7. Analyse av risiko
7.2 Soliditetsanalyse
Introdução
Tendo comprovado que a estrutura valencial é propriedade constitutiva do predicado nominal derivado no léxico, volto, agora, a atenção, neste capítulo, para a tentativa de fornecer uma inter- pretação adequada do modo como o Nível Interpessoal e o Repre- sentacional estabelecem forte correlação com a forma de expressão da estrutura valencial no nível Morfossintático mediante o uso da nova arquitetura para a GF constituída pela GDF.
Vale a pena lembrar que tanto o predicado da matriz quanto o da oração encaixada numa relação de subordinação são marcados por diferentes graus de interconexão cujos efeitos são o compartilha- mento de participantes e das marcas de tempo/aspecto/modo. Esse tipo de relação é conhecido na pesquisa tipológica como integração semântica (Givón, 1980, 1990; Noonan, 1985).
Neste capítulo, pretendo mostrar como encaixar esses fenô- menos no âmbito da GDF mediante a interpretação do papel das nominalizações como construções encaixadas. Para tanto procedo conforme o seguinte roteiro.
Na Seção 5.1, que trata da implementação dinâmica, mostro que a posição assumida na análise é compatível com o Princípio de
Adequação Psicológica da GDF; na Seção 5.2, dando continuidade a esse princípio, proponho uma releitura para a tipologia dos predi- cados encaixados postulados por Dik (1997).
Na Seção 5.3, desenvolvo o princípio de que a separação entre predicados e esquemas de predicação, proposta no âmbito da GDF, é adequada para a interpretação de que zeros anafóricos são motiva- dos por fatores semânticos e pragmáticos e, portanto, definidos nos níveis mais altos de organização gramatical.
Finalmente, na Seção 5.4, que fecha esse ciclo de análise com consequências teóricas, elaboro uma proposta de formalização para as nominalizações conforme o arcabouço da GDF.
5.1 A implementação dinâmica dos zeros
anafóricos
Como visto na Seção 4.4, a economia sintagmática representa um princípio orientado pela tendência do falante para o mínimo esforço e a simplificação máxima da expressão, um princípio que explica a redução do comprimento ou da complexidade do enuncia- do com subsequente omissão de informação redundante ou recupe- rável no contexto comunicativo (cf. Haiman, 1985).
Segundo Cristofaro (2003) é a economia sintagmática que expli- ca a correlação entre predeterminação de traços semânticos, como referência temporal, aspectual e modal na predicação matriz que conduz à não especificação da informação correspondente na predi- cação encaixada. Similarmente, se a predicação matriz e a encaixada compartilham participantes, também a referência a esses partici- pantes pode ser omitida na forma dependente. Esse princípio, tam- bém mencionado antes por Koptjevskaja-Tamm (1993), explica casos de compartilhamento argumental como (4-26) aqui repetido como (5-1).
(5-1) eu tenho impressão que o teatro PERde público por falta de di-
Há, no entanto, casos de compartilhamento argumental em que o argumento não expresso não é semanticamente determina- do pelo predicado da oração matriz. Quando os participantes são predeterminados, o falante pode excluir a referência a eles porque a informação correspondente está acarretada pela relação de subordi- nação. Todavia, quando os participantes não são predeterminados, e não há referência aberta a eles, poderia não haver modo algum de recuperar a informação perdida. O caso contido em (5-2b) é um bom exemplo desse tipo de não expressão argumental.
(5-2) a toda e qualquer manifestação que a gente for procurar vai ter
que estar necessariamente ligada... a esta preocupação vital do homem pré-histórico de... se conservar vivo... (EF-SP-405:50)
b então a preocupação central... vai ser em torno da caça...
(EF-SP-405:51)
Está claro em (5-2b) que a expressão de A1 é o homem pré-
-histórico, enunciado alguns momentos antes no contexto, como aparece em (5-2a). O mesmo argumento na segunda menção está morfossintaticamente licenciado, mas não é expresso por ser in- formação pragmaticamente compartilhada entre os participantes da interação. Nesse caso, a construção de (5-2b) sem expressão fonológica de argumento não envolve perda real de informação, porque o ouvinte sabe que, se a construção de (5-2b) é assim usada pelo falante, é porque ela compartilha o participante experienciador não formalmente com o predicado matriz, mas pragmaticamente, na suposição de que a memória de curto prazo do ouvinte preserva a informação contida em (5-2a), que foi mencionada apenas um momento antes na situação discursiva.
Segundo Cristofaro (2003), embora esse tipo de construção seja apenas outro exemplo do mesmo Princípio de Recuperabilidade de Informação, ele reflete o fato de que essa situação de compartilha- mento é mais comum no nível do discurso, e a organização estrutu- ral está alinhada às condições do uso.
O Princípio de Recuperabilidade de Informação conforma-se adequadamente com o modo de organização da GDF. Os Níveis Interpessoal e Representacional alimentam-se igualmente de in- formações disponíveis no Componente Contextual, habilitando referência subsequente a várias entidades relevantes em cada nível, na medida em que elas são introduzidas no discurso. A operação de formulação apoia-se nesse componente de modo que a acessibilida- de de antecedentes pode influenciar a composição dos atos discur- sivos em relação à visibilidade ou não de referentes no processo de codificação (Hengeveld; Mackenzie, 2006).
Há, portanto, uma forte interação entre os Níveis Represen- tacional e Interpessoal nesse processo de codificação dos parti- cipantes na estrutura argumental do nome, justamente em razão de cada nível de representação dentro da gramática consultar o Componente Contextual, conforme mencionado acima. O falante recorre assim à memória de curto prazo do ouvinte, representada pelo componente contextual, para omitir a expressão fonológica do argumento de preocupação em (5-2b).
Nos casos de predicados não referenciais, como (5-3), e argu- mentos com referência indeterminada, como o argumento agente de (5-4), as condições semânticas, no caso do primeiro, e as prag- máticas, no caso do segundo, consistem em instruções para o ou- vinte não esperar acessibilidade a nenhum referente específico, fenômeno que não é restrito às nominalizações.
(5-3) ela quer saber as matérias que ela vai ter... o curso::... o segundo
ciclo que ela pretende fazer... sabe? bom já está numa:: idade de definição quanto ao segundo ciclo porque elas já estão na oitava série as mais velhas não é? (D2-SP-360)
(5-4) aumenta um pouco mais a procura de engenheiro civil... depois
cai... (D2-SP-360)
Como ficou claramente demonstrado com base nos casos de anáfora zero, motivados por compartilhamento de participantes e
nos casos de predicados não referenciais, o Nível Representacional pode exercer um importante papel na etapa da formulação sem qualquer correlação evidente com o Nível Interpessoal, que é o mais alto da escala no processo de formulação.
Por isso, entende Mackenzie (2004a) que a hipótese de redução de valência licencia distintos esquemas para as categorias interme- diárias já no Nível Representacional. Um dos argumentos mais fortes de Mackenzie é que as escolhas não são dependentes do Nível Interpessoal, já que, como se sabe, restrições de seleção determi- nadas pelo predicado encaixador nem sempre licenciam todas as formas alternativas na posição de construção dependente. Confira os exemplos que fornece, aqui sob o número (5-5a-b):
(5-5) a I knew/said my horse won the race.
b *I knew/said my horse (’s) winning (of) the race.
(Mackenzie, 2004a)
De fato, os estados de coisas principal e dependente numa re- lação de subordinação podem ter vários graus de interconexão, em termos de compartilhamento de marcação de tempo, aspecto modo e também de participantes, fenômeno conhecido por integração semântica (Givón, 1980, 1990; Noonan, 1985). Com base nesse parâmetro, Cristofaro (2003) propõe uma relação entre predicados encaixadores e integração semântica, que reproduzo na Figura 8.
Integração semântica: Hierarquia de In- tegração Semântica
Ausência de Integração Semântica
Fasais > Modais > Manipulativos > (‘fazer’) > Manipulativos (‘ordenar’), Desiderativos, Perceptivos
Conhecimento, Atitude Proposi- cional, Enunciativos
‘>’ = envolve maior integração semântica que’
(Cristofaro, 2003, p.122)