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Bethe-Salpeter equation

4.2 Non-relativistic limit

Para além dos elementos construtivos já referidos em “2.2.2. Principais Elementos Construtivos”, os edifícios de construção tradicional têm uma grande variedade de outros

elementos que devem ser analisados. Alguns dos que serão de seguida descritos são exclusivos deste tipo de edifícios e caíram em desuso, quer pela evolução na construção, na arquitetura ou por alterações no modo de vida das populações; outros continuam atuais, mas mesmo esses possuem caraterísticas únicas neste tipo de edificado. Grande parte dos elementos construtivos descritos neste ponto são responsáveis pelo aspeto tão característico do tipo do edificado anterior à era do betão.

29 resistentes. Algumas habitações na zona intramuralhas, possuíam escadas exteriores e pequenas hortas delimitadas com muros em alvenaria de xisto, sem revestimento, ficando com a pedra à vista. Alguns foram reconstruídos, erradamente, com betão armado e alvenaria de tijolo cerâmico. As escadas exteriores são elementos mais característicos do meio rural e daí a fraca presença com que se encontram nos edifícios da cidade. Por questões de salubridade nos pisos enterrados, existem frestas de ventilação conhecidos também como respiradouros, situados na fachada ao nível do solo, permitindo a circulação de ar entre o meio exterior e estes pisos (Figura 2.53). Em edifícios com reduzido número de vãos no rés-do-chão, existem por vezes frestas de ventilação nessas paredes (Figura 2.54).

Figura 2.53 – Frestas de ventilação de pisos enterrados

Figura 2.54 – Frestas de ventilação de pisos térreos

Uma caraterística muito própria da construção tradicional quer pelas suas tipologias construtivas, pela sua presença ordinária ou pela beleza e singularidade que concedem aos edifícios são as varandas. Cerca de 50% dos edifícios pertencentes à zona de estudo possuem pelo menos uma variação deste elemento. São de entre todos os elementos construtivos na Z. H. de Bragança os que mais variações possuem (Figura 2.55 a Figura 2.62), existindo desde a varanda típica que serve um único compartimento do edifício, varandas corridas ao longo de toda a fachada servindo todos os compartimentos que lhe são adjacentes, varandas formadas pelo facto do último piso dos edifícios ser recuado, varandins e portas de sacada, sendo que estas últimas possuem simultaneamente caraterísticas de janela e de varanda. Estas, e apesar de não se poderem considerar varandas, foram inseridas nesse tipo de elemento construtivo por fatores, como o modo de abertura e a existência de guarda. Por vezes, existe um prolongamento da cobertura sobre estas, que assenta num frechal sustentado por prumos metálicos ou em madeira. Para cada uma das tipologias anteriores podem ainda existir múltiplas variações, como é o caso das portas de sacada, muito frequentes na zona de estudo, que podem ser à face do plano de fachada ou com pendentes em granito. As varandas, são executadas em granito ou madeira (exceto as portas de sacada à face que não são mais que um vão aberto na parede de

30 alvenaria, com a respetiva porta e guarda) e, quando em granito, possuem normalmente uma grande quantidade de pormenores decorativos talhados na própria pedra, em sintonia com os mesmos nas molduras dos vãos e cornijas. As varandas em granito são em consola, encastradas na parede. Quando são em madeira, geralmente, assentam apenas nas pontas salientes do soalho, sem qualquer apoio do solo. Noutros casos o suporte é reforçado por escoras encastradas na parede que lhe fica inferior, equilibrando desta maneira o balanço do pavimento [10]. Independentemente da tipologia das varandas, nas portas que servem de acesso a estas, aplica- se tudo o que já foi referido anteriormente para os restantes vãos. Outro elemento que contribui bastante para que as varandas sobressaiam, do ponto de vista estético, são as guardas. Geralmente as varandas em madeira possuem guardas simples, também em madeira. Nas de granito são, normalmente, em ferro forjado trabalhado, havendo também exemplos em madeira e de simples prumos em ferro forjado, sem grandes pretensões estéticas. Quando existe um prolongamento da cobertura sobre as varandas, no remate entre este e os prumos que o sustentam, são comuns decorações em ferro forjado. As varandas e respetivas guardas são elementos pouco adulterados, sendo raros os exemplos de varandas reconstruídas em materiais dissonantes como o inox e vidro.

