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5. Musikkens påvirkning, en analyse av musikkens rolle i prosjektet ”100 ting jeg må gjøre før jeg blir 25”

5.5 Analyse av musikkens funksjon i forestillingen ”100 ting jeg må gjøre før jeg blir 25”

5.5.3 Soundtrack fra ”The Notebook”

Precedentemente, foram exibidas as teorias emancipadoras da justiça como superiores ao resto das teorias apresentadas diante do desafio das questões expostas nos primeiros capítulos deste trabalho. Nesta última parte, a proposta consiste em colocar algumas reflexões críticas sobre a Filosofia da Libertação que podem impactar na questão da justiça. Estes comentários estão na mesma linha

das críticas de críticas, no sentido de não isentar o referencial dusseliano de críticas; eles não tem a intenção de fornecer uma avaliação definitiva da teoria da liberação, mas apenas de colocar algumas questões relevantes, dentro do presente trabalho, que a teoria de Dussel deverá (e terá condições de) responder no contexto de um futuro debate.

Uma primeira crítica conceitual-referencial poderia estar vinculada com certa “substancialização do pobre”, do excluído que apela e clama por justiça, que nos pede ajuda, como se o “pobre” fosse uma categoria única e bem definida, ao passo que se parte da pré-suposição de que sempre será moralmente valioso refletir sobre a pobreza em um contexto de crítica à injustiça. O mundo atual, tal como foi apresentado nos capítulos anteriores – com o capitalismo globalizado e todos seus complexos problemas - nos mostra que, genealogicamente, podem hoje coexistir muitos tipos diferentes de pobreza: umas ligadas às necessidades essenciais de alimentação, água etc. que põem em cheque a sobrevivência e outras vinculadas com outros fatores. O livro “Pobreza: um glossário internacional”, mostra um panorama da complexidade categorial deste termo, finalizando com um epílogo onde são analisados doze tipos diferentes de pobreza295.

No contexto latino-americano, poderia aludir-se também aos diversos tipos de gente de la calle (moradores de rua), que não são pessoas que morrem de fome, e sim resultados de “opções de vida” dos mais diversos tipos (talvez fruto da fragmentação atual do mundo). Apesar de que estas opções poderiam referir-se, em alguns casos, a indivíduos que pretendem viver livremente (sem imposições de horários ou lugares, ou subordinação a patrões), a interação com o mundo econômico ou político colocaria estas pessoas sempre em desvantagem, pois muitas vezes estão ligadas ao crime, à demagogia política, à manipulação dos torcedores de futebol ou aos cartéis de droga. Talvez a imagem heroica destes “pobres por opção” provenha de uma visão pequeno-burguesa, que se dá o luxo de escrever sobre “opções de vida” ignorando quais são os fundamentos dessas determinações e escolhas.

Ser pobre, já nos tempos de Marx, era uma categoria relativa, e o mundo moderno fabrica pobrezas dos tipos mais variados. Conforme considera Cabrera em seu livro “Margens das filosofias da linguagem”, refiriéndose a Wittgenstein:

A palavra “pobre” não possui uma referência absoluta, mas adquire seu sentido em referência a específicos jogos de linguagem, nos quais adquire dinamicamente a sua referência ao mundo. A pobreza à qual Marx se referia não necessariamente diminui por meio da ampliação dos benefícios aos trabalhadores dentro da sociedade alienada... 296.

Aparentemente, o aumento da população do mundo torna as coisas mais complexas e já é impossível pensar em uma boa atenção de saúde, quando tanto as filas como os tempos de espera são cada vez mais longos nos hospitais, tanto do setor público como privado. Em outra época, somente os pobres faziam longas filas; hoje em dia, enormes setores da população sofrem esse tipo de pobreza. Também estão presentes os problemas ecológicos de aglomeração, tal como se observa no filme The Humam Scale, que mostra nitidamente como foi se modificando o formato das cidades desde os anos 60. O desenvolvimento de duas grandes indústrias colaborou para isso, a automobilística e a imobiliária. A primeira determinou mais rodovias, mais estradas e mais estacionamentos, propiciando não só o incremento dos acidentes de trânsito como problema de saúde pública, mas também desviando os recursos públicos para uma minoria rica dona de automóveis, que deixa de lado um grande volume de população pobre, ou que em alguns casos escolhe outros tipos de transporte: metrôs, ônibus e trens. A segunda indústria determinou a existência de um maior número de edifícios, inclusive mais altos, que alojassem a enorme migração de pessoas que vinham do interior para as cidades, determinando novos modos de viver e novas formas de adoecer.

Tudo isso leva a pensar que deveríamos nos perguntar (e as filosofias da libertação deveriam perguntar-se): Quem é esse “pobre” que quer ser libertado nos termos de Dussel? A opção dusseliana se aplica a todas as atuais formas de pobreza? Em um terreno estritamente bioético, aqueles são os afetados pela falta de saúde? São eles os que vão ser libertados aqui e por quê? É possível pensar que a categoria de “pobreza”, tal como foi criticada no caso de outras teorias, estaria sendo excessivamente simplificada, constituindo uma base falsa para a teoria emancipadora da justiça?

Uma segunda crítica filosófico-política se refere ao caráter intrinsecamente totalitário e messiânico das filosofias da libertação, ao reduzir toda a complexidade

social ao dualismo oprimido-opressor. Uma crítica deste tipo é apresentada por Vélez Rodríguez em seu livro “Tópicos Especiais de Filosofia Contemporânea”. Este autor ressalta que a Ética da Libertação nasceu em um contexto latino-americano, mas unida a um modelo de messianismo político moderno consolidado no século XX, cooptado por uma base teórica marxista-leninista que esconde uma raiz totalitária, única, dogmática, uniforme e excessivamente simplificada, segundo a qual a humanidade deve ser salva 297. Fala do resultado de uma crise profetizada em princípios de moralidade e religião, que reivindica um caráter soteriológico, com ajustes eficazes para resolver problemas sociais específicos, mas seguindo uma inspiração marxista perfeitamente compatível com a teologia católica. Esse esforço se iniciou depois da revolução cubana e o próprio Che Guevara foi quem encarnou esse modelo de religiosidade popular latino-americana, dizendo que o século XXI conheceria um homem novo, com uma nova técnica 298.

Este texto também recupera o ensaio de Lima Vaz, quem afirma que a Teologia da Libertação carece de rigor científico suficiente para servir de base epistêmica confiável, visando uma análise crítica e objetiva da realidade latino- americana, esclarecendo que, embora seja um recurso apto para a tomada de consciência de uma situação de injustiça estrutural na sociedade, seu maior defeito é a adoção de um discurso utópico, onde a utopia se define como uma tentativa de negação do mundo através do paroxismo de sua afirmação. Os perigos surgem quando se pretende realizar essa utopia de maneira apressurada e sem maturação. Outro autor latino-americano que realiza críticas nessa direção é o colombiano Castro-Gómez, em seu livro “Crítica da razão Latinoamericana” 299.