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2. Proteomics, laboratory methodology, medical research and molecular biology

2.10 Mass spectrometry

A maioria dos afloramentos estudados caracteriza-se por apresentar sistemas compostos, geralmente, por duas ou três famílias de fraturas com mergulhos de alto ângulo (figura 4.4).

Planos médios das famílias de fraturas observa das Estações geológicas

Figura 4.4- Orientações das fraturas observadas em campo e respectivo diagrama bimodal.

Os traços representam as orientações das famílias de fratura observadas em campo ou descobertas pelo método qualitativo. A direção do mergulho do plano médio de cada família também está representada. O tamanho dos traços indica a freqüência do fraturamento. Os traços pequenos representam frequências de fraturamento de grau 1 a 3, os intermediários grau 4 a 6 e os maiores grau 7 a 10.

O diagrama para os dados de campo evidencia ocorrência de fraturamento em altos ângulos em todas as direções, no entanto observa-se um adensamento de dados segundo a direção NE-SW. Tal fato pode estar relacionado às várias inflexões observadas na família NE-SW em escala macroscópica. A guirlanda do diagrama estrutural da figura 4.4 mostra que a deformação frágil ocorreu em eventos deformacionais distintos.

No campo, os sistemas são compostos por três famílias de fraturas, com raras exceções. Cada família observada nos afloramentos é formada por uma faixa fraturada de espessura não determinada. Esta faixa, por sua vez, subdivide-se em zonas mais fraturadas separadas entre si por zonas menos fraturadas. Estas faixas caracterizam-se por apresentarem comumente falhas com arranjos de revezamento ou paralelo, quando o afloramento situa-se próximo aos lineamentos fotointerpretados.

Quando os afloramentos situam-se exatamente sobre o lineamento fotointerpretado, o arranjo das famílias passa a ser do tipo paralelo. A família de fraturas cuja orientação coincide com a do lineamento, geralmente é a mais fraturada e tem arranjo paralelo ou anastomosado definindo uma zona de cisalhamento frágil. Essas famílias caracterizam-se por formarem uma faixa composta por zonas muito fraturadas separadas entre si por blocos de espessura centimétrica a métrica ou por zonas bem menos fraturadas. A espessura dessas zonas de cisalhamento frágil, ou com alto grau de fraturamento e

o espaçamento entre elas, nem sempre puderam ser medidos. De forma geral, a espesura das zonas de fratura variou entre dois e três metros em toda a área estudada. O espaçamento entre elas gira em torno de um e três metros.

No que diz respeito ao parâmetro abertura, os planos apresentaram-se predominantemente fechados e/ou selados por filmes cataclásticos, materiais arenosos de composição pegmatítica ou materiais argilosos, geralmente de composição caulinítica.

Em toda a área, as juntas e falhas sistemáticas observadas em perfil caracterizam-se por apresentar uma superfície lisa e plana, no máximo suavemente ondulada, seja segundo a direção, seja segundo o mergulho. Nas zonas de cisalhamento observadas em rochas frescas, as superfícies das falhas são plano-ondulares sobre as quais, às vezes, ocorrem lineações de clorita, ou os planos de apresentam-se preenchidos por material pegmatítico.

No interior das voçorocas é comum a ocorrência de planos de falha espelhados, sobre os quais ocorrem estrias e filmes de manganês. Já os das zonas de cisalhamento frágil comumente estão preenchidos por material argiloso de composição caulinítica sobre os quais também ocorrem estrias.

Segundo Alaoua (1991) e Hancock (1994), os planos espelhados e estriados que ocorrem nos mantos saprolíticos são estruturas diagnósticas de falhamento neotectônico. O primeiro autor, embasado numa vasta bibliografia, afirma que tais planos nunca poderiam ter sido preservados do intemperismo e acrescenta que o freqüente revestimento dos mesmos por uma película de manganês constitui um outro elemento a favor da idade recente desses planos. Hancock (1994) ressalta que nessas estrias é extremamente difícil a obtenção de indicadores cinemáticos, dificuldade esta encontrada durante a campanha de campo.

