Paper III:........................................................................................................................... 25
4. DISCUSSION
4.2 Comments on the main findings
4.2.2 Socio-cognitive predictors of dental students’ intention to treat HIV – infected
5.1 – INTRODUÇÃO
Os pegmatitos são reconhecidamente rochas portadoras de minerais e elementos químicos relativamente pouco comuns na natureza. Neste capítulo serão abordadas as principais características mineralógicas e a assinatura geoquímica dos principais minerais, independentemente de sua economicidade. Para tal, será necessário categorizá-los em quatro grupos: minerais de lítio, minerais de tântalo, minerais de estanho e outros minerais.
A assinatura química total para o pegmatito da Mina de Volta Grande pode ser observada na tabela 5.01, incluindo elementos maiores e traços. É nítida a presença de anomalias químicas, evidenciadas pelas moderadas a altas concentrações de Ta, Be, Rb, Sn e Cs nos minerais presentes no pegmatito.
O estudo realizado para quantificar os minerais presentes no pegmatito foi baseado em observações microscópicas e também na análise de minerais liberados (Automated Scaning Electron
Microscope Based Mineral Liberation Analysis) utilizando microscópio eletrônico de varredura
(FEGSEM) e espectrômetro de dispersão de energia (EDS SSD).
O resultado obtido foi satisfatório, porém para os minerais leves é preciso ter cautela ao analisar. O espodumênio e as micas são exemplos da necessidade de interpretar corretamente os dados obtidos para não gerar informações equivocadas. Neste caso, ajustes foram realizados para garantir a contagem dos grãos e/ou partículas.
A figura 5.01 demonstra como o método funciona. Primeiramente a imagem é obtida a partir do microscópio eletrônico de varredura, seguido pela análise química dos grãos e identificação dos minerais. Após as duas fases iniciais o software relaciona os minerais à cores diferentes, tornando possível contá-los.
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Tabela 5.01 – Assinatura geoquímica para o pegmatito da Mina de Volta Grande, a amostra analisada foi gerada
a partir da blendagem de material de diferentes frentes de lavra e analisada por ICP. Elementos maiores (% em peso) Elementos Traços (ppm)
F 0,08 Sc <1 Mo <2 Tb 0,2 Nb2O5 0,006 Be 131 Ag <0,5 Dy 0,8 ZrO2 <0,003 V 10 In 0,4 Ho <0,1 SiO2 75,14 Cr 80 Sn 516 Er 0,1 Al2O3 15,63 Co <1 Sb <0,5 Tm <0,05 Fe2O3 0,52 Ni <20 Cs 221 Yb 0,1 MnO 0,094 Cu <10 Ba 41 Lu <0,04 MgO 0,13 Zn 90 Bi 1,4 Hf 3,5 CaO 0,57 Ga 67 La 0,7 Ta 323 Na2O 5,52 Ge 8 Ce 1,8 W <1 K2O 1,59 As <5 Pr 0,25 Tl 27,6 TiO2 0,013 Rb 3660 Nd 0,9 Pb 10 P2O5 0,13 Sr 53 Sm 1,1 Th 4,4 LOI 0,75 Y 4 Eu <0,05 U 7,4 Total 100,10 Zr 21 Gd 1,3
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Figura 5.01 – Imagem de elétrons retroespalhados e sua imagem gerada após análises via espectrômetro de
dispersão de energia e calculados pelo software MLA. Os minerais identificados são representados por diferentes cores e estão dispostos na legenda.
O quartzo é o mineral mais abundante com 31 % da massa total, seguido pelo espodumênio com 28 %. Os feldspatos albita e microclina possuem respectivamente 16 % e 13 % da massa total. A lepidolita possui 11 %, porém sua massa pode estar dividida com outras micas de lítio, como as da série da trilitionita – politionita. A relação geral dos quantitativos pode ser visualizada no quadro 5.01.
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Quadro 5.01 – Relação dos minerais presentes e quantitativo em porcentagem de sua área e peso.
5.2 – MINERAIS DE LÍTIO
Os minerais de lítio podem ser agrupados em dois subgrupos: minerais de lítio do núcleo, principalmente na Zona do Espodumênio e Zona do Albitito, e minerais da aureola metassomática. No primeiro os minerais espodumênio e lepidolita são os representantes. O outro grupo é representado pela holmquistita e a zinnwaldita.
