Calculations and results
7.1 Solutions to the Schr¨ odinger equation
A Z. H. de Bragança é uma zona com edifícios bastante antigos, característicos de épocas passadas, repleta de construções nobres e construções mais modestas edificadas lado a lado, que a tornam na zona mais bonita e interessante para quem visita a cidade. Sendo do conhecimento geral que na Z. H. de Bragança existe uma degradação generalizada dos seus edifícios, o presente trabalho permitiu evidenciar esse facto, assim como a necessidade urgente de intervir para inverter as suas consequências. Apesar dessa degradação generalizada, constatou-se que os seus edifícios possuem uma grande qualidade construtiva, considerando o seu longo tempo de vida e que as principais causas da degradação se devem ao seu abandono e perca de hábitos de manutenção. Para além de ter ficado evidente a urgência de intervenção no edificado, ficou também evidente a urgência em alterar a forma de intervir, pois em conjunto com a degradação dos edifícios, existem outros dois casos que em muito contribuem para a perca do valor histórico e arquitetónico do edificado da Z. H. de Bragança. São eles os edifícios dissonantes e os edifícios descaraterizados como consequência de intervenções de reabilitação e conservação efetuadas sem qualquer consideração pelas caraterísticas arquitetónicas e construtivas originais. A quantidade de edifícios analisados que se enquadram nestes dois tipos, reforçam a necessidade de uma maior sensibilização e de informação de todos os intervenientes nas ações de conservação do edificado de como bem reabilitar. É urgente a mudança da ideia de que o que é “novo” implica um resultado com maior qualidade e que a demolição e posterior reconstrução implica intervenções menos complexas e consequentemente menos dispendiosas. Tal, poderá ser conseguido através de um papel mais ativo por parte das entidades responsáveis pela fiscalização das intervenções no edificado. Não se pode deixar de referir que existem na Z. H. de Bragança exemplos de reabilitações com bastante qualidade, principalmente na Cidadela, a zona mais antiga da cidade, onde estas existem em maior quantidade.
Relativamente ao edificado de construção tradicional nas aldeias que fizeram parte deste estudo, encontraram-se situações bastante distintas. Na maioria delas, o edificado de construção tradicional possui exatamente os mesmos problemas que na Z. H. de Bragança; outras constituem um bom exemplo de como este tipo de edificado deve ser preservado, nomeadamente as aldeias de Rio-de-Onor e de Montesinho. A sua localização contribui muito para a situação atual do seu edificado de construção tradicional, uma vez que estas aldeias estão localizadas no Parque Natural de Montesinho, que possui um plano de ordenamento próprio (Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho). Este plano de ordenamento foi
121 especialmente criado para salvaguardar e valorizar o património cultural da região seja ele material ou imaterial. Este documento define um conjunto de regras e condicionantes para as intervenções de conservação e reabilitação, tendo como objetivo a conservação das caraterísticas originais e próprias dos edifícios, assim como do seu impacto na paisagem. A criação de legislação deste tipo é sem dúvida uma das melhores formas de contribuir para a conservação deste tipo de edificado, como comprovado por estas aldeias, em que para além da maioria das habitações estarem reabilitadas, essas reabilitações foram mais cuidadas, e realizadas com maior conformidade com as “Recomendações do ICOMOS”.
Durante as várias visitas à zona de estudo para o levantamento dos dados que permitiram a realização deste trabalho e com a aplicação do Método de Mosler aos edifícios da Z. H. de Bragança tornou-se evidente a importância da execução de inspeções e trabalhos de manutenção regulares para a conservação dos elementos construtivos e quais as consequências quando tal não acontece. Inspeções regulares permitem que as intervenções necessárias tenham lugar em fases iniciais do desenvolvimento das patologias, minimizando os danos nos elementos construtivos e consequentemente os custos de preservação dos edifícios. Também a projeção de potenciais riscos pode ser conseguida através de inspeções regulares, tanto que até os edifícios recentemente intervencionados devem ser alvo de constante inspeção, pois o reaparecimento das patologias é muito frequente, quer devido a erros de diagnóstico ou escolhas inadequadas de técnicas de intervenção.
