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Neste trabalho, foram lidos e analisados 643 resumos e desses foram destacados 136 que lidam especificamente com o tema da escrita de surdos, ou seja, 21% das pesquisas acadêmicas sobre surdos são dedicadas a esse tema.

Como explicado anteriormente, o resumo forneceu as informações para alimentar o banco de dados. No banco de dados da CAPES, essa é a parte do trabalho acadêmico que aparece na íntegra. Infere-se, com isso, que ao disponibilizar o resumo e a possibilidade de encontrá-lo por meio de palavras-chave, esse resumo possibilitará a pesquisadores e demais interessados conhecer as finalidades, metodologia, resultados e conclusões de determinada pesquisa, de tal forma que essa possa, em alguns casos, dispensar a leitura do original.

Ao estabelecer os indicadores que definiram o protocolo deste trabalho, foi entendido que tais informações deveriam estar presentes nos resumos pela sua relevância para o entendimento de quem, quando, onde e como tem investigado o ensino-aprendizagem da língua escrita para surdos nas produções acadêmicas brasileiras. Todavia, nem sempre as informações foram encontradas. Ao ler os

resumos de dissertações e teses disponibilizados no Banco de Teses da CAPES, em diversos deles não foi possível encontrar todas as informações estabelecidas pela a ABNT e que, a meu ver, são realmente essenciais.

Isso suscitou uma inquietação, pois a ausência de uma informação também é uma maneira de comunicar algo. Podemos considerar que a ausência de informação se caracteriza pelo silêncio. Segundo Orlandi (2008, p. 1). “ao tratar o silêncio de forma a incluí-lo na perspectiva analítica do discurso, não pensamos o silêncio místico, nem o silêncio empírico, mas o silêncio que tem sua materialidade definida pela relação estabelecida entre dizer e não dizer”. É, pois, nesse sentido, que se pretende realizar a análise de alguns resumos: a materialidade do dito e o não-dito.

Se analisarmos o percurso de elaboração de uma pesquisa acadêmica, provavelmente o resumo é uma das últimas etapas a ser realizada, pois é necessário que a pesquisa inteira esteja concluída para que se possa resumi-la. Esse aspecto não pode ser desprezado, pois, embora o autor tenha todo o material para realizar o resumo, esse também costuma estar cansado e com pouco tempo para executar um bom trabalho de resumo. Todavia, o “esquecimento” de algo – de forma consciente ou não – também pode ser considerado uma fonte de informações. Vejamos a análise de um dos trabalhos selecionados (ficha 195). Trata-se de um resumo de dissertação de mestrado, que foi defendida no ano de 2006:

O processo de ensino/aprendizagem do português escrito pelo surdo tem levantado vários questionamentos entre os profissionais e pesquisadores da área educacional, principalmente com o advento da educação inclusiva. Neste trabalho constam reflexões sobre esse novo paradigma e suas implicações no processo de ensino/aprendizagem da língua portuguesa destinado a esse aluno, assim como a sua trajetória educacional até os dias atuais. A pesquisa tem como objetivo maior contribuir para o desenvolvimento da metodologia de ensino do português escrito para o surdo no ensino médio, com olhos para as práticas de escrita em português. O trabalho fundamenta-se nos pressupostos da importância do uso da língua de sinais – enquanto primeira língua do surdo – na sua vida e escolarização, e da eficácia do bilinguismo para o seu pleno desenvolvimento. Ainda enfatiza a natureza do Português como segunda língua para este aluno. No âmbito de uma pesquisa participante, promovemos sessões de trabalho com alunos surdos de uma sala de recursos a fim de experimentar uma metodologia diferenciada de ensino da produção escrita. O trabalho evidencia alguns pontos positivos na metodologia adotada, inspirada na ideia de que o surdo precisa refletir de forma mais sistemática nas diferenças existentes entre o português que escreve – sua interlíngua – e a língua portuguesa escrita. Também evidencia algumas lacunas nas atividades desenvolvidas. A partir dessas constatações apresenta algumas pistas para uma proposta didática de produção escrita em português que permita ao aluno surdo aprender a língua majoritária do seu país de uma forma significativa.

