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2 Metode og datagrunnlag

2.2 Spørreundersøkelser

O quinto momento foi o de escuta do disco-debate, após dois anos de sua gravação. Mas, antes, era preciso reencontrar o grupo de jovens, explicar o projeto de pesquisa e sua metodologia e refazer os laços de afetividade que contribuíram para que os jovens relatassem suas experiências no trabalho durante o disco-debate de 2006.

O reencontro com o grupo aconteceu em abril de 2008, quando voltei à Associação Curumins como mediadora de uma nova oficina desenvolvida pela Catavento Comunicação e Educação. A convivência com os jovens que participaram da formação em rádio-escola foi fundamental para o desenvolvimento da metodologia e para a problematização de minha escrita desde o primeiro capítulo da dissertação.

Do grupo de nove jovens que participaram do disco-debate realizado em 2006, consegui reunir cinco, que aceitaram participar da nova formação em rádio-escola como monitores. Não consegui entrar em contato com dois garotos, uma jovem estava trabalhando no horário que os demais podiam participar dos novos encontros e uma garota estava de resguardo, com um filho recém-nascido.

Passei a encontrar o grupo duas vezes por semana e sempre fazia reuniões nos intervalos nas novas oficinas de rádio-escola para conversar sobre a pesquisa, sobre seus objetivos e metodologia.

Marcamos, então, um encontro para ouvir o disco-debate gravado em 2006 e para fazer um novo relato, a partir da problematização do primeiro. Este foi o momento da gravação de um novo ateliê biográfico musical, dessa vez, com a intenção de refletir sobre primeira gravação. O intuito foi o de saber quais sentimentos emergiram durante a escuta e como vêem hoje, dois anos depois da primeira gravação, a experiência que tiveram no trabalho infantil.

Durante a escuta, um dos jovens saiu da sala dizendo: “eu odeio lembrar disso”. Depois voltou, mas sempre ficava incomodado ao ouvir sua voz. Ao fim do disco-debate, o garoto explicou que não gostava de ouvir sua voz ainda infantil e confessou também que não gostava de se lembrar da época.

Ao narrar nossas histórias nos desnudamos, mostramos nossas virtudes e defeitos. A alteridade possível com a gravação do ateliê biográfico musical possibilitou que o jovem se olhasse de fora e através do tempo. Já falamos que a história contada sempre é uma nova história. Mas a ouvida também não seria?

Mesmo que o relato permaneça fixo, já que foi gravado e não passou por nenhuma edição, as pessoas já não são as mesmas e, por isso, o relato também é outro. As novas experiências possibilitam novas relações, outras leituras, causam outros efeitos e fazem emergir outros sentimentos.

Josso (2004, p.189) fala da identificação tanto na aceitação quanto na recusa. A estranheza de si ao ouvir sua narrativa é deflagradora da confrontação com suas escolhas, com seus projetos e com suas buscas.

Saber que somos autores de nossas vidas, que as experiências não apenas acontecem conosco, mas também são resultado e abertura para nossas escolhas gera um compromisso de não mais agir como espectador. Depois de selada, a responsabilidade de fazer seu caminho é algo a que não podemos mais nos furtar:

Não posso entender os homens e as mulheres, a não ser mais do que simplesmente vivendo, histórica, cultural e socialmente existindo, como seres fazedores de seu “caminho” que, ao fazê-lo, se expõem ou se entregam ao “caminho” que estão fazendo e que assim os refaz também (FREIRE, 1992, p.97).

O encontro consigo mesmo pode ser uma experiência dolorosa, mas também de felicidade. Enquanto um jovem ficou incomodado com o seu relato, os demais ficaram eufóricos. Riam das suas falas, tentavam identificar cada voz e especulavam onde estariam os jovens que não participavam da audição. O desejo e a recusa em ouvir seus relatos acabaram fazendo que ninguém conseguisse escutar as histórias.

Resolvemos, então, marcar um novo encontro. Durante a segunda audição, os jovens ouviram atentos as suas falas, suas histórias e dos seus amigos. Ao fim do disco-debate, o primeiro comentário da nova gravação partiu exatamente do garoto que havia se recusado a ouvir sua voz num primeiro momento.

Eu sempre fico na Curumins perguntado sobre a vida das pessoas e fico anotando. Aí eu fui vendo que a maioria das histórias combinam com as outras. Que nem no disco-debate, todo mundo

diz as mesmas coisas, que venderam queijo, que um gringo já chamou pra morar fora (trecho do depoimento de um dos jovens durante a gravação do ateliê biográfico musical, em 2008).

O grupo faz a mediação dos sujeitos com o todo e “o indivíduo é por sua vez uma síntese complexa dos elementos sociais” (FERRATOTTI, 1988, p.33). As narrações do ateliê representam as histórias dos jovens que passaram pelo trabalho precoce, que vivem nas periferias dos centros urbanos, que encontram no seu cotidiano estratégias de sobrevivência e optaram pela busca da felicidade mesmo diante das situações adversas.

“As histórias foram contadas com alegria, mesmo quando tavam pedindo comida, no lugar de ficar todo mundo triste, calado, tava todo mundo alegre” (trecho do ateliê biográfico musical, gravado em 2008), comentou outro jovem a forma como foi feita a narração, completando que esta era a forma que encarava a sua vida. “É tudo um jeito de encarar as coisas, eu prefiro sempre levar com felicidade”, fala sobre sua escolha de “ser mais”.

Mas quando perguntei se as histórias contadas no disco-debate eram relatos suficientemente bons se suas vidas todos falaram que “estava faltando algumas coisas”. Como a experiência do ateliê biográfico musical não passou pela etapa de escrita individual e como a dinâmica do grupo foi de debate desde o primeiro momento, sem um espaço para o desenvolvimento de relatos individuais, percebi que as singularidades tinham ficado de fora do procedimento de investigação.

Como a pesquisa também é um processo de aprendizagem para mim, revi os procedimentos de investigação e resolvi ampliar a proposta para incluir narrativas de vida individuais de três jovens que se disponibilizaram a fazer um trabalho biográfico, em que narrariam suas histórias de vida através de programas de rádio e da fotografia artesanal.