9. Effects of price shocks and subsidy policy adjustments
9.1. Southern Region
Muito já se pesquisou sobre a história e fases da hinologia e nem é nossa intenção discorrer sobre esse assunto, pois não estamos tratando da história em si. Por nos reportar até o momento atual, a história acaba sendo nossa companheira neste processo de trabalho. Sendo assim, faremos uma breve exposição do desenvolvimento e transformações das fases da hinologia. O foco será sobre os critérios de avaliação das letras e sua teologia, conforme as influências dos movimentos religiosos e seus respectivos enfoques. Como cada denominação protestante histórica lidou com a música é uma determinante de como os hinários – hinos - passaram a ser editados e colocados em prática.
Nas igrejas protestantes entende-se por música sacra tradicional aquela que vem sendo cantada pelo menos por duas gerações, tendo um estilo aceito pelos mais “velhos”, sem grandes embaraços. Antonio Gouveia Mendonça classifica o canto protestante em quatro características básicas: 41
1. Linguagem acentuadamente individualista: que é o protestantismo pietista, onde há o enfoque de uma busca individual no cultivo e na leitura da Bíblia no decorrer da vida religiosa. A consciência dói por causa do pecado, “precedendo assim, um sentimento vívido do sofrimento substitutivo de Jesus, seu sangue, seus ferimentos, sua morte”. 42 Por causa de
41
MENDONÇA, Antonio Gouveia de. O Celeste Porvir. São Paulo, SP, IMS, 1995. pp. 225 -240 42
todo este sofrimento, as letras dos hinos são poéticas, sofridas e permeadas de um grande emocionalismo. Mendonça reforça este aspecto com as seguintes palavras: 43
“O enclausuramento do crente com a sua Bíblia e a busca e cultivo incessantes da experiência e da comunhão com Jesus levam-no à negação do mundo e ao desprezo dos prazeres da vida. Essa atitude se caracteriza positivamente pela afirmação de um valor maior, o cultivo de sua devoção, e negativamente pela consciência de que os prazeres mundanos são antagônicos aos prazeres e gozos espirituais. São numerosos os cânticos que exaltam essa vida superior”.
Em suma, o pietismo é bem caracterizado e direcionado para a busca, crescimento e vida dentro de um sistema individual de crenças.
2. Sentido provisório do caminhar cristão na terra (a peregrinação): É o protestantismo peregrino. O enfoque é o mundo que virá, o porvir. Um mundo fora da terra, o mundo celestial que, indubitavelmente, é muito melhor que este mundo aqui. O mundo onde estamos é uma “passagem”; estamos aqui como peregrinos. Mas, como diz Mendonça: 44
Sua ética de negação do mundo conduz à constante expectação do porvir, do mundo a- histórico do além, muito melhor do que o presente. Se essa expectação o leva a cantar as glórias e os prazeres de sua futura e verdadeira pátria, leva-o, em contrapartida, a recusar os valores do presente.
Portanto, o protestantismo peregrino caracteriza seus cânticos com letras que falam do efêmero, do celestial, do transitório. E estes são os prediletos dos seus cantores: o efêmero, que por um lado oferece um mundo melhor, mas de outro justifica os sofrimentos presentes de um mundo hostil, difícil e incompreensível.
3. Expectação pelo porvir (ênfase na escatologia): O protestantismo milenarista. Comenta Mendonça: 45
43
MENDONÇA, Antonio Gouveia de. O Celeste Porvir. São Paulo, SP, IMS. 1995 p.. 226 44
Idem. O Celeste Porvir. São Paulo, SP, IMS. 1995 p. 228 45
Os estudiosos desses movimentos concordam, regra geral, que eles surgem em populações rurais subalternas, em situações anônimas ou de mudanças social, em que os modos de vida tradicionais são ameaçados. Quando a esses fatores somam-se a falta de assistência religiosa, como ocorreu durante todo o desenvolvimento da sociedade brasileira “rústica”, as condições para a emergência de messianismos são bastante favoráveis.
O protestantismo é entendido como o movimento que ofereceu espaço para uma “nova religião”. A mentalidade messiânica está ligada à longa história que começa em Portugal com o “sebastianismo” 46, com o sonho do solo fértil, na terra dos indígenas. O mito da “terra sem males”. 47 Conforme interpretação de Mendonça: 48
As longas migrações de milhares de indígenas, anotadas desde o século XVI, em busca de imortalidade e descanso eternos, podem ter alimentado ou oferecido solo propício para diversos movimentos sebastianistas no século XIX, quase todos eles com desenlaces trágicos.(...) Creio ser válida a hipótese de que a junção das crenças indígenas sobre a “terra sem males” com as crenças sebastianas formou na “civilização rústica” brasileira uma mentalidade messiânica. (...) Em outros lugares foi dito que o pré-milenismo foi, nas fontes protestantes brasileiras, uma reação contra o liberalismo, assim como um sinal de cansaço das lutas teológicas. O liberalismo teológico cria nas virtudes humanas, a possibilidade da consciência individual transformar-se em consciência social. Enfatiza o papel do homem cristão na sociedade como fundamental para a formação de uma sociedade justa e feliz. O Reino de Deus era tido como um ideal genuíno para o mundo contemporâneo.
Segundo Antonio Gouveia de Mendonça, no liberalismo o problema de vida após morte não é uma preocupação, porque a atenção principal se dá na vida aqui e agora. A vida
46
SEBASTIANISMO: Movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do séc. XVI como conseqüência da morte do rei Dom Sebatião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Por falta de herdeiros, o trono terminou nas mãos do rei Felipe II da rama espanhola da casa de Habsburgo. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre. Fonte: http://pt..wikipedia.org/Wiki/sebastianismo. Consulta em 09-04-2008
47
“TERRA SEM MALES”: Quando Nhandevuruçu (nosso grande Pai) resolveu acabar com a terra, devido à maldade dos homens, avisou antecipadamente Guiraypoty, o grande pajé, e mandou que dançasse. Este obedeceu-lhe passando toda a noite em danças rituais. Quando terminou sua dança, Nhandevuruçu retirou os esteios que sustentavam a terra, provocando um incêndio devastador. Guiraypoty fugiu para o Leste, com sua família, em direção ao mar. Tão rápida foi a fuga que não teve tempo de plantar, nem colher mandioca. Todos teriam morrido de fome se não fosse seu grande poder que fez com que o alimento surgisse durante a viagem. Chegando ao litoral, seu primeiro cuidado foi o de construir casa de madeira para quando viesse o mar, ela resistisse. Terminada a construção, fizeram novo ritual de dança e canto. O perigo tornava-se cada vez maior, pois o mar, com a iminência de apagar o incêndio, ia engolindo toda a terra. Quanto mais subiam as águas, mais Guiraypoty e sua família dançavam. Para não serem tragados pelas águas do mar, subiram no telhado da casa. Guirypoty teve medo e chorou. Mas sua mulher lhe falou: - Se tens medo, abre seus braços para que os pássaros que estão passando possam pousar. Se eles sentarem em seu corpo, pede para nos levar para o alto. E, mesmo em cima do telhado, a mulher continuou batendo a taquara ritmadamente contra o esteio da casa, enquanto as águas subiam.Guiraypoty entoou, então, o nheengaraí, o canto solene do guarani. Quando iam ser tragados pelas águas, a casa se moveu, girou, flutuou, subiu....até chegar à porta do céu, onde ficaram morando. FONTE:
http://www.prime.org.br/missaojovem/mjhstmesmito.htm. Consulta em 09-04-2008 48
futura está relacionada ao fato do espírito ser platônico, o que condiciona o pré-milenista ao espiritualismo, projetando-o para uma história imortal e para a ressurreição do corpo, após a vinda de Jesus. Então, como diz Mendonça, 49 “o que compete ao homem não é edificar o Reino, mas estar pronto para a sua vinda sobrenatural mediante o arrependimento e a fé, diante de uma sociedade impotente e de desesperança”. Os hinos pré-milenistas são muitos. Ele tem sido o motivo de intensas emoções, somado à ausência de sofrimento e velhice, incitando o transcendentalismo, relata Mendonça. 50
4. Textos que se referem ao povo de Deus como o “exército”, usando termos militares: O protestantismo guerreiro. Como o próprio nome diz, os hinos guerreiros refletem o espírito de guerra, exatamente por coincidir com um tempo onde as denominações protestantes começam a experimentar e sentir resultados de suas próprias semeaduras. É como se respostas estivessem chegando. E o motivo dessa euforia, relata Mendonça, 51 “tem seu ápice no expansionismo do colonialismo anglo-saxão”. Provavelmente, os cânticos de guerra tenham começado debaixo da influência do Exército da Salvação (Salvation Army) fundado em 1878, na Inglaterra, em plena ebulição missionária. Mendonça continua seu relato: 52
A ideologia guerreira é transportada para o espiritual: o inimigo a ser combatido é o mal, e o chefe guerreiro é Jesus. O triunfo final sobre o mal será assinalado pela vinda pessoal de Jesus que, vitorioso, inaugura o milênio. A convicção é que a vinda do milênio será abreviada na medida em que o mal for sendo suplantado pelo bem.(...) O protestantismo guerreiro não se constitui uma guerra santa contra os infiéis, como no catolicismo guerreiro, mas numa guerra contra poderes metafísicos nos espaços espirituais.