1.Número 195 2.Instituição UFPA 3.Instância Federal 4.Unidade Pará 5.Região Norte 6.Programa Letras/Linguística/Linguagem 7.Ano 2006

8.Grau Mestrado Acadêmico 9.Orientador MYRIAM_CUNHA

10.Tipo de escolarização Ensino Regular;- 11.Educação especial Sala de recursos;-;- 12.Outras modalidades Não aplicável;- 13.Nível de Ensino Ensino Médio;-;-;- 14.Série Não especificado;-;-;-

15.Componente PORTUGUÊS

16.Campo Temático Linguagem;- 17.CT-Outro-Especificar NA 18.Escrita Sim

19.Linguagem/Língua Escrita;-;- 20.Termo Surdo

21.Campo empírico ESCOLA 22.Abrangência geográfica NE

23.Abrangência histórica Contemporânea 24.Orientação metodológica Qualitativa 25.Abordagem de pesquisa De campo 26.Tipo de pesquisa PARTICIPANTE

27.Procedimentos OBSERVAÇÃO INTERVENÇÃO 28.Fontes dos dados DESEMPENHO_ALUNO 29.Base teórica NE

30.Fonte teórica NE

Das informações a serem coletas, não foram fornecidas as que se referem a abrangência geográfica, à base teórica e à fonte teórica.

A abrangência geográfica diz respeito a onde essa pesquisa foi realizada. Essa informação tem fundamental importância em um país de proporções continentais como o Brasil e com disparidades também gigantescas. Informar o município e/ou estado de realização da pesquisa possibilita a inferência de outras informações relacionadas, por exemplo, a implantação das salas de recursos (citadas pelo autor15 no resumo).

O autor também não informou aspectos relacionados ao embasamento do trabalho, ou seja, a base e a fonte teóricas. A ausência dessas informações foi um aspecto recorrente na coleta de informações, o que me trouxe várias inquietações. A primeira se refere a não importância de declarar o referencial teórico. Um trabalho

15 Optou-

se por usar sempre “autor”, no masculino, a fim de preservar a identidade de quem elaborou os resumos utilizados nesse trabalho. Cabe enfatizar que o Banco de Teses da Capes é público, portanto essa informação não é sigilosa. Todavia, o aspecto relacionado ao gênero do autor (masculino/feminino) não é uma categoria que será analisada nesta pesquisa quanto à redação do resumo.

acadêmico se caracteriza principalmente pela pesquisa em si e, pesquisar, por si só, já indica a busca em outras fontes. Nesse sentido, sabe-se que o trabalho acadêmico deve apoiar-se em referências teóricas, pois é essencial para a sua realização, todavia isso não é declarado no resumo.

As escolhas para a fundamentação teórica fundamentam e direcionam os rumos da pesquisa. Ao escolher, no presente trabalho, os estudos de autores de orientação marxista, como Williams (1980) e Orlandi (1987), oferecemos informação substantiva para os que acessarem o trabalho.

Logo, ao não se declarar nos resumos as referências teóricas, parece que essa informação é de pouca relevância, que o estudo ocorre por si, naturalmente, como se a análise apoiada na teoria não fosse direcionada ideologicamente por ela. De certa forma, implicitamente, parece que a ideia de neutralidade e influência positivista permeia também as pesquisas na área de humanas, pois quando valorizamos mais os dados em si do que a forma como eles foram interpretados, tendo por base determinada autoria e referencial teórico, condiciona-lhes certa “imparcialidade”.

A análise dos aspectos “não-ditos” nos resumos foi realizada por meio do material já analisado – as tabelas com os dados – a fim de perceber, principalmente, quais as informações foram excluídas dos resumos.

Os aspectos relacionados a Quem e quando investiga foram sempre “ditos”, considerando a obrigatoriedade no momento de catalogação do resumo. Assim, não houve dificuldades de encontrar informações referentes ao ano de pesquisa, quantidade, Universidade, Programa, Unidade Federativa ou Região, Instância Administrativa, Titulação ou Orientador.

As informações deixaram de aparecer nos aspectos relacionados a O que

investiga. Todas as palavras-chave para a seleção dos resumos envolveram os

termos escola, escolarização ou educação. Causa, no mínimo, estranheza, que não sejam mencionados os tipos de escolarização em 33% das pesquisas. Essa informação possibilitaria um mapeamento mais preciso e melhor reflexão sobre a inclusão das pessoas surdas em escolas regulares ou não, bem como os impactos desse aspecto na aprendizagem da língua escrita para surdos. Sabe-se que há diferenças consideráveis nos dois tipos de escolarização e que existem movimentos sociais pró e contra a inclusão de surdos no ensino regular. A ausência dessa

informação em cerca de um terço das pesquisas limita a compreensão mais aprimorada de situações de sucesso ou não no letramento de pessoas com surdez.

