Conforme se pode visualizar no gráfico abaixo, o comportamento da demanda turística anual por Bonito revela tendência de certo crescimento no período coberto pelos dados do próprio Município.
FIGURA 7 – Demanda Turística para Bonito
Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Bonito
Contudo, conforme se percebe pelo gráfico abaixo e também constatado por Peralta (2004), existe considerável diferença entre a demanda apresentada na
Demanda anual no período 97/2002
142.387 145.275 186.363 175.504 168.184 187.921 1997 1998 1999 2000 2001 2002 0 50000 100000 150000 200000 JARDIM
alta e na baixa temporada, podendo-se se comprovar esta variação pelos gráficos que se seguem.
FIGURA 8 – Variação da Demanda Mensal
Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Bonito
Considerando a evidente sazonalidade com significativo aumento da demanda nos meses de janeiro e julho dos anos compreendidos no período em análise, seguem-se os gráficos detalhando os números deste dois meses atípicos no período em análise. A seguir, a demanda do mês de janeiro, nos anos de 1997 a 2002.
FIGURA 9 – Visitas em janeiro
Visitas nos me se s de jane iro de 1997 a 2002
25.426 28.479 24.081 31.300 28.454 32.387 0 10.000 20.000 30.000 40.000 1997 1998 1999 2000 2001 2002
Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Bonito Número de Visitantes 0 7.000 14.000 21.000 28.000 35.000 42.000
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 2003 2002 2001 2000
Ao lado da percepção da alta sazonalidade , observa-se, também, que o número de turistas no mês de janeiro revela uma tendência de aumento ao longo dos anos, ou seja, de 27% de 1997 a 2002, apesar de oscilações durante o período em análise.
O segundo mês de alta demanda, que coincide com as férias de julho, também revela crescimento ao longo destes seis anos, porém com índice superior ao mês de janeiro, ou seja, atingiu uma elevação de 39% quando comparado o número de visitas em 2002 com o de 1997.
FIGURA 10 – Visitas em julho
Visitas nos meses de julho de 1997 a 2002
23.219 22.256 32.739 25.278 24.261 32.266 0 10.000 20.000 30.000 40.000 1997 1998 1999 2000 2001 2002
Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Bonito
Esta questão da variação de demanda ao longo dos meses do ano, tendo seus “picos” em janeiro e julho, se constitui o principal desafio tanto para a gestão pública local de Bonito, quanto para os seus vários segmentos prestadores de serviços turísticos.
Eu acho que compete ao município tentar elaborar uma política de baixa temporada em parceria com todos, porque os atrativos, na sua maioria, são particulares. É o negócio do proprietário rural que tem o turismo também dentro da sua propriedade; quer dizer, é um negócio particular dele, e isso a gente não tem como intervir na questão de elaboração de preço e tudo o mais, porque é um produto dele, mas acho que nós, como já levamos uma idéia no ano passado, vamos insistir nela esse ano de novo e estabelecer uma política de baixa temporada no município, uma política que envolva todos os segmentos participantes e mais o comércio da cidade. Uma coisa
que eu vi parecido lá na Espanha em Madri é uma tarjeta amarela que você compra e todo mundo que tem aquela tarjeta tem um desconto naquele lugar.
Sr. Martins – Secretário de Turismo de Bonito
Como base nas entrevistas realizadas com os turistas, alguns pontos se destacaram na análise por eles feitas quanto aos serviços prestados pelo cluster de Bonito. Houve praticamente uniformidade na avaliação que fazem dos preços praticados nos atrativos, ou seja, os turistas acham elevados este preços, embora gostem muito dos passeios e das atividades praticadas, principalmente, as aquáticas. Esta percepção do preço cobrado se reforça quando se trata de pais de família que vão para os passeios com a esposa, dois ou três filhos e, em alguns casos, mais pessoas da família, como os avós das crianças.
Alguns outros turistas, mais críticos, fizeram uma avaliação das condições de capacitação das pessoas que trabalham prestando serviços turísticos e entendem que há falta de preparo técnico-profissional para estes prestadores serviços. Um destes turistas entrevistados e que, por coincidência é responsável pela área de turismo em um município da Região Sul do Brasil, fez as seguintes declarações:
Eles deixam a pessoa perdida, porque ela não sabe para onde vai, porque não conhece. Eu, como é a primeira vez que estou aqui e como não conheço o local, não sei se dá para ficar meio dia ou dá para ficar o dia todo no outro local; meio dia ou o dia todo/ Quer dizer: quem teria que fazer isso ai seria esse grupo que conhece tudo para orientar. As moças que nos orientaram lá na recepção disseram assim “dizem que a barra do Sucuri é muito bonito” “Dizem”!!! Dizem não, têm que conhecer. Porque lá na gruta tal eu nunca fui mas é muito bonito”.Acho que tem que haver um preparo, primeiro para essas pessoas para atenderem o turista e também um esclarecimento melhor dos aspectos da ecologia e em que período a gente pode fazer, se o período é três dias ou quatros dias e que se cobre isso no pacote. Você fica perdido pois vê um cobrando cinqüenta e cinco e outro cobrando cento e dez para o mesmo trajeto”.
