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Vedlegg A Metode og data

A.2.3 Spørreundersøkelser

O que vem a ser urbanização turística? Vários autores apresentam conceitos ou proposições para explicar este fenômeno. Observa-se que a urbanização turística tem sido a maneira mais utilizada por diversos autores para abordar as transformações espaciais geradas a partir da atividade turística, seja em termos de consumo e produção do espaço pelo e para a realização do turismo, seja em termos das alterações nas paisagens. Em comum, vários autores enfatizam que a organização destes novos espaços turísticos está deslocada da produção para o consumo:

O conceito de urbanização turística tem emergido nos últimos anos para expressar uma nova forma urbana derivada da conexão entre o desenvolvimento das atividades turísticas e a emergência de novas paisagens urbanas no fim do século XX. [...] forma de urbanização que, ao contrário da urbanização industrial, tem a sua produção de significados e identidades sociais deslocada da produção para o consumo. (LOPES JÚNIOR, 2000, p. 213).

Neste mesmo sentido Luchiari também afirma:

As cidades turísticas representam uma nova e extraordinária forma de urbanização, porque elas são organizadas não para a produção, como o foram as cidades industriais, mas para o consumo de bens, serviços e paisagens. Enquanto - desde a Revolução Urbana - as cidades eram construídas para a produção e para as necessidades básicas, estas cidades erguem-se unicamente voltadas para o consumo e para o lazer. Este é um dos motivos que levou alguns autores a considerarem as cidades turísticas como um exemplo expressivo de cidade pós- moderna. (MULLINS, 1991, apud LUCHIARI, 1998, p. 17).

Este movimento entre o velho e o novo, acelerado pela urbanização turística, gera novas paisagens, consome outras, trás à cena novos sujeitos sociais, elimina ou marginaliza outros e redesenha as formas de apropriação do espaço urbano, substituindo antigos usos e elegendo novas paisagens a serem valorizadas para o lazer. A criação destrutiva da urbanização turística desafia a todo instante a

sobrevivência de antigas paisagens e a resistência do lugar. (LUCHIARI, 1998, p. 17-18).

A urbanização turística não teria, no entanto uma única forma de se desenvolver. Para Cruz (2000), por exemplo, seria possível distinguir dois processos distintos de apropriação e de produção de espaços pelo turismo e para o turismo: a urbanização turística dos lugares e a urbanização para o turismo. A urbanização turística seria aquela que cria

toda a infra-estrutura necessária à atividade, enquanto a urbanização para o turismo criaria a

infra-estrutura suporte para o turismo, prevendo e desejando seu desenvolvimento.

A produção e o consumo do espaço parecem se materializar assim através do processo de urbanização, como é possível perceber através da ponderação de Lopes Júnior14:

A Via Costeira é o principal marco da produção espacial da atividade turística em Natal. Ela não é apenas o lugar onde estão instalados os melhores hotéis da cidade, mas um dos principais referentes (sic) para a construção imagética de Natal como cidade do prazer. (LOPES JÚNIOR, 2000, p. 223-224).

Para Bissoli (2001, p.13), a título de mais um exemplo, o turismo “é uma atividade que consome o espaço geográfico: exige a construção de infra-estrutura, utiliza-se de recursos turísticos, integra a população nativa e pode degradar o ambiente”.

Uma vez, portanto, que a urbanização turística é direcionada para o consumo, mas não para o consumo de necessidades básicas, como habitação, serviços de saúde, educação entre outras (MELLO E SILVA, 1997, p. 166), é grande o risco desta promover segregação funcional do espaço, que por vezes pode culminar em exclusão e segregação socioespacial, como será explicitado mais detalhadamente no próximo capítulo.