Figura 2.55 – Edifício com varandas de granito e madeira Figura 2.56 – Edifício em reabilitação Figura 2.57 – Varanda corrida ao longo de toda a

fachada

Figura 2.58 – Varanda corrida formada pela posição recuada

do último piso

Figura 2.59 – Varandim em granito trabalhado

Figura 2.60 – Porta de sacada à face do plano

de fachada

Figura 2.61 – Porta de sacada com pendente em granito trabalhado

Figura 2.62 – Varanda com prumos metálicos de suporte ao prolongamento da cobertura

31 Nas coberturas e no remate entre estas e as paredes exteriores existem alguns elementos e soluções construtivas para além das já referidas anteriormente no ponto “2.2.2. Principais Elementos Construtivos”. As platibandas e frontões são dois elementos não muito usados, mas

o suficiente para se justificar a sua caraterização (Figura 2.63 a Figura 2.66). Estes elementos possuem definições que se podem facilmente confundir. Situam-se ambos no topo da parede de fachada e podem-se considerar uma extensão desta. Não permitem que a cobertura ou pelo menos parte dela seja visível. Os frontões são elementos que visam mais um aumento da imponência do edifício através do aparente aumento deste em altura e de forte presença de pormenores decorativos, que podem ser elementos em pedra trabalhada, brasões, painéis cerâmicos, entre outros. As platibandas também estão relacionadas com questões estéticas mas geralmente não são por si só um elemento decorativo. Contribuem para um melhor aspeto dos edifícios quando estes possuem algum elemento ou caraterística dissonante, como por exemplo, caleiras e algerozes à vista que podem ser escondidos atrás da platibanda. Podem ainda permitir uma melhor integração de um edifício com os envolventes no caso de existirem fachadas com alturas desfasadas ou no caso de edifícios em que as águas da cobertura têm um direção diferentes das dos envolventes.

Figura 2.63 – Edifício com

platibanda

Figura 2.64 – Frontão decorado com painel cerâmico

Figura 2.65 – Frontão triangular decorado com o

brasão da cidade

Figura 2.66 – Frontão decorado apenas com pormenores em

telha canal

Ainda na zona de remate entre a cobertura e paredes de fachada existe um pormenor arquitetónico muito recorrente que são as cornijas sobrepostas, executadas através de um prolongamento aparente da cornija de um edifício para os edifícios vizinhos, ficando assim sobrepostas as cornijas de dois edifícios adjacentes (Figura 2.67).

Um outro elemento relacionado com as coberturas são as gárgulas em granito, característicos apenas dos edifícios de famílias mais abastadas (Figuras 2.68 e 2.69). Estas gárgulas são basicamente elementos cilíndricos furados, em granito, dispostos na horizontal e perpendiculares à parede de fachada, situados habitualmente na zona dos cunhais. Funcionavam

32 como sistema de drenagem das águas pluviais, em que o escoamento se dava da cobertura para caleiras, que por sua vez a conduziam às gárgulas, que pela sua posição permitiam a libertação da água para a via pública a uma maior distância do edifício. Nestes elementos eram talhados efeitos decorativos, geralmente imitando formas de animais.

Para uma melhor iluminação dos edifícios, eram por vezes aplicadas claraboias na zona mais central e elevada das coberturas (Figura 2.70 a 2.72). Na generalidade eram elementos de reduzidas dimensões e simples, executados numa fina armação em ferro para fixação dos vidros. São raros os exemplos de claraboias mais elaboradas, de dimensões consideravelmente maiores que a generalidade e com pormenores decorativos.

Figura 2.67 – Cornijas sobrepostas Figura 2.68 – Gárgula em granito na Casa do Arco

Figura 2.69 – Gárgula em granito no edifício Sá Vargas

Figura 2.70 – Típica claraboia sem decoração e de pequenas

dimensões

Figura 2.71 – Exemplo de claraboia com decoração e maior que o habitual no edifício do antigo

Centro Republicano

Figura 2.72 – Vista interior da cúpula e claraboia do Centro Cultural de Bragança (antiga

Câmara Municipal)