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Do universo da pesquisa — 13.212 graduandos da UFU matriculados até 2013 —, salientamos 3.769 cuja média geral acumulada e integralização curricular são menores ou iguais a 60. São estudantes com rendimento acadêmico insatisfatório, registros de reprovações (por notas e/ou por frequência), trancamentos de matrícula (parcial e/ou total) e até processo de jubilamento e possibilidade de evasão. Noutros termos, eram os que apresentavam coeficiente de rendimento acadêmico inferior, reprovação máxima, falta de aprovação e excesso de tempo para concluir o curso. Com base em amostra estratificada e representativa de nove grupos de cursos de graduação classificados em áreas distintas do conhecimento, estes últimos somam 373 discentes elegíveis para responder aos questionários e ter seus históricos escolares examinados. Dentre eles, 36 foram elegíveis, mediante amostra proposicional, para não só responder ao questionário, mas também participar da entrevista semiestruturada.

Como a população é grande e está distribuída em 118 cursos — discriminados no Apêndice C —, qualquer discente tem a mesma probabilidade de responder às questões. Assim, distribuem-se em nove grupos, seguindo critério da tabela de áreas de conhecimentos do conselho nacional de desenvolvimento científico e tecnológico (CONSELHO NACIONAL DE PESQUISA/CNPq, 2016). Nove grupos de área de conhecimentos com quantidades diferentes de alunos requerem um tratamento estatístico para obter amostragem estratificada para cada um, de modo que qualquer aluno dentre os 3.769 tenha a mesma oportunidade de responder ao questionário. Consegue-se, dessa maneira, uma correspondência lógica para que essa amostra estratificada corresponda ao universo inicial apresentado, pois foram usados, para obter essa correspondência, cálculo amostral (matemático) e tratamento estatístico, que “[...] implica analisar os dados utilizando técnicas estatísticas” (TAVARES, 2014, p. 19).

Com efeito, a análise se valeu do método probabilístico, pois

Cada elemento da população tem a mesma chance de ser selecionado. Trata-se do método que garante cientificamente a aplicação de técnicas estatísticas. Somente com base em amostragens probabilísticas é que se podem realizar inferências ou induções sobre a população a partir do conhecimento de uma amostra (GONÇALVES, 2016, p. 5; 6).

Ambos os procedimentos — matemático para o cálculo amostral e probabilístico para determinar a amostragem estratificada — foram pesquisados sistematicamente, uma vez que “[...] a estratificação aumenta a precisão da amostra e implica o uso deliberado de diferentes tamanhos de amostra para cada estrato” (KALTON; HEETINGA, 2003 apud SAMPIERI, 2013); e propagados no meio acadêmico para conhecimento e uso da comunidade científica, que abrange todas as áreas de conhecimento. Formam-se os grupos a seguir com estudantes dos cursos de graduação.

• Grupo 1 (G1): 540 de ciências exatas e da terra • G2: 169 de ciências biológicas

• G3: 595 de engenharias • G4: 182 de ciências da saúde • G5: 310 de ciências agrárias

• G6: 565 de ciências sociais aplicadas • G7: 407 de ciências humanas

• G8: 195 de linguística, Letras e Artes

Estratifica-se a amostra de 373 para essa população distribuída nos nove grupos com o programa estatístico BioEstat 5.3, criado e aperfeiçoado, desde a década de 1980, por Manuel Ayres, Manuel Ayres Júnior e Daniel Lima Ayres, do departamento de estatística da Universidade do Pará. Eis o resultado: Extrato 1(E1) = 53; E2 = 17; E3 = 59; E4 = 18; E5 = 31; E6= 56; E7 = 40; E8 = 19 e E9 = 80. Em outras palavras, são aplicados 53 questionários para o G1; 17 para o G2; 59 para o G3; 18 para G4; 31 para o G5; 56 para o G6; 40 para G7; 19 para o G8 e 80 para o G9.

São excluídos 9.443 discentes integrantes desse universo que têm média geral acumulada e integralização curricular superior a 60, pois se considera que nesse grupo o risco acadêmico (reprovações constantes, trancamentos de disciplinas, envolvimento em processo de jubilamento) é menor que no grupo incluído. Assim, parece que, àquele grupo, diminui a probabilidade de evasão da universidade.

