3.2 Threat model
3.2.5 Social relationship
O processo de melhoria exige análise permanente do posicionamento da organização em relação aos seus recursos de TI e na qualidade dos seus produtos e serviços. Tem-se como regra geral que esse posicionamento envolve uma comparação desses aspectos de TI com
os objetivos da empresa, as exigências externas, e com diversos pontos de referência tecnológica e de boas práticas (BECKER et al., 2009).
Nesse sentido, constitui-se tarefa difícil avaliar a posição da TI em relação a uma estratégia. Para cada aspecto da TI sob investigação surgem questões que precisam ser medidas e comparadas a referenciais específicos de boas práticas, a fim de se quantificar a qualidade ou estabelecer um grau específico de maturidade. Modelos de maturidade são ferramentas úteis para abordar essas questões (DE BRUIN et al., 2005).
De Kreger et al. (2013) entendem que um modelo de maturidade é útil para compreender o nível atual de uma organização contra um conjunto-padrão de definições. Esses modelos ajudam a organização a compreender o que ganham, e quais objetivos de negócio são atingidos pela mudança para um nível mais elevado de maturidade.
Na gestão de TI, os modelos de maturidade e os scorecards têm há muito tempo se revelado como instrumentos importantes, porque permitem melhor posicionamento da TI junto à organização (DE HAES; VAN GREMBERGEN, 2004). Ao longo dos últimos anos, centenas de modelos de maturidade têm sido desenvolvidos para apoiar a gestão de TI, sendo referenciais reconhecidos os modelos associados ao CMMI (DE BRUIN et. al., 2005; CARNEGIE MELON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2006) e utilizados como base de formação do IS/ICT Management Capability Maturity Framework (IC/ICT CMF), um modelo de maturidade para gerenciamento de TI (RENKEN, 2004).
O CMMI é um modelo de maturidade de melhoria de processo para o desenvolvimento de produtos e serviços. Ele consiste de melhores práticas que contemplem o desenvolvimento e a manutenção de atividades que cobrem o ciclo de vida e qualquer produto, desde a concepção até a entrega e manutenção (CARNEGIE MELLON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2013).
O processo de melhoria em uma organização é diferencial estratégico quando aplicado como um modelo de maturidade que contém e unifica as práticas utilizadas em disciplinas específicas, tais como: Engenharia de Sistemas, Engenharia de Software, Desenvolvimento de Produtos e Processos Integrados, entre outras (CHRISSIS, 2003). O CMMI é uma evolução do Capacity Maturity Model (CMM) e procura estabelecer um modelo único para
o processo de melhoria corporativo com foco na TI, integrando diferentes modelos e disciplinas (CARNEGIE MELON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2006). Esse modelo é uma forma natural de mercado para tentar entender e avaliar a maturidade da TI em geral.
De modo geral, um modelo de maturidade é composto por uma sequência de níveis e representa um caminho de evolução esperado, almejado, ou mesmo caminhos típicos em forma de estágios discretos. Na forma de estágios discretos, os modelos de maturidade apresentam uma escala – baseada em requisitos – para dar suporte quantitativo à avaliação do estado de maturidade estabelecido pelo modelo. Assim, um framework de maturidade, como o CMMI, acomoda múltiplas disciplinas e é flexível o suficiente para suportar duas representações diferentes (CARNEGIE MELLON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2013):
a) Representação em Estágios
A Representação em Estágios provê uma sequência bem definida de melhoria, cada um servindo como base para o próximo. Oferece uma forma sistemática e estruturada para melhoria dos processos (CARNEGIE MELLON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2013).
A representação em estágios utiliza conjuntos predefinidos de áreas de processo para definir um caminho de melhoria para uma organização. Esse caminho de melhoria é caracterizado por níveis de maturidade, e, assim, cada nível de maturidade fornece um conjunto de áreas de processo que caracteriza diferentes comportamentos organizacionais. Determinado nível de maturidade é definido pelo conjunto de áreas de processo dentro do nível em questão.
Nessa representação, por ser pontual, a ordem de melhoria é rígida e os estágios são cumulativos e dependentes dos anteriores. Para alcançar o nível de maturidade, uma empresa precisa ter implementado todos os processos do nível anterior, e esses precisam estar em conformidade com o nível de capacidade atual e a todos os processos desse nível. Por oferecer uma sequência bem definida de melhoria de processos, a representação em estágios é mais habitual para as organizações (CARNEGIE MELLON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2013).
A Representação Contínua oferece a maior flexibilidade, pois permite selecionar a área de processo a ser melhorada ou a ordem em que as melhorias serão feitas.
A Representação Contínua permite que a organização selecione uma área de processo (ou grupo de áreas de processo) e atue na melhoria de processos nesse escopo. Essa representação também utiliza níveis de capacidade para caracterizar a melhoria de processos individuais (CARNEGIE MELLON SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2013).
Assim como os domínios dos modelos de maturidade, cada processo tem o seu próprio nível de capacidade. Essa representação é indicada quando se conhece bem os problemas da organização – quais são os processos que precisam ser melhorados e as dependências entre eles são bem conhecidas.
Observado sob a ótica de um ciclo contínuo de melhoria, os dois modelos se sobrepõem na medida em que um modelo em evolução (em busca de um novo estágio) está relacionado à representação contínua, enquanto a representação em estágio define uma posição estável ou em estabilização dentro do modelo. A Figura 2.4 ilustra o relacionamento entre os estágios do CMMI, e a Figura 2.5 ilustra um processo contínuo entre os marcos da representação em estágios.
Figura 2.5 – Representação Contínua e em Estágios do CMMI v 1.3
Fonte: Disponível em: <http://qualitynotion.com/wp-content/uploads/2013/02/CMMI-HM-in-a-Cont.- Rp.1.jpg>. Acesso em: 10 fev. 2013.