• No results found

1 Introduction

1.3 Social environment of substance use disorders

Nesta seção, serão discutidos alguns exercícios de simulação, a fim de verificar como se comporta o equilíbrio da economia quando individualmente os seguintes parâmetros estruturais são alterados: custo de default, grau de aversão ao risco, depreciação de capital, elasticidade da oferta de trabalho e fator de desconto intertemporal.

Na Tabela 7, apresenta-se o equilíbrio estacionário da economia para distintos custos de default. O valor de referência é , usado na estimação padrão do modelo. O valor

denota uma situação em que o custo de default pode ser considerado desprezível. Nessa situação, a penalidade aplicada à firma que deixa de honrar suas obrigações contratuais

com os bancos pode ser considerada leniente. No outro extremo, retrata um ambiente econômico em que a intensidade da punição aplicado ao devedor inadimplente é muito severa.

Tabela 7 – Equilíbrio estacionário para diversos custos de default. Variável Consumo 0,5820 0,4170 0,4076 0,4034 0,3929 Investimento 0,2073 0,0789 0,0741 0,0720 0,0670 Produto 0,7893 0,4959 0,4817 0,4754 0,4599 Emprego 0,2502 0,1999 0,1973 0,1962 0,1934 Salário 2,1326 1,6770 1,6501 1,6379 1,6077 Capital 8,6749 3,3014 3,1006 3,0128 2,8034 Taxa de adimplência 0,0027 0,8057 0,8755 0,9084 0,9931 Juros – Captação 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 Juros – Aplicação 10,7711 0,0365 0,0336 0,0324 0,0296

Juros - Capital Bancário 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227

Depósito 0,2632 0,1002 0,0941 0,0914 0,0851

Capital Financeiro 0,0356 0,0136 0,0127 0,0124 0,0115

Spread 10,7507 0,0161 0,0132 0,0120 0,0092

Observa-se que, quanto maior for a intensidade da punição prevista para os casos de inadimplência, maior será a taxa de adimplência das operações de crédito. Quando , ou seja, baixo custo de default, a firma decide pagar apenas 0,27% dos reembolsos previstos. Nessa situação-limite, a taxa de juros de remuneração de operações de crédito explode. O equilíbrio exigiria um spread bancário da ordem de dois milhões por cento ao ano. Além disso, a produtividade da economia cairia cerca de 40%, pois o equilíbrio exigiria um estoque de capital significativamente maior. A taxa de juros de captação de depósitos e a taxa de remuneração de capital próprio dos bancos não são sensíveis a variações no custo de default. Quando , isto é, as regras institucionais são muito severas no tratamento dos casos de

default, as firmas reembolsam aos bancos 99,31% das parcelas devidas, ou seja, praticamente

não haveria inadimplência.

As simulações realizadas mostraram também que reduções no custo de default estão associadas a equilíbrios da economia em que o nível de atividade econômica é maior. Reduzindo o valor do custo de default de para , verifica-se que o produto, o nível de emprego e o investimento crescem, respectivamente, 2,9%, 1,3% e 6,5%. Contudo, esses ganhos são acompanhados pelo aumento da instabilidade financeira, pois o risco de crédito eleva-se 56,1%. Para compensar o aumento do risco das operações de crédito, o

spread bancário eleva-se de 5,7% ao ano para 7,0% ao ano, o que representa uma majoração

de 22,6%. No intervalo de amplitude examinado, a capitalização dos bancos parece não se modificar significativamente. Para valores intermediários de , o capital próprio dos bancos

corresponde à 11,9% do passivo total. Nas duas situações extremas de , o patrimônio líquido dos bancos se situa em 8,4%.

Na Tabela 8, mostra-se o equilíbrio estacionário da economia para diferentes graus de aversão ao risco do consumidor.

Tabela 8 – Equilíbrio estacionário para diversos graus de aversão ao risco do consumidor. Variável Consumo 0,0644 0,2343 0,4076 0,4506 0,5377 Investimento 0,0156 0,0446 0,0741 0,0814 0,0962 Produto 0,0800 0,2790 0,4817 0,5320 0,6340 Emprego 0,0292 0,1121 0,1973 0,2185 0,2614 Salário 1,8499 1,6816 1,6501 1,6460 1,6395 Capital 0,6540 1,8679 3,1006 3,4061 4,0263 Taxa de adimplência 0,4288 0,7940 0,8755 0,8866 0,9040 Juros – Captação 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 Juros – Aplicação 0,0686 0,0370 0,0336 0,0317 0,0325

Juros - Capital Bancário 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227

Depósito 0,0198 0,0566 0,0941 0,1033 0,1221

Capital Financeiro 0,0027 0,0076 0,0127 0,0140 0,0165

Spread bancário 0,0482 0,0166 0,0132 0,0128 0,0121

O benchmarking é a coluna correspondente a Observa-se que quanto maior for a aversão ao risco do consumidor, maior será a oferta de depósitos. Por essa razão, a oferta de crédito será maior e consequentemente mais investimentos serão realizados. Assim sendo, o equilíbrio de longo prazo alcançará maior nível de atividade econômica e de consumo.

