5. Empiriske funn og analyse
5.1 Rektor A ”…skape magiske øyeblikk som gir kraft”
5.1.4 Sosial tilhørighet og hva som påvirker denne
De acordo com Matos Filho (2014); Araújo (2016) e Ferreira (2016), o município de Sobral possui uma estrutura virtuosa no que se refere ao ensino de música, possuindo em contexto local a Escola de música Maestro José Wilson Brasil (Escola de Música de Sobral), fundada em 1997, e um curso superior de Licenciatura em música pela Universidade Federal do Ceará (UFC), fundado no ano de 2011, e recentemente (2016) o município recebeu ainda, através do Instituto Federal (IFCE), a oferta de ensino musical através de cursos de extensão para alunos da instituição e comunidade.
Ao observar tal realidade, percebemos que cada instituição embora oferte
61 o ensino de música nesta cidade, atende a diferentes demandas. Na Escola de Música, são oferecidas 18 modalidades diferentes de práticas musicais (MATOS FILHO, 2014), que atendem principalmente a estudantes da rede municipal de ensino, ou seja, contemplam o Ensino Fundamental. Apesar de tal atuação, não há até presente momento (2017), política educacional que oferte de forma regular o ensino de música na rede de educação.
Já o Curso de Licenciatura atende aos egressos do Ensino Médio conferindo-lhes o nível superior na área musical. Apesar de tal oferta, observamos que havia ainda uma lacuna na formação musical, ou seja, uma formação que envolvesse o Ensino Médio. Visualizamos aqui então, um campo para aplicação de um projeto que pudesse acolher (possibilitar) a formação musical nesta modalidade de Ensino.
No ano de 2014, a Secretaria de Educação do Estado (SEDUC) inaugurou na cidade de Sobral uma nova sede do Curso Técnico em Regência, sendo detectado por este órgão que esta cidade poderia acolher esta formação de nível médio técnico na área de música para atuação neste município. A partir da inserção desta formação neste município estar-se-ia concluindo um elo educacional inovador no cenário musical cearense, contemplando todos os níveis da educação básica (Infantil, Fundamental e Médio) e ainda o nível superior.
A Escola escolhida para acolher esta formação técnica foi a EEEP Professora Lysia Pimentel Gomes Sampaio Sales (FIGURA 01), situada no bairro COHAB, no município de Sobral, que foi inaugurada no dia 21 de maio de 2012, e no ano de 2014 (ano de implantação do curso), contava com quatro cursos Técnicos nas áreas de: Logística; Fabricação Mecânica; Manutenção automotiva e Paisagismo.
Figura 1 - Fachada da EEEP Lysia Pimentel Sales
62 Para que houvesse a oferta do Curso Técnico em Regência, a Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC) decidiu encerrar a oferta do Curso Técnico em Paisagismo, sendo detectado pela gestão escolar e a Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação 6 (CREDE 6), que neste município não haveria “campo de trabalho” para absorver estes profissionais técnicos ali formados nesta área.
Nesta formação técnica as disciplinas são iniciadas no primeiro semestre letivo, diferenciando-se das demais formações técnicas. No ano de 2014, o período letivo iniciou em 20 de janeiro, sendo, porém que havia a carência do professor técnico coordenador da formação aqui discutida. Por não haverem candidatos no banco de professores Técnicos do Estado, o CENTEC, em nome da SEDUC, organizou neste mesmo ano, um PSS (processo de seleção simplificado) com o objetivo de selecionar o professor e Coordenador do Curso de Regência nesta cidade.
Esta seleção aconteceu em fevereiro deste ano (2014) e buscava encontrar um profissional que pudesse orientar as formações técnicas junto aos estudantes em um currículo integrado que trata de questões referentes ao mundo acadêmico e trabalho com música. Fui aprovado e cheguei a escola no final do mês de março, dando início as aulas da área técnica no dia 02/04/14.