É importante ressaltar que devido à dinâmica de cristalização do pegmatito, é difícil relacionar precisamente a ordem de cristalização. É possível que em determinados momentos da cristalização os minerais sejam cristalizados concomitantemente, porém aqui serão tratados como se fosse possível ordenar a cristalização.
O espodumênio é o primeiro mineral de lítio a formar-se. Os cristais gigantes (de até 1,0 metro) de espodumênio (LiAlSi2O6) foram cristalizados primeiramente no núcleo, na Zona do Espodumênio, posteriormente e/ou concomitantemente alguns cristalizam-se entre a borda e o núcleo, na Zona do Pegmatito Granular. Nesta zona os cristais não ultrapassam os 10 cm de comprimento, já na Zona do Espodumênio os cristais normalmente possuem comprimento superior aos 20 cm.
Mineral Wt% Area% Area (micron) Partículas
contadas Grãos contados Quartzo 31 32 21030500 8005 8568 Albita 16 17 11315611 5825 6921 Microclina (Rb) 13 14 9119015 3977 4583 Epidoto (Piemontita) 0 0 5999 23 39 Espodumênio 28 24 15759237 6202 7493 Topázio 0 0 32475 90 172 Kaersutita 0 0 2432 58 60 Lepidolita 11 11 6992854 6139 14142 Titanita 0 0 147 3 5 Ilmenita 0 0 0 0 0 Rutilo 0 0 0 0 0 Pirita 0 0 0 0 0 Cassiterita 1 0 172134 73 82 Óxidos Fe / Goethita 0 0 4099 85 85 Columbita-(Mn) 0 0 5238 14 159 Tantalita-(Mn) 0 0 0 0 0 Pirocloro 0 0 84633 1761 2197 Microlita 0 0 12719 97 135 Apatita 0 0 24146 48 48 Polucita 0 0 4315 88 171 Fluorita 0 0 4375 47 50 Calcita 0 0 12994 47 58 Grafita 0 0 31631 273 386 Unknow n 0 1 797700 7738 11795 Low _Counts 0 0 244853 3364 3425 No_XRay 0 0 19945 9511 9599 Total 100 100 65677051 45638 70173
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As características texturais dos cristais de espodumênio evidenciam, provavelmente, duas gerações distintas para este mineral. A primeira geração seria a do espodumênio sem intercrescimento associado (figura 5.02 A) e a segunda com intercrescimento de quartzo associado (figura 5.02 B). London (1982) relata a existência destas gerações e associa a segunda geração aos estágios tardios de cristalização.
Figura 5.02 – Eletromicrografia mostrando: A) cristal de espodumênio liberado sem intercrescimento associado;
B) partículas de espodumênio (fase clara) intercrescido com a ganga, provavelmente quartzo (fase escura).
A presença de polucita [Cs(Si2Al)O6.nH2O], é evidenciada nos cristais de espodumênio (figura 5.03 e 5.04). A saturação da polucita é gerada a partir de granitos saturados em H2O, sendo a sua solubilidade fortemente dependente da temperatura. London (2005) indica que a saturação deve ocorrer em condições de até 200 Mpa de pressão e temperatura em torno de 680°C.
Após a cristalização do espodumênio, as condições de equilíbrio e o início da cristalização dos bolsões de albita formaram o ambiente ideal para o início da cristalização dos primeiros cristais de lepidolita (K2(Li,Al)5-6Si6-7Al2-1O20(OH,F)4). Este mineral forma-se principalmente nas bordas dos bolsões de albita.
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Figura 5.03 – Eletromicrografia (a): Imagem de elétrons secundários mostrando grãos de espodumênio (esp) e
muscovita (mus). Eletromicrografia (b): mesma foto, porem imagem de elétrons retroespalhados, mostrando inclusões finíssimas de provável polucita (pol).
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A lepidolita ocorre predominantemente em pegmatitos graníticos em associação com outros minerais de lítio, elbaíta, topázio, berilo e quartzo. Devido a dificuldade na investigação e descrição de micas de lítio, criou-se a série trilitionita – politionita (Rieder et al. 1998), que, para efeitos de classificação geral, são interpretadas como lepidolitas. Na figura 5.05 é possível observar a ocorrência de trilitionita em amostra de concentrado da Mina de Volta Grande. ^
Na tabela 5.02 é possível observar a referência mineral comparativa entre a lepidolita e o espodumênio.