Por outro lado, vê-se que quando os consumidores são mais aversos ao risco, as firmas e os bancos assumem comportamento menos arriscado. À medida que cresce, aumenta a taxa de adimplência das operações de crédito. Paralelamente, o spread bancário reduz-se para compensar a queda do risco tomado pelos bancos. Por exemplo, quando a taxa de juros de aplicação é de 30,4% ao ano, incluindo um spread de 22% ao ano. Caso o consumidor seja mais averso ao risco, com , o spread bancário seria de apenas 4,9% ao ano. A capitalização dos bancos não é sensível ao grau de aversão ao risco do consumidor, situando-se próximo de 8,4% do passivo total. Esse comportamento pode ser explicado pelo fato de não haver alteração nas taxas de juros de captação de depósitos e de remuneração de capital próprio dos bancos.

Na Tabela 9, apresenta-se o equilíbrio estacionário da economia para diferentes taxas de depreciação de capital.

Tabela 9 – Equilíbrio estacionário para diferentes taxas de depreciação de capital. Variável Consumo 0,5447 0,4967 0,4076 0,3809 0,3202 Investimento 0,0272 0,0456 0,0741 0,0814 0,0969 Produto 0,5719 0,5423 0,4817 0,4623 0,4171 Emprego 0,1943 0,1955 0,1973 0,1979 0,1997 Salário 1,9901 1,8751 1,6501 1,5792 1,4116 Capital 5,4419 4,5571 3,1006 2,7148 1,9383 Taxa de adimplência 0,9276 0,9141 0,8755 0,8587 0,8062 Juros – Captação 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 Juros – Aplicação 0,0317 0,0322 0,0336 0,0342 0,0365

Juros - Capital Bancário 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227

Depósito 0,0345 0,0578 0,0941 0,1034 0,1230

Capital Financeiro 0,0046 0,0078 0,0127 0,0140 0,0167

Spread 0,0113 0,0118 0,0132 0,0119 0,0161

Economias com maior taxa de depreciação de capital fixo têm maior necessidade de realizar investimentos em formação bruta de capital. Quando varia de para , a taxa de investimento da economia desloca-se de 8,4% para 17,6%. Para , a taxa de investimento deve ser de 23,2%.

Observa-se também que o equilíbrio estacionário do produto é menor para valores crescentes da taxa de depreciação de capital, em virtude da erosão do estoque de capital da economia.

A necessidade de reposição de capital leva a firma a reduzir a taxa de adimplência das operações de crédito à medida que se defronta com taxas de depreciação de capital maior. Para , somente 7,2% dos créditos deixam de ser honrados, enquanto para , a inadimplência eleva-se a 19,4%. Nesse intervalo, o aumento de risco de crédito provoca um aumento da taxa de juros de aplicação, resultando num aumento de 15,6% no spread bancário. O nível de emprego, assim como as taxas de juros de captação (depósitos e capital financeiro), não se altera quando se modifica a taxa de depreciação de capital da economia. No mercado de trabalho, há ajustamentos na taxa de salário real, que se mostra negativamente correlacionada com a taxa de depreciação de capital.

Na Tabela 10, mostra-se o equilíbrio estacionário da economia para diferentes elasticidades da oferta de trabalho.

Tabela 10 – Equilíbrio estacionário para diferentes elasticidades da oferta de trabalho. Variável Consumo 0,3277 0,4076 0,7041 0,9690 1,8147 Investimento 0,0605 0,0741 0,1245 0,1695 0,3132 Produto 0,3883 0,4817 0,8286 1,1385 2,1279 Emprego 0,1581 0,1973 0,3433 0,4738 0,8903 Salário 1,6607 1,6501 1,6316 1,6245 1,6156 Capital 2,5325 3,1006 5,2091 7,0925 13,1054 Taxa de adimplência 0,8478 0,8755 0,9258 0,9454 0,9705 Juros – Captação 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 0,0204 Juros – Aplicação 0,0347 0,0336 0,0318 0,0311 0,0303

Juros - Capital Bancário 0,0267 0,0227 0,0227 0,0227 0,0227

Depósito 0,0768 0,0941 0,1580 0,2151 0,3976

Capital Financeiro 0,0104 0,0127 0,0214 0,0291 0,0538

Spread 0,0143 0,0132 0,0114 0,0107 0,0099

O padrão de referência é a coluna que corresponde a Para valores elevados da elasticidade de Frich, isto é, quando é alto, de forma que é baixo, o nível de emprego é baixo. Conforme se reduz a elasticidade do mercado de trabalho, a oferta de emprego cresce. A taxa de salário real cresce à medida que o fator trabalho torna-se mais flexível.

O nível de atividade econômica alcançado pela economia no equilíbrio de longo prazo é maior quando há rigidez no mercado de trabalho. O custo de capital para as firmas se reduz, pois a taxa de juros de equilíbrio cai cerca de 2 pontos percentuais para 12,7% ao ano, quando comparada ao estado benchmarking. As firmas ainda se beneficiam de uma taxa de salário relativamente mais baixa. O risco de crédito torna-se substancialmente menor. Por exemplo, quando , situação em que a oferta de trabalho é praticamente inelástica, a taxa de adimplência das operações de crédito eleva-se para 97,1%.