Os cânticos de guerras não foram tão cantados neste período, mas como relata Mendonça, aumentaram consideravelmente nos primeiros anos do século XX. 53
49
MENDONÇA, Antonio Gouveia de. Celeste Porvir. São Paulo, SP, IMS. 1995.p. 236 50 Idem. p.239 51 Idem. p. 231 52 Idem, p.231 53 Idem p.233
Em torno da coroa e da cruz, o estandarte e divisa do Rei, reúnem-se os soldados para combater as forças do mal e guardar o forte do bem. É uma batalha permanente enquanto não se der a irrupção do sobrenatural na história para inaugurar um novo tempo. Mas a batalha se dá no plano espiritual; o protestantismo guerreiro é uma espiritualização da guerra.
Denise Frederico54 acrescentou a esta classificação uma quinta característica:
5. Hinos que chamam o não convertido ao arrependimento de pecados e à “conversão”. Como o próprio nome o diz: são os hinos que chamam as pessoas ao arrependimento.
Como o objetivo desta pesquisa é a análise do conteúdo das letras dos cânticos da Comunidade Carisma, no sentido de descobrirmos quais são os valores e os elementos que a letra enfoca, o individual, ou o coletivo, faz-se necessária a classificação de quais são os movimentos atuantes no sentido de cada letra, conforme classificação de Mendonça e outros que serão citados no decorrer do tema.
Ramos,55 descrevendo a classificação dos hinos feita por alguns autores, escreve sobre cada um deles:
História do culto protestante no Brasil de Carl Joseph Hahn56, publicado pela Aste, faz uma análise do desenvolvimento do culto protestante no Brasil procurando explicitar quão distante a experiência brasileira está das origens européias em sua teologia do culto que chega ao Brasil via Estados Unidos da América. Para Hahn, em lugar de apontar para a graça – uma autêntica resposta gratuita ao favor divino -, o culto brasileiro caracterizou-se como trabalho, obrigação.
Neste sentido torna-se bem difícil o estudo das letras dos cânticos que se cantam nas comunidades com características pentecostais ou neo-pentecostais. Nelas a graça, o poder e a experiência formam a identidade destes movimentos, que possuem uma forma diferente, portanto, mística e sobrenatural, de encarar a religiosidade. A ênfase do pentecostal é a de buscar a revelação diretamente de Deus. Operam curas milagrosas e vivem intensa batalha espiritual.
54
FREDERICO, Denise Cordeiro de Souza. Cantos para o Culto Cristão. São Leopoldo, RS: SINODAL, 2001.p.236
55
RAMOS, Luiz Carlos. Os Corinhos. Uma abordagem pastoral da hinologia preferida dos protestantes
carismáticos brasileiros. São Bernando do Campo, SP: UMESP, 1996. p. 24
56
Citando Monteiro57, em Cânticos da Vida, Ramos58 faz a seguinte análise, que já começa a se aproximar um pouco mais das características do movimento pós-moderno, “onde os cantos, cuja forma musical, ainda são do passado, só serão considerados contemporâneos se as suas letras expressarem conteúdos dos problemas atuais (como os da Teologia da Libertação) ou se, mesmo contemplando assuntos pertinentes ao acervo cristão, sua linguagem passa a ser comprometida com o modernismo literário”: 59
Este é um trabalho crítico. A autora se propõe a iniciar a tarefa (...) na compreensão da mentalidade protestante. Adotando o Credo Apostólico como roteiro temático, e a teologia da libertação como referencial teórico, procura classificar os hinos em três perspectivas: (1)
Conservadora; (2) renovadora e (3) libertadora. Esta análise a autora desenvolve a partir da
comparação dos hinos de hinários adotados pelas principais denominações evangélicas no Brasil, utilizando, também, cancioneiros alternativos afinados com a teologia latino-americana como O Novo Canto da Terra60, Cantar a Esperança61, Nova Canção62, Jesus Cristo Vida do Mundo63, entre outros.