Figura 5.05 – Imagem de elétrons retroespalhados de amostra de concentrado de minerais de lítio da Mina de
Volta Grande. A) Spd = espodumênio, Musc = muscovita, Plth = polilitionita, CsAlSiO = silicato de CsAl. B) tri = trilitionita, ab = albita, plag = plagioclásio e musc = muscovita.
Tabela 5.02 – Referência mineral e constituintes químicos a partir de análise de microssonda (Li por cálculo
estequiométrico) e interpretação utilizando MLA para os minerais de lítio do núcleo. Mineral Espodumênio Lepidolita Polucita Fórmula LiAl(Si2O6) KLi2AlSi4O10(OH)F (Cs,Na)(Al2Si4O12)H2O
Al (%) 14.49 6.94 11.88 Cs (%) 0.00 0.00 14.63 F (%) 0.00 4.89 0.00 Fe (%) 0.00 0.00 0.00 H (%) 0.00 0.25 0.44 K (%) 0.00 10.06 0.00 Li (%) 3.72 3.57 0.00 Na (%) 0.00 0.00 2.53 O (%) 51.60 45.34 45.79 Si (%) 30.19 28.94 24.73 Total 100.00 100.00 100.00
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No segundo grupo, o primeiro mineral de lítio a formar-se é a holmquistita, com fórmula teórica: (Li,Na)2 (Mg,Fe,Mn)3 (AlVI,Fe)2 (Si,AlIV)8 O22 (OH,F)2. As condições de estabilidade para este mineral vão da fácies xisto verde até a fáceis anfibolito, sendo que o range de temperatura não ultrapassa os 350° C, e o de pressão encontra-se no intervalo de 2,5 a 3,5 kb (London 1986).
A holmquistita usualmente substitui a hornblenda em rochas máficas, podendo substituir também piroxênio e biotita. É estável em ambiente de pressão baixa, sendo sua formação controlada pela atividade de lítio em rochas máficas (London 1986).
A holmquista (figura 5.06) na mina de Volta Grande geralmente é encontrada nos anfibolitos e apresenta-se fibrosa com crescimento geralmente perpendicular ao contato pegmatito-anfibolito. A ocorrência deste mineral é controlada pela existência de uma auréola metassomática que pode atingir até 20 metros (Quéméneur & Lagache 1994). A composição química da holmquistita pode ser observada na tabela abaixo (tabela 5.03).
Tabela 5.03 – Composição da holmquistita, (Lagache & Quéméneur 1997). A mostra final foi calculada e
corrigida pelos autores.
Holmquistita 05 amostras Amostra final
SiO2 58.66 59.05 Al2O3 12.75 12.29 TiO2 0.04 0.17 FeO 15.08 10.13 Fe2O3 - 3.66 MnO 0.28 0.22 MgO 6.40 6.60 CaO 0.07 0.56 Na2O 0.46 0.29 K2O 0.05 0.06 Rb2O n.d. 94ppm Li2O n.d. 2.66 F 0.29 0.10 H2O n.d. 2.49 Total 98.28
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Figura 5.06 – Imagem de elétrons retroespalhados mostrando detalhe do hábito tabular das mica e dos cristais
prismáticos alongados da holmquistita (a).
A zinnwaldita (figura 5.07) é provavelmente o segundo mineral de lítio a se formar no segundo grupo e sua fórmula química teórica é dada por KLiFe2Al(AlSi3)O10(F,OH)2. Este mineral é descrito como membro intermediário da série isomorfa polilitionita – siderofilita. A zinwaldita na Mina de Volta Grande possui teores de lítio de 2-3 %, e a composição total está representada na tabela 5.04.
A ocorrência deste mineral em pegmatitos é bastante difundida e a principal característica é o fato de ocorrer principalmente em zonas de alteração metassomática. Para os pegmatitos da Mina de Volta Grande a ocorrência é dominante na Zona da Parede e Zona da Borda (Biotitito), porém foram descritas ocorrências nas bordas da Zona do Albitito.
Dentre os minerais de lítio a zinwaldita é que possui maior percentual de ferro, 10% em massa, seguido pela holmquistita com 3,66 %. O espodumênio e a lepidolita possuem quantidades insignificantes de ferro.