Por estar imerso no seio da escola profissional, surgem-nos alguns questionamentos a respeito do que tratava tal formação. Citamos aqui alguns deles: qual seria o campo de atuação dos estudantes? Onde deveriam estagiar? Como seria a aceitação dos egressos no contexto trabalhista local? Deveriam estar neste Curso apenas os que teriam o “dom” da música?
Para tentar elucidar tais questionamentos buscamos junto à escola e a SEDUC o acesso ao Plano de Curso, assim também como iniciamos o contato com os professores da referida formação atuantes na cidade de Crato, para que pudéssemos caminhar alinhados no que se almejaria para o Curso de Regência das duas instituições.
Outra estratégia também aqui utilizada foi o convite ao Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Ceará nesta cidade com objetivo de “somar forças” e proporcionar desta forma o desenvolvimento do público estudantil em questão. Foram realizadas algumas oficinas para que este público pudesse fazer experiências musicais através de cânones e da utilização de
63 percussão corporal.
Ressalte-se aqui também que as atividades formativas se deram inicio, porém não havia na referida instituição nenhum tipo de instrumento musical, sendo utilizados apenas os trazidos pelo professor. Tal demanda foi solicitada à SEDUC, que iniciou os processos licitatórios, porém, esta realidade veio a concretizar-se apenas em 2017.
As primeiras experiências buscavam sondar, de forma geral, os 45 estudantes ali matriculados para cursarem esta formação a respeito de seu conhecimento sobre música, haja vista não haver teste de seleção musical para o público em questão. Inicialmente desenvolvemos atividades de integração coletiva e prática musical. Em um destes momentos foi solicitado que cada estudante executasse uma canção de sua preferência, para verificação do repertorio musical individual destes estudantes, servindo também de pré-audição vocal para verificação da “afinação” deste grupo.
Ao longo do semestre, as relações de entrosamento entre estudantes e música foram sendo construídas através de inúmeras práticas de canto (neste momento em uníssono), improvisação e Flauta Doce. Iniciamos com cânones39, e ao
encerrar o segundo semestre, estes estudantes estavam cantando a duas e três vozes. Buscamos desenvolver neste primeiro ano um maior domínio da afinação e da leitura inicial de partitura. Estas experiências culminaram em inúmeras apresentações em diferentes lugares da cidade, como o Centro de Convenções de Sobral e na Universidade Vale do Acaraú. Tais atividades serviram também como a única propaganda de divulgação deste curso na cidade.
No ano seguinte (2015), recebemos a segunda turma de discentes e assim, a partir deste semestre iniciamos as atividades formativas das duas turmas de técnicos em Regência. Em sua maioria, os estudantes já haviam ouvido falar da existência do curso ou o assistiram através das apresentações que foram realizadas no ano anterior, porém, segundo a gestão da escola, apenas 15 alunos dos 45 integrantes vieram para matricular-se realmente na área musical, por apontarem que tinham o interesse ou a curiosidade de cursar formação nesta área, e os demais gostariam apenas da oportunidade de estudar na instituição.
64 Observamos a partir das aulas que nesta segunda turma, havia um maior interesse e participação nas atividades propostas. Este fato propiciou que o desenvolvimento das práticas musicais (em especial as atividades de canto), ocorresse de forma mais acelerada, permitindo até mesmo que as duas turmas pudessem apresentar-se juntas em evento no Teatro Municipal de Sobral40 em 2016.
Deve ser pontuado também que apesar de haver nesta época a formação destas duas turmas, só haviam na escola (e em todo o decorrer do curso) dois professores41 que atuavam ao mesmo tempo em cada sala, articulando-se na
formação destes estudantes. Buscamos desenvolver nas duas turmas um ambiente de saudável convivência e parceria mútua, valores para além da capacitação em música. Seguiremos agora aprofundando algumas temáticas desta formação, como é o caso do aprendizado de instrumentos discutido a seguir.