O Método de Mosler através da classificação dos riscos permitiu ainda definir prioridades de intervenções. Este trabalho deve também ser realizado individualmente para cada edifício. Devido à forma como o método foi implementado neste estudo, tal, tornar-se-ia incomportável pelo que procedeu à sua definição considerando o conjunto de edifícios analisados. Pelos resultados semelhantes obtidos nas três partes em que se dividiu a zona de estudo, não se verificou uma urgência maior numa delas que justifique ser alvo de mais preocupações que as outras como, por exemplo, a possibilidade de implementação de um programa de incentivos como o existente na Cidadela. Caso haja essa possibilidade, e visto que a Zona 1 já beneficia desse tipo de apoios, a zona que deveria ser escolhida seria a Zona 3, quer pelo valor histórico e arquitetónico dos seus edifícios, quer por esta ser a zona com mais relevância para a cidade (comércio/serviços/movimento/quantidade de moradores/afluência turística). No que respeita às prioridades de intervenção propriamente ditas, dos vários problemas analisados, os que mais preocupações levantam são, como é óbvio, os de carácter
122 estrutural. Assim, a intervenção nas deformações e fissuração em paredes exteriores e na degradação das coberturas são trabalhos prioritários em relação aos referentes aos destacamentos de revestimentos, degradação de elementos em madeira e presença de colonizações biológicas. Analisando as classificações dos vários riscos estudados, e considerando que não pode ser dada a mesma importância a cada um deles, propõe-se a seguinte ordem de prioridade para as patologias/anomalias a serem corrigidas:
1º – Degradação das coberturas; 2º – Fissuração em paredes exteriores; 3º – Deformações em paredes exteriores; 4º – Destacamento de revestimentos; 5º – Degradação de elementos em madeira; 6º – Existência de colonizações biológicas.
Não é de mais referir que a ordem em causa apenas é uma proposta que teve como base a gravidade dos riscos na totalidade da zona de estudo, pelo que pode não corresponder à realidade de muitos edifícios, assim como também é possível em alguns deles a existência de outros riscos com gravidade considerável que não foram inseridos neste estudo.
Ao longo do estudo e pesquisa para a execução do Capítulo 6, constatou-se a existência de grande variedade de técnicas, materiais e informação que permitem efetuar corretamente a reabilitação de qualquer elemento construtivo deste tipo de edifícios. A maior dificuldade em o fazer está relacionada com a falta de mão-se-obra especializada e a já referida mentalidade de que o que é “novo” é melhor.
Como possíveis trabalhos futuros para melhor servir o principal objetivo deste trabalho, de preservação e conservação da construção tradicional, seria interessante complementa-lo com um estudo semelhante mas direcionado ao interior dos edifícios. Como no presente trabalho, seria importante realizar a caraterização dos seus elementos construtivos e espaços/compartimentos, assim como o levantamento das patologias e anomalias mais recorrentes. Também o conhecimento sobre aspetos mais ligados à qualidade e conforto de utilização destes edifícios seriam de grande utilidade, como por exemplo quais as soluções bioclimáticas originais deles, o estado de conservação e quais as necessidades de intervenção
123 nas instalações técnicas, como redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais, instalações elétricas e redes de gás, melhoramentos na capacidade de isolamento térmico e acústico, assim como uma análise das suas condições de segurança contra incêndios. Tendo estes edifícios caraterísticas bastante singulares e próprias, distintas dos construídos atualmente, quer referentes à arquitetura, sistemas construtivos e instalações técnicas, seria interessante um estudo sobre as dificuldades e possíveis soluções para estes cumprirem as legislações atuais referentes a aspetos como exigências térmicas, energéticas, alterações das utilizações tipo, condicionamento acústico e segurança contra incêndio, entre outras.
Sendo a construção tradicional adaptada às condições e caraterísticas de cada local, resultando construções distintas de zona para zona, seria importante a extensão do presente estudo a outras cidades e aldeias de Trás-os-Montes, assim como a outras regiões do país.
A criação de um plano de inspeção e manutenção adaptado às caraterísticas do edificado de construção tradicional na Z. H. de Bragança seria um complemento ao “Regulamento do Plano de Pormenor para a Zona Histórica de Bragança” assim como um contributo para a retoma de hábitos de manutenção nos utilizadores destes edifícios.
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