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2.3 Previous research

2.3.3 Societal treatment studies on films and television

Nº DO LOTE

Sim ou Não? Se não, por quê?

07 NÃO Mora e trabalha na cidade

20 NÃO Mora e Trabalha na cidade

23 SIM

continuação

06 SIM

22 SIM

18 SIM

25 NÃO Mora e Trabalha na cidade

16 NÃO Mora e trabalha na cidade

09 SIM Pres. Do STR Centralina mas ainda não trouxe família

08 NÃO Pres. Do STR de Canápolis e Vereador 24 NÃO É presidente do SRT de Monte Alegre de Minas e

trabalha lá

11 SIM

02 SIM Mas ainda não trouxe família 14 SIM Mas ainda não trouxe família

13 NÃO Mora e trabalha na cidade

12 SIM Ainda não trouxe família

21 NÃO Mora e trabalha na cidade

10 SIM

03 SIM

17 NÃO Desistiu do lote

05 SIM

26 SIM

27 NÃO Mora e trabalha na cidade

04 SIM Ainda não trouxe a família

01 SIM

19 SIM

Quadro : Relação de lotes que possuíam moradores no ano de 2001. Organizador: CRUZ, Nelson Ney Dantas, 2007.

A configuração de posse da terra e de moradia das famílias, no assentamento, foi sendo alterada e novos sujeitos se incorporaram ao grupo de moradores. Algumas famílias comercializaram as posses conquistadas, ficando

inadimplentes perante o Governo e o banco17 que lhes concedeu financiamento para construção de infra-estrutura no lote e para produção. Desse modo, um novo mapa de posse e uso dos lotes foi constituído a partir da primeira venda de lote no assentamento, ocorrida em 2004. Neste ano, o lote de número 26 foi comercializado e, a partir desta data, oito lotes também foram vendidos. Essa prática promoveu um novo reordenamento no mapa de organização da posse da terra, bem como no número de moradores do assentamento.

Em 2007, o assentamento era composto por famílias assentadas no projeto original, famílias compradoras que foram assentadas pelo INCRA e famílias compradoras que ainda não tinham a posse regularizada. O órgão gestor tem conhecimento acerca da comercialização de posses e, em diversos casos, tem transferido o título de posse dos antigos beneficiários para os compradores. O tamanho médio dos lotes pertencentes a cada família é de 31 Ha, resguardadas as áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais (RL). No mapa 4 apresentamos, cartograficamente, como se configura a posse da terra, que contrasta, significativamente, com aquela que existira no momento da criação do P. A. Divisa. É importante observarmos a diferença entre os dois mapas para compreender as mudanças ocorridas, sobretudo na aglomeração de famílias por municípios de origem.

17 O Banco do Brasil é o responsável em repassar o financiamento para os assentados da reforma

agrária, tendo como mediador o INCRA, já que os assentados não conseguiriam financiamento, visto possuírem apenas um título de concessão de uso da terra, e não a sua propriedade.

O mapa 4 retrata a situação em que encontramos o assentamento, no ano de nossas pesquisas, possuindo uma nova configuração de posse e moradia nos lotes, diferente daquela instaurada em 1999. Nos trabalhos de campo, consideramos a realidade atual, pois não nos interessou entrevistar aqueles que abandonaram os projetos de vida no assentamento anterior à data da pesquisa. O objetivo foi analisar os modos de vida daqueles que permanecem residindo nos lotes ou que, morando em outra localidade, possuem posse de lote e vínculos com as famílias moradoras do P. A. Divisa.

Nessa realidade, encontrada durante o ano de 2007, houve a venda do lote de número 17, que já está registrada no mapa anterior. Com a vinda dos compradores, o número daqueles que moram no assentamento, na atualidade, é de 44 adultos, 10 adolescentes e 5 crianças.

As famílias compradoras dos lotes e moradoras do assentamento passaram a integrar as organizações coletivas que já existiam no lugar. A associação dos produtores do assentamento é um exemplo de coletividade à qual os compradores se associaram. Nesse contexto, os esforços para se integrarem às relações de vizinhança foram sendo construídos por meio de experiências de vida as mais diversas, que estão desencontradas na história do próprio assentamento, entre aqueles que integraram o movimento de luta pela terra, em 1998, e aqueles que, posteriormente vieram para a terra, por meio de compra da posse.

Podemos afirmar que os desencontros entre as famílias relacionam-se a suas origens de município, laços de parentesco e nas formas de acesso à terra. Esses fatores nos indicam que o assentamento é composto por grupos heterogêneos, não nos permitindo generalizá-los em uma categoria que os determine, enquanto grupo homogêneo. Nem mesmo é possível homogeneizar grupos menores no

assentamento, que estejam enquadrados na condição de assentados ou compradores, além de existir diferenças entre as famílias que possuem parentesco.

Para demonstrar as diversidades de experiências desencontradas no assentamento, buscamos, junto às famílias, informações referentes às habilidades relacionadas ao trabalho, seja ele vinculado à terra ou não, que exerciam antes de conquistarem o lote. O interesse pela experiência de trabalho das famílias é importante para estabelecermos análises sobre os usos da terra no assentamento e compreendermos como o conteúdo cultural de saberes ligados à terra tem sido colocado em prática para garantir a fixação das famílias nos lotes e sua sobrevivência.

A partir de entrevistas, foi possível elaborar um quadro referente às experiências de trabalho das famílias moradoras e não moradoras do assentamento, tomando-se, como referência, o chefe-provedor da família. Classificamos como moradoras aquelas que permanecem no assentamento por mais de sete dias contínuos e que não declararam estar de férias ou passeio, durante esse período. O chefe-provedor é aqui entendido como o sujeito da família responsável em organizar a produção no lote, ser o principal trabalhador nas atividades de produção, bem como o responsável em exercer outras atividades geradoras de renda, que garantam a sobrevivência da família. Vejamos o quadro 2: