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1. INTRODUCTION

1.1. Non-small cell Lung Cancer

É importante lembrar que o termo ambiente ou meio-ambiente, embora bastante complexo, “abrange, de um lado, o equilíbrio dos recursos naturais, identificados e identificáveis, existentes em quantidades finitas na nave terra, e, de outro, a qualidade do ambiente ou, se prefere do meio; esta qualidade constitui elemento importante do nível de vida e, além disso, condiciona as disponibilidades e a qualidade dos recursos renováveis. A bem dizer, a linha divisória entre os recursos renováveis e os não renováveis não é dada de uma vez por todas. Os danos podem acabar por destruir os recursos renováveis: a reciclagem permite um emprego repetitivo deste ou daquele recurso não renovável. De modo geral, porém, a distinção entre esses dois grupos de recursos continua válida e útil” (Sachs, 1986).

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE) fala do habitat total do homem, que segundo uma interpretação mais restritiva, distingue no ambiente três subconjuntos: o meio natural, as tecno-criadas pelo homem e o meio social, que relacionados permitem a compreensão dos efeitos sobre o ambiente a partir dos modos de utilização dos recursos e das técnicas de produção empregadas, do impactos dos modelos de consumo do produto e dos assentamentos humanos sobre o ambiente; a degradação dos recursos naturais devido a danos, o condicionamento da produção pela qualidade do meio e o ambiente como componente da qualidade de vida (Sachs, 1986 :12).

Nessa direção, Sachs (1986 :14) aponta ainda seis níveis críticos em que se situará a ação, a seguir:

1. ”A estrutura de consumo, que, por sua vez, depende da distribuição da renda e do conjunto de valores reconhecidos pela sociedade.

2. O regime sócio-político e, mais particularmente, a maneira como ele se responsabiliza pelos custos sociais: a regra da economia de mercado é deixar que as empresas internalizem os lucros e externalizem os custos.

3. As técnicas empregadas. Impõem aqui uma distinção entre, de um lado, a adição da despoluição à escalada da produção e dos danos resultantes e, de outro, a utilização de técnicas não destruidoras do meio ambiente, nas quais conseqüentemente, se terá internalizado a dimensão ambiental.

4. As modalidades de utilização dos recursos naturais e da energia, analisadas sob o aspecto do desperdício de recursos raros, das possibilidades oferecidas à reciclagem dos desperdícios e, inclusive, do controle da taxa de obsolescência de certos bens duráveis e de equipamentos, de maneira a diminuir a utilização dos recursos raros a eles incorporados.

5. As formas de ocupação dos solos, visto que produções e atividades idênticas acarretam efeitos muito diversos, segundo a sua localização. 6. Por fim, o tamanho, o ritmo de crescimento e a distribuição da

população, levando-se em conta que, por si só, o tamanho da população não poderá ser um indicador da pressão desta sobre os recursos naturais, dado que devido a seu elevado consumo per capita, as algumas centenas de milhões de habitantes dos países ricos pesam muito mais fortemente que alguns bilhões de habitantes do Terceiro Mundo”.

Sabe-se que a realização da grande maioria das atividades econômicas implica na utilização de alguns recursos e, conseqüentemente, o entorno onde ela se realiza acaba necessariamente sendo afetado, trazendo ao homem um impacto positivo ou negativo.

A OMT (1998:241) apresenta a afirmação contundente de Krippendorf (1987) de que “o turismo destrói tudo o que toca”. A Organização entende que, efetivamente, existem limites na capacidade de adaptação dos ecossistemas que reagem com uma redução irreversível da diversidade ecológica. Alguns destinos já mostram sinais de crise e de estresse que levam a uma mudança de atitude dos autores implicados na indústria turística: as empresas, as autoridades, a população residente e os visitantes. Alguns exemplos concretos destes impactos negativos no meio ambiente: no Himalaia, surgiram lixos nos acampamentos e a aceleração no

processo de desmatamento devido ao uso intensivo de lenha para calefação e uso diário; as áreas alpinas da Suíça, com problemas também de desmatamento e degradação nos seus Alpes e, finalmente, o caso da Espanha que, tendo se aproveitado das oportunidades de mercado (vôos charter e pacotes turísticos), explorou o turismo de forma espontânea e desordenada, sem atender a conservação e melhoria do ambiente natural. Krippendorf (1987), (apud OMT 1998:242) lembra o paradoxo deste descuido com o meio ambiente pois “a paisagem é a razão da existência do turismo e sua força econômica”.

Pires (2002:34) reforça estas constatações na costa mediterrânea da França e da Espanha e os complexos coletivos de férias no litoral da Bulgária e da Romênia, que, mesmo com um planejamento estatal (turismo social) são exemplos europeus desse processo que se alastrou, a partir dos anos 1960, de maneira eufórica e desenfreada por um número crescente de países e regiões em que se vislumbrava a possibilidade de grandes negócios no mundo do turismo e o crescimento econômico se sobrepunha às questões ambientais.