O nível de capitalização dos bancos, que se situa em torno de 8,4%, não se altera significativamente com alterações na elasticidade da oferta de trabalho. O mesmo ocorre com o custo de captação das instituições financeiras.

Na Tabela 11, mostra-se o equilíbrio estacionário da economia para diferentes valores do fator de desconto. O valor de corresponde a uma situação em que os agentes econômicos mostram-se mais impacientes relativamente ao futuro e exigem uma taxa de juros real de 13% ao ano como remuneração de recursos mantidos em poupança. Por sua vez, o valor de denota um estado em que os agentes econômicos são mais pacientes e ficam satisfeitos com uma remuneração de 2% ao ano para as operações de transferência de consumo do presente para o futuro.

Tabela 11 – Equilíbrio estacionário para diferentes fatores de desconto. Variável Consumo 0,3466 0,3742 0,4076 0,5029 0,5750 Investimento 0,0477 0,0587 0,0741 0,1340 0,1998 Produto 0,3945 0,4329 0,4817 0,6369 0,7748 Emprego 0,1812 0,1884 0,1973 0,2245 0,2478 Salário 1,4718 1,5532 1,6501 1,9174 2,1138 Capital 1,9998 2,4557 3,1006 5,6070 8.3597 Taxa de adimplência 0,8089 0,8735 0,8755 0,9307 0,9534 Juros – Captação 0,0309 0,0256 0,0204 0,0101 0,0050 Juros – Aplicação 0,0551 0,0438 0,0336 0,0156 0,0076

Juros - Capital Bancário 0,0344 0,0285 0,0227 0,0112 0,0056

Depósito 0,0607 0,0745 0,0940 0,1701 0,2536

Capital Financeiro 0,0082 0,0101 0,0127 0,0230 0,0344

Spread 0,0242 0,0182 0,0132 0,0055 0,0026

O efeito mais imediato de variações no fator de desconto incide sobre o custo de captação de depósitos bancários. Como essa taxa de juros serve de referência para outros produtos financeiros, observa-se que o custo de capital próprio dos bancos e as operações ativas também são sensibilizados quando há modificações no fator de desconto intertemporal. Para fins de ilustração, o equilíbrio estacionário da economia para um fator de desconto de teria uma taxa de juros real de operações de crédito de 23,9% ao ano, enquanto um valor de exigiria uma taxa de juros real de apenas 6,4% ao ano. No primeiro caso, o

spread bancário seria de 11%. E no segundo caso de 1,1% ao ano.

Dado que taxas de desconto menores estão associadas a menores custos de capital, o nível de atividade econômica em equilíbrio estacionário é substancialmente maior à medida que cresce. Em consequência de a economia alcançar um equilíbrio de longo prazo mais favorável, o risco de crédito se reduz. Tudo o mais constante, para um fator de desconto de , a taxa de adimplência das operações de crédito eleva-se para 95,3%, ao passo que para esse indicador se situaria em 80,9%.

No Gráfico 8, é apresentado um exercício de simulação da função impulso-resposta da taxa de adimplência das operações de crédito a um choque de liquidez de 1% com coeficiente de persistência de 0,40 para distintos valores dos parâmetros: taxa de depreciação de capital, custo de default, grau de aversão ao risco e fator de desconto intertemporal.

Gráfico 8. Função impulso-resposta da taxa de adimplência a um choque de liquidez.

No primeiro painel, observa-se que a redução da taxa de adimplência das operações de crédito como consequência de um choque de liquidez é maior à medida que a taxa de depreciação de capital da economia é maior. Logo, caso a taxa de depreciação de capital seja mais elevada, as firmas decidem reduzir a proporção dos reembolsos das operações de crédito, preferindo assumir os custos de default. Essa conduta pode ser explicada pela necessidade de autofinanciamento da reposição do estoque de capital.

No segundo painel, vê-se que o risco de crédito é maior quando o custo de default é considerado baixo pelas firmas. Essa simulação revela que uma adequada política de punição aplicada a devedores inadimplentes pode ser eficaz no esforço de fortalecimento da estabilidade financeira, pois tornaria a economia mais resistente a crises de liquidez.

No terceiro painel, nota-se que após o choque de liquidez, a queda na taxa de adimplência das operações de crédito é mais proeminente para a situação em que a aversão do consumidor ao risco é maior. Nessa hipótese, as unidades familiares reduzem mais os depósitos bancários, causando escassez de fundos para financiamento de investimentos. É esse fato que provavelmente leva as firmas a reduzirem a taxa de adimplência das operações de crédito.

No último painel, pode-se verificar a existência de uma associação positiva entre taxa de desconto e a reação da taxa de adimplência das operações de crédito a um choque de

liquidez. Conforme anteriormente discutido, quanto maior for a taxa de desconto, maior será o risco de crédito, pois o custo de capital das firmas é mais elevado.