Ainda na Educação Especial, dos 27,2% das pesquisas feitas neste tipo de escolarização, verifica-se que 39% não indicaram o serviço ou ambiente em que essa pesquisa foi realizada. A informação desse dado também agregaria possiblidades de entendimento sobre a funcionalidade (ou não) desses aspectos.

Quanto ao nível de ensino, 32,3% dos resumos não indicaram a série e/ou etapa de ensino em que as pesquisas foram realizadas. Novamente, quase um terço das produções exclui essa informação, a qual, se dita, poderia indicar possíveis inferências, quanto a atrasos (ou não) na escolarização, um melhor entendimento da faixa etária do público envolvido na pesquisa entre outros.

Quanto a análise de Como investiga, foi, talvez, nesse aspecto que as informações deixaram de ser ditas. A orientação metodológica e a abordagem de pesquisa foram muitas vezes percebidas por inferência, não por menção direta dessas informações. Mesmo assim, a abordagem metodológica não foi especificada em 7,4% das pesquisas porque não foi possível compreender por inferência. Esses resumos, na verdade, não eram realmente “resumos”, enquanto gêneros discursivos, pois não cumpriam as normas para que assim o fossem. Na maioria dos casos, eram reflexões sobre o trabalho, mas não uma síntese das informações que possibilitassem ao seu leitor compreender aspectos da pesquisa, principalmente a abordagem.

Os aspectos relacionados à base e à fonte teórica também foram negligenciados pela grande maioria dos pesquisadores nos resumos analisados. Percebeu-se que 76,4% das pesquisas não citou a base teórica enquanto 67% não indicou a fonte teórica. Entende-se que essas informações são fundamentais em uma pesquisa acadêmica, pois o alicerce da ciência é a investigação, a partir de determinada base e de fontes escolhidas para esse fim.

Há a hipótese que realmente esse aspecto não tenha grande importância para essa maioria dos pesquisadores, que focam mais nos dados do que no referencial teórico utilizado para sua análise, razão pela qual se esquecem de mencionar o suas referências teóricas nos resumos. Outra hipótese refere-se às etapas de elaboração das pesquisas, que geralmente partem de uma revisão bibliográfica e construção do objeto, passam pela construção do referencial teórico e terminam na análise de dados. Neste caso, a etapa final fica mais “presente” na

mente dos pesquisadores no momento de elaborar o resumo. Todavia, é necessário reconhecer que, se esses aspectos não são mencionados nos resumos por terem sido esquecidos ou não terem tido a merecida importância por parte do pesquisar, é necessária uma grande reflexão dos propósitos das pesquisas acadêmicas no Brasil. Ao ler os resumos, foi possível também perceber que alguns aspectos são privilegiados em relação a outros. Partirei agora para análise de alguns termos relevantes, os quais são encontrados em artigos, manuais, documentos de referência, a fim de entender como esses aparecem nas pesquisas. Para analisar os aspectos “ditos”, criei um documento com a íntegra dos 136 resumos consultados. Exclui as informações referentes a titulo, palavras-chave, nomes do pesquisador e orientador entre outros, ficando apenas com o conteúdo “resumo”. Com esse documento em mãos, recorri a busca das palavras, usando a ferramenta “Localizar” do programa editor de textos Word/2007.

Assim, organizei as palavras por grupo semântico/lexical, como exposto a seguir:

a) Língua portuguesa, português – Chama a atenção que só surgem esses termos nos resumos de 41 pesquisas (30%). Em geral, as pesquisas que não utilizam recorreram a outras palavras, como “escrita”, “texto”, “segunda língua”. É interessante que os pesquisadores tenham optado pela omissão da escrita de quê se está falando.

b) Oralismo, oralista, oralizado – Dos 136 resumos, apenas dez pesquisas mencionaram em seus resumos essas palavras. Desses trabalhos, seis deles utilizaram o termo sem estabelecer juízo de valor e os outros quatro demonstram essa situação como “negativa”. Chama atenção a quantidade pequena de pesquisas em que esse aspecto tenha sido mencionado, pois, na educação de ouvintes, existe uma lógica de letramento a partir do conhecimento da língua em sua modalidade oral. Neste caso, talvez a escrita de surdos oralizados merecesse atenção maior nas pesquisas.