Os vários pontos situados em voçorocas nos quais foram observadas estrias são P-9 (635983, 7746528), P-10 (642603, 7750165), P-11 (642075, 7750658), P-14 (638580, 7746301), P-15 (639198, 7745307), P-16 (640369, 7748239), P-17 (640987, 7748137), P-18a (638905, 7748705), P-19b (639366, 7746543), P-24a(637508, 7748117), P-27 (634967, 7746354), P-28 (635560, 7746403), P-40 (634409, 7745166), P-143 (640728, 7748370) e P-147 (634160, 7752026).

Esses pontos somam 345 medidas de planos de falhas, nos quais foram encontradas e realizadas 64 medidas de estrias. Dentre elas, somente em 14 foi observado o sentido do deslocamento do plano. Alguns planos encontrados nos pontos 9, 11 e 143 contêm duas direções de estrias, indicando que os mesmos foram reativados.

Com os dados obtidos no campo, foi gerado o mapa de grau de freqüência do fraturamento (GFF), figura 4.5. O mapa de GFF mostra que a área é bastante fraturada, apresentando freqüência de

fraturamento de média-alta a alta, ou seja, na maioria dos pontos estudados, ocorrem cerca de 2 a 5 fraturas por metro linear ou 6 a 10 fraturas por metro linear. Para a geração do mapa de freqüência de fraturas foram desconsideradas as freqüências obtidas nos pontos onde ocorrem argilas, xistos e diques de rochas máficas e ultramáficas.

Figura 4.5- Mapa Grau de Freqüência do Fraturamento (GFF) sobposto ao de fraturas..

Observou-se que em alguns pontos o adensamento do número de fraturas também se explica pela ocorrência de falhas subsidiárias (figura 4.6). Verificou-se também que os depósitos quaternários apresentam-se mais fraturados que as demais litologias. No entanto, deve ser levado em consideração que os depósitos observados estão situados próximos aos lineamentos e traços de fraturas.

Figura 4.6- Falhas splays observadas no ponto de coordenadas 642727, 7751824.

A comparação do mapa obtido a partir das estruturas mesoscópicas com o obtido a partir de estruturas macroscópicas, evidencia que, em alguns pontos, eles são contraditórios. Em locais onde há muitos traços de fratura e lineamentos, o grau de densidade às vezes é baixo. Isto, provavelmente, está relacionado à ausência de afloramentos em algumas porções da área estudada, à possibilidade de alguns dos pontos analisados no campo estarem situados nas zonas menos fraturadas das faixas de fraturas que representam os lineamentos e, ainda, ao efeito da interpolação dos dados.

Cruzando-se os dados do mapa GFF com a litologia (figura 4.7), observa-se que no domínio do gnaisse Funil, o GFF varia de 3 a 8, ou seja, a freqüência do fraturamento varia de média-baixa a muito alta com a ocorrência de zonas de cisalhamento frágil a cada 3 metros. No gnaisse Amarantina, o GFF varia de 3 a 6, ou de média-baixa a alta. No gnaisse Praia, varia de 5 a 7, ou seja de média-alta a muito alta. No granito Vale do Tropeiro não foi analisado nenhum ponto, mas pela interpolação, o GFF é 6, freqüência alta. No granito Casa Branca, o GFF varia de 7 a 9, freqüência muito alta com ocorrência de zonas de cisalhamento rúptil a cada 2 metros. No granito-gnaisse Siqueira, o GFF varia de 5 a 6, freqüência média-alta a alta. No granito-gnaisse Alto do Monumento, o GFF é 5, obtido por interpolação. No metagranodiorito Areião, o GFF varia de 3 a 5, freqüência média-baixa a média-alta.

Em suma, as maiores freqüências de fratura ocorrem no domínio do gnaisse Funil e granito Casa Branca, enquanto que as menores correspondem ao gnaisse Amarantina e ao metagranodiorito Areião.

Figura 4.7- Mapa geológico da porção sudeste do CMB sobreposto ao de freqüência do fraturamento (GFF).