2 CHALLENGES AND RISKS RELATED TO PP&A
2.2 Solutions to PP&A challenges
ANO 1920(1) 1940 1950 1960 1970
POPULAÇÃO TOTAL (2) 18.896 23.401 36.761 59.076 113.965
Tabela 1. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censos Demográficos (1940-1970).
(1) Sobre os dados populacionais referentes ao ano de 1920. Cf. VASCONCELLOS, Clodomiro R. de. Centenário da Independência do Brasil: Álbum do Estado do Rio de Janeiro: 1922. Rio de Janeiro: Presidência do Estado do Rio de Janeiro, 1922; e
(2) Para essa pesquisa, os dados populacionais referentes aos municípios de Magé e Guapimirim constantes nos censos do IBGE foram unificados, tendo em vista que este era distrito daquele município durante o período pesquisado.
No início da década de 1930, quando a preponderância industrial já se tornava eviden- te, o prefeito Gilberto Bacellar demonstrava preocupação quanto a essas transformações eco- nômicas em seus relatórios enviados ao interventor do Estado. Recorrendo à história do sécu- lo XIX, quando Magé destacava-se na produção agrícola, o prefeito combateu o que ele de-
nominou de “regime exclusivista da indústria”:
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A Real Fábrica de Fiação e Tecidos de Algodão do Catumbi (1815) e a Real Escola de Fábricas de Fiação de Algodão, Tecidos de Pano e Malha da Lagoa Rodrigo de Freitas (1819), ambas financiadas pelo governo de D. João VI, tiveram um breve período de existência, paralisando suas atividades em 1818 e 1822, respectivamente.
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Este argumento é bastante recorrente nas produções sobre a história da cidade. Cf. VIEIRA, Caroline Moreira. “Horrores
de Magé”: as repercussões da Revolta da Armada na cidade de Magé. 1893-1894. São Gonçalo: monografia de graduação
em História, FFP/UERJ, 2005; e MITRA DIOCESANA DE PETRÓPOLIS. Os Horrores de Magé: 1894. Magé: s/ed, 2002. Esta última publicação reuniu as reportagens veiculadas pelo Jornal do Brasil à época.
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Os surtos de doenças registrados na primeira metade do século XX em Magé e os seus impactos sobre a população foram abordados em minha dissertação de mestrado. Cf. RIBEIRO, Felipe. Operários à tribuna, op.cit. pp.85-91. A título de exem- plo, destacamos que, somente entre os anos de 1942 e 47, foram computados 16.388 casos de malária com vít imas fatais no município, o que explica, em parte, o baixo crescimento populacional de Magé até a década de 1950, conforme dados do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu). Apud: SANTOS, Renato Peixoto dos. Magé: Terra do Dedo de Deus, op.cit. pp.201-202.
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Já tivemos ocasião de chamar a atenção do Conselho Consultivo local para a particularidade que caracteriza a vida econômica deste município, que se re- sume no seguinte: as fábricas pagam os ordenados a seus operários; esses fa- zem suas compras no comércio local; e o comércio se reabastece na praça do Rio de Janeiro. De sorte que o numerário que entra no município por inter- médio das fábricas, rapidamente e na sua quase totalidade se escoa nova- mente para fora, não deixando quase vestígios da sua circulação. Esse mal só poderá ser evitado quando a lavoura local estiver em condições de abastecer o comércio e ainda exportar os seus produtos. Só assim se irá fixando algu- ma riqueza dentro do nosso território. 169
A indústria de tecidos, cedo implantada em seu solo, deve este município um inestimável serviço. Quando o surpreendeu a decadência agrícola, foi ela que salvou do marasmo econômico. (...) Não é a indústria em si, evidentemente, que nos parece condenável; mas essa situação de absoluto exclusivismo em que se encontra Magé, ficando assim, a vida e o futuro do município na de- pendência imediata de uma única fonte de atividade econômica (...). Em tempos idos, já desfrutara Magé de dias assinaladamente prósperos, graças à sua atividade agrícola. (...) É chegado o momento de Magé retomar o rumo vitorioso, seguido no passado. O ressurgimento de sua atividade agrícola se- rá o complemento necessário da sua intensa atividade industrial. 170
Todos estes questionamentos apontados pelo prefeito foram bastante influenciados pe-
las consequências da crise mundial de 1929 (a chamada “Grande Depressão”), quando a mai-
oria das fábricas têxteis do município teve que interromper suas atividades temporariamente, causando desemprego e muita apreensão nos moradores ao longo dos anos de 1930. Sem dú- vida, todos esses fatores (decadência agrícola, “Horrores de Magé”, insalubridade, doenças e, agora, o desemprego) se imbricaram naquele tempo e lugar, provocando uma situação marca- da por graves problemas econômicos e sociais. Logo, os governantes trataram de investir em projetos que desenvolvessem a produção agrícola local, com o propósito de mesclar aquele
“regime exclusivista”.
Ao final da década posterior, Magé já apresentava um perfil econômico considerado misto, do tipo agroindustrial, destacando-se a produção das indústrias de tecidos em detrimen- to da agricultura, porém de forma mais equilibrada. 171
Interessante observar que, embora mantendo um pólo industrial têxtil consolidado, Magé era tipificada como agroindustrial em 1950, coadunando-se em parte aos resultados dos censos demográficos, que já apresentavam um interessante equilíbrio entre a população urba-
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MAGÉ (RJ). Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Interventor no Estado do Rio Comandante Ary Parreiras pelo Prefeito Gilberto H. de Bacellar. Prefeitura Municipal de Magé: s/d, 1933. p.15.
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MAGÉ (RJ). Relatório do Exercício apresentado ao Exmo. Sr. Comte. Ary Parreiras, D. D. Interventor do Estado do Rio de Janeiro, pelo Prefeito Municipal Gilberto Huet de Bacellar. Prefeitura Municipal de Magé: s/d, 1934. pp.7-8.
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PEDROSO, José. O Rio de Janeiro: a cidade e o Estado. Rio de Janeiro: s/d, 1950. p.363. Apesar das escassas informa- ções, o autor apontou que a produção têxtil no município, em 1948, de acordo com a Prefeitura, registrou o valor de Cr$ 111.464.9919,80, enquanto que a produção agrícola, em 1945, segundo o Ministério da Agricultura, alcançou a cifra de Cr$ 2.016.008,00.
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na e rural do município, particularmente se somarmos a primeira com a população suburbana. Sem dúvida, em termos de produção, a indústria de tecidos alcançava elevados índices e gera- va vultosos recursos, senão a maioria deles, para a cidade. Entretanto, no que tange a distribu- ição da área geográfica do município e de seus moradores, havia um certo equilíbrio, que só veio a ser alterado a partir da década de 1970, praticamente recuperando, em percentuais, os índices do início dos anos 40, em que a população rural encontrava-se na faixa de 30%.