Como os informantes são pessoas com certa vulnerabilidade — afinal, estavam em processo de ser excluídos da participação efetiva de práticas educacionais de formação —, para não constrangê-los nem prejudicá-los física, mental, social, cultural ou espiritualmente, a preocupação foi redobrada na abordagem. As questões propostas no questionário para medir, com base na proposição de Likert (SAMPIERI, 2013), a atitude dos estudantes em relação a suas atividades de estudar na realidade universitária foram elaboradas visando à clareza, transparência, objetividade e síntese. Não se pretendeu dar margem a interpretações enviesadas que pudessem prejudicá-los na execução de seus trabalhos acadêmicos; antes, estas podem auxiliá-los a pensar sobre suas atitudes no espaço universitário para superar e transformar suas ações e se aproximarem sistematicamente do êxito acadêmico almejado pela comunidade universitária. Esse mesmo cuidado subjaz às questões semiestruturadas feitas pessoalmente aos estudantes que se dispuserem a participar da oficina pedagógica de orientação educacional.

O processo didático-pedagógico da entrevista é elaborado com a participação ativa dos alunos envolvidos. Tal participação guia o referencial teórico-metodológico de um processo social participativo, prático, colaborativo, emancipatório, crítico e recursivo (reflexivo, dialético), como querem Kemmis e Wilkinson (2002), e fundado em nossa experiência de 25 anos de prática docente, da educação básica ao ensino superior, da graduação à pós-graduação. Tal experiência — é claro — não prescinde da atenção total a eventuais problemas associáveis com a resolução 466 (12/12/2012) do Conselho Nacional de Saúde que possam trazer danos — seja quais forem — aos participantes. A preocupação e atenção focaram em riscos presumíveis para minimizar eventuais danos aos participantes, como se lê nos itens a seguir.

• Danos socioeconômicos com locomoção e tempo de dedicação para responder ao questionário. O uso de questionário eletrônicos e/ou deslocamento do pesquisador à unidade onde se encontram os estudantes foram estratégias para evitar e diminuir prejuízos. Elaboradas com objetividade, as questões visaram tomar o mínimo possível de tempo do respondente. Assim, a técnica de coleta de dados foi disponibilizada a todos os potenciais participantes de todas as graduações matriculados em qualquer campus da UFU.

• Danos advindos de dados do histórico escolar. Quem permitiu o exame de seu histórico escolar — mediante consentimento15 — não teve nenhum dispêndio material ou de tempo, pois o pesquisador leu o material em seu formato eletrônico no Sistema de Informações para o Ensino (SIE) com anuência da Pró-reitoria de Graduação da UFU. Considerou-se apenas informações como nome de curso e dados da atividade de estudar, do êxito e do risco acadêmico. Nenhuma fase da pesquisa previu divulgação de informações pessoais oriundas desse histórico, seja escrita ou oral, pois só o pesquisador trabalhou com esse documento, não retido como arquivo digital nem impresso com base na interface do SIE. Os dados relevantes do histórico à pesquisa e as respostas dos questionários foram alocados em arquivos de tabelas para acomodar dados pesquisáveis, além de ser atribuído um código para cada nome de estudante.

Portanto, mesmo com todos os cuidados e a atenção dispensados ao delineamento da pesquisa, esta não se exime de nenhuma responsabilidade associável com os prejuízos que a investigação possa acarretar aos participantes.

A pesquisa aqui descrita pretendeu beneficiar diretamente os participantes. Seus resultados apontaram maneiras de os alunos se apropriarem da realidade universitária, de entender suas contradições e superá-las na execução sistemática e fluente dos trabalhos acadêmicos à luz da metodologia científica. São benefícios associados com a probabilidade de os participantes discernirem com clareza as atitudes pessoais, entrelaçadas em práticas sociais, pressupostas no ato de estudar, aprender, pesquisar e vivenciar plenamente o espaço universitário que permitam concretizar uma formação universitária que valha para a vida toda. Tal discernimento claro seria essencial para modificar atitudes que vão contra certo ideal de formação acadêmica. Assim, como contribuição efetiva da pesquisa, poderia haver diminuição das dificuldades pedagógicas com planejamento ordenado de ações acadêmicas (leituras

analíticas, elaboração e redação de trabalhos de conclusão de curso etc.) e a ação de solucionar problemas na vida social e individual com base em conhecimentos sistemáticos. O resultado presumível é uma formação universitária mais significativa.