dejours (1999) acrescenta que essas defesas são muito eficazes e funcionam como um anestésico para o sofrimento psíquico. O “efeito perverso” delas é que se tornam excessivamente tolerantes a esse sofrimento e, de certa maneira, conduzem à alienação. As defesas fazem dos agentes, cúmplices do sofrimento. Elas tornam possível a tolerância e a injustiça social e permitem a manutenção do sistema que gera sofrimento psíquico.

2.3.6.4 Alienação

trabalho), mas na vertente da Psicodinâmica do Trabalho, isto é, a aplicação que esta disciplina dá ao conceito de alienação.

A alienação no sentido Marxista, exposta nos seus manuscritos de 1844, é entendia como uma tolerância graduada dos trabalhadores à organização de trabalho, a qual entra em contradição com os seus desejos, as suas necessidades e a sua saúde. A alienação no sentido psiquiátrico, é considerada como a troca da vontade própria do sujeito pelo objecto, isto é, a troca da vontade do trabalhador pela vontade do seu

objecto de trabalho. No estudo da Psicodinâmica do Trabalho, esta alienação passa,

exactamente, pelas estratégias defensivas (Dejours, 1992).

Assim, na sequência do que foi referido, relativamente às estratégias colectivas de defesa, levanta-se a seguinte questão:

“(…) ao transformar a percepção da realidade, as estratégias colectivas de defesa não estariam arriscando-se a enganar os trabalhadores, a mascarar o sofrimento e a perturbar a acção ou a luta contra as pressões patogénicas e a perturbar a acção ou a luta contra as pressões patogénicas da organização do trabalho?” (Dejours & Abdoucheli, 1994, p. 130).

Com esta interrogação os autores aludem às estratégias colectivas de defesa como uma forma de alteração do contexto de trabalho e questionam-se se tal interfere com a noção real do trabalho. A esta questão, Dejours e Abdoucheli (1994, p. 130) avançam com uma resposta, afirmando que efectivamente “esse risco existe”.

Tal como foi referido, as estratégias colectivas de defesa são importantes e necessárias para a realização do trabalho, bem como para evitar a loucura, gerada pelas pressões do trabalho. Assim sendo, elas concorrem para que se dê e encontre um grau de harmonia entre a relação subjectiva do indivíduo e a organização de trabalho. Assim,

e dada a complexidade do processo de construção das estratégias colectivas de defesa, em termos psicológicos, face ao questionamento sobre as mesmas, os trabalhadores demonstram alguma renitência e hesitação (Dejours & Abdoucheli, 1994).

Neste contexto, o risco de existência de alienação é elevado. Existem situações em que as referidas estratégias de defesa dos trabalhadores são entendidas como o principal objectivo do contexto de trabalho, isto é, todos os esforços convergem para as fortalecer, minorando, em contrapartida, os esforços para a obtenção de um trabalho baseado na produtividade, no reconhecimento e na valorização. Neste caso, o trabalhador acaba por conturbar os seus desejos com a organização de trabalho. Então, o trabalhador, faz uso de todos os seus esforços para tolerar este enxerto, que é contra a sua própria natureza, em vez de fazer prevalecer a sua própria vontade. Este processo pode atingir tais dimensões que, ao fim de um determinado período de trabalho, o trabalhador pode sentir-se ocupado por um desconhecido (Dejours, 1992).

Assim, o trabalhador deixa de considerar as estratégias de defesa como um recurso de defesa contra o sofrimento psíquico, passando, assim, a absorvê-las como a garantia da sua felicidade e a “(…) defesa da defesa é erigida em ideologia” (Dejours & Abdoucheli, 1994, p. 130). Passa-se, então, nesta fase, a falar em ideologia defensiva, em vez de estratégias colectivas de defesa, pois as defesas transforma-se em programa de acção colectiva. Face a esta constatação, quando se processa uma passagem das estratégias colectivas de defesa à ideologia defensiva, assiste-se a uma mudança da ordem da realidade (que se opõem à percepção), para a ordem do imaginário, do simbólico, entrando-se, assim, no domínio da alienação.

Considerando ainda que cada colectivo de trabalho constrói as suas próprias estratégias colectivas de defesa, pode-se gerar uma situação em que os restantes colectivos, do local de trabalho, não consigam entender a situação do outro grupo, o que pode levar a situações graves, ao nível psicológico, social e técnico. Tal situação pode, ainda, conduzir a riscos para a organização de trabalho e a respectiva segurança das instalações (Dejours & Abdoucheli, 1994).

Percebe-se que as estratégias colectivas de defesa, ao desencadearem a construção de ideologias defensivas, criam um movimento homólogo, em dois níveis distintos: o primeiro nível, já tendo sido alvo de uma alusão, diz respeito à substituição da ordem da imagem, pela ordem do pensamento; o segundo nível, está relacionado com a passagem da ordem colectiva para a ordem da psicologia das multidões, ou seja, à ordem do grupo homogeneizado. Enquanto que na ordem colectiva existem regras que possibilitam a coordenação dos diferentes tipos de personalidades, atendendo às respectivas singularidades de cada uma, na ordem do grupo homogeneizado não se consideram essas diferenças, particularidades e originalidades de cada indivíduo. Nesta ordem da psicologia das multidões, os indivíduos organizam-se por palavras de ordem, alcançando a homogeneidade e o conformismo. Neste panorama, a acção dá lugar à violência de grupo. Este panorama introduz modificações na organização de trabalho, a tal ponto que desencadeia alienação (Dejours & Abdoucheli, 1994).