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Figura 5.07 – Imagem de elétrons retroespalhados mostrando: 1 – forma placóide da zinwaldita, 2 – Forma
prismática da holmquistita, 3 – Forma irregular de fragmento de rocha e 4 – Forma irregular do quartzo com inclusão de tantalita (5).
Tabela 5.04 – Composição química da Zinnwaldita do pegmatito da Mina de Volta Grande.
Oxidos (1) (2) (3) (4) (5) SiO2 40.30 49.30 44.39 38.84 38.18 TiO2 1.15 0.025 0.83 0.54 0.45 Al2O3 16.6 27.00 20.02 16.85 17.09 MgO - 3.91 - - FeO 6.64 10.35 10.29 MnO 0.33 0.785 0.37 0.32 0.27 CaO 3.90 0.430 0.23 0.05 0.01 K2O 5.60 7.190 9.16 8.57 8.62 Na2O 0.56 0.821 0.40 0.03 0.01 Li2O 1.90 0.930 3.33 2.29 3.04 F 2.90 0.398 4.04 3.81 3.87 H2O+ 3.10 4.130 1.88 1.83 1.85 Total 89.94 93.590 100.86 99.02 100.24
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5.3 – MINERAIS DE TÂNTALO
As análises geoquímicas nos minerais ricos em tântalo indicaram que o tântalo na Mina de Volta Grande ocorre nos minerais do grupo da microlita e nos minerais do grupo Coltan, principalmente na tantalita.
A tantalita é caracterizada pelo seu alto conteúdo de manganês, sendo corretamente denominada de tantalita-(Mn). Este tantalato de manganês (MnTa2O6) é provavelmente o membro mais evoluído do fracionamento do fluido pegmatítico durante o processo de cristalização. Os dados quantitativos para este mineral indicaram que o mesmo possui, em média, 70,57 % de tântalo, 18,72 % de oxigênio e 10,71 % de manganês.
A tantalita ocorre em quase todas as zonas existentes no pegmatito, principalmente nas zonas onde o feldspato prevalece, como na Zona do Albitito. Na figura 5.08 é possível visualizar um cristal de tantalita-(Mn) intercrescida com grão de albita.
A columbita presente no pegmatito também é caracterizada pelo enriquecimento em manganês, sendo corretamente denominada de columbita-(Mn). Na figura 5.09 o cristal de columbita-(Mn) ocorre zonado, onde os teores de Nb e Ta refletem na diferença de tonalidade de cinza na imagem, o ponto (a) é uma columbita-(Mn) enquanto que no ponto (b) temos uma tantalita-(Mn).
Figura 5.08 – Imagem de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando composição de tantalita-(Mn) no ponto (a)
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Figura 5.09 – Imagem de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando a composição de partículas de Coltan. (a)
columbita-(Mn) e (b) tantalita-(Mn).
O hábito dos minerais do grupo da microlita é em octaedros bem formados. Em geral o tamanho dos cristais são pequenos, porém alguns exemplares centimétricos podem ser encontrados. A coloração dos grãos é bastante variada, sendo descritos exemplares incolores e principalmente de cor amarelo, rosa, verde e marrom avermelhado.
No corpo pegmatítico os minerais do grupo da microlita ocorrem preferencialmente na zona de bolsões de albita (figura 5.10). Esta condição está relacionada aos estágios finais de cristalização destas zonas pegmatíticas, momento no qual os fluidos ricos em tântalo percolavam os interstícios e propiciavam a geração da microlita.
Figura 5.10 – Imagem de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando intercrescimento de albita (albite) e
k-feldspato (k-feldspar) com pequenas inclusões de mineral do grupo da microlita (provável fluorcalciomicrolita) no ponto (a).
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A microlita de Volta Grande é quimicamente caracterizada pela sua variada composição (figura 5.11). Exemplares ricos em urânio, bário, H2O, tântalo, nióbio e vazios (vancancies) são os principais. Esta composição esta intimamente relacionada e/ou controlada pela sua gênese. São atribuídas pelo menos três fases de geração de diferentes tipos de microlita.
A primeira fase esta relacionada à fase de cristalização do pegmatito. Os exemplares ricos em urânio são os principais indicadores. A segunda fase, ligada a um processo hidrotermal, é indicada pela substituição da microlita por tantalita-(Mn), gerando assim exemplares ricos em Nb pertencentes ao grupo do pirocloro. A terceira é uma alteração intempérica, que facilita a geração de vazios (vacancies), hidratação da microlita e o aporte de bário no sistema, gerando microlita rica em bário.