Em 1976, realiza-se em Washington o Seminário sobre os Impactos Sociais e Culturais do Turismo, promovido pelo Banco Mundial e pela Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco). A conferência da OMT de 1980, em Manila, parece ter refletido para dentro do turismo o momento de mudança de mentalidade em relação à sociedade e ao modelo de desenvolvimento. Sua declaração atribui ao turismo um papel transcendental como meio para o “desenvolvimento do espírito da amizade e cooperação humana (...) uma força vital para a paz (...) uma base moral e intelectual para o mútuo entendimento e interdependência das nações (...)”.

Neste mesmo ano (1980) surge o documento Estratégia Mundial para a Conservação, da União Internacional para a Conservação da Natureza e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep) / WWF, que reforça o conceito de “conservação” e se constitui no ponto de partida para a apresentação, em 1987, do conceito de “desenvolvimento sustentável” pelo Relatório Brundtland, também conhecido como Nosso futuro comum.

A IUCN, segundo Pires (2003:58), já havia definido, em 1980, dois conceitos fundamentais para o ambientalismo.

a) desenvolvimento:

“(...) é modificação da biosfera e a aplicação dos recursos humanos e financeiros visando à satisfação das necessidades humanas e à melhoria da qualidade de vida do homem. Para que o desenvolvimento possa ser sustentado, deve-se levar em consideração, além dos fatores econômicos, os de caráter social e ecológico e a disponibilidade de recursos bióticos e abióticos”

b) conservação:

“(...) é a gestão da utilização da biosfera pelo ser humano de tal maneira que produza o maior benefício sustentado para as gerações atuais, mas que mantenha sua potencialidade para satisfazer às necessidades e às apirações das gerações futuras. A conservação é positiva e compreende a preservação, a manutenção, a utilização sustentada, a restauração e a melhoria do ambiente natural”.

Em 1989, realizou-se na Polônia o Primeiro Encontro sobre as Perspectivas Teóricas em Formas Alternativas de Turismo, promovido pela Academia Internacional de Turismo, promovido pela Academia Internacional para Estudos do Turismo. Com a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio 92, o conceito de “conservação” passa a ser progressivamente assimilado por parte dos protagonistas mundiais do ambientalismo, com o “preservacionismo puro” dos recursos naturais apenas como uma de suas facetas e não como premissa dominante. Assim, a Agenda 21 – Agenda de ação para atingir o desenvolvimento sustentável – se torna um dos documentos resultantes da Conferência Rio 92. Em 1999, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável desencadeia institucionalmente um processo de planejamento participativo.

Para facilitar a visualização de vários aspectos ligados ao turismo que impactam negativa ou positivamente o ambiente onde ocorrem atividades turísticas,

o quadro 4 apresenta os aspectos envolvidos nesta análise e os respectivos impactos negativos e positivos.

QUADRO 4 – Impactos Ambientais do Turismo

Aspectos envolvidos Negativos positivos

1. Entorno Arquitetura não integrada com a paisagem, constituindo-se autênticas barreiras físicas e visuais entre as zonas residenciais e as principais atrações

A crise e o estresse levam à aprovação de medidas de conservação e melhoria da qualidade ambiental; restauração e preservação de edifícios e lugares históricos

2. Segregação da população local

Principalmente nos países não desenvolvidos, deixando os residentes sem acesso às facilidades turísticas

Tomar consciência de sua exclusão dos benefícios do turismo

3. Tratamento do lixo Sem os investimentos necessários (por parte das autoridades locais) para tratamento

Pode despertar para a

necessidade de alternativas de tratamento do lixo excessivo 4. Contaminação Acústica e poluição do ar, pela

concentração de veículos, nas praias e montanhas, com construções verticais e alto grau de concentração de turistas em reduzidas dimensões

Iniciativas de planejamento por parte da Administração para controlar e manter a qualidade ambiental

5. Hábitat natural da fauna e da flora

Erosão em áreas montanhosas, com mountain bikes, veículos off road, motocicletas etc

Criação de parques naturais, para proteger fauna e flora; projetos especiais para proteger espécies em extinção

6. Rivalidade na utilização dos recursos naturais

Disputa pelo solo e água que são demandadas pelas atividades turísticas e criam o desequilíbrio hidrológico

Estabelecimento de padrões de qualidade em áreas turísticas. Ex.: Bandeiras Azuis da União

Européia

Fonte: Elaboração do autor

Para o Modelo de Gestão a ser apresentado neste trabalho são importantes os aspectos envolvidos em entorno dos atrativos turísticos, no tratamento do lixo e outros aspectos onde são necessárias e possíveis as ações gerenciais.