Há outros locais do território brasileiro, embora oferecendo atrativos ecoturísticos diferentes de Bonito, que também começam a se destacar na divulgação e na efetiva demanda pelos turistas que se identificam com estes atrativos. Podem ser citados: Jaciara (MT); Nobres (MT); Brotas (SP); Paulo Afonso (BA); Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Guimarães (MT), Chapada dos Veadeiros (GO), além de outros como Lençóis Maranhenses (MA) e o Parque Nacional do Jalapão (TO)
1.4 - Infra-Estrutura
Saneamento:
A população total do município era de 16.956 habitantes, pelo censo de 2000 (IBGE), sendo 12.928 habitantes na região urbana e os restantes 4.028 na zona rural.
Para a quase totalidade da população urbana acima, a cidade conta com sistema de captação de esgoto, porém está em processo de parceria com a Petrobrás para instalação de sistema de tratamento de esgoto para o município, pois este problema sanitário existe há cerca de 20 anos em Bonito. Em 1993, o governo de Pedro Pedrossian iniciou a montagem de uma estrutura para atender a cidade com projetos de saneamento, mas o projeto não teve prosseguimento, segundo informação veiculada na mídia, por ocasião da assinatura do contrato da Petrobrás para a parceria acima referida, em 14 de novembro de 2003.
Constatou-se na administração municipal de Bonito uma preocupação com a questão do tratamento do lixo urbano, com destaque para o lixo hospitalar, dado o risco de contaminação.
FIGURA 11 – Veículo de coleta de Lixo Hospitalar
Fonte: Foto do autor
Aeroporto:
Esta parece ser uma questão já bem polemizada na cidade, com muitas opiniões divergentes e muita crítica à construção de um aeroporto de categoria internacional no local.
Pergunta: O que você acha da construção do aeroporto em Bonito?
Eu acho que o aeroporto não vai descaracterizar, apenas por um motivo: porque Bonito tem o suporte de carga dele, então ninguém vai vender mais do que ele agüenta, de jeito nenhum, essa coisa toda, com pré reserva e tudo.
O que eu estou brigando muito em ralação a essa parte de aeroporto é que está me dando muito medo: se chama exatamente material humano, pois o material humano é péssimo aqui.
Juca – Agência Igarapé
Mas eu teria que ter realmente um pouco mais de confiança, o que agora está todo mundo esperando, o aeroporto, dizem que o aeroporto vai ser a salvação da lavoura: eu não acredito.
Sistema de Administração do fluxo turístico (Voucher único)
O número crescente de agências da cidade e os problemas advindos da falta de um procedimento único para o atendimento do turista provocaram a tentativa de unificação do sistema pela padronização do voucher. No estágio inicial do turismo, não havia um documento único para controlar o encaminhamento do turista ao atrativo, tampouco uma forma única e respeitada por todos, para o desdobramento do processo, como a retenção dos valores devidos ao guia, ao atrativo e impostos municipais.
Os principais problemas da falta de sistematização recaíam sobre as agências locais que, como fiéis depositárias de todos os valores advindos da arrecadação dos ingressos, tinham dificuldades de gerenciar seu fluxo de caixa, em virtude da necessidade de repassar valores a vários donos de atrativos sem uma regra fixa em termos de data ou prazo de recebimento.
A proposta de Voucher único foi desenvolvida no Conselho Municipal de Turismo, em 1995, pela resolução normativa nº 009. Como alvos principais de problemas a serem resolvidos pela padronização do sistema, estabeleceu-se que o Voucher seria a base para o fato gerador do ISS e, a partir de seu registro, o município poderia contar com uma estatística confiável, acerca do número de visitas a cada atrativo turístico.
Atualmente este sistema está funcionando regularmente e o sistema de arrecadação do ISS foi terceirizado e está a cargo de uma organização privada que utiliza o sistema ISSQN.