A segregação nas cidades pode acontecer também através do processo de

gentrification (traduzido como gentrificação), entendido como o enobrecimento de áreas

deterioradas da cidade, através de intervenções e investimentos nas mesmas, visando alterar seu perfil sócio-cultural (ARANTES, 1996). Muitas vezes a gentrificação tem como objetivo o incentivo ao aproveitamento turístico, como é o caso do Pelourinho, em Salvador, na Bahia. O governo estadual incorporou o Pelourinho dentro de uma política de atrair turistas, contou com a participação do Ministério da Cultura, através do Projeto

Monumenta, que possuía recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da Caixa Econômica Federal, do BNDES e da iniciativa privada (BARBOSA, 2001, p. 87-88). Após a polêmica revitalização de 400 dos 2.870 casarões do Pelourinho, através da recuperação e, em alguns casos, descaracterização das fachadas, especialmente as de fundo, e pintura das mesmas com cores que certamente estão mais relacionadas com a construção de uma imagem desejada do que com a história, houve um processo de “limpeza do lugar”. Esta limpeza aconteceu no sentido de retirar do local as pessoas indesejadas, os marginais e as prostitutas, e todo o comércio popular e foi viabilizada através de indenizações pagas aos ocupantes dos imóveis para deixá-los. A estratégia utilizada foi conjugar preservação histórica e valor imobiliário, incentivando a substituição das moradias por lojas e restaurantes. “O pelourinho acabou tornando-se um lugar cenográfico, palco para os turistas desfrutarem como um cartão-postal” (BARBOSA, 2001, p. 92). Os antigos moradores, no entanto, não apenas os que receberam indenizações, mas todos aqueles que se sentiram obrigados a mudar-se devido a elevação do custo de vida (aluguel, IPTU, serviços urbanos) ou pressionados diante das propostas de compras dos imóveis, não desfrutam das melhorias urbanas viabilizadas pelo turismo, nem foram inseridos na nova dinâmica econômica.

Para explicar as transformações espaciais do turismo alguns autores também lançam mão da noção de territorialidade. É o caso de Luchiari que afirma:

Quer na urbanização turística para residências secundárias, quer na urbanização associada a outras modalidades de alojamento turístico, o uso fugaz do território, marcado pela transitoriedade, é responsável por processos de desterritorialização e reterritorialização. O tempo marcado por ritmos planejados (férias, feriados, altas temporadas), impõe um novo ritmo à região, depois recua, e as territorialidades locais se recompõem mas já sobre outras rugosidades. As regiões, as cidades, os lugares turísticos vestem-se de novas materialidades: galerias, shopping centers, edificações, condomínios fechados, infra-estrutura viária e uma infinidade de objetos e serviços especializados para o turismo. (LUCHIARI, 1998, p. 24).

Knafou (1996, p. 64) também aponta para um confronto de territorialidades nos lugares turísticos:

a territorialidade sedentária dos que aí vivem frequentemente, e a territorialidade nômade dos que só passam, mas que não têm menos necessidade de se apropriar, mesmo fugidiamente, dos territórios que freqüentam. Um bom número de conflitos nos lugares turísticos são oriundos das diferenças de territorialidade.

14

O artigo de Lopes Júnior não está nas coleções citadas, tendo sido publicado no ano 2000, em uma obra que reúne textos sobre o tema população e meio ambiente. Foi inserido aqui por ser bastante representativo da recorrência dos conceitos geográficos nas análises sobre turismo, mesmo quando produzidas sob o enfoque de outras áreas de conhecimento, como neste caso sob o enfoque da Sociologia.

Nestes termos, territorialidade revela-se como um conceito apropriado para se estudar a dimensão socioespacial da atividade turística. A territorialidade pode ser construída simultaneamente pela formação e interação de redes geográficas temporárias ou permanentes, identidades criadas e recriadas, novas particularidades acrescidas a um lugar, funções atribuídas ao espaço, entre outros.

Independente de um consenso do que seria produção e consumo do espaço para ou pelo turismo, todos os autores parecem ter um ponto de acordo: o turismo altera as paisagens, além de transformá-las em produto e vendê-las na mídia.

A paisagem resultante é típica de parte do litoral brasileiro. Verdadeiras cidades fantasmas à beira-mar que ganham vida apenas nos finais de semana e nos últimos meses do ano. (LOPES JÚNIOR, 2000, p. 224).

A transformação das paisagens, no entanto, não é uma mera conseqüência dos processos de apropriação, consumo e produção do espaço, ela é uma necessidade básica para o desenvolvimento da atividade turística: “A atratividade dos lugares (paisagens naturais ou construídas) precisa ser constantemente vendida, então, ela é constantemente recriada, ou melhor, padronizada em estilo, estética e atendimento” (LUCHIARI, 1998, p. 24).