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Sogn og Fjordane

In document Sogn og Fjordane (sider 21-24)

psicodinâmica individual de pessoas específicas, mas são expressão do ideal de nossa cultura na atualidade, distanciada de valores afetivos. Pelo fato de o narcisista estar muito distante da compaixão e de qualquer meta que transcenda seu eu grandioso, nossa cultura é ameaçada pelo ideal que coloca a sensibilidade como sinônimo de fraqueza e a blindagem emocional um sinônimo de força.

De modo geral, não são apenas as pessoas de caráter tipicamente narcisista que usam os mecanismos narcisistas da projeção do mal no outro. Indivíduos mais ou menos neuróticos atuam dessa maneira. O princípio do poder, uma característica do narcisismo defensivo não-elaborado e, portanto, não conscientizado nem transformado, devasta famílias e relacionamentos. Corrói as instituições e fere mortalmente aqueles que são atacados pela sua fúria. O outro tem de ser suplantado, influenciado e dobrado. Jamais sentido, empatizado e reconhecido em sua singularidade.

É curioso, por exemplo, que instituições de ensino tidas como de qualidade superior aceitem professores narcisistas e arrogantes, que desqualifiquem seus alunos pela pedagogia do medo. Em nome de um ideal pedagógico, agem psicopaticamente, atacando a autoestima de seus alunos, quando percebem que eles não são feitos à sua imagem e semelhança.

Um professor, por exemplo, pode ter a convicção de que a sua matéria é fundamental para a formação de seus alunos. Por isso, irá empregar toda a sua energia, de modo que seus alunos interiorizem o conteúdo de sua disciplina. Na verdade, ele pode estar projetando a sua polaridade grandiosa no self-objeto-aluno, indiferenciando-se deles e magoando-se profundamente com aqueles que não espelham a sua grandeza, isto é, que não se apaixonam pelo conteúdo de suas aulas. Essa mágoa pode se converter em agressão. Observe o que Kohut expõe sobre a destrutividade metódica:

A agressão humana é mais perigosa quando está ligada às grandes constelações psicológicas absolutistas: o self grandioso e o objeto onipotente arcaico. E a destrutividade humana mais pavorosa não é encontrada em forma de comportamento primitivo, regressivo e selvagem, mas sim em forma de atividades metódicas e organizadas, nas quais a destrutividade daqueles que as executam está amalgamada, com absoluta convicção acerca de sua própria grandeza e com a devoção que têm às figuras onipotentes arcaicas. (KOHUT, 1984, p.98).

O sadismo e o abuso de poder ainda não foram devidamente discriminados em nossos núcleos sociais. Eles ainda passam despercebidos e são, muitas vezes, aceitos como parte de uma personalidade sistemática ou rígida. As atitudes perversas narcisistas são encontradas em vários setores de ensino, e não se excluem nem mesmo as escolas de Psicologia ou Pedagogia, nas quais professores também fazem ameaças e jogam constantemente com o poder que têm nas mãos. Por serem hábeis em cultivar o poder político, essas pessoas mantém-se em seus postos. Mas não apenas por isso. Observei, em algumas instituições de renome, que pessoas que são feridas em sua dignidade pelo abuso moral, não tomam nenhuma providência que deixe clara a sua indignação. Submetem-se, racionalizam e amoldam-se, até que possam livrar-se pelo famoso “jogo de cintura” ou “jeitinho brasileiro”. Evidentemente, isso não acontece somente nas instituições de ensino, mas nas organizações em geral, com e sem fins lucrativos, públicas ou privadas, religiosas ou laicas. Ocorre, principalmente, na vida privada, na qual o mais forte faz a lei.

O indivíduo narcisista faz do outro seu espelho. Sua necessidade de se sentir adulado é proporcional à sua fragilidade narcísica. Preocupa-se em demasia com a sua autoimagem e não permite que ninguém, numa sala, se sobressaia mais do que ele, ou apenas que tenha uma opinião divergente. Se isso acontece, ele espera o momento certo para atacar e desprestigiar o seu oponente. O golpe é rápido e inesperado. Ele age sem piedade e escolhe o momento em que seu pseudo-opositor está com a guarda baixa e em situação de exposição perante outros.

Quando nos deparamos com um narcisista, se não formos muito atentos e autoconfiantes, poderemos sair deprimidos ou diminuídos. Costuma ser um mau encontro. No entanto, quando se percebe que a vulnerabilidade do narcisista é sua exagerada e incansável necessidade de adulação, descobre-se o seu ponto fraco. Nesse momento, o manipulador pode ser manipulado. É assim que muitos funcionários aprendem a lidar com um chefe narcisista, em vez de se sentirem humilhados como os demais. Os que se sentem humilhados, por estarem em constante exposição aos ataques narcisistas e não reconhecerem a dinâmica perversa, escolhem a submissão como estratégia para manter o status quo. Eles podem, então, vir a padecer de depressão, pânico, ansiedade ou toda sorte de somatizações, tendo em vista que o mecanismo fisiológico de luta ou fuga é cronicamente ativado.

Quando o atacado opta por uma defesa masoquista, ou não dispõe de outro tipo de defesa a que possa recorrer, a agressividade despertada pelo ataque sádico volta-se contra o próprio sujeito humilhado e fere seu ego narcisicamente, abrindo ou reabrindo feridas narcísicas que o levarão a adoecer ou a agir da mesma maneira com aqueles sobre os quais tem algum tipo de poder, como os que estiverem abaixo dele na hierarquia da organização.

Assim, uma pessoa pode ser, ao mesmo tempo, masoquista e sádica. Por exemplo, masoquista-vítima em relação ao cônjuge, ao professor e/ou ao superior hierárquico, mas sádica-algoz em relação aos seus subordinados e filhos. As duas polaridades – sadismo e masoquismo – estão projetadas fora. O senso de identidade do narcisista é minguado por suas projeções.

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