Figura 5.11 – Imagem de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando composição da partícula de mineral do
grupo da microlita.
5.4 – MINERAIS DE ESTANHO
A cassiterita é o principal mineral de estanho na Mina de Volta Grande. A composição da cassiterita é variada, sendo que análises quantitativas indicam principalmente o enriquecimento em tântalo e nióbio. Este enriquecimento é devido ao intercrescimento de grãos de Coltan e minerais do grupo da microlita com a cassiterita.
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Pereira et al. (2004) destacam a existência de duas gerações distintas de cassiterita. A primeira relacionada ao período magmático ou estágios iniciais da cristalização do pegmatito e a segunda associada a processos hidrotermais. Os autores ainda condicionam a existência da segunda geração de cassiterita à presença de microlita rica em bário. As análises quantitativas ilustradas na figura 5.12 mostram que a cassiterita possui inclusões e intercrescimentos com diversos minerais, indicando que a cassiterita teria sido gerada juntamente com microlita rica em bário.
Figura 5.12 – Imagens de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando: A) intercrescimento entre cassiterita
(Ponto a) com wodginita (Pontos b1 e b2) e partículas de cassiterita nos Pontos c e d. B) partículas de cassiterita (Ponto a) intercrescida com tantalita-(Mn) (Pontos b e c). C) partículas de cassiterita (Pontos a1 e a2) com pequenos intercrescimentos de wodginita ou ixiolita (Ponto b1) e mineral do grupo da microlita (Ponto b2). A particula c representa cassiterita rica em tântalo. Partículas de tantalita-(Mn) ou tapiolita-(Mn) estão representadas pelos Pontos d, e, f.
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5.5 – OUTROS MINERAIS
A diversidade mineralógica dos pegmatitos é notável em qualquer exemplar ao redor do globo. Nos pegmatitos da Mina de Volta Grande, além dos minerais dos grupos citados anteriormente diversos tipos são encontrados (figura 5.13).
Entre alguns, podemos aqui citar a torita (ThSiO4), fluorapatita (Ca5(PO4)3F) , jeanbandyita ((Fe3+,Mn2+)Sn(OH)
6) e natanita (Fe2+Sn(OH)6).
Figura 5.13 – Imagem de elétrons retroespalhados (BSE) mostrando intercrescimento de torita (ThSiO4) (Ponto
a), fluorapatita (Ponto b), stokesita (SnCaSi3O9 ⋅2H2O) (Ponto d), pirita (pyrit), silicato (Ponto c) e quartzo
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5.6 – DISTRIBUIÇÃO GEOQUÍMICA
A interpretação e a correlação dos dados químicos com as zonas descritas no pegmatito podem ser visualizadas na tabela 5.05. Os pegmatitos de modo geral não exibem um zoneamento distinto e a distribuição dos elementos químicos nestas zonas pode ocorrer de forma errática. O controle da distribuição química está relacionado primeiramente com alterações na temperatura seguida da presença de fluidos.
Tabela 5.05 – Análises químicas médias para os elementos maiores e menores e as respectivas zonas do
pegmatito da Mina de Volta Grande.
A distribuição do elemento tântalo é ampla (figura 5.14, gráfico a), ocorrendo em todas as zonas, inclusive nas zonas de alteração metassomática como a Zona da Parede e do Biotitito. A Zona do Albitito é notadamente a que possui a maior concentração de tântalo, fato este devido à alta concentração de microlita.
Para o elemento nióbio, que é encontrado nas estruturas cristalinas tanto dos minerais da série columbita-tantalita como os dos minerais da série do pirocloro, sua distribuição é um tanto quanto uniforme (figura 5.14, gráfico b). Possui maior concentração na Zona do Pegmatito Granular, fato este devido à presença significativa de Coltan nesta zona. É encontrado também nas zonas de alteração metassomática.