c) LIBRAS, língua de sinais, língua brasileira de sinais – Do total de trabalhos, 69 mencionaram algum desses termos, ou seja, em mais da metade das pesquisas (50,7%). Esse aspecto é interessante, pois mostra uma tendência em se relacionar a língua de sinais à escrita dos surdos nas pesquisas acadêmicas.

d) Bilíngue, bilinguismo – Em apenas cinco resumos de pesquisas forma mencionados esses termos. Isso é de certa forma paradoxal, pois os defensores de

correntes ligadas à cultura e identidade costumam defender o ensino da língua portuguesa, numa perspectiva bilíngue, conforme consta também na legislação que legitima LIBRAS como língua oficial do Brasil.

e) Cultura, cultural, identidade, comunidade – Esses termos apareceram, juntos ou não, em 46 pesquisas (33%). Chama a atenção que apenas um trabalho mencione a Socioantropologia, Os Estudos Culturais ou os Estudos Surdos como abordagem teórica, entretanto, estes termos costumam se referir diretamente a essas bases teóricas. A presença desses termos pode evidenciar a predominância recente dessa teoria nas pesquisas sobre surdos, incluindo, neste caso, sobre sua escrita, aspecto esse já mencionado anteriormente.

f) [implante] coclear – Na busca por esse termo, foram encontradas somente três pesquisas. Isso chama a atenção, pois atualmente há políticas públicas que definem a implantação e acompanhamento de surdos implantados, financiadas pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Seria interessante compreender o processo de escrita desses surdos implantados.

Considerando, portanto, que a escolha de termos nos resumos define a interpretação, os sentidos e os significados que temos das pesquisas na área, pode- se considerar relevante compreender tais escolhas por meio da Análise do Discurso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo primordial desta pesquisa bibliográfica foi o de realizar um balanço tendencial sobre o ensino-aprendizagem da língua portuguesa escrita para surdos. Tal objetivo justifica-se pela importância do conhecimento da língua escrita por parte dos indivíduos – surdos ou ouvintes – considerando a inserção de todos em uma sociedade letrada, na qual os conhecimentos, os saberes institucionalizados, o lazer, a informação entre outros aspectos são transmitidos a seus membros por meio da escrita.

Essencialmente, a pesquisa buscou responder a seguinte pergunta: quem, quando, onde e como tem sido investigado o ensino-aprendizagem da língua escrita para surdos nas produções acadêmicas brasileiras?

Para responder a essa questão, a análise consistiu na alimentação de um banco de dados a partir dos resumos publicados no Banco de Teses da CAPES no período de 1987 a 2010. Esses resumos foram acessados no ano de 2012. Com a utilização de software de tratamento estatístico, foram construídos quadros, gráficos e tabelas com as informações obtidas por meio da leitura dos resumos das teses e dissertações. Vale ressaltar que, para a coleta de dados, várias poderiam ter sido as fontes: artigos publicados em periódicos, manuais, sujeitos surdos, instituições. Todavia, optou-se por analisar os trabalhos acadêmicos inseridos no Banco de

Teses da CAPES, que reúne os dados de identificação e resumos de todas as

dissertações e teses, de todas as áreas de conhecimento, defendidas no território nacional a partir do ano de 1987, o que possibilitou responder melhor a pergunta.

Com isso, definiu-se o objeto de estudos, pois não se pretendeu responder quem são os surdos, tampouco como é o ensino-aprendizagem de língua portuguesa oferecido a eles. Pretendeu-se sim conhecer e analisar como os pesquisadores, que estão inseridos em programas de pós-graduação dentro de universidades, em determinado contexto de espaço e tempo, constroem a visão a respeito do ensino da escrita para surdos.

A pesquisa teve orientação metodológica qualitativa-quantitativa. Essa escolha também não se deu ao acaso. Verifica-se a pouca incidência de pesquisas quantitativas nas ciências humanas e de maneira mais predominante, na educação, talvez por haver receio quanto à natureza positivista que muitas vezes relacionou-se a essa metodologia. Todavia, não se pode desprezar a incidência maior ou menor

de um aspecto, pois a quantidade também pode ser um dado a ser interpretado qualitativamente. Neste trabalho foi essa a tentativa: buscar informações relacionadas à quantidade para analisá-las exaustivamente, de forma a buscar a compreensão de porque algo aconteceu em maior ou menor frequência.

