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Acreditamos que a história da educação é uma ferramenta indispensável para o entendimento da educação na atualidade, sobretudo quando se visa entender as políticas públicas e os modelos de qualificação docente, pois ela nos ajuda a entender o processo de ampliação e difusão da escola pública, gratuita e para todos, que ainda está em curso em nosso país.

Não há melhor maneira de pensar o presente da escola e da formação de professores que não seja pelo caminho da história. Não existe presente sem passado e assim como o futuro, que, de acordo com Nóvoa (2005), estamos a fabricar todos os dias.

O processo de formação de professores ainda enfrenta desafios parecidos com aos de vinte anos atrás, originários das exigências políticas que cobram maior tempo de preparação para atuação na educação básica. Assim como as demandas culturais postas pela sociedade democrática, que fazem com que a questão dos professores, embora venha sendo pesquisada há mais de duas décadas, ainda não é um tema esgotado, uma vez que as demandas sociais por uma escola de qualidade não cessaram.

Na década de 1990, vivemos um frenesi pela formação a distancia por meio do uso das tecnologias de informação e comunicação, que eram entendidas como a forma de levar a capacitação até os docentes, democratizar o conhecimento, diminuir a desigualdade formativa entre profissionais das mais diversas regiões do Brasil; contudo, essa proposta ainda nos causa certo ceticismo, sobretudo ao pensar que a ideia, apesar de não tão bem sucedida, ainda figura no bojo dos burocratas que administram a educação pública.

O vídeo é um meio e não um fim no processo educativo. Os professores ainda são indispensáveis nas relações de ensino e aprendizagem. A aquisição de conhecimentos, tão somente pela mídia, é comprometedora, dado que a educação é atividade humana.

Outro problema é a capacitação ser cursada por motivos que não os de aprimoramento do ofício, tais aspectos como progressão na carreira, aumento de

salário ou qualquer outro que não visa, em primeiro plano, à compreensão pedagógica a fim de melhorar o processo de ensino e aprendizagem não justifica seu ingresso.

A proposição de cursos a distância apresentou muitos problemas na década de 1990, como despreparo infraestrutural, falta de tutores capacitados, currículos baseados no fazer, imposição legal aos cursistas, matrículas por causa da elevação salarial etc. Atualmente, projetos de formação parecem não ter saído desse paradigma e perpetuam tendência parecida.

Aspectos intrínsecos como a relação entre teoria e prática na formação, por algumas vezes, não tiveram devida atenção, fato que implica discursos apaixonados ora em defesa da teoria, ora em defesa da prática, mas não na fusão da relação teórico/prática. Os professores devem ser entendidos como pesquisadores, que se alimentam de teoria, com intuito de propor novas práticas em uma relação dialética e constante.

Do ponto de vista político, o investimento no professorado é condição para o melhora da educação como um todo. A legislação existe e oferece suporte, contudo as práticas aplicadas a partir das leis não se coadunam. Temos que, em conjunto, enquanto sociedade, romper com a política que não coaduna o discurso com a prática. Ainda cabe aos gestores não desfazer todo o trabalho apresentado nas trocas de governo, para que as leis não figurem apenas como texto no Diário Oficial da União.

Acreditamos que há necessidade de reformas mais profundas que atendam as demandas profissionais dos professores, como: 33% de hora atividade, 10% do PIB nacional para Educação, concursos públicos acompanhados de plano de carreira cargos e salários, condições dignas de trabalho garantida pelo Estado, redução paulatina do número de alunos por sala e garantia do cumprimento, pelo menos, do piso salarial nacional para professores(as).

No âmbito das políticas para a formação de professores especificamente, resta-nos lutar para que o Estado garanta cursos iniciais de qualidade presencial e qualificação continuada e permanente, com condições reais para isso. Tais necessidades apontam para: redução da jornada em sala de aula, incentivo

econômico, por meio de plano de carreira cargos e salários, oferta de cursos acessíveis geograficamente aos professores(as), a fim de não perderem o interesse nos estudos e na melhoria da atuação.

Com relação ao MEC, desejamos, ainda, que faça sua parte, fiscalizando os cursos de formação de professores, consolidando e ampliando os programas de qualificação docente no país.

Enfim, aos mestres que quase sempre foram os principais interessados na sua formação, que não percam isso de vista, dado que ser professor implica em estar em constante em exercício de aprendizagem. Estudar, pesquisar, propor devem ser verbos presentes e ações efetivas na vida de todos os docentes.

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ANEXOS

Anexo 1 - Modelo de Certificado expedido pelo Estado para Cursos de

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