1.4 Objectives
1.4.2 Specific objectives
Como já descrito anteriormente, observamos cinco aulas da P1, ocorridas em dois dias letivos, sendo três aulas na quarta-feira e duas na sexta-feira. Serviu-nos de análise, a partir de decisão da própria professora, o material da aula ministrada na quarta-feira, no horário das 7h30 às 9h45.
A turma do 8º ano do Ensino Fundamental II (regular) é composta por 27 alunos, entre 10 e 14 anos de idade. Observamos que, em sua maioria, são (pré)adolescentes muito inquietos, mas a professora conseguiu desenvolver a atividade planejada para a ocasião.
Ela iniciou falando sobre o filme que iria exibir, já comentado na aula anterior; o filme se chama Escritores da Liberdade9. Antes do início, P1 pediu para que, a partir do
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Escritores da Liberdade – Filme norte-americano lançado em 2007. Dirigido por Richard LaGravenese e produzido por Danny DeVito, Michael Shamberg e Stacey Sher, o filme é estrelado por Hilary Swank e é inspirados nos eventos reais relatados pelo livro The Freedom Writers Diaries, baseado nos relatos da professora Erin Gruwell e seus diversos alunos. O filme expõe de forma alarmante temas dentro da estrutura educacional e social, em que as ―políticas‖ de democratização ao acesso a educação ocorre de maneira a suscitar desigualdades e injustiças. A situação fica clara quando o sistema separa os discentes inteligentes dos considerados como problemáticos, sem analisar o verdadeiro potencial do aluno.
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título, os alunos se posicionassem sobre o filme, questionando sobre qual seria a temática nele explorada. Após alguns comentários, solicitou que os alunos prestassem atenção e fizessem anotações, pois seria aplicado um trabalho posterior.
Depois que assistiram ao filme, ela fez circular pela classe a proposta de atividade (PA P1)10 que, depois de respondida, deveria ser devolvida para que efetuasse a correção.
Analisando o desenvolvimento da aula, e conforme destacado nas entrevistas, observamos que a escola dispõe de várias ferramentas, que podem instrumentalizar um trabalho produtivo em se tratando de recursos tecnológicos. Assim, por exemplo, é fato que a P1 utiliza e tem habilidade no trabalho com o vídeo.
Na entrevista, ela deixou claro que gosta de trabalhar com materiais diversificados: jornais, livros, revistas, laboratório de informática (embora sejam insuficientes os computadores disponibilizados aos alunos). Na visão da docente, esses recursos despertam maior interesse nos alunos, pois, ao utilizá-los, foge do modelo tradicional de aula que se limita ao livro didático e ao quadro-negro. Embora tenha esse pensamento, não é sempre que utiliza tais recursos.
Sobre os obstáculos que enfrenta junto aos alunos, P1 apontou como sendo a principal dificuldade o desinteresse revelado por muitos deles, não prestando atenção às aulas e atrapalhando quem realmente quer aprender.
No que se refere à realização profissional, P1 afirma que se sente feliz em ser professora, pois considera uma das profissões mais interessantes, já que através dela formam-se outras profissões.
É importante analisarmos algumas respostas dadas por P1 durante a entrevista, guiados pelo aporte teórico apresentado nos capítulos anteriores. Questionada sobre a interligação entre os eixos de ensino, a professora respondeu que trabalha conjuntamente as aulas de gramática, de leitura e de produção textual. E isso pode ser observado quando ela explora, a partir do filme, questões de caráter mais estrutural (ortografia, pontuação e concordância) e produção textual – a (re)contagem do filme com as palavras do aluno.
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(PA P1) significa Proposta de Atividade da Professora 1, e assim por diante. Essas atividades se encontram anexadas no final deste trabalho.
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Ao verificarmos que a docente não costuma consultar os PCN, PCNEM ou as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, como também, que não acessa a bibliografia da área de linguística de que a escola dispõe, assinalamos a possibilidade de que ela se encontre desatualizada em relação a novos conceitos, novas abordagens, estando, dessa forma, em defasagem com as atualizações veiculadas nesses referenciais. Certamente, isso pode redundar em prejuízo para sua prática em sala de aula.
Apesar de ministrar sua aula com recursos diversificados, afastando-se do tradicional livro didático e do quadro-negro, observamos que P1 baseia sua prática, exclusivamente, na valorização da variedade linguística padrão. Durante as raras vezes em que os alunos se posicionaram sobre o filme, P1 interveio, corrigindo-os, publicamente, quanto ao uso de concordância não-padrão, sem mencionar a questão da adequação, enfatizando, apenas, que o correto seria tal forma e não aquelas usadas pelos discentes. Lembramos que, em situações como essas, evidencia-se excelente oportunidade para envolver os alunos em reflexões sobre adequação e inadequação de usos, ressaltando o grau de monitoramento de determinados contextos e o relaxamento de outros, conforme discutimos no capítulo em que tratamos de aspectos inerentes às aulas nas quais se explora a oralidade como conteúdo de ensino.
Ainda nessa direção, P1 solicitou aos alunos que, ao responderem as questões, observassem a ortografia, a pontuação e a concordância, sem fazer referência à distinção necessária entre fala e escrita. Esse comportamento, é importante frisarmos, reforça sua concepção de ensino de língua, já evidenciado em sua resposta à entrevista, uma vez que, ao falar sobre a gramática, defende que o ensino da gramática normativa é importantíssimo, pois leva o aluno a se apropriar da variedade culta, a chamada variedade padrão. O ensino nesses moldes, segundo P1, serve para que os alunos se saiam bem em entrevistas, em provas, pois a linguagem culta é mais valorizada. Parece- nos que, ao afirmar que ―linguagem culta é o que vale dentro dos padrões de nossa língua‖, ela corrobora a ideia de que aquilo que se diferencia desse padrão não tem valor social.
Ao longo deste trabalho, mencionamos que há muitos professores que tentam conduzir seu trabalho tentando um pouco de liberdade em relação à restrição imposta pela abordagem prescritiva. Porém, mostram-se carentes de subsídios teóricos que guiem sua prática pedagógica. É o que parece ocorrer com P1, quando enfatiza que
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considera, em sala de aula, todas as formas de expressão dos alunos e que é a partir delas que trabalha as questões da variação linguística. Essa afirmação, entretanto, se desconstrói em sua própria fala, pois, ao ser questionada sobre se trabalha em sala de aula a variedade popular, respondeu que sim, mas limitou-se a dizer que estuda sobre a Região Nordeste. Ainda sobre essa questão, P1 relatou que, entre seus alunos, alguns são provenientes de outros estados (Ceará e Rio Grande do Norte), assim, o modo de falar e as expressões que eles usam são diferentes da nossa e que, a partir das diferenças observadas na oralidade em sala de aula, ela explora os dialetos utilizados na Região Nordeste. Se recorrermos ao aporte teórico do nosso trabalho, fica claro que as variações não se encontram restritas a aspectos fonológicos ou lexicais típicos dos estados da Região Nordeste; e várias são as possibilidades de explorar tal conteúdo, estendendo a reflexão a todas as outras regiões do país. Isso apenas para nos mantermos no tema dos regionalismos.