A análise dos dados foi organizada e subdividida, todavia essas subdivisões “dialogaram” entre sim. Para compreender Quando e quem investiga foram criados dois gráficos e sete tabelas. Esses dados foram simples de coletar, pois em sua grande maioria é obrigatório mencioná-los no momento de inclusão do resumo no Banco de Teses da CAPES. Essencialmente, ficou evidente a ampliação gradativa da quantidade de pesquisas ano a ano, pois mesmo existindo algumas oscilações, pode-se destacar que em 1987 havia apenas duas pesquisas e no ano de 2010 o total foi de doze sobre a temática do ensino-aprendizagem da escrita para surdos, o que configura um aumento de 500% na produção.

Percebeu-se que a maioria das pesquisas foi realizada em Universidades de instância administrativa pública (44,1% em Universidades Federais e 23% em Universidades Estaduais) e uma menor quantidade foi realizada em Universidades privadas (32,4%). Quanto à titulação, a grande maioria dos estudos foi de mestrados acadêmicos (80,1%). Essas informações já foram percebidas em outros estudos, como o de Oliveira (2012) e Marin, Bueno & Sampaio (2005).

Quanto às instituições em que essas pesquisas foram realizadas, percebe-se que três instituições – PUC-SP, UnB e USP – detêm a maior quantidade de trabalhos sobre essa temática (28% do total de pesquisas realizadas no país). Isso reforça a polarização em poucas instituições e gradual pulverização nas demais. Destaca-se que, no caso da UNB, quase metade de todas as pesquisas sobre surdos são dedicadas ao estudo da escrita, o que talvez mereça maior atenção sobre o trabalho realizado nessa instituição por pesquisadores que se interessem sobre o tema.

Outro destaque refere-se à PUC-SP, que e de instância privada, que mesmo não tendo o mesmo percentual que a UNB, tem vasta tradição e quantidade de trabalhos na área da surdez de forma geral. A multidisciplinariedade dessa instituição talvez explique o interesse por realização também de trabalho sobre surdez e escrita. Também é o estado de São Paulo o que detém maior quantidade de pesquisas, com 39% de toda a produção nacional sobre esse tema.

Os programas escolhidos para a realização das pesquisas foram predominantemente na área de Educação e Linguagem, o que parece estar de acordo com a temática estudada. Todavia, esse aspecto merece ser refletido, pois a baixa quantidade de pesquisas sobre a escrita dos surdos em outras áreas, principalmente em outras disciplinas escolares, possibilita a inferência de que a escrita não é tão relevante para outros estudos de forma geral. Das disciplinas que compõem o currículo escolar, há apenas uma na área de Artes e outra na área de Geografia.

Quanto ao professor orientador, percebe-se grande pulverização, pois em 93% dos estudos esses orientaram um único trabalho sobre esse assunto. Porém, quinze professores em todo o território nacional detêm a orientação de 41 pesquisas, variando de 2 a 10 por cada um deles, o que parece demonstrar existência de alguns fogos/grupos de pesquisa com ênfase sobre a escrita de surdos no Brasil.

Ou seja, as dissertações e teses sobre a relação entre língua escrita e surdez produzidas no período caracterizam-se, fundamentalmente pela alta concentração em algumas instituições/programas e grande dispersão nas demais. Além disso, pode-se afirmar que a construção dos distintos “objetos de pesquisa” surdez-língua escrita (CANÁRIO, 1996) são expressão, especialmente neste século, da perspectiva hegemônica que se espraiou por todas das regiões do País, assumidas pelos pesquisadores de IES públicas, concentradas em alguns orientadores que talvez sejam aqueles que exerceram maior influência na sua disseminação por todo o quadrante nacional, aspectos que mereceriam estudos mais aprofundados em investigações posteriores.

Ao buscar entender O que investiga percebe-se a predominância da utilização do termo surdo em relação à expressão deficiente auditivo. Esse termo vai sendo incorporado nas pesquisas com maior incidência ao longo dos anos, conforme parece haver certa incorporação da perspectiva socioantropológica. Cabe aqui