Frederico64 relata:
Na década de 30 do vigente século, existe um registro que acusa o descontentamento com a superficialidade da vida religiosa na igreja evangélica. Alguns fizeram ouvir suas vozes reclamando a necessidade de uma forma diferente de culto que viesse modificar o estado das coisas. (...) Somando-se à influência dos leigos e das escolas dominicais, outro legado que influenciou o estilo de culto protestante no Brasil, veio da tradição avivalista trazida pelos missionários norte-americanos. Antonio Mendonça também viu que nos cultos os missionários protestantes americanos legaram aos brasileiros fortes traços da teologia e dos conceitos eclesiásticos que transplantavam dos revivals, características que o tornaram distintos. (...) Paralelamente a essa tradição, muito contribuiu para a consolidação no Brasil de um culto não- litúrgico a influência do hábito norte-americano dos camp-meeting, que eram reuniões informais realizadas ao ar livre durante dias.
57
MONTEIRO, Simei de Barros. Cânticos da Vida – análise de conceitos fundamentais expressos nos cânticos
das igrejas evangélicas no Brasil. São Bernardo do Campo, SP: ASTE, 1991. p. 11
58
RAMOS, Luiz Carlos. Os Corinhos. Uma abordagem pastoral da hinologia preferida dos protestantes
carismáticos brasileiros. São Bernando do Campo, SP: UMESP, 1996. p.25
59
FREDERICO, Denise Cordeiro de Souza. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: SINODAL, 2001. p.237 .
60
MARASCHIN, Jaci Correia, ed. O novo canto da terra. São Paulo: IAET, 1987, 624 p. 61
CANTAR A ESPERANÇA. São Paulo, Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai): METODISTA, 1988. 62
JESUS CRISTO VIDA DO MUNDO. São Paulo, Programa Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião, IMS: METODISTA, 1986. p.127
63
OLIVEIRA, Pedro A. Ribeiro de; BOFF, Leonardo; LIBÂNIO, João Batista; BITTENCOURT, Estevão. A
renovação Carismática Católica: uma análise sociológica interpretações teológicas. Petrópolis, RJ:
VOZES/INP/CERIS, 1978, p.215. 64
FREDERICO, Denise Cordeiro de Souza. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: SINODAL, 2001. p.277
A cultura atual não vive apenas um evangelho de tradições e doutrinas, mas, conforme relata Ramos65, citando Tarcísio Justino Loro: 66
Tal práxis, como sugere Loro, não permite, portanto, que a celebração ignore o situacional histórico das comunidades em que vive a assembléia. Nela celebramos os acontecimentos da comunidade, suas lutas e esperanças, suas mortes e nascimentos, suas vitórias e desenganos. A assembléia traz para a celebração toda sua história, sua cultura, seu emprego-desemprego, sua doença, sua casa ou despejo, seu salário ou poupança, sua política ou alienação, seu sindicato ou clube.
É neste momento que a teologia da letra cantada na comunidade indica e aponta para uma contemporaneidade, mesmo tendo sua base na tradição protestante, onde o órgão ou piano passam a ser substituídos por outro instrumento (como o violão e instrumentos de sopro e de percussão).
As igrejas pentecostais passam a ter um espaço maior de improvisações individuais durante os cultos, conforme conta Frederico. 67
Nessas igrejas e em outras protestantes sem um padrão rígido na liturgia, a forma de apresentação da música sacra contemporânea mais usual é a que imita os grupos musicais denominados seculares (de fora do âmbito da igreja), os quais colocam no palco à frente da platéia um líder para o canto. (...) o fato de se usar cantos não pertencentes ao hinário oficial já é um marco suficientemente explícito de que ali os cantos não são tradicionais. (...) Uma nova característica: nova concepção rítmica, com tendência para abraçar os ritmos autóctones (no Brasil; o samba, o baião, o sertanejo, a bossa-nova entre os mais usuais) e reforço na pulsação através do uso da percussão; aceleração do andamento musical. (...) Quanto ao verso, foge das rimas antigas mais usuais (como a abab ou aabb ou abba), preferindo a rima livre. O texto dá destaque a temas relacionados com os interesses da atualidade. (...) Os cantos falam de luta em favor dos pobres e oprimidos e convocam os cristãos a se engajarem na luta contra a opressão dos mais fortes. (...) Os cantos, cuja forma musical se identifica com a do passado, só serão considerados contemporâneos se a sua letra expressar conteúdo de problemas atuais ou se, mesmo contemplando assuntos pertinentes ao acervo cristão, sua linguagem está comprometida com o modernismo literário.
Neste momento, conseguimos destacar a importância do estudo da teologia da letra, que é o objetivo central de nosso trabalho, tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Por
65
RAMOS, Luiz Carlos. Os Corinhos. Uma abordagem pastoral da hinologia preferida dos protestantes
carismáticos brasileiros. São Bernardo do Campo, SP: UMESP, 1996. p. 19
66
LORO, Tarcísio Justino. Ruídos na comunicação litúrgica. Revista Litúrgica nº 91. São Paulo: PAULINAS, ano XVI, janeiro/fevereiro, 1898. p. 20
67
FREDERICO, Denise Cordeiro de Souza. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: SINODAL, 2001. p 237 – Grifo da pesquisadora.
outro lado, conforme citação de Frederico, o critério da escolha da letra do cântico é importante no sentido de que cumpra seu papel. Para levantar o critério de seleção de cantos da comunidade faz-se necessário relacioná-lo com a teologia e a cultura, como diz Frederico: “O canto sacro deveria ser expresso numa língua compreensível (...) para que haja uma chamada a uma participação mais efetiva”. 68
Recorrendo a alguns estudos de teólogos, Frederico69 alista alguns critérios importantes para a seleção dos cantos:
1. A seleção deve orientar-se pelo povo, atendendo às suas necessidades. Paralelamente, é mister pesquisar uma linguagem que seja significativa para a cultura circundante: o cristianismo precisa ser relevante para a sociedade atual.
2. A teologia do culto. É necessário que as pessoas responsáveis pela escolha dos hinos, quer por hinários, quer pela liturgia do culto, firmem primeiro a teologia do culto. 3. É necessário determinar o que se quer reter da história, dos valores passados, que
outras gerações utilizaram e que ainda hoje podem ter significado para as gerações futuras.
4. O critério “ensino” aparece nos primórdios do cristianismo, quando a religião cristã era proibida e os cristãos sofriam perseguição. (...) Através da palavra (querigma) e do canto, os novos conteúdos sobre a morte e ressurreição de Jesus Cristo eram vinculados.
5. O critério “o canto deve adequar-se à liturgia” foi Martinho Lutero quem resgatou com a participação popular no culto cristão. Através dessas adequações litúrgicas é que se pode entender o melhor critério de escolha dos hinos e suas letras: a participação do povo.
68
FREDERICO, Denise Cordeiro de Souza. Cantos para o culto cristão. São Leopoldo, RS: SINODAL, 2001. p 237
69
6. Estética e emoção vêm complementar a visão humana que decide ver o mundo com os olhos postos na beleza e naquilo que pode causar bem à alma.
Jambeiro70, complementando o pensamento sobre critérios para seleção dos cânticos, fala o seguinte: “Conhecer os hinos preferidos dos paroquianos é conhecer suas convicções, suas preferências ideológicas e suas aspirações culturais”.
Se uma comunidade que tem sua base teológica fundamentada no contexto histórico- cultural, então, sua hinologia deverá condizer e acompanhar sua teologia. Para chegarmos a este pensamento teremos que fazer uma análise das letras dos cânticos, comparando-as ou associando-as com a base e a prática teológica da comunidade.