Zonas Ta2O5 Nb2O5 Sn LiO2 SiO2 Fe2O3 CaO MgO Na2O K2O MnO ZALB 562.20 83.38 379.48 2373.19 72.90 0.93 0.71 0.14 7.51 0.95 0.09 ZBIO 85.73 40.58 292.93 6529.93 55.24 11.93 6.14 4.43 1.44 2.22 0.25 ZBKF 277.16 71.76 283.42 17122.17 75.67 1.06 0.32 0.07 2.62 2.83 0.13 ZESP 244.88 61.60 400.00 19668.41 77.15 1.25 0.52 0.18 3.18 1.14 0.14 ZPAR 76.30 34.33 138.33 6560.35 59.27 10.01 5.87 4.37 1.88 1.47 0.18 ZPGR 344.35 93.18 460.44 9758.59 73.69 1.45 0.71 0.26 4.83 1.77 0.14
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O estanho possui concentrações uniformes dentro das zonas (figura 5.14, gráfico c). A maior concentração ocorre dentro da Zona do Pegmatito Granular, Zona do Espodumênio e Zona do Albitito, respectivamente. Esta equidade ocorre devido a cristalização de cassiterita em mais de uma fase, sendo que os teores de estanho neste mineral mantem-se praticamente inalterado.
Figura 5.14 – Diagrama do tipo radar que mostra a variação de teor (ppm) em relação as zonas descritas para o
pegmatito de Volta Grande para: a) teores de óxido de tântalo, b) teores de óxido de nióbio, c) teores de estanho e d) teores de óxido de lítio. Abreviações: ZALB – zona do albitito, ZBIO – zona da borda, ZBKF – zona do k- feldspato, ZESP – zona do espodumênio, ZPAR – zona da parede, ZPGR – zona do pegmatito granular.
A Zona do Espodumênio é notadamente a que possui a maior concentração de lítio dentre as outras, obviamente devido a grande quantidade de cristais de espodumênio presentes (figura 5.14, gráfico d). A presença de lítio se faz presente em todas as demais zonas. Na zona de alteração metassomática a concentração ocorre devido à presença de holmquistita e zinwaldita. Nas demais zonas ocorrem devido à presença de pequenos cristais de espodumênio e ainda de lepidolita.
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A distribuição dos elementos cálcio, sódio, potássio e ferro são resultado da concentração e cristalização de determinados minerais. Na Zona do Albitito a concentração de sódio é elevada devido à presença de cristais de albita (figura 5.15, gráfico e). Na Zona do BKF os cristais de feldspato potássico caracterizam a alta concentração de potássio nesta zona (figura 5.15, gráfico f).
Os elementos cálcio e ferro ocorrem juntos em significativas concentrações nas zonas de alteração metassomática, Zona da Parede e Zona do Biotitito (figura 5.15, gráficos g, h). No caso do cálcio, que é um elemento que se concentra nos restitos magmáticos, sua concentração fica condicionada pela interação dos fluidos finais (restito) e a zona de contato entre o pegmatito e anfibolito.
Para o elemento ferro, sua concentração é resultado das alterações metassomáticas e/ou hidrotermais que ocorre no contato entre pegmatito e o anfibolito. Os anfibolitos por si só são rochas com moderado-alta concentração de ferro, este fato somada à geração de novos minerais hidrotermais e/ou metassomático ricos em ferro como, por exemplo, os sulfetos, contribuem para concentração deste elemento nestas zonas.
O elemento magnésio possui distribuição parecida com a do elemento ferro (figura 5.15, gráfico i). Sua concentração está relacionada com a rocha hospedeira que possui quantidades significativas de anfibólio, provavelmente a hornblenda.
Os teores de manganês são distribuídos de duas formas distintas, porém em ambos os casos o resultado é devido à processos de alteração hidrotermal (figura 5.15, gráfico j). A primeira está relacionada com a zona de metassomatismo onde o manganês é concentrado devido aos estágios finais de cristalização do pegmatito em contato com o anfibolito. A segunda é o resultado da alteração hidrotermal das microlitas e consequente geração de tantalita-(Mn) e outros minerais que facilitam o enriquecimento em manganês.
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Figura 5.15 – Diagrama do tipo radar que mostra a variação de teor (%) em relação as zonas descritas para o
pegmatito de Volta Grande para: e) teores de sódio, f) teores de potássio, g) teores de cálcio, h) teores de ferro, i) teores de magnésio e j) teores de manganês. Abreviações: ZALB – zona do albitito, ZBIO – zona da borda, ZBKF – zona do k-feldspato, ZESP – zona do espodumênio, ZPAR – zona da parede, ZPGR – zona do